História Bíblica: Quem eram os fariseus?




  • Definição e Identidade: Os fariseus eram um grupo religioso judaico no tempo de Jesus, conhecidos pela adesão estrita à Torá e às tradições orais, com o “significado de fariseus” derivado de “separados” devido ao seu foco na pureza ritual.
  • Relação com Jesus: Eles opunham-se frequentemente a Jesus devido a diferenças teológicas, ameaças percebidas à sua autoridade e à crítica de Jesus ao seu legalismo, embora alguns, como Nicodemos, tenham interagido de forma positiva.
  • Fariseus vs. Saduceus: Ao contrário dos saduceus, que rejeitavam as tradições orais e a ressurreição, os fariseus acreditavam em ambos, influenciando a sua rivalidade e papéis distintos na sociedade judaica.
  • Relevância Moderna e Padres da Igreja: Hoje, “fariseu” descreve frequentemente um comportamento legalista ou hipócrita; Padres da Igreja como Agostinho criticaram a sua justiça baseada em obras, enfatizando antes a graça.

Já se perguntou sobre os fariseus de que leu na Bíblia? Eles são frequentemente mostrados como oponentes de Jesus, mas há muito mais na sua história. Quem eram os fariseus, e qual era o seu papel no tempo de Jesus? O significado de fariseus vai além de serem apenas os “maus da fita”—eles eram um grupo de líderes judaicos dedicados a seguir a Lei de Deus, embora as suas regras estritas por vezes entrassem em conflito com os ensinamentos de Jesus. Por que é que os fariseus odiavam Jesus, e o que a sua história nos pode ensinar hoje? Neste artigo, exploraremos quem eram os fariseus, como diferiam de outros grupos como os saduceus e o que os primeiros líderes cristãos disseram sobre eles.

O que é um fariseu na Bíblia?

Na Bíblia, o termo “fariseu” refere-se a um grupo religioso e político judaico proeminente durante o tempo de Jesus. O termo “fariseu” deriva provavelmente do hebraico Perushim, uma palavra hebraica que significa “separados”, sugerindo o seu compromisso em viver uma vida posta à parte de acordo com a sua interpretação da Lei de Deus. Eram conhecidos pela sua adesão estrita tanto à Lei escrita de Moisés como às suas extensas tradições orais, que acreditavam ter sido também dadas por Deus e transmitidas através de gerações. Estas tradições visavam aplicar a Lei a todas as áreas da vida quotidiana, garantindo santidade e pureza.

Historicamente, os fariseus surgiram durante o período do Segundo Templo, após o povo judeu ter regressado do exílio. Eram um movimento leigo, o que significa que não eram principalmente sacerdotes (como os saduceus), mas sim escribas, estudiosos e pessoas comuns que eram profundamente dedicadas a estudar e viver a Lei. Tinham uma influência considerável entre o povo comum devido à sua piedade percebida e dedicação à Palavra de Deus. Eram apaixonados por tornar a fé prática e relevante para todos, não apenas para os sacerdotes do templo.

Para nós, como cristãos, compreender os fariseus é crucial porque eles são frequentemente mencionados nos Evangelhos, muitas vezes em interações e debates com Jesus. Estes encontros destacam as diferenças entre os ensinamentos de Jesus e as interpretações da Lei pelos fariseus. Embora Jesus tenha afirmado a importância da Lei, Ele desafiou frequentemente a ênfase dos fariseus em regras e tradições externas em detrimento da transformação interna do coração e do espírito da Lei, que é o amor a Deus e ao próximo. Vejo isto como uma lição poderosa: a verdadeira fé não se trata apenas de seguir regras, mas de um relacionamento genuíno com Deus que nos muda de dentro para fora. Portanto, aprendamos com as Escrituras sobre os fariseus e permitamos que isso aprofunde a nossa apreciação pela graça e verdade encontradas em Jesus Cristo.

Quem eram os fariseus durante o tempo de Jesus?

Durante o tempo de Jesus, os fariseus eram uma das principais fações religiosas e políticas dentro do judaísmo. Eram um grupo altamente respeitado, composto principalmente por escribas, mestres da Lei e leigos devotos. Ao contrário dos saduceus, que estavam principalmente associados ao templo e à aristocracia sacerdotal, os fariseus estavam mais ligados às sinagogas e à vida quotidiana do povo judeu. A sua influência provinha do seu profundo conhecimento das Escrituras e do seu compromisso em aplicar a Lei de Deus a todos os aspetos da vida, tornando a santidade acessível a todos, não apenas aos sacerdotes no templo.

Historicamente, os fariseus traçaram as suas raízes até ao período macabeu, uma época em que os judeus fiéis resistiram à influência helenística (grega). Eram apaixonados por preservar a identidade judaica e a pureza religiosa, observando meticulosamente a Lei e as tradições que se tinham desenvolvido em torno dela. Acreditavam na autoridade de todo o Antigo Testamento, na existência de anjos e espíritos, e na ressurreição dos mortos — crenças que os distinguiam dos saduceus. A sua dedicação à Lei era genuína, e procuravam sinceramente viver de uma forma que fosse agradável a Deus.

Para nós, como cristãos, compreender os fariseus no seu contexto histórico ajuda-nos a apreciar o panorama religioso que Jesus percorreu. Eles eram os líderes religiosos e mestres que a maioria das pessoas admirava. As interações de Jesus com eles não foram apenas discussões aleatórias; foram poderosos debates teológicos que revelaram o coração da Lei de Deus e a natureza da verdadeira justiça. Embora Jesus criticasse frequentemente o seu legalismo e hipocrisia, Ele também reconhecia o seu zelo por Deus. Vejo nos fariseus um lembrete de quão facilmente as boas intenções podem tornar-se regras rígidas que perdem o espírito de amor e graça. Portanto, aprendamos com a sua história e esforcemo-nos por uma fé que esteja profundamente enraizada na Palavra de Deus e transbordante do Seu amor e compaixão pelos outros.

No que acreditavam e o que praticavam os fariseus?

As crenças e práticas dos fariseus centravam-se na sua profunda reverência pela Lei de Deus, conforme revelada no Antigo Testamento. Acreditavam que toda a Lei escrita era divinamente inspirada e autoritária. Mas o que realmente os distinguia era o seu compromisso igualmente forte com a “lei oral” ou tradições dos anciãos. Acreditavam que estas tradições também foram dadas por Deus a Moisés no Monte Sinai e transmitidas oralmente através de gerações. Estas tradições forneciam interpretações e aplicações detalhadas da Lei escrita para cobrir todas as situações concebíveis na vida quotidiana, desde regras dietéticas até à observância do sábado e pureza ritual. As suas práticas, como o dízimo e a frequência regular à sinagoga, visavam estender a santidade sacerdotal à vida quotidiana, mas Jesus criticou o seu foco no cumprimento externo em detrimento da justiça interna (Mateus 23:23–28).

Na prática, os fariseus eram meticulosos nos seus esforços para viver de acordo com estas leis e tradições. Eram conhecidos pela sua observância estrita do sábado, dízimo (dar a décima parte do seu rendimento) e práticas relacionadas com a pureza ritual, como a lavagem cerimonial. Eram também estudantes dedicados das Escrituras e ativos no ensino do povo nas sinagogas. O seu objetivo era viver uma vida santa, posta à parte para Deus, e acreditavam que, ao seguir a Lei e as tradições com precisão, poderiam alcançar esta santidade e ajudar todo o Israel a tornar-se uma nação santa.

Historicamente, a sua ênfase na lei oral e as suas práticas detalhadas eram uma tentativa de construir uma “cerca em torno da Lei”, impedindo as pessoas de quebrar acidentalmente os mandamentos de Deus. Acreditavam sinceramente que este era o caminho para agradar a Deus e inaugurar o reino do Messias. Mas, como mostram os Evangelhos, Jesus desafiou-os frequentemente, não sobre a importância da própria Lei de Deus, mas sobre as suas interpretações rígidas e a forma como as suas tradições por vezes obscureciam as questões mais importantes da Lei, como a justiça, a misericórdia e a fidelidade. Vejo isto como uma lição poderosa sobre a tendência humana de focar no desempenho externo em vez do estado interno do coração. A nossa fé, enraizada em Cristo, chama-nos a uma justiça que vem de dentro, transformada pela graça de Deus, levando a ações motivadas pelo amor em vez de um desejo de aprovação externa. Que o exemplo dos fariseus nos encoraje a procurar uma devoção genuína e sincera a Deus que se expresse no amor por Ele e pelos outros.

Qual era a relação entre os fariseus e Jesus?

Os Evangelhos descrevem conflitos frequentes, à medida que os fariseus desafiavam a autoridade de Jesus, as práticas de sábado e a associação com pecadores (Marcos 2:15–17, Lucas 5:29–32). No entanto, alguns fariseus interagiram de forma positiva, como Nicodemos, que procurou os ensinamentos de Jesus (João 3:1–21).

Os fariseus eram, em muitos aspetos, os líderes espirituais do seu tempo. Estavam profundamente comprometidos em seguir a lei de Deus, observando meticulosamente cada detalhe e esforçando-se pela santidade nas suas vidas diárias. Eram os estudiosos da Bíblia, os teólogos, aqueles que conheciam as escrituras de trás para a frente. Nesse sentido, Jesus tinha algo em comum com eles. Ele também estava profundamente enraizado na tradição judaica, citando e interpretando frequentemente as escrituras nos seus ensinamentos.

Mas é aqui que as coisas se tornam interessantes. Jesus envolvia-se frequentemente com os fariseus em discussões animadas, debates até, sobre o significado da lei. Ele desafiava as suas interpretações, instando-os a olhar para além da letra da lei para o coração dela. Ele enfatizava o amor, a compaixão e o perdão, por vezes de formas que pareciam contradizer a sua adesão estrita a regras e regulamentos.

Pense nisto desta forma: os fariseus estavam focados no como de seguir a Deus, enquanto Jesus estava focado no porquê. Eles preocupavam-se com ações externas, enquanto Jesus se preocupava com a transformação interna. E embora as suas abordagens diferissem, ambos procuravam, em última análise, honrar a Deus e viver uma vida de justiça.

Portanto, a relação entre Jesus e os fariseus nem sempre foi fácil, mas foi sempre intencional. Foi uma relação que desafiou ambos os lados a crescer, a aprender e a ver a verdade de Deus de formas novas e inesperadas. E é uma relação que continua a inspirar-nos hoje, instando-nos a procurar uma ligação mais profunda e significativa com a nossa fé (Wilson, 2022).

Tabela: Aspetos principais dos fariseus na teologia cristã

AspetoDescriçãoExemplo Bíblico
DefiniçãoSeita judaica focada na Torá e tradições oraisMateus 23:2–3
crençasRessurreição, lei oral, pureza ritualAtos 23:8
Relação de JesusMista; frequentemente conflituosa, alguns interagiram positivamenteJoão 3:1–21 (Nicodemos)
Razões da OposiçãoDiferenças teológicas, ameaças à autoridade, blasfémia percebidaMarcos 2:5–7
Comparação com SaduceusAceitavam a lei oral e a ressurreição, ao contrário dos saduceusAtos 23:6–8
Significado ModernoSímbolo de hipocrisia ou legalismo em contextos cristãosLucas 18:9–14

Por que é que os fariseus eram contra Jesus?

Para entender por que os fariseus se opuseram a Jesus, precisamos de olhar para o panorama cultural e religioso do seu tempo. Os fariseus, como mencionei, estavam profundamente comprometidos em preservar a pureza da tradição judaica. Eles viam-se como guardiões da lei, protetores da fé contra as influências corruptoras do mundo exterior (Bourgel, 2017, pp. 171–200).

Jesus apareceu e começou a agitar as coisas. Ele desafiou a autoridade deles, questionou as suas interpretações das escrituras e associou-se a pessoas que eles consideravam “pecadoras” – cobradores de impostos, prostitutas, marginalizados e excluídos da sociedade. Aos olhos deles, Jesus estava a minar os próprios fundamentos da sua fé.

Mas não se tratava apenas de diferenças religiosas. Tratava-se também de poder e controlo. Os fariseus ocupavam uma posição de influência na comunidade, e os ensinamentos de Jesus ameaçavam o seu estatuto. As pessoas sentiam-se atraídas pela sua mensagem de amor e graça, e a sua popularidade crescia rapidamente. Os fariseus temiam perder a sua autoridade, a sua capacidade de moldar a vida religiosa e social do povo (Taylor, 2000, pp. 299–310).

A afirmação de Jesus de que era o Messias, o Filho de Deus, foi vista como blasfémia por muitos fariseus. Eles não conseguiam aceitar que aquele humilde carpinteiro de Nazaré pudesse ser o salvador de Israel, há muito esperado. As suas noções preconcebidas e expectativas cegaram-nos para a verdade sobre quem Jesus realmente era.

Mas não vamos colocar todos os fariseus no mesmo saco. Alguns deles procuravam genuinamente a verdade e estavam abertos à mensagem de Jesus. Nicodemos e José de Arimateia, por exemplo, eram fariseus que acreditavam secretamente em Jesus e desempenharam papéis importantes no seu ministério e sepultamento.

A oposição dos fariseus a Jesus resultou de uma combinação de convicção religiosa, medo de perder o poder e um mal-entendido sobre a sua verdadeira identidade. É um lembrete de que mesmo aqueles que são profundamente religiosos podem, por vezes, perder o coração da mensagem de Deus (Hartin, 2010).

Qual é a diferença entre fariseus e saduceus?

Os fariseus, como discutimos, concentravam-se em interpretar e aplicar a lei à vida quotidiana. Eles acreditavam na ressurreição dos mortos, na existência de anjos e demónios e na importância da tradição oral na compreensão das escrituras. Eram populares entre o povo comum e procuravam tornar a santidade acessível a todos (Facchini, 2019).

Os saduceus, por outro lado, preocupavam-se principalmente com a manutenção do Templo e dos seus rituais. Eram frequentemente ricos e aristocráticos, ocupando posições de poder no sacerdócio e no Sinédrio, o conselho governante judaico. Ao contrário dos fariseus, rejeitavam a tradição oral e aceitavam apenas a lei escrita, a Torá, como autoritária. Também negavam a ressurreição dos mortos, a existência de anjos e qualquer vida após a morte (Edsall, s.d.).

Os fariseus eram mais progressistas e adaptáveis, embora os saduceus fossem mais conservadores e tradicionais. Os fariseus procuravam tornar a lei relevante para os tempos de mudança, embora os saduceus procurassem preservar o status quo.

As suas diferenças estendiam-se também às suas visões sobre política. Os saduceus estavam geralmente mais dispostos a cooperar com as autoridades romanas para manter o seu poder e privilégios, embora os fariseus fossem mais resistentes à influência romana e procurassem defender a autonomia judaica.

Portanto, embora ambos os grupos fossem influentes na sociedade judaica, representavam perspetivas e prioridades diferentes. Os fariseus concentravam-se na piedade pessoal e em tornar a lei acessível a todos, embora os saduceus se concentrassem na manutenção do Templo e do seu próprio poder. As suas crenças e valores contrastantes levavam frequentemente a conflitos e desacordos, moldando o panorama religioso e político do tempo de Jesus (Baloyi, 2010, pp. 1–7). Estas divisões não só influenciaram a comunidade judaica, como também prepararam o terreno para o surgimento de novos movimentos religiosos, incluindo o cristianismo primitivo. Neste contexto, o desenvolvimento do batismo como um ritual significativo refletiu uma mudança no foco espiritual, com muitos a adotar crenças e práticas batistas que enfatizava o arrependimento e a relação do indivíduo com Deus. Consequentemente, a interação entre fariseus, saduceus e seitas emergentes contribuiu para uma tapeçaria de fé rica e complexa durante esta era crucial.

O que significa ser um fariseu hoje?

Nos tempos bíblicos, os fariseus eram uma seita judaica conhecida pela sua estrita adesão à Lei de Moisés e às tradições orais. Procuravam preservar a sua fé no meio de pressões culturais. Jesus criticava-os frequentemente por darem prioridade às regras em detrimento da misericórdia, pela hipocrisia e por perderem o coração do amor de Deus (Mateus 23:23-24).

Hoje, ser chamado de fariseu é ser acusado de traços semelhantes — focar-se em aparências externas, regras rígidas ou justiça própria, em vez do poder transformador da graça. É um aviso contra uma fé que parece boa por fora, mas que carece da renovação interior que provém de uma relação com Cristo.

Como cristãos, podemos cair inadvertidamente em tendências farisaicas quando julgamos os outros severamente por não cumprirem os nossos padrões, quando nos vangloriamos das nossas boas obras ou quando priorizamos as tradições da igreja em detrimento de amar o nosso próximo. Psicologicamente, isto pode resultar de uma necessidade de controlo ou validação, um medo da vulnerabilidade que se esconde atrás de uma máscara de perfeição. Historicamente, vemos isto em momentos em que a igreja enfatizou o dogma em detrimento da compaixão, tal como os fariseus faziam.

Mas aqui está a boa notícia: Jesus chama-nos para um caminho melhor. Em Mateus 5:20, Ele exorta-nos a superar a justiça dos fariseus, abraçando um coração transformado pelo amor e pela humildade. Vamos examinar-nos — onde estamos a agarrar-nos a regras em vez de graça? Onde estamos a apontar o dedo em vez de estender as mãos? Ser um fariseu hoje significa perder a alegria do reino de Deus pelo fardo da religião feita pelo homem. Portanto, vamos escolher o caminho da misericórdia, caminhando humildemente com o nosso Salvador, garantindo que a nossa fé esteja viva com amor, não apenas com a lei. Que possamos refletir o coração de Cristo em tudo o que fazemos, brilhando a Sua luz para um mundo que observa.

O que ensinaram os primeiros Padres da Igreja sobre os fariseus?

Os fariseus, conforme retratados nos Evangelhos, estavam frequentemente em desacordo com Jesus, e os primeiros Padres da Igreja basearam-se nesta narrativa para ensinar lições vitais para a comunidade cristã nascente.

Os primeiros Padres da Igreja, como Justino Mártir, Ireneu e João Crisóstomo, referiam-se frequentemente aos fariseus como exemplos de advertência de hipocrisia religiosa e legalismo. Justino Mártir, no seu Diálogo com Trifão (século II), retratou os fariseus como emblemáticos daqueles que rejeitam Cristo, agarrando-se à letra da Lei enquanto perdem o seu cumprimento em Jesus (João 5:39-40). Ele exortou os crentes a abraçar a nova aliança da graça em vez dos velhos caminhos da tradição rígida. Da mesma forma, Ireneu de Lyon, em Contra as Heresias, destacou como o foco dos fariseus nos rituais externos os cegou para o Messias, ensinando os cristãos a procurar o espírito da Lei — amor e fé — em vez da mera observância.

João Crisóstomo, nas suas homilias, foi particularmente vocal, criticando frequentemente os fariseus pelo seu orgulho e hipocrisia, como visto em Mateus 23:27-28, onde Jesus os chama de “sepulcros caiados”. Ele alertou a igreja contra a adoção de uma mentalidade semelhante, enfatizando que a verdadeira justiça vem de um coração alinhado com Deus, não de demonstrações públicas de piedade. Psicologicamente, isto reflete uma tendência humana de procurar aprovação através de atos externos, uma armadilha que os Padres viam como perigosa para o crescimento espiritual. Historicamente, os seus ensinamentos foram moldados pela necessidade de distinguir o cristianismo do judaísmo numa época de tensão, usando os fariseus como um contraste para destacar o poder transformador da mensagem de Cristo.

Para nós hoje, os ensinamentos dos Padres são um espelho. Estamos nós, como os fariseus, mais preocupados com a nossa aparência do que com quem somos perante Deus? As suas palavras ecoam o apelo de Jesus à humildade e autenticidade. Vamos prestar atenção à sua sabedoria, garantindo que a nossa fé não seja uma performance, mas um reflexo do amor de Cristo. Que possamos crescer na graça, aprendendo com a história a viver uma caminhada vibrante e sincera com o nosso Senhor.

Qual é o significado da palavra “fariseu”?

A palavra “fariseu” tem origem no termo hebraico Perushim, que significa “separados” ou “postos à parte”. Este nome reflete a sua identidade como uma seita judaica durante o período do Segundo Templo (cerca do século II a.C. ao século I d.C.), que se distinguia pela sua estrita adesão à Torá e às tradições orais. Procuravam viver vidas de pureza, separando-se de compromissos culturais e religiosos sob influências helenísticas e romanas. Historicamente, esta separação era tanto uma postura física quanto ideológica, pois visavam preservar a lei e a identidade judaicas no meio da dominação estrangeira.

No Novo Testamento, o termo carrega frequentemente uma conotação negativa devido aos frequentes confrontos de Jesus com eles. Em passagens como Mateus 23:13-15, Jesus critica a sua hipocrisia, legalismo e justiça própria, mostrando como a sua separação se tornou uma barreira ao coração de misericórdia e amor de Deus. Linguisticamente, o termo grego Pharisaios, derivado do hebraico, entrou no vocabulário cristão primitivo como um símbolo de orgulho religioso — aqueles que elevam as regras acima da relação com Deus.

Para nós hoje, compreender “fariseu” convida à introspeção. Psicologicamente, fala da nossa inclinação humana para nos definirmos pelo que somos contra, em vez do que somos a favor, para construir muros de autojustificação em vez de pontes de graça. Como cristãos, somos chamados a ser separados para Deus (1 Pedro 2:9), mas não de uma forma que gere superioridade ou julgamento. O significado de “fariseu” alerta-nos contra uma fé que é apenas aparência e sem substância, exortando-nos a incorporar a humildade e o amor de Cristo.

Portanto, vamos refletir: estamos verdadeiramente separados para Deus, ou estamos a separar-nos dos outros através do orgulho? Que o significado desta palavra nos inspire a viver autenticamente, enraizados na graça, brilhando como luzes num mundo que precisa do amor de Jesus. Vamos caminhar nas Suas pegadas, não na sombra do legalismo, mas na liberdade do Seu evangelho.



Descubra mais da Christian Pure

Subscreva agora para continuar a ler e ter acesso ao arquivo completo.

Continuar a ler

Partilhar em...