O que a Bíblia diz sobre o objetivo do casamento?
As Sagradas Escrituras nos revelam que o casamento é uma instituição sagrada, ordenada por Deus desde o início da criação. O seu propósito, como iluminado nas páginas da Bíblia, é multifacetado e poderoso.
Vemos em Gênesis que o casamento destina-se à companhia e ao apoio mútuo. Deus disse: "Não é bom que o homem esteja sozinho. Farei com que lhe seja conveniente um ajudante» (Génesis 2:18). Isto fala da profunda necessidade humana de relações íntimas e de parceria. No matrimónio, dois tornam-se uma só carne, unidos num vínculo de amor e compromisso que reflecte a própria natureza de Deus.
Em segundo lugar, a Bíblia nos ensina que o casamento é o contexto para a procriação e a educação dos filhos. Deus abençoou o primeiro casal, dizendo: «Sede fecundos e multiplicai-vos» (Génesis 1:28). Através do casamento, participamos na obra de criação em curso de Deus, trazendo nova vida ao mundo e educando os filhos no conhecimento e no amor do Senhor.
O casamento serve como uma salvaguarda contra a imoralidade sexual. Como escreve São Paulo, «uma vez que a imoralidade sexual está a ocorrer, cada homem deve ter relações sexuais com a sua própria mulher e cada mulher com o seu próprio marido» (1 Coríntios 7:2). O casamento proporciona um espaço sagrado e santificado para a expressão do amor sexual.
Mas, além destes propósitos práticos, devemos compreender que o casamento tem um poderoso significado espiritual. Destina-se a ser uma representação viva da relação de Cristo com a sua Igreja. Como o apóstolo Paulo explica em Efésios: «Por isso deixará o homem o seu pai e a sua mãe e unir-se-á à sua mulher, e os dois se tornarão uma só carne. Este é um mistério poderoso — mas estou a falar de Cristo e da igreja» (Efésios 5:31-32).
Nesta luz, vemos que o casamento se destina a ser uma escola de amor e santidade. Através dos sacrifícios diários, do perdão e do amor altruísta exigidos no matrimónio, os esposos são chamados a crescer na virtude e a aproximar-se de Deus. É um caminho de santificação mútua, onde marido e mulher ajudam-se mutuamente no caminho para o céu.
Como o casamento reflete a relação de Deus com a Igreja?
O sacramento do matrimónio é um mistério poderoso que reflecte, de modo tangível e vivo, a relação entre Cristo e a sua Igreja. Esta bela analogia, traçada para nós por São Paulo na sua carta aos Efésios, convida-nos a contemplar o profundo significado espiritual do vínculo conjugal.
Pensemos no amor de Cristo pela sua Igreja. É um amor total, fiel e fecundo. Nosso Senhor entregou-se completamente pela sua noiva, a Igreja, até à morte na cruz. Do mesmo modo, os maridos são chamados a amar as suas mulheres «assim como Cristo amou a igreja e se entregou a si mesmo por ela» (Efésios 5:25). Este amor sacrificial no casamento torna-se um ícone vivo do amor de Cristo por todos nós.
Assim como a Igreja se submete a Cristo em confiança e obediência, as esposas são chamadas a submeter-se a seus maridos (Efésios 5:22-24). Mas sejamos claros, meus amigos – não se trata de uma submissão à servidão ou à desigualdade, mas de amor e respeito, refletindo a resposta amorosa da Igreja ao amor sacrificial de Cristo.
A unidade entre marido e mulher – «e os dois se tornarão uma só carne» (Efésios 5:31) – reflete a união mística entre Cristo e a sua Igreja. Na Eucaristia, tornamo-nos um só corpo com Cristo; No casamento, marido e mulher tornam-se uma só carne. Ambas as uniões são íntimas, inquebráveis e vivificantes.
Como Cristo nutre e cuida da Igreja, assim também os maridos são chamados a nutrir e cuidar de suas mulheres. E como a Igreja dá fruto através da evangelização e das obras de misericórdia, assim também o matrimónio é chamado a ser fecundo, não só através da procriação, mas também através de actos de amor e de serviço à comunidade.
A fidelidade do casamento reflete a fidelidade inabalável de Deus ao seu povo. Apesar de nossas falhas, Deus permanece sempre fiel ao seu pacto. Do mesmo modo, os cônjuges são chamados a permanecer fiéis uns aos outros através de todas as alegrias e desafios da vida, dando testemunho do amor duradouro de Deus.
Por fim, não esqueçamos que o matrimónio, como a relação entre Cristo e a Igreja, está orientado para a eternidade. É um caminho de santificação mútua, ajudando-nos uns aos outros a crescer em santidade e, em última análise, conduzindo-nos uns aos outros para o céu.
Ao viver este reflexo de Cristo e da Igreja, os esposos participam de um grande mistério. Tornam-se um sinal visível da graça invisível de Deus, uma igreja doméstica onde o amor e a fé são nutridos e partilhados.
Por que Deus instituiu o casamento?
Para compreender por que Deus instituiu o casamento, devemos voltar ao alvorecer da criação, ao Jardim do Éden, onde nosso Pai amoroso pôs em movimento seu plano divino para a humanidade.
Deus instituiu o casamento como um reflexo da sua própria natureza. O nosso Deus não é um ser solitário, mas uma comunhão de Pessoas – Pai, Filho e Espírito Santo – unidas em perfeito amor. Quando Deus criou a humanidade à sua imagem, Ele nos criou para a comunhão. Como lemos no Génesis, «não é bom que o homem esteja só» (Génesis 2:18). O matrimónio é, portanto, a expressão primordial da nossa chamada à comunhão, espelhando o amor e a unidade no interior da Santíssima Trindade.
Em segundo lugar, Deus instituiu o casamento como o fundamento da sociedade humana. Na união do homem e da mulher, vemos a célula básica da comunidade humana. É dentro da família, nascida do casamento, que os filhos são acolhidos, alimentados e ensinados os caminhos do amor e da fé. Como São João Paulo II muito bem expressou, a família é a «primeira e vital célula da sociedade».
O casamento foi instituído como uma parceria entre a vida e o amor. Deus criou Eva como um "auxiliar adequado" para Adão (Génesis 2:18), indicando que o casamento se destina a ser uma relação de apoio mútuo, companhia e propósito partilhado. No casamento, dois tornam-se «uma só carne» (Génesis 2:24), unidos num laço íntimo que abrange todos os aspetos das suas vidas.
Devemos também reconhecer que Deus instituiu o casamento como o contexto adequado para a sexualidade humana e a procriação. O mandamento de «sede fecundos e multiplicai-vos» (Génesis 1:28) foi dado no contexto da união conjugal. Através do casamento, a humanidade participa na obra de criação em curso de Deus, trazendo nova vida ao mundo num ambiente estável e amoroso.
O casamento foi instituído como sinal do amor pactual de Deus. Ao longo das Escrituras, a relação de Deus com o seu povo é frequentemente descrita em termos conjugais. A fidelidade, a intimidade e a fecundidade do casamento servem de metáfora viva para o amor fiel, íntimo e vivificante de Deus pela humanidade.
Por fim, e talvez mais profundamente, Deus instituiu o matrimónio como caminho de santidade. Na entrega diária ao cônjuge, nos desafios e nas alegrias da vida partilhada, os casais são chamados a crescer no amor, na paciência, no perdão e em todas as virtudes. O matrimónio torna-se uma escola de amor, onde os esposos se ajudam reciprocamente a aproximar-se de Deus e a alcançar a plenitude da sua humanidade.
Maravilhemo-nos com a sabedoria e o amor do nosso Deus, que ao instituir o matrimónio nos proporcionou um dom tão belo e multifacetado. Trata-se de um dom que responde às nossas necessidades mais profundas enquanto seres humanos, reflete a própria natureza de Deus e serve de caminho para a santidade.
Ao contemplarmos a instituição divina do matrimónio, rezemos por todos os esposos, para que cresçam na apreciação deste grande dom e o vivam fielmente. E, enquanto Igreja, continuemos a apoiar e a nutrir os casamentos, reconhecendo neles o próprio fundamento da sociedade humana e um ícone vivo do amor de Deus pelo seu povo.
Quais são os benefícios espirituais de um casamento cristão?
Um casamento cristão, enraizado na fé e alimentado pela graça de Deus, oferece uma multiplicidade de benefícios espirituais que enriquecem não só a vida dos cônjuges, mas também todo o Corpo de Cristo.
O casamento cristão proporciona uma oportunidade única para o crescimento espiritual e a santificação. Na dança diária do amor e do sacrifício que o casamento exige, os cônjuges são chamados a imitar o amor doador de Cristo. Como nos recorda São Paulo, «Maridos, amai vossas mulheres, assim como Cristo amou a igreja e se entregou por ela» (Efésios 5:25). Este morrer diariamente para si mesmo e viver para o outro torna-se um poderoso meio de crescer em santidade.
O casamento cristão oferece uma experiência poderosa do amor incondicional de Deus. No compromisso inabalável dos esposos uns com os outros, vislumbramos o amor fiel e duradouro de Deus pelo seu povo. Esta experiência vivida de amor pactual pode aprofundar a compreensão e a confiança no amor de Deus, promovendo uma relação mais íntima com o nosso Criador.
Outro benefício espiritual do casamento cristão é o apoio mútuo na fé. Os cônjuges tornam-se companheiros no caminho da fé, encorajando-se mutuamente em tempos de dúvida, orando juntos e partilhando conhecimentos espirituais. Como o livro de Eclesiastes sabiamente afirma, "Dois são melhores do que um... Se um deles cair, um pode ajudar o outro a subir" (Eclesiastes 4:9-10). Este companheirismo espiritual pode levar a uma fé mais profunda e resiliente.
O casamento cristão proporciona uma igreja doméstica – um lugar onde a fé é vivida, ensinada e celebrada nos momentos quotidianos da vida familiar. À medida que os esposos rezam juntos, lêem as Escrituras e praticam as virtudes cristãs na sua casa, criam um espaço sagrado que alimenta não só a sua própria fé, mas também a dos seus filhos e de todos os que entram na sua casa.
O sacramento do casamento também oferece um canal único da graça de Deus. Através da sua aliança, os cônjuges tornam-se condutores do amor e da graça de Deus uns para com os outros. Esta graça sacramental fortalece-os para enfrentar os desafios da vida, perdoar e buscar o perdão e crescer no amor e na unidade.
O casamento cristão oferece o benefício espiritual de testemunhar o amor de Deus no mundo. Um casamento enraizado em Cristo torna-se um sinal visível do amor fiel, fecundo e doador de Deus. Num mundo muitas vezes cético de compromissos duradouros, um casamento cristão forte oferece um testemunho poderoso do poder transformador do amor de Deus.
Por fim, não esqueçamos que o casamento cristão é uma antecipação da festa das bodas celestiais. O amor e a unidade experimentados no casamento apontam-nos para a união final que desfrutaremos com Deus na eternidade. Como São João nos diz no Apocalipse, a Igreja é a Esposa de Cristo, e os nossos casamentos terrenos prefiguram esta união gloriosa.
À luz destes poderosos benefícios espirituais, cuidemos e apoiemos os casamentos cristãos nas nossas comunidades. Rezemos pelos casais, para que possam abraçar plenamente estes dons espirituais e crescer cada vez mais no amor – uns com os outros e com Deus. E lembremo-nos de que, ao fomentar casamentos fortes e cheios de fé, estamos a construir a Igreja e a aproximar um pouco mais o reino de Deus da Terra.
Que todos os cônjuges cristãos estejam abertos a estes benefícios espirituais, permitindo que a graça de Deus opere no seu casamento e através dele, para a sua própria santificação e para a edificação do Corpo de Cristo.
Como é que o casamento serve o plano de Deus para a humanidade?
O casamento ocupa um lugar central no grande desígnio de Deus para a humanidade. Desde o início, no Jardim do Éden, vemos que o plano de Deus incluía a união do homem e da mulher. Esta instituição divina serve os propósitos de Deus de múltiplas maneiras, tecendo o terreno e o divino numa tapeçaria de amor e graça.
O casamento é um reflexo da própria natureza de Deus. O nosso Deus é uma comunhão de pessoas – Pai, Filho e Espírito Santo – unidas em perfeito amor. Ao criar a humanidade à Sua imagem, Deus designou-nos para a relação, para a comunhão. O casamento, na sua forma ideal, reflete este amor trinitário, mostrando ao mundo um vislumbre da própria vida interior de Deus. À medida que os esposos se entregam uns aos outros em total dom de si mesmos, eles imaginam o amor autodoador dentro da Trindade.
O casamento serve o plano de Deus ao participar na sua obra de criação em curso. Através do dom da procriação, os casais tornam-se co-criadores com Deus, trazendo nova vida ao mundo. Mas este aspecto criativo vai além da reprodução biológica. Os casamentos cristãos são chamados a ser fecundos de muitas maneiras: alimentar os filhos na fé, fomentar o amor nas suas comunidades e difundir o Evangelho através do seu testemunho de amor fiel.
O casamento também serve de escola de amor e virtude, desempenhando um papel crucial no plano de Deus para o florescimento humano. Nos desafios e nas alegrias diárias da vida conjugal, os esposos aprendem a crescer na paciência, no perdão, no altruísmo e em todas as virtudes. Este crescimento na santidade não é apenas em benefício do casal, mas serve o plano mais vasto de Deus de santificar toda a humanidade.
O casamento serve o plano de Deus, proporcionando uma base estável para a sociedade. A família, nascida do matrimónio, é a célula básica da comunidade humana. É dentro da família que as crianças aprendem primeiro sobre o amor, a confiança e a fé. Como o Papa Paulo VI muito bem expressou, «a família é, por assim dizer, a igreja doméstica». No plano de Deus, os casamentos fortes constroem famílias fortes, que, por sua vez, constroem uma sociedade enraizada no amor e na justiça.
Temos também de reconhecer que o casamento serve o plano de Deus, oferecendo uma metáfora viva da sua relação de aliança com a humanidade. Ao longo das Escrituras, o amor de Deus pelo seu povo é frequentemente descrito em termos conjugais. A fidelidade, a intimidade e a fecundidade do casamento servem como um lembrete tangível do amor fiel, íntimo e vivificante de Deus por cada um de nós. Desta forma, o casamento torna-se um poderoso instrumento de evangelização, um sinal visível da graça invisível de Deus.
O casamento serve o plano de Deus, proporcionando um contexto para a sexualidade humana que está em harmonia com a sabedoria divina. Em um mundo que muitas vezes não compreende e abusa do dom da sexualidade, o casamento cristão oferece uma visão do amor sexual que é unitiva, procriativa e totalmente humana.
Por último, e talvez mais profundamente, o casamento serve o derradeiro plano de Deus de união com a humanidade. Como nos diz São Paulo, o amor entre marido e mulher é um grande mistério que fala de Cristo e da Igreja (Efésios 5:32). Cada casamento cristão, portanto, torna-se um sinal que aponta para a última "festa das bodas do Cordeiro" (Apocalipse 19:9), quando Deus e a humanidade estarão perfeitamente unidos no amor.
Que papel desempenha o casamento no crescimento espiritual e na santificação?
O casamento é uma aliança sagrada que desempenha um papel vital no crescimento espiritual e na santificação dos esposos. É uma escola de amor onde marido e mulher aprendem a doar-se completamente um ao outro e a Deus. Como o Papa João Paulo II muito bem expressou, o casamento é um «sacramento primordial» – um sinal vivo do amor de Deus pela humanidade e do amor de Cristo pela Igreja.
Nas alegrias e desafios diários da vida conjugal, os esposos têm inúmeras oportunidades de crescer na virtude, de praticar a paciência, o perdão e o amor altruísta (Jing, 2022). O compromisso do casamento chama-nos para além dos nossos próprios desejos e confortos, ensinando-nos a colocar as necessidades do nosso cônjuge e da nossa família à frente das nossas. Deste modo, o matrimónio torna-se um caminho de conversão e santificação, transformando-nos gradualmente para nos tornarmos mais semelhantes a Cristo no seu amor doador.
A união íntima entre marido e mulher reflecte a comunhão de amor dentro da Santíssima Trindade. À medida que os esposos crescem em unidade uns com os outros, eles também se aproximam de Deus, que é a fonte e o modelo de seu amor (Fallahchai et al., 2021). A graça do sacramento do matrimónio sustenta e fortalece os casais no seu caminho de fé, ajudando-os a superar as dificuldades e a crescer juntos na santidade.
O casamento também fornece um contexto único para o crescimento espiritual através das práticas compartilhadas de oração, adoração e serviço. Quando os cônjuges rezam juntos e se encorajam mutuamente na fé, criam uma igreja doméstica onde a presença de Deus é sentida de forma tangível (Jing, 2022). O apoio mútuo e a responsabilidade dentro do casamento podem inspirar um maior compromisso com as disciplinas espirituais e a vida virtuosa.
Os desafios e os sacrifícios inerentes à vida conjugal e à criação de uma família oferecem poderosas oportunidades de crescimento na humildade, na paciência e na confiança na providência de Deus. À medida que os cônjuges aprendem a morrer para si mesmos em prol do seu amado e dos seus filhos, participam mais plenamente no mistério pascal da morte e ressurreição de Cristo (Fallahchai et al., 2021).
Como é que o casamento cumpre a ordem de Deus de «ser fecundo e multiplicar-se»?
O mandamento divino de «ser fecundos e multiplicar-se» dado aos nossos primeiros pais, Adão e Eva, encontra uma realização poderosa e multifacetada no sacramento do matrimónio. Este mandamento não é meramente acerca da reprodução biológica, mas abrange o pleno florescimento da vida e do amor humanos em todas as suas dimensões.
O casamento é o contexto ideal para acolher uma nova vida no mundo. O amor mútuo entre marido e mulher, quando aberto à vida, torna-se um canal através do qual flui o poder criativo de Deus (Chintalapudi et al., 2016). Ao conceberem e terem filhos, os casais participam de forma única na obra de criação em curso de Deus. Tornam-se co-criadores com Deus, gerando novas pessoas feitas à sua imagem e semelhança.
Mas devemos compreender que a fecundidade no casamento vai além de simplesmente ter muitos filhos. O mandamento de «ser frutífero» refere-se também à educação e à formação das crianças na fé, na virtude e no amor (Chintalapudi et al., 2016). Os pais cristãos são chamados a ser os primeiros e primários educadores dos seus filhos, criando uma Igreja doméstica onde a fé é vivida e transmitida às gerações futuras. Desta forma, o casamento contribui para o crescimento e a multiplicação da família de Deus na terra.
A fecundidade do matrimónio estende-se à comunidade e à sociedade em geral. Um matrimónio amoroso e estável constitui uma base para o florescimento social, uma vez que forma pessoas capazes de amor e compromisso autênticos (Chintalapudi et al., 2016). Os valores e as virtudes aprendidas na vida familiar irradiam-se, contribuindo para o bem comum e para a edificação de uma civilização do amor.
Também devemos reconhecer que nem todos os casais são capazes de ter filhos biológicos. Contudo, seus casamentos ainda podem ser abundantemente frutíferos de outras maneiras. Através da adoção, acolhimento familiar ou outras formas de paternidade espiritual, estes casais podem proporcionar lares amorosos às crianças necessitadas. o amor mútuo e o apoio dos cônjuges podem dar frutos em obras de caridade, hospitalidade e serviço aos outros (Chintalapudi et al., 2016).
Num sentido espiritual, o mandamento de «multiplicar-se» é cumprido quando os casais crescem em santidade e conduzem outros a Cristo através do seu testemunho de amor fiel. Como o Papa Paulo VI ensinou na Humanae Vitae, «o casamento e o amor conjugal são, por natureza, ordenados para a geração e a educação das crianças. Os filhos são realmente o dom supremo do casamento e contribuem muito substancialmente para o bem-estar dos pais.»
O que a Bíblia ensina sobre os papéis complementares do marido e da mulher?
As Sagradas Escrituras oferecem-nos uma compreensão rica e matizada dos papéis complementares do marido e da mulher no matrimónio. Embora reconheça a igual dignidade do homem e da mulher, tal como foram criados à imagem de Deus, a Bíblia também fala dos seus papéis distintos, mas harmoniosos, no âmbito da aliança conjugal.
Devemos compreender que a relação entre marido e mulher se destina a refletir a relação entre Cristo e a Igreja. Como ensina São Paulo na sua carta aos Efésios, «Maridos, amai vossas mulheres, assim como Cristo amou a igreja e se entregou por ela» (Efésios 5:25). Esta poderosa analogia revela que o marido é chamado a um amor sacrificial que reflete o amor de doação de Cristo pela sua noiva, a Igreja (Fallahchai et al., 2021).
Ao mesmo tempo, as esposas são exortadas a "submeter-se a seus próprios maridos, como ao Senhor" (Efésios 5:22). Mas devemos ter cuidado para não interpretar mal este ensino como promotor de subserviência ou desigualdade. Pelo contrário, fala de uma mútua submissão de ambos os cônjuges uns aos outros por reverência a Cristo (Efésios 5:21). O papel da mulher é apoiar e respeitar a liderança do marido, tal como a Igreja responde ao amor de Cristo com confiança e cooperação (Fallahchai et al., 2021).
A Bíblia apresenta o casamento como uma parceria onde marido e mulher complementam-se e completam-se mutuamente. No relato da criação, Deus diz: «Não é bom que o homem esteja só. Farei com que lhe seja conveniente um ajudante» (Génesis 2:18). A palavra hebraica para «ajudante» (ezer) não implica inferioridade, mas sim um forte aliado que fornece o que falta. Assim, marido e mulher são concebidos para trabalhar em conjunto, cada um trazendo os seus pontos fortes e perspetivas únicas para a relação (Jing, 2022).
As Escrituras também falam de responsabilidades partilhadas dentro do casamento. Ambos os esposos são chamados a amar, honrar e acariciar uns aos outros (Efésios 5:33, 1 Pedro 3:7). Eles devem ser fiéis uns aos outros (Provérbios 5:18-19), perdoar uns aos outros (Colossenses 3:13), e construir a sua casa juntos (Provérbios 14:1). Em matéria de intimidade, a Bíblia ensina direitos e responsabilidades mútuas (1 Coríntios 7:3-5).
Embora reconheça estes deveres compartilhados, a Bíblia fala de alguns papéis distintos. Os maridos são chamados a amar a liderança, a proteção e a provisão para suas famílias (Efésios 5:23, 1 Timóteo 5:8). As mulheres são elogiadas por suas qualidades nutritivas e gestão da casa (Provérbios 31:10-31, Tito 2:4-5). Mas estes papéis não devem ser vistos como rígidos ou exclusivos, mas como padrões gerais que podem ser vividos de forma diferente de acordo com as circunstâncias e os dons de cada casal (Jing, 2022).
É fundamental compreender que o ensinamento bíblico sobre os papéis conjugais não é sobre o poder ou a superioridade, mas sobre o serviço mútuo e o amor. Como Jesus ensinou aos discípulos, a verdadeira grandeza está em servir aos outros (Marcos 10:42-45). No matrimónio, marido e mulher são chamados a dar a vida um pelo outro e pela família, seguindo o exemplo de Cristo.
Como pode o casamento ser testemunha do amor de Deus no mundo?
O casamento tem uma capacidade poderosa para ser um testemunho vivo do amor de Deus no nosso mundo. Através do seu compromisso fiel e do seu amor doador, os casais tornam-se sinais visíveis do amor pactual de Deus pela humanidade e do amor de Cristo pela Igreja.
A permanência e a exclusividade do casamento refletem o amor fiel e incondicional de Deus. Quando os cônjuges permanecem fiéis aos seus votos «para melhor, para pior, para mais ricos, para mais pobres, na doença e na saúde», demonstram um amor que perdura em todas as circunstâncias (Jing, 2022). Este compromisso firme, especialmente diante das dificuldades, torna-se um testemunho poderoso de um mundo muitas vezes marcado por relações fugazes e promessas desfeitas.
A doação mútua dos esposos reflete o amor autoesvaziante de Cristo, que «nos amou e se entregou a si mesmo por nós» (Efésios 5:2). Quando os maridos e as esposas colocam sistematicamente as necessidades uns dos outros à frente das suas, encarnam o amor sacrificial de Cristo de forma tangível (Fallahchai et al., 2021). Este dom radical de si mesmo contrasta fortemente com o individualismo e o egocentrismo tão prevalentes em nossa sociedade.
A fecundidade do amor conjugal, quer através do nascimento e da educação dos filhos, quer através de outras formas de generatividade, reflete o amor vivificante de Deus. Abertas à vida e dedicadas a nutrir os filhos na fé e na virtude, as famílias cristãs tornam-se igrejas domésticas onde o amor de Deus é vivido e partilhado (Jing, 2022). Como afirmou o Papa Francisco, «a família é a primeira escola de valores humanos, onde aprendemos o uso sábio da liberdade».
O perdão e a reconciliação que são essenciais para a vida conjugal testemunham o amor misericordioso de Deus. Quando os cônjuges reconhecem humildemente as suas faltas, procuram perdão e trabalham para curar feridas na sua relação, demonstram o poder da graça de Deus para restaurar e renovar (Fallahchai et al., 2021). Este testemunho de misericórdia e de reconciliação é desesperadamente necessário no nosso mundo dilacerado pela divisão e pelo ressentimento.
Os casamentos cristãos também testemunham o amor de Deus através da sua hospitalidade e serviço aos outros. Quando os casais abrem as suas casas e os seus corações às pessoas necessitadas, estendem o amor de Cristo para além do seu círculo familiar. Como ensinava São João Paulo II, «a família tem a missão de guardar, revelar e comunicar o amor».
A alegria e a paz que fluem de um casamento amoroso podem ser uma poderosa força evangelizadora. Quando outros veem a verdadeira felicidade e realização de um casal que vive fielmente a sua vocação, isso atrai-os para a fonte dessa alegria – o amor de Deus (Jing, 2022). Como dizia São Paulo VI, «o homem moderno escuta mais de bom grado as testemunhas do que os mestres, e se escuta os mestres, é porque são testemunhas».
A unidade dos esposos de diferentes origens ou culturas pode ser um testemunho particularmente marcante no nosso mundo dividido. Quando um casal supera as diferenças para forjar uma união amorosa, demonstra o poder do amor de Deus para reconciliar e unir (Fallahchai et al., 2021). Este testemunho de unidade na diversidade reflecte a comunhão da Igreja e oferece esperança de paz e de compreensão entre todos os povos.
Finalmente, à medida que os esposos envelhecem juntos, o seu amor duradouro e o cuidado recíproco face ao envelhecimento e à doença tornam-se um testemunho pungente da dignidade da vida humana e da beleza do amor comprometido. Este testemunho desafia uma cultura do descarte que muitas vezes desvaloriza os idosos e os enfermos.
Quais são as intenções de Deus para a intimidade e a sexualidade no casamento?
As intenções de Deus para a intimidade e a sexualidade no casamento são poderosas e belas, refletindo a sua sabedoria e amor pela humanidade. A sexualidade é um dom precioso de nosso Criador, projetado para ser expresso dentro do pacto do casamento como uma fonte de unidade, alegria e vida.
Devemos compreender que a intimidade sexual no casamento deve ser uma expressão física do amor total de doação entre marido e mulher. Como nos diz o Livro do Génesis: «É por isso que um homem deixa o seu pai e a sua mãe e se une à sua mulher, tornando-se uma só carne» (Génesis 2:24). Esta união «uma só carne» é um símbolo poderoso do dom total de si que caracteriza o amor conjugal (Fallahchai et al., 2021).
Deus pretende que a intimidade conjugal seja uma fonte de profunda alegria e prazer para o casal. O Cântico dos Cânticos celebra a beleza do amor conjugal em linguagem poética, afirmando a bondade do desejo sexual no casamento. Como ensinou São João Paulo II na sua Teologia do Corpo, a atração entre o homem e a mulher faz parte do plano original de Deus, refletindo a comunhão de amor dentro da Santíssima Trindade (Jing, 2022).
Ao mesmo tempo, a sexualidade no casamento é orientada para a procriação. O primeiro mandamento de Deus à humanidade era «ser fecundos e multiplicar-se» (Génesis 1:28). A Igreja ensina que os aspectos unitivos e procriativos da sexualidade conjugal estão inseparavelmente ligados. Isto não significa que cada ato sexual deva resultar em conceção, mas sim que os casais devem permanecer abertos à possibilidade de uma nova vida como fruto do seu amor (Fallahchai et al., 2021).
Mas devemos lembrar-nos de que a intimidade no casamento vai além do ato físico. Deus pretende que a sexualidade conjugal seja uma expressão de comunhão pessoal total - uma união de corpo, mente e espírito. A verdadeira intimidade envolve vulnerabilidade, confiança e auto-revelação mútua. À medida que os cônjuges crescem na intimidade emocional e espiritual, a sua união física torna-se ainda mais significativa e gratificante (Jing, 2022).
O plano de Deus para a sexualidade conjugal também inclui o respeito e a consideração mútuos. São Paulo ensina que «o marido deve cumprir o seu dever conjugal para com a mulher, assim como a mulher para com o marido» (1 Coríntios 7:3). Esta reciprocidade enfatiza que a intimidade sexual deve ser um dom mútuo, não uma tomada egoísta. Os cônjuges são chamados a estar atentos às necessidades e desejos uns dos outros, agindo sempre com amor e respeito (Fallahchai et al., 2021).
Deus pretende que a intimidade conjugal seja exclusiva e fiel. O compromisso matrimonial proporciona a segurança e a confiança necessárias para a plena expressão da sexualidade. Esta exclusividade reflete o amor fiel de Deus e ajuda a construir uma base sólida para a vida familiar (Jing, 2022).
É importante notar que o plano de Deus para a sexualidade no casamento não se limita aos jovens ou fisicamente perfeitos. A intimidade do amor conjugal pode exprimir-se de várias maneiras ao longo das diferentes fases da vida, mantendo sempre a sua dignidade e beleza. Mesmo quando a intimidade física se torna difícil ou impossível devido à idade ou à doença, a intimidade espiritual e emocional do casal pode continuar a se aprofundar (Fallahchai et al., 2021).
Devemos também reconhecer que a sexualidade no casamento deve ser uma fonte de cura e graça. Num mundo muitas vezes marcado pela ruptura e exploração sexual, o amor fiel dos esposos cristãos pode ser um testemunho poderoso do verdadeiro significado e dignidade da sexualidade humana (Jing, 2022).
Finalmente, lembremo-nos de que a intimidade conjugal destina-se a aproximar o casal não só um do outro, mas também de Deus. Na medida em que se entregam uns aos outros em amor, os cônjuges participam no poder criativo e unificador do amor de Deus. A sua união íntima torna-se um sinal vivo do amor de Cristo pela Igreja, ajudando-os a crescer em santidade e a aproximar-se da fonte de todo o amor (Fallahchai et al., 2021).
Agradeçamos pelo belo dom da sexualidade no casamento. Que os casais cristãos, com a ajuda da graça de Deus, vivam este dom segundo o seu desígnio de amor, encontrando na sua íntima união uma fonte de alegria, de vida e de santificação. E que o seu testemunho ajude o nosso mundo a redescobrir a verdadeira beleza e dignidade da sexualidade humana, como Deus quis.
