O Plano Incrível de Deus e a Sua Maravilhosa Liberdade: Compreender a predestinação
Por vezes, quando ouvimos uma palavra como «predestinação», isso pode fazer-nos sentir um pouco desconfortáveis, não é? Talvez traga à mente pensamentos sobre um futuro já assente na pedra, ou um Deus que se tenha decidido sobre tudo, sem espaço para as nossas próprias escolhas. Mas estou aqui para vos dizer que a compreensão que a Igreja Católica tem da predestinação foi concebida para vos encher de paz, conforto e um forte sentido de esperança! Não se trata de um guião que nos tira a liberdade sobre o amor incrível e sem limites de Deus e o seu plano incrível para que cada um de nós participe na sua alegria eterna.
É tão natural ter perguntas. Pode estar a pensar: «Se Deus já sabe tudo, as minhas escolhas fazem realmente a diferença?» ou «Sou um dos «escolhidos»?» 1 Estas são perguntas boas e honestas que chegam ao coração do nosso caminhar com Deus. E a boa notícia é que a fé católica oferece respostas que são tranquilizadoras e capacitadoras. Mantém perfeitamente unida a verdade do plano perfeito de Deus e o dom precioso da nossa liberdade. A Igreja chama mesmo a predestinação de «mistério oculto», para não nos assustar e nos convidar a confiar num Deus cuja sabedoria é muito maior do que podemos imaginar.3 Ao reconhecer que os caminhos de Deus são mais elevados do que os nossos, a Igreja afasta-nos suavemente da preocupação e confia confiantes na sua bondade e no seu profundo desejo de que todos sejam salvos.
Por conseguinte, vamos explorar estas perguntas comuns sobre a predestinação, começando pelo que realmente significa, e descobrir como este ensinamento pode abençoar a sua vida de fé.
Qual é o coração da «predestinação» para os católicos?
Quando os cristãos falam de predestinação, geralmente falam do plano eterno de Deus para salvar aqueles que Ele ama.4 Trata-se de ver a mão de Deus em ação ao longo de toda a história, orientando tudo para a salvação dos seus «eleitos».5
O entendimento católico baseia-se nisto, com especial ênfase na amor. Para nós, a predestinação é o sonho amoroso e eterno de Deus de levar cada pessoa a um lugar de felicidade eterna com Ele. Não é um programa fixo que faz com que as suas escolhas não sejam importantes. Não, trata-se do conhecimento divino de Deus e da sua generosa provisão de toda a ajuda — a Sua graça — de que precisamos para a salvação. E convida-nos a dizer livremente «Sim!» a essa ajuda. No seu cerne, a predestinação é uma bela expressão do imenso amor de Deus e do seu desejo de nos tornarmos seus amados filhos adotivos.6 Como a Enciclopédia Católica partilha, embora a predestinação possa referir-se ao plano de Deus para todos os acontecimentos, quando falamos de salvação, trata-se de «essas bênçãos que se encontram na esfera sobrenatural, como graça santificante».3 O Catecismo da Igreja Católica (CCC) diz-o de forma tão maravilhosa: «Ele destinou-nos no amor para sermos seus filhos» 6, e «Porque Deus é amor, predestinou por amor e a predestinação é uma graça».7
Não se trata de Deus tomar decisões aleatórias; é uma parte vital do Seu cuidado amoroso e orientação para tudo o que Ele fez — a Sua divina providência.3 A Predestinação é especificamente a forma como a Sua providência trabalha para a nossa salvação, guiando-nos para o nosso bem último, que é a vida eterna.9 Ao dar-nos os meios (a Sua graça), respeitando sempre a nossa liberdade, o plano de predestinação de Deus é verdadeiramente um ato de amor incrível.
Para torná-lo ainda mais claro, o ensino católico muitas vezes fala sobre a predestinação para a fé. graça A predestinação para glória. A graça é a ajuda que Deus nos dá nesta vida para escolhermos o que é bom, nos aproximarmos dEle e respondermos ao Seu apelo. Glória é a vida eterna no Céu. Deus oferece a sua graça a todos, convidando-nos a colaborar com ela. E a nossa parceria livre com a Sua graça faz parte do seu plano para alcançarmos essa glória.3 Isto mostra que o primeiro dom da graça de Deus não significa automaticamente salvação sem o nosso contínuo e gratuito «Sim!» para Ele.
A Bíblia fala da predestinação? A que versículos os católicos olham?
Absolutamente! A ideia de predestinação está bem presente no Novo Testamento, e o ensinamento da Igreja baseia-se firmemente nestas verdades bíblicas.10 O apóstolo Paulo, em especial, lança muita luz sobre o plano divino de Deus.
Uma passagem verdadeiramente importante é Romanos 8:29-30:
«Para aqueles a quem Deus De antemão predestinou-se também a conformar-se à imagem de seu Filho, a fim de ser o primogénito entre muitos irmãos. E aos que predestinou, chamou-os também. E aos que chamou, justificou-os também. e aos que justificou, também glorificou." 4
Quando os católicos leem «noticia» aqui, não se trata apenas de Deus ter um aviso sobre eventos futuros. Na Bíblia, «conhecer» significa muitas vezes uma escolha profunda, pessoal e amorosa — como Deus que, desde o início, dá especial atenção a alguém11. Assim, «aqueles a quem Ele de antemão conheceu» pode significar «aqueles a quem Ele amorosamente escolheu e fixou o olhar desde a eternidade». Isto significa que a escolha amorosa de Deus é o que habilita Responder com fé, não que a sua predestinação seja apenas uma reação a algo que ele observava passivamente. Esta passagem mostra um belo fluxo divino: O amor presciente de Deus conduz ao seu plano predestinador, que se desenrola à medida que nos chama à fé, nos torna justos com Ele através da sua graça (justificação) e, por último, nos traz para a sua glória no Céu.
Outro conjunto de versos poderosos é encontrado na Epístola aos Efésios 1:4-5, 11:
«Ele escolheu-nos nele antes da fundação do mundo, para que fôssemos santos e irrepreensíveis perante ele. No amor nos predestinou para a adoção a si mesmo como filhos por meio de Jesus Cristo, de acordo com o propósito da sua vontade... Nele obtivemos uma herança, tendo sido predestinados de acordo com o propósito daquele que faz todas as coisas de acordo com o conselho da sua vontade." 5
Uau! Estas palavras põem verdadeiramente em evidência o primeiro passo amoroso de Deus. Ele escolheu-nos «antes da fundação do mundo», não porque o ganhássemos simplesmente pelo seu grande amor, planeando que fôssemos santos e que nos tornássemos seus filhos adotivos através de Jesus. Isto mostra o quão gracioso é o plano de Deus.
A Bíblia também fala sobre o «eleger» (de uma palavra grega que significa «escolhido»).10 Os teólogos muitas vezes ligam isso à predestinação, vendo os eleitos como aqueles que Deus predestinou para a salvação — um destino em que eles entram ao trabalhar livremente com a Sua graça.
E Atos 13:48 dá-nos outro vislumbre desta parceria divina e humana: «...e todos os que foram nomeados para a vida eterna acreditaram.» Este versículo mostra lindamente a nomeação de Deus («nomeado para a vida eterna») e a nossa resposta necessária («creu») trabalhando juntos em perfeita harmonia.5
Como a visão católica da predestinação é diferente das outras, como o calvinismo?
Muitas vezes ajuda a ver como a compreensão católica da predestinação brilha, comparando-a com outras visões cristãs, especialmente o calvinismo.
Na teologia calvinista, a predestinação muitas vezes inclui ideias como:
- Eleições incondicionais: Deus, desde a eternidade, escolhe certas pessoas para a salvação com base apenas em sua vontade soberana, não em qualquer fé ou boas ações que Ele previu nelas.
- A dupla predestinação: Este ponto de vista sugere que Deus não só predestina alguns à salvação, mas também, em algumas formas de pensar, predestina ativamente outros à condenação, ou pelo menos passa por eles, tornando-os inevitáveis.
- Graça irresistível: A graça que Deus dá aos eleitos não pode, em última análise, ser recusada. leva-os sempre à salvação.10
O ensinamento da Igreja Católica é bastante diferente em alguns pontos muito importantes, principalmente devido à sua compreensão do amor universal de Deus, da sua justiça e da realidade do nosso livre arbítrio. É difícil imaginar o amoroso Pai Jesus revelado como um Deus que criaria algumas pessoas apenas para as condenar, independentemente do que escolhessem.
Eis como a visão católica traz uma luz diferente:
- Deus quer que todos sejam salvos: Uma crença católica fundamental é que Deus «deseja que todos os homens sejam salvos e cheguem ao conhecimento da verdade» (1 Timóteo 2:4).15 O sacrifício de Jesus foi para cada pessoa, e não apenas para alguns pré-selecionados.3
- Não há predestinação para o inferno: A Igreja é cristalina: «Deus não predestina ninguém a ir para o inferno» (CCC 1037).1 A condenação é o triste resultado de uma pessoa que rejeita livre, voluntária e consistentemente o amor e a graça de Deus, e não um destino decidido por Deus.3
- A predestinação inclui o nosso «Sim!» gratuito: O plano eterno de predestinação de Deus inclui a resposta livre de cada pessoa à sua graça. O Catecismo ensina: «Quando, portanto, estabelece o seu plano eterno de «predestinação», inclui nele a resposta livre de cada pessoa à sua graça» (CIC 600).6 O plano de Deus não anula o nosso livre-arbítrio.
- Chega de graça a todos: A Igreja ensina que Deus oferece graça suficiente a cada pessoa para a salvação. Embora nem toda a graça acabe por levar à salvação (devido à resistência humana), a oferta é para todos.3 O Concílio de Trento manifestou-se contra a ideia de que a graça só é dada aos predestinados para a vida e que outros que são chamados não a recebem porque são "predestinados para o mal". 22 (Canon XVII).
Esta pequena tabela pode ajudar a mostrar algumas diferenças-chave:
Quadro 1: Principais diferenças: Opiniões católicas vs. calvinistas sobre a predestinação
| Característica | Ensino católico | Ensino Calvinista Típico |
|---|---|---|
| A Vontade de Deus para a Salvação | Universal: Deus quer que todos sejam salvos.3 | Nomeadamente: Deus quer a salvação apenas dos eleitos. |
| Bases das eleições | A escolha amorosa de Deus, que inclui a sua presciência da nossa resposta livre à sua graça.10 | Vontade divina incondicional, não baseada na fé ou nas obras previstas.10 |
| Livre-arbítrio humano | Capacidade genuína para aceitar ou rejeitar a graça de Deus; essencial para uma resposta amorosa.3 | A vontade está ligada à natureza caída. livre em assuntos não-salvíficos, ou definida compatibilisticamente com a determinação divina. |
| Natureza da Graça | Graça suficiente oferecida a todos; eficaz para aqueles que cooperam livremente \[3 (Canon XVII)\]. | A graça irresistível só para os eleitos. leva-os infalivelmente à salvação.10 |
| Reprovação (Damnação) | Conseqüente à rejeição livre e persistente da graça de Deus por parte de uma pessoa; Deus não predestinou ninguém para o inferno [CCC 1037]. | Muitas vezes um decreto divino antecedente (dupla predestinação ou passagem activa).4 |
| Extensão da Expiação | Cristo morreu por todas as pessoas.3 | Cristo morreu efetivamente apenas pelos eleitos (Expiação Limitada). |
Estas diferenças põem em realce o enfoque católico num Deus cujo amor e misericórdia são para todos, que respeita a nossa liberdade, e cuja justiça significa que a perda eterna é o resultado de uma escolha humana, e não algo que Deus decretou.
Se Deus predestina, ainda tenho livre arbítrio para escolhê-lo? Apostas tu!
A Igreja Católica grita alegremente «Sim!» a esta pergunta. Acreditamos apaixonadamente no livre-arbítrio humano. A nossa capacidade de fazer escolhas livres, especialmente a maior escolha de amar e servir a Deus ou de nos afastarmos Dele, é uma parte essencial de quem somos, feita à Sua imagem.4 O plano de predestinação de Deus não esmaga a nossa liberdade; funciona lindamente com ele.3
Uma chave para compreender isso está no Catecismo da Igreja Católica (CIC 600): «Para Deus, todos os momentos do tempo estão presentes no seu imediatismo. Quando, portanto, estabelece o seu plano eterno de «predestinação», inclui nele a resposta livre de cada pessoa à sua graça».6 Isto significa que Deus, na sua espantosa sabedoria, vê as nossas escolhas livres e as tece amorosamente no seu plano divino. Ele não nos obriga; Ele convida, capacita e espera pacientemente o nosso "sim" através da sua graça.17
O conhecimento perfeito de Deus e a nossa liberdade
Pode ser um pouco alucinante ver como o conhecimento e o poder perfeitos de Deus podem andar de mãos dadas com a verdadeira liberdade humana. Alguns pensam que, se Deus sabe ou é poderoso o suficiente para fazer tudo o que Ele quer, então a nossa liberdade deve ser apenas uma ilusão. Mas o ponto de vista católico é que o poder e o conhecimento de Deus são tão perfeitos que Ele pode alcançar os seus objetivos. através e com nossa verdadeira liberdade, não esmagando-a. A sua natureza omnisciente não força as nossas escolhas, e a sua natureza omnipotente pode funcionar perfeitamente mesmo com as nossas escolhas livres, como a nossa vontade humana.8
Pensem nisto assim:
- Imaginem um autor que conhece tudo Escrever uma história incrível. O autor conhece o início, o meio e o fim e compreende o que cada personagem «escolhe» porque toda a história está na sua mente. No entanto, de dentro da história, os personagens sentem que suas decisões são suas. Deus, como autor da realidade e vivendo fora da nossa experiência linear do tempo, tem uma visão completa que inclui as nossas decisões livremente tomadas.
- O analogia «porta» Também é útil: «Antes de nos tornarmos cristãos, é como se estivéssemos do lado de fora de uma porta com um letreiro que diz: «Quem quiser entrar, pode.» Mas, depois de passarmos por ela, olhamos para trás e vemos um letreiro sobre a mesma porta que diz: «Chamado e escolhido por Deus».5 Isto mostra lindamente os dois lados: a nossa experiência humana de fazer uma escolha livre e a realidade divina de Deus do seu amor e chamamento inicial.
- Compreender que Deus está fora do tempo Deus não vive o tempo como nós, um momento após o outro. Para Ele, todos os momentos são um «agora» eterno. Assim, o seu «preconhecimento» das nossas escolhas futuras assemelha-se mais ao «conhecimento» das nossas escolhas, tal como acontecem na sua presença intemporal. Ele vê o nosso "sim" ou "não" livre sem causar isso de uma forma que tira a nossa liberdade.
Deus deu-nos livre arbítrio para que pudéssemos amá-Lo genuinamente. Não podes forçar o amor, pois não? O nosso "sim" livre a Deus, a nossa resposta voluntária ao Seu amor, é tão precioso para Ele.6
O que a graça de Deus tem a ver com a predestinação e a minha salvação? Tudo!
A graça está no âmago de como os católicos entendem a predestinação e a salvação. É a presença amorosa e ativa de Deus nas nossas vidas. O Catecismo define a graça como «o favor, a ajuda livre e imerecida que Deus nos dá para responder ao seu apelo a tornarmo-nos filhos de Deus, filhos adotivos, participantes da natureza divina e da vida eterna» (CCC 1996).22 A salvação é a obra de Deus, tornada possível pela sua graça; não podemos alcançá-lo sozinhos.6
E aqui está a parte bonita: A graça de Deus dá sempre o primeiro passo. Mesmo o nosso primeiro desejo por Deus, o nosso primeiro pensamento de nos voltarmos para Ele, ou a agitação do arrependimento nos nossos corações - essa é a graça de Deus em ação.22 Isto é por vezes chamado de "graça preventiva" - a graça que vem antes Até respondemos conscientemente.
A nossa parte: Cooperar com a sua maravilhosa dádiva
Mas enquanto Deus inicia com a sua graça, Ele deseja a nossa livre cooperação. A graça não é um feitiço mágico que funcione, quer queiramos quer não; é um convite que pede o nosso «Sim!» Temos de concordar livremente e trabalhar com a graça que Deus oferece22. O Conselho de Trento ensinou claramente que o nosso livre arbítrio, quando movido e despertado por Deus, coopera na preparação para a graça da justificação, e pode dizer «não» se quiser 22 (Canon IV).
Isto leva à compreensão católica de como a graça e as boas obras se encaixam. As boas obras, quando as fazemos com fé e amor, são fruto da graça de Deus que opera em nós e da nossa cooperação com essa graça. Estas obras são consideradas merecedoras da vida eterna, não porque ganhamos a salvação à parte de Deus, porque Deus, em sua generosidade, escolhe recompensar seus próprios dons em nós. 23 (Canon XXIV); 8.
Portanto, a visão católica evita dois extremos: Pensar que podemos ganhar a salvação por nós mesmos (pelagianismo) e pensar que a resposta humana é apenas um efeito automático da graça sem qualquer liberdade real. Em vez disso, trata-se de uma «sinergia» — um belo trabalho conjunto — da graça de Deus e da nossa liberdade humana. A graça de Deus inicia-a, permite-a e mantém os nossos esforços, e a nossa vontade humana coopera livremente com essa graça. E mesmo que a cooperação é possível pela graça! Não são 50% Deus e os 50% nós 100% A graça de Deus permite uma centena de% resposta humana livre (ainda agraciada). Este maravilhoso equilíbrio defende tanto a soberania de Deus na nossa salvação como a dignidade da nossa liberdade.
A Igreja Católica ensina que Deus predestinou alguém ao inferno? Um ressonante não!
Deixe-me dizer-lhe uma coisa incrivelmente reconfortante: A Igreja Católica ensina-nos com absoluta clareza que Deus não predestinou ninguém para o inferno. Esta é uma das verdades mais tranquilizadoras em seu ensino sobre a predestinação. O desejo mais profundo de Deus é que cada pessoa seja salva e partilhe com Ele a vida eterna.1
O inferno não é um destino que Deus cria para certas pessoas. Em vez disso, é o estado trágico e auto-escolhido de estar eternamente separado de Deus. Isto acontece devido à rejeição deliberada, livre e contínua de uma pessoa do amor, da misericórdia e da graça de Deus, até ao fim da sua vida.10 É o resultado final do afastamento de Deus, que é a fonte de toda a vida e felicidade. Como muitos católicos dizem, fazendo eco de C. S. Lewis, «ninguém vai para o inferno por acidente»; em vez disso, «Todos os que estão no inferno, escolham-no».1
Deus Permite Não Causa, As nossas Escolhas Erradas
Embora Deus não queira o pecado nem o mal, Ele licenças É o que está a acontecer. Esta permissão é um resultado poderoso do seu respeito pelo livre-arbítrio que Ele nos deu. Se Deus pusesse termo a todo o pecado à força, teria de sobrepor-se à nossa liberdade. Ele escolhe não fazer isso porque quer um amor que é dado livremente, não forçado.6 Nas palavras de São Tomás de Aquino, a reprovação (permitir que se afaste da salvação) inclui a vontade de Deus de permitir uma pessoa a cair no pecado e, como consequência justa, a impor a punição da condenação devido a este pecado.1
Para compreender isto melhor, a teologia católica, especialmente na tradição de São Tomás de Aquino, distingue entre "reprovação antecedente" e "reprovação consequente".7 A Igreja rejeita completamente qualquer ideia de reprovação antecedente - o que significa que Deus decide que alguém vai para o inferno antes independentemente dos seus pecados. Isso seria contrário ao amor e à justiça universais de Deus. Em vez disso, a reprovação é entendida como «consequente»: Deus, no seu conhecimento eterno, prevê o pecado persistente e não arrependido de uma pessoa e a sua rejeição final da sua graça. Na Sua justiça, Ele permite-lhes enfrentar as consequências eternas das suas próprias escolhas livres.1 Assim, o «decreto» de condenação de Deus é a Sua resposta justa ao mal previsto, livremente escolhido e não arrependido, e não uma pré-seleção arbitrária para a perda eterna.
O que os primeiros Padres da Igreja, como Santo Agostinho e São Tomás de Aquino, disseram sobre isso?
A sabedoria dos grandes Padres e Doutores da Igreja, como Santo Agostinho e São Tomás de Aquino, moldou profundamente a forma como os católicos entendem a predestinação. Eram como gigantes espirituais, ajudando-nos a ver essas verdades mais claramente.
Santo Agostinho de Hipona (354-430 d.C.), muitas vezes chamado de «Doutor da Graça», pensou e escreveu muito sobre estas coisas.
- Na sua escritos anteriores, especialmente ao argumentar contra ideias que diziam que tudo estava fadado, Agostinho enfatizou fortemente que o livre-arbítrio humano é a fonte do mal. Argumentou que o conhecimento prévio de Deus sobre o pecado não o obriga a acontecer32.
- O seu visualizações posteriores, em especial quando estava a lidar com Pelágio (que exagerou na nossa capacidade de alcançar a salvação sem a graça de Deus), salientou que a graça de Deus é absolutamente necessária para qualquer boa ação e para a salvação. Agostinho ensinou que a nossa natureza humana é ferida pelo pecado, pelo que a graça de Deus é um dom totalmente gratuito. Argumentou que Deus, na sua soberania, escolhe (predestina) aqueles a quem dará esta graça salvífica.32 Algumas das declarações posteriores e mais fortes de Agostinho sobre a escolha de Deus conduziram a diferentes interpretações ao longo do tempo, com algumas até mesmo a ligar certas passagens a uma forma de dupla predestinação, embora a Igreja geralmente se tenha afastado de tais conclusões.4
- Mesmo com estas mudanças de ênfase, Agostinho sempre tentou manter unida a graça soberana de Deus e a nossa responsabilidade humana. Afirmou que a predestinação de Deus não anula o livre arbítrio, mas funciona através dele. Deus é justo na sua misericórdia para com aqueles que escolhe e ao permitir que os outros enfrentem as consequências do seu próprio pecado.32
São Tomás de Aquino (1225-1274), o “Doutor angélico”, construído sobre a fundação de Agostinho. Teceu predestinação no seu espantoso sistema teológico, especialmente no âmbito da sua compreensão do cuidado amoroso de Deus (providência divina).
- Para Tomás de Aquino, a predestinação é o plano eterno de Deus, existente na mente de Deus, para nos guiar (humanos e anjos) ao nosso destino sobrenatural, que é a vida eterna.8
- Ensinou que a razão última da predestinação é a vontade e a bondade de Deus. Deus predestina as pessoas à glória (Céu) e, como parte desse mesmo plano, predestina-se a dar-lhes a graça de que necessitam para alcançar essa glória através de boas ações - ações que são elas próprias o fruto da graça de Deus.8
- Aquino acreditava que a predestinação de Deus funciona sempre, mas não força as nossas escolhas nem destrói o nosso livre arbítrio. A vontade primária de Deus funciona através de causas secundárias, que incluem nossas escolhas humanas livres.8
- No que diz respeito à reprovação (permitir que caia), Tomás de Aquino ensinou que também faz parte da providência de Deus. Mas significa Deus permitindo alguns a desviarem-se do caminho da salvação e a castigá-los com justiça pelos seus pecados; Deus não causa o pecado em si mesmo.1
Os ensinamentos de Agostinho e de Aquino são profundos e ricos, também complexos, permitindo uma série de pensamentos teológicos dentro dos limites do que é considerado verdadeiro. A autoridade de ensino da Igreja (o Magistério), através de concílios como Trento e documentos como o Catecismo, navegou nestas águas teológicas profundas. Afirmou verdades fundamentais — como o desejo universal de Deus de que todos sejam salvos, a realidade da liberdade humana, a necessidade absoluta de graça e a firme rejeição de qualquer predestinação para o inferno. Ao mesmo tempo, permite algumas diferenças de opinião teológica sobre os pontos mais delicados de como exatamente o poder de Deus e a nossa liberdade trabalham em conjunto, como se vê nos debates em curso entre diferentes escolas teológicas, como o tomismo e o molinismo.7 Esta abordagem mostra que a Igreja valoriza o pensamento profundo dos seus Doutores, protegendo-os pastoralmente contra interpretações que possam enfraquecer a fé, a esperança ou uma compreensão correta da justiça e da misericórdia de Deus. Os ensinamentos mais firmemente «estabelecidos» são frequentemente os que têm o impacto mais direto e importante na nossa vida quotidiana de fé.
Como é que Deus sabe tudo antecipadamente e funciona com as nossas escolhas livres? É uma coisa de Deus!
Esta é uma pergunta clássica: Se Deus sabe tudo o que vai acontecer, como podemos ser verdadeiramente livres? A compreensão católica oferece algumas ideias maravilhosas.
Uma grande ideia aqui é que Deus está fora do tempo.17 Nós, seres humanos, experimentamos o tempo numa linha — passado, presente, futuro. Mas Deus é eterno. Para Ele, todos os momentos do tempo estão ali, todos de uma só vez. O Catecismo diz: «Para Deus, todos os momentos do tempo estão presentes no seu imediatismo» (CIC 600).17 Podemos imaginar Deus num «agora eterno», onde toda a linha do tempo da história lhe está presente de uma só vez, como se pudéssemos ver toda uma paisagem do topo de uma montanha.20
Deus vê, não força
Uma vez que Deus vê o tempo todo de uma só vez, o seu «conhecimento prévio» do que faremos no futuro é, do seu ponto de vista eterno, simplesmente «conhecimento». Will livremente fazer. E aqui está a chave: O seu conhecimento não causa nós a fazê-lo. Santo Agostinho usou uma grande analogia: «Quando nos lembramos de acontecimentos passados, não os obrigamos a ter acontecido e, da mesma forma, Deus não obriga a que acontecimentos futuros aconteçam pela sua presciência dos mesmos».32 Pensem nisto: um historiador sabendo que César atravessou o Rubicão não o obrigou a fazê-lo. O conhecimento de Deus sobre as nossas futuras ações livres não as determina de uma forma que tire a nossa liberdade.2
O problema muitas vezes vem quando tentamos imaginar Deus vivenciar o tempo e aprender as coisas da forma que fazemos. Se Deus «aprende» sobre uma futura ação humana livre de uma forma que vem antes dela e a «bloqueia», então a liberdade parece impossível. O conceito de «eterno agora» de Deus ajuda-nos a reformular o conhecimento divino de uma forma que não surge temporalmente antes e, por conseguinte, parece predeterminar eventos livres futuros. Aquilo a que chamamos «preconhecimento» é, para Deus, simplesmente «conhecimento» de um acontecimento que, do seu ponto de vista intemporal, é «presente». Tal como o nosso conhecimento de uma ação livre presente não destrói a sua liberdade, o conhecimento de Deus dessa mesma ação (que é futura para nós, mas presente para Ele) não destrói a sua liberdade.
Imagine-se a rolo de filme. O diretor ou editor que tem todo o filme pode ver a primeira cena, a última cena, e todas as cenas no meio, tudo de uma só vez, se eles colocá-lo para fora. Mas os personagens do filme experimentam a história uma cena de cada vez, fazendo as suas «escolhas» à medida que o enredo se desenrola para eles. O conhecimento de Deus é um pouco como a visão completa do diretor de todo o rolo, embora sejamos como os personagens que o experimentam quadro a quadro.
Uma vez que a presciência de Deus não força as nossas ações, continuamos a ser verdadeiramente livres e, por conseguinte, moralmente responsáveis pelas nossas escolhas32. Este entendimento é tão importante para nos agarrarmos tanto à natureza omnisciente de Deus como à dignidade da nossa liberdade humana.
O que disse o Concílio de Trento sobre a predestinação e a correção de Deus?
O Concílio de Trento (1545-1563) foi um período muito importante na história católica. Foi chamado principalmente para abordar as questões teológicas levantadas pela Reforma Protestante. Muitas de suas declarações sobre a justificação (como somos feitos justos com Deus), a graça e tópicos relacionados, incluindo a predestinação, foram feitas para esclarecer o ensino católico.
Trento aproximou-se da predestinação com um profundo sentido de reverência, chamando-a de «Mistério oculto»:.3 Tratava-se de salientar que se trata de uma verdade profunda e de advertir contra demasiada especulação humana ou quaisquer pretensões orgulhosas de saber com certeza sobre o próprio destino eterno.
Vários cânones-chave (que são declarações doutrinárias vinculativas) da Sexta Sessão de Trento, que se centraram na justificação, abordam diretamente a forma como entendemos a predestinação:
- Nenhuma certeza de predestinação pela fé sozinho (Canon 15): «Se alguém disser que um homem nascido de novo e justificado está ex fide da fé acreditar que está no número dos predestinados, seja anátema».3 Trent disse que é errado pensar que uma pessoa deve, Por uma questão de fé, creiam com absoluta certeza que estão entre os predestinados a serem salvos. A menos que Deus dê uma revelação especial e rara, tal certeza é vista como presunçosa.
- Nenhuma certeza de perseverança final sem revelação especial (Cânon 16): «Se alguém disser que, com certeza absoluta e infalível, terá esse grande dom de perseverança até ao fim, a menos que o tenha aprendido por uma revelação especial, seja anátema».23 Do mesmo modo, não podemos ter a certeza absoluta de que perseveraremos na graça até ao fim sem uma revelação divina especial. Este ensinamento encoraja-nos a continuar a confiar na graça e na misericórdia de Deus ao longo da nossa vida.
- Graça Não Limitada aos Predestinados à Vida / Rejeição da Predestinação ao Mal (Canon 17): «Se alguém disser que a graça da justificação só é partilhada por aqueles que estão predestinados para a vida; mas que todos os outros que são chamados são chamados, mas não recebem a graça, como se fossem pelo poder divino predestinados para o mal. Deixem-no ser um anátema».3 Este cânone é tão importante. Rejeita a ideia de que a graça salvífica só está disponível para uns poucos selecionados predestinados para a salvação, e que outros são ativamente predestinados por Deus para o mal ou a condenação por lhes ser negada a graça. Mantém a convicção de que o apelo e a oferta de graça de Deus são muito mais amplos e generosos.
- Afirmação da cooperação de livre-arbítrio com Grace (cânone 4): Este cânone afirma que o nosso livre arbítrio humano, quando movido e despertado por Deus, coopera ativamente na preparação para a graça da justificação e não é apenas passivo ou incapaz de dizer «não».22
- A Necessidade da Graça (Canon 1): Este cânone destaca que ninguém pode ser justificado diante de Deus por suas próprias obras ou por seguir a lei sem a graça divina através de Jesus Cristo.23
Coração Pastoral de Trento
Os cânones de Trento sobre a predestinação, especialmente os Cânones 15 e 16, mostram um profundo coração pastoral. Ao condenar a ideia de que um deve creiam na sua própria predestinação certa para a salvação, o Concílio quis proteger as pessoas de dois grandes perigos espirituais: presunção (pensar que és salvo, independentemente do que faças no futuro ou sem teres de continuar a voltar-te para Deus) e desespero (pensar que estamos condenados sem esperança se não tivermos esse sentimento de certeza). Se tal garantia fosse uma exigência de fé, aqueles que naturalmente não têm este sentimento de certeza poderiam cair em desespero, pensando que não são escolhidos. Por outro lado, aqueles que têm a certeza podem tornar-se complacentes, esquecendo a necessidade de vigilância e cooperação ao longo da vida com a graça de Deus. O ensino de Trento incentiva, assim, um equilíbrio espiritual saudável: uma confiança profunda na misericórdia e nas promessas de Deus, uma esperança vibrante de salvação e também um reconhecimento humilde da necessidade de perseverança ao longo da vida na graça e nas boas obras. Isso nos ajuda a evitar o orgulho espiritual e o desespero desesperado. Descrever a predestinação como um «mistério oculto» apoia esta abordagem pastoral, incentivando a confiança em detrimento da adivinhação ansiosa.
Como devo viver como um católico que sabe sobre a predestinação? O que isso significa para a minha fé e esperança?
Quando compreende verdadeiramente a compreensão católica da predestinação, não é motivo para se preocupar com uma fonte de esperança incrível e um apelo para viver uma vida cristã vibrante!
- Abracem o Incrível Amor e Misericórdia de Deus: A verdade mais importante a ser mantida é que Deus ama cada um de nós infinitamente e quer que todos sejam salvos.6 O seu plano de predestinação é uma expressão deste amor incrível. Concentrai-vos na Sua misericórdia sem limites, que está sempre presente para vós quando vos voltais para Ele.15
- Viver uma vida de fé ativa, esperança e amor: A nossa parte no plano de Deus é responder ao seu amor e graça com fé, viver na alegre esperança das suas promessas e demonstrar o nosso amor a Deus e aos outros através de atos reais de bondade e serviço. Isso significa fazer parte ativamente do recebimento dos sacramentos (especialmente da Reconciliação e da Eucaristia), orar, ler as Escrituras e tentar viver todos os dias como Jesus nos ensinou.5
- Confiar, não se preocupar e especular: Não é útil nem necessário ficar preso a tentar descobrir se é «um dos eleitos». Faz parte do «mistério oculto» que pertence a Deus.3 Em vez disso, o apelo é confiar profundamente na bondade de Deus, na sua justiça e no seu desejo esmagador de salvação de cada pessoa. Vivei cada dia procurando amá-Lo e servi-Lo, e colocai com confiança o vosso futuro nas Suas mãos misericordiosas.
- Concentre-se em tornar-se mais próximo de Deus e trabalhar com Sua Graça: A vida cristã é um caminho de sempre voltar-se para Deus. Não importa o quão longe possas ter-te desviado, a oportunidade de voltares para Deus está sempre lá. A chave é cooperar com a graça que Ele vos oferece a cada momento.6
- Encontre o incentivo, não o medo: Compreendido corretamente, o ensino sobre a predestinação deve preenchê-lo com imenso encorajamento. Significa que Deus tem um plano de amor para ti, que Ele te dá toda a ajuda divina (graça) de que necessitas para a tua viagem até Ele, e que Ele está sempre a trabalhar para o teu bem último.5 Isto dá-te uma certeza profunda, não em ti mesmo na provisão e no amor inabaláveis de Deus.
- Cultive a humildade e a gratidão: Perceber que a salvação é, em última análise, o dom de Deus, iniciado pelo Seu amor e realizado através da Sua graça, deve conduzir a uma profunda humildade e gratidão sincera, e não a qualquer sentimento de orgulho ou de pensar que podes fazer tudo sozinho.5
Longe de nos tornar passivos ou fatalistas («Se sou salvo, sou salvo; se não, nada do que faço é importante»), o entendimento católico da predestinação inspira efetivamente os crentes a viverem uma vida de responsabilidade moral e espiritual ativa.17 Uma vez que o plano de Deus inclui amorosamente a nossa livre cooperação, as nossas escolhas e ações têm um significado eterno! Este ensinamento nos chama a ser vigilantes, a orar, a receber os sacramentos e a fazer boas obras - um compromisso ativo e alegre em nossa fé. Como diz uma fonte, «se estiveres predestinado a ir para o céu, responderás à graça de Deus... Não podes simplesmente esperar pelo teu destino. Quer vás para o céu ou para o inferno, depende da tua resposta...».17 Esta perspetiva transforma a doutrina de uma potencial desculpa para não fazeres nada num poderoso motivador para uma vida santa e cheia de esperança, confiando sempre na ajuda infalível de Deus.36
Esta pequena imagem pode ajudá-lo a ver a viagem da salvação:
Figura 1: A nossa viagem com Deus: A Graça, a Liberdade e a Salvação
(Um fluxograma conceitual seria representado aqui, ilustrando as seguintes etapas com ícones simples e breves anotações):
- O Plano Eterno de Amor de Deus (Predestinação à Graça & Glória): Fonte: O amor e a sabedoria infinitos de Deus. (Ícone: Coração com uma luz brilhante a emanar)
- Chamado Universal de Deus & Oferta de Graça: Deus quer que todos sejam salvos e oferece graça a todos. (Ícone: Sol brilhando seus raios sobre diversas pessoas)
- O livre arbítrio da humanidade: Somos criados com a liberdade de escolher a Deus. (Ícone: Uma pessoa numa encruzilhada, um caminho que conduz à luz, outro à sombra)
- Cooperação com a Grace: Responder à ajuda de Deus através da fé, da oração, dos sacramentos, das boas obras. (Ícone: Pessoa que procura uma mão amiga vinda de cima, símbolos de oração/Eucaristia)
- Justificação: Ser purificado do pecado e tornar-se justo através da graça de Deus. (Ícone: Pessoa lavada ou vestida de branco)
- Perseverança na Graça: Prosseguir o caminho da fé, crescer em santidade com a ajuda de Deus. (Ícone: Pessoa a percorrer um caminho em direção a uma cidade distante e brilhante)
- Vida Eterna/Glória (Céu): O cumprimento final do plano de Deus: a alegria eterna com ele. (Ícone: Cidade brilhante numa colina, representando o Céu)
Este visual visa simplificar a bela dança da iniciativa de Deus e a nossa resposta, reforçando a mensagem de esperança e a nossa parte ativa no plano de amor de Deus.
Conclusão: Abraçar o Mistério com Confiança e Esperança Alegre!
O ensinamento da Igreja Católica sobre a predestinação, quando o vemos na sua plenitude, é uma declaração poderosa do amor infinito de Deus, da sua perfeita sabedoria e do seu desejo inabalável de que cada um de nós alcance a salvação eterna e viva com Ele numa alegria eterna.6 É um ensinamento que não fala de um destino assustador e imutável de um plano divino nascido por amor — um plano que nos dá toda a graça e ajuda de que necessitamos para a nossa viagem até à nossa casa celestial27.
A nossa parte neste incrível plano divino é responder livremente. Somos convidados a dizer «Sim!» ao amor de Deus e a associarmo-nos à Sua graça através de uma vida de fé ativa, esperança vibrante e amor altruísta pelos outros21. Não se trata de tentar ansiosamente ganhar o nosso caminho para o Céu, como se fosse um prémio que pudéssemos ganhar sozinhos. Não, trata-se de responder com alegria e gratidão Àquele que nos amou, que nos chama para uma relação consigo mesmo e que capacita todos os nossos passos em direção a Ele.
Assim, que o ensinamento católico sobre a predestinação não encha o vosso coração de preocupações ou adivinhações temerosas com uma imensa esperança e uma confiança profunda no amor inabalável de Deus e no Seu poder para vos trazer a Si mesmo. Não somos fantoches numa corda abençoada com a verdadeira liberdade, convidados para uma amizade eterna de amor. O chamado é para confiar em seu plano de amor, viver todos os dias em seu amor e abraçar o caminho da fé com um espírito de profunda gratidão e alegre espera da glória que Ele preparou para aqueles que O amam.
Bibliography:
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