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Calvinismo vs. Arminianismo: Diferenças Explicadas




Claro. Aqui está um resumo executivo de quatro pontos do artigo:

  • Crenças Fundamentais: O artigo explora o Calvinismo e o Arminianismo, dois grandes sistemas teológicos dentro do Cristianismo Protestante que abordam o papel de Deus e a responsabilidade humana na salvação. O Calvinismo, nomeado em honra de João Calvino, enfatiza a soberania absoluta de Deus, ensinando que Deus escolhe incondicionalmente quem será salvo. 1 O Arminianismo, de Jacobus Arminius, foca-se no amor e bondade universais de Deus, propondo que a salvação é um processo cooperativo entre a graça capacitadora de Deus e a livre escolha de uma pessoa. 3

  • As Principais Divergências: As diferenças centrais são frequentemente resumidas em cinco pontos. O Calvinismo sustenta que a salvação começa com a Eleição Incondicional, é realizada por uma Expiação Limitada pelos eleitos, e aplicada através da Graça Irresistível. 4 Em contraste, o Arminianismo ensina uma Eleição Condicional baseada na presciência de Deus sobre quem acreditaria, uma Expiação Ilimitada disponível para todos, e uma Graça Resistível que honra a liberdade humana. 3

  • Impacto na Vida Cristã: Estas visões teológicas moldam a experiência diária de um crente. Para os calvinistas, a segurança da salvação reside frequentemente no decreto imutável de Deus, e o evangelismo é motivado pela confiança no plano soberano de Deus para salvar o Seu povo escolhido. 7 Para os arminianos, a segurança é encontrada numa fé presente e ativa em Cristo, e o evangelismo é impulsionado pela necessidade urgente de apresentar a cada pessoa uma oportunidade genuína de ser salva. 9

  • Um Apelo à Unidade: Apesar destas diferenças significativas, o artigo conclui que esta é uma “discussão familiar” dentro do Cristianismo ortodoxo. 11 Ambos os lados afirmam os princípios centrais da fé — como a Trindade, a divindade de Cristo e a salvação pela graça somente através da fé — e são encorajados a abordar as suas divergências com humildade e amor, reconhecendo o profundo mistério de Deus. 13

Esta entrada é a parte 4 de 58 na série Denominações Comparadas

Na nossa grande família de fé, existem algumas palavras que podem parecer pesadas, que nos podem fazer sentir confusos ou divididos. Quando ouvimos “Calvinismo” e “Arminianismo”, pode parecer que temos de escolher um lado num argumento antigo.¹ Mas peço-lhe que veja isto não como uma batalha, mas como uma “discussão familiar” entre irmãos e irmãs e irmãos que amam o Senhor e prezam a Sua Palavra.³

Imagine duas pessoas a descrever uma bela montanha. Uma vê o sol da manhã nos seus picos, a outra as sombras suaves da tarde. Ambas estão a falar da mesma montanha, e ambas estão a dizer a verdade. Assim é com esta conversa, que tem as suas raízes profundas na nossa história.⁵ Toca nas questões mais ternas dos nossos corações: Como é que Deus nos salva? Qual é a Sua parte, e qual é a nossa? Esta discussão continua não porque estamos divididos, mas porque o mistério do nosso Deus infinito é tão rico e profundo que nunca pararemos de explorar a sua beleza.²

Quem foram os dois homens fiéis por trás do Calvinismo e do Arminianismo?

Para compreender estes caminhos de fé, devemos primeiro olhar para os próprios homens. Eles não eram estudiosos frios, mas homens com corações ardentes por Deus, cujas vidas moldaram a forma como viam a Sua misericórdia.

João Calvino: Uma Mente Brilhante para Deus

João Calvino (1509-1564) foi um estudante talentoso cuja vida foi voltada para Deus por uma poderosa conversão.⁹ Ele foi uma figura chave na Reforma Protestante, conhecido pelo seu intelecto aguçado.⁹ Fugindo do perigo, encontrou um lar em Genebra, onde escreveu a sua grande obra,

Institutas da Religião Cristã. Isto foi mais do que um livro; foi um guia espiritual, ajudando os crentes a compreender as verdades da Bíblia de uma forma clara e ordenada.⁹ O trabalho da sua vida foi construir uma comunidade que honrasse a Deus em todas as coisas.⁹ A sua mente via a bela e lógica ordem no plano soberano de Deus, onde tudo trabalha em conjunto para a Sua glória.

Jacobus Arminius: Um Coração Corajoso para Deus

Décadas mais tarde, Jacobus Arminius (1560-1609) serviu como um amado pastor holandês. Ele tinha até estudado em Genebra com o sucessor de Calvino.² Ele não era um homem à procura de uma luta, mas uma alma gentil cuja própria vida conhecera o sofrimento.¹⁴ As suas questões vinham de uma leitura sincera e orante das Escrituras, especialmente o livro de Romanos.² Ele preocupava-se que alguns ensinamentos sobre a predestinação soassem demasiado duros e não captassem totalmente o amor ilimitado de Deus que, como diz a Bíblia, deseja que todos sejam salvos.¹⁴ Ele procurou mostrar como o poder de Deus e a bondade de Deus se abraçam, mantendo a soberania de Deus enquanto torna possível uma resposta humana real ao Seu amor.

Como podemos compreender o abraço soberano de Deus através dos cinco pontos do Calvinismo?

A teologia do Calvinismo é frequentemente resumida com as letras TULIP. Estes pontos não foram escritos por Calvino, mas por líderes da igreja no Sínodo de Dort (1618-1619) para responder aos seguidores de Arminius.¹ O coração desta visão é dar toda a glória a Deus pela nossa salvação, vendo-O como o princípio e o fim da nossa fé.

T – Depravação Total (A Nossa Profunda Necessidade de um Salvador)

Isto pode soar duro, mas é o fundamento para as notícias mais maravilhosas. Não significa que somos tão maus quanto podemos ser.¹⁸ Significa que o pecado tocou cada parte de nós — as nossas mentes, as nossas vontades, os nossos corações — de modo que somos espiritualmente incapazes de vir a Deus por nós mesmos.¹⁷ Uma pessoa não pode ressuscitar-se a si mesma dos mortos. Esta verdade não pretende esmagar-nos, mas mostrar-nos o quanto precisamos de um Salvador. Prepara os nossos corações para ver Deus como o verdadeiro herói da nossa história.

U – Eleição Incondicional (A Escolha Livre e Amorosa de Deus)

Esta é uma bela verdade sobre a incrível graça de Deus. Significa que Deus escolheu salvar-nos não por causa de algo que viu em nós — não as nossas boas ações, a nossa sabedoria, ou mesmo a fé que um dia teríamos.¹⁸ Ele escolheu-nos simplesmente porque, no Seu grande amor, Lhe aprouve fazê-lo.²¹ Isto significa que o nosso relacionamento com Deus não é construído sobre o nosso desempenho, mas sobre o Seu amor imutável. É um presente puro.

L – Expiação Limitada (A Obra Definitiva e Vitoriosa de Cristo)

Um nome melhor para isto poderia ser “Expiação Definitiva”.¹⁷ A ideia é que a morte de Jesus não foi apenas uma possibilidade, mas uma vitória. Ele não tornou simplesmente a salvação

possível Ele realmente alcançou e garantiu a salvação de todos aqueles que Deus tinha escolhido.¹⁷ A obra de Cristo foi um triunfo. Ele não abriu apenas uma porta; Ele levou as Suas amadas ovelhas em segurança para casa.¹⁸

I – Graça Irresistível (O Belo Chamado de Deus)

Isto não significa que Deus nos força contra a nossa vontade. Significa que a Sua graça é tão poderosa e adorável que muda a nossa vontade, de modo que nós livremente e alegremente corremos para Ele.²¹ É como se Deus brilhasse uma luz tão bela que não podemos deixar de sair da escuridão para o seu calor. A graça de Deus conquista os nossos corações.¹⁸

P – Perseverança dos Santos (Mantidos em Segurança na Mão de Deus)

Esta é a doce promessa da nossa segurança em Cristo. Significa que aqueles que Deus salvou, Ele manterá na fé até ao fim.¹⁸ Um verdadeiro crente é mantido na mão do Pai e nunca pode ser perdido.¹⁷ Isto não significa que não tropeçaremos, mas que Deus, que começou esta boa obra em nós, a levará fielmente à conclusão. O Seu aperto sobre nós é mais forte do que o nosso aperto sobre Ele.¹⁹

Como podemos celebrar o nosso papel na dança divina através dos cinco artigos do Arminianismo?

Os seguidores de Arminius apresentaram os seus cinco pontos num documento chamado a Remonstrância de 1610. Foi um apelo sincero para expressar melhor a mensagem da Bíblia sobre o amor universal de Deus e a nossa responsabilidade de responder.²² Esta visão procura honrar a bondade de Deus e a dignidade da nossa escolha de amá-Lo em retorno. É como uma dança, onde Deus lidera amorosamente e nós devemos escolher entrar na pista com Ele.

Artigo 1 – Eleição Condicional

Esta visão ensina que Deus, no Seu conhecimento perfeito, olhou em frente e viu todos os que diriam livremente “sim” à Sua oferta de salvação através da fé em Jesus.¹ A escolha de Deus, então, baseia-se nesta fé prevista. Ele é como um Pai amoroso que prepara um grande banquete, já sabendo qual dos Seus filhos aceitará alegremente o Seu convite.²⁴

Artigo 2 – Expiação Ilimitada

Esta é a verdade maravilhosa de que Jesus morreu por cada pessoa.¹ A Bíblia diz-nos que Jesus é o “Salvador do mundo”.22 Nesta visão, o amor de Deus é tão grande que Ele tornou a salvação disponível para todos. O perdão que Cristo conquistou é oferecido a todos, e torna-se nosso quando o recebemos pela fé.²⁴

Artigo 3 – Depravação e Graça Preveniente

Tal como os calvinistas, os arminianos acreditam que estamos caídos e não nos podemos salvar a nós próprios.¹ Mas aqui está o belo mistério: eles acreditam que Deus dá uma medida de “graça preveniente” (ou graça capacitadora) a cada pessoa.⁶ Esta graça não é a salvação em si; é suficiente para curar a nossa vontade para que possamos escolher livremente aceitar ou rejeitar o amor de Deus. Deus dá o primeiro passo, dando-nos a liberdade de responder a Ele.

Artigo 4 – Graça Resistível

Porque Deus honra a liberdade que nos deu, o Seu apelo para sermos salvos pode ser resistido.¹ O Espírito Santo atrai ternamente as pessoas a Cristo; Ele não as força. O verdadeiro amor deve ser dado livremente. O nosso “sim” a Deus é precioso porque poderíamos ter dito “não”.

Artigo 5 – Segurança Condicional

Os primeiros a escrever estes artigos não tinham a certeza sobre este ponto, dizendo que precisava de mais estudo.²⁵ Hoje, a visão arminiana ensina frequentemente que um crente está seguro enquanto continuar na fé. Não é que a salvação se perca por um simples erro; é que é possível que alguém se afaste voluntária e finalmente de Cristo e abandone a sua fé.² Esta visão chama-nos a uma relação viva, ativa e perseverante com Deus.

Um conto de duas perspectivas: Como elas veem o plano de Deus?

Ver estas ideias lado a lado pode ajudar-nos a compreender as diferentes formas como estes dois caminhos de fé olham para as mesmas grandes verdades. Este não é um gráfico do certo e do errado; é um guia para as diferentes formas de falar sobre a obra de Deus nas nossas vidas dentro da família cristã.¹

A QuestãoA Perspetiva Calvinista (Foco na Soberania de Deus)A Perspetiva Arminiana (Foco no Convite de Deus)
Como começa a salvação?Deus escolhe soberanamente dar nova vida àqueles que Ele elegeu, capacitando-os a acreditar.Deus oferece a Sua graça a todos, capacitando cada um a escolher livremente acreditar n’Ele.
A escolha de Deus baseia-se em nós?Não (Eleição Incondicional): A escolha de Deus baseia-se apenas no Seu próprio beneplácito e amor.Sim (Eleição Condicional): Deus escolhe aqueles que Ele prevê que responderão à Sua oferta de salvação com fé.
Por quem Jesus morreu?Os Eleitos (Expiação Definida): A Sua morte foi concebida para garantir a salvação do Seu povo escolhido.Todos (Expiação Ilimitada): A Sua morte tornou a salvação possível para cada pessoa.
Podemos dizer “não” à graça salvadora de Deus?Não (Graça Irresistível): A graça salvadora de Deus é tão poderosa e bela que conquistará sempre os corações dos eleitos.Sim (Graça Resistível): Deus honra o nosso livre arbítrio, permitindo-nos aceitar ou rejeitar o Seu apelo amoroso.
Pode um verdadeiro crente perder a sua salvação?Não (Perseverança dos Santos): Deus protegerá e preservará os Seus filhos, garantindo que permaneçam na fé para sempre.É Condicional: A salvação está segura enquanto permanecermos na fé, mas é possível escolher afastar-se.

Onde podemos encontrar estas verdades escritas na Bíblia?

A pergunta mais importante é sempre: “o que diz a Bíblia?” A verdade bela e por vezes difícil é que ambas as visões são defendidas por pessoas sinceras que tentam honrar a Palavra de Deus. As diferenças surgem frequentemente da forma como leem certas passagens.

Romanos 9: O Oleiro e o Barro

Este capítulo é um fundamento para o pensamento calvinista. Fala de Deus como um oleiro que tem o direito de fazer diferentes tipos de vasos do mesmo barro.³⁰ Isto é visto como o direito de Deus de escolher quais os indivíduos que Ele salvará. A visão arminiana olha para o contexto mais amplo, argumentando que Paulo está a falar principalmente dos planos de Deus para os povos — para Israel e para os gentios — e não do destino eterno de cada indivíduo.³¹

João 3:16: Porque Deus Amou o Mundo de Tal Maneira

Este versículo amado é uma pedra angular para a visão arminiana. Fala do amor de Deus pelo “mundo” e convida “todo aquele que crê” a vir a Ele, o que é entendido como um convite para todos.³⁴ A visão calvinista concorda que o amor de Deus é a fonte da salvação; alguns veem “todo aquele que crê” como referindo-se ao grupo dos eleitos que, de facto, acreditarão.³⁴ Em ambas as visões, o grande amor de Deus é a causa da nossa salvação.

Efésios 1: Predestinados em Amor

Esta passagem diz que Deus “nos escolheu nele antes da criação do mundo” e “nos predestinou para a adoção”.36 Para os calvinistas, isto fala de Deus a escolher indivíduos. Para os arminianos, sugere que Deus predestinou o

plano— que a salvação seria em Cristo. As pessoas juntam-se a esta família escolhida quando depositam a sua fé em Jesus.³⁷ De qualquer forma, o resultado é glorioso: somos Seus filhos, escolhidos em amor.

2 Pedro 3:9: Não Querendo que Nenhum Pereça

Aqui, a Escritura diz que Deus “não quer que ninguém pereça, mas que todos cheguem ao arrependimento”.39 Os arminianos veem isto como um sinal claro do desejo de Deus de salvar todas as pessoas.⁴¹ Os calvinistas notam frequentemente que o contexto é dirigido aos crentes, e sugerem que o “ninguém” e o “todos” se referem a todos os eleitos que Deus está pacientemente a reunir.⁴² Ambos os lados valorizam a verdade que este versículo revela: o nosso Deus é um Deus paciente, e a Sua paciência é um sinal da Sua misericórdia.

Como esta teologia molda a nossa fé quotidiana?

Estas ideias não são apenas para livros; tocam na forma como vivemos cada dia, como oramos e como partilhamos as Boas Novas.

Segurança da Salvação: Como Posso Saber que Estou Salvo?

O calvinista encontra uma grande paz ao saber que a sua salvação repousa na escolha imutável de Deus, e não nos seus próprios esforços.²⁸ Para alguns, isto pode criar uma ansiedade para provar que são escolhidos.⁴³ O arminiano encontra segurança na sua fé viva e presente em Cristo.⁴⁴ Para alguns, isto pode levar a um medo de cair, embora isto seja visto como um afastamento deliberado e final de Deus, não um simples tropeço.⁴⁴

Evangelismo: Uma Paixão por Partilhar as Boas Novas

Ambas as visões inspiram uma paixão por partilhar o evangelho. O calvinista partilha a Palavra com confiança, sabendo que Deus tem pessoas que Ele irá salvará através da sua mensagem.⁴⁶ Eles podem falar livremente, sabendo que Deus trará o fruto.⁴⁸ O arminiano é movido por uma grande urgência, sabendo que cada pessoa que encontra pode ser salva e que o seu testemunho é uma parte vital do plano amoroso de Deus.⁴⁹

Oração e Humildade: Apoiar-se em Deus

O calvinismo leva a uma profunda humildade. Se não contribuímos em nada para a nossa salvação, ficamos cheios de uma gratidão avassaladora.⁵² O arminianismo leva a um profundo sentido de parceria com Deus. Saber que devemos perseverar na fé leva-nos à oração constante e à dependência da Sua graça.⁴⁹

Como podemos caminhar em unidade e amor como uma só família?

Então, para onde vamos a partir daqui, meus queridos amigos? Devemos lembrar-nos de que esta é uma discussão dentro da nossa única família.³ Crentes de ambas as perspetivas adoram juntos em igrejas por todo o mundo.⁵³

Há uma bela história sobre o calvinista Charles Simeon e o arminiano John Wesley. Eles concordaram que ambos eram pecadores que só podiam ser salvos pelo sangue de Cristo. Perante isto, Simeon disse: “Então, Senhor, com a sua licença, guardarei o meu punhal novamente; pois isto é todo o meu calvinismo.”3 Eles encontraram a sua unidade no coração do evangelho.

O inimigo quer usar rótulos para construir muros entre nós; nós podemos escolher construir pontes.⁵⁶ Somos pessoas finitas a tentar compreender um Deus infinito.² Tenhamos a maturidade para viver com o mistério, mantendo-nos firmes no que nos une e mostrando graça no que não une.

Talvez a pergunta não seja “És calvinista ou arminiano?”, mas “Amas Jesus? É Ele a tua única esperança?” Se a resposta for sim, então és um filho amado de Deus. Caminhemos juntos em amor, certos da única coisa que nunca muda: o amor infalível, soberano e convidativo do nosso Pai no Céu.



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