O que a Bíblia ensina sobre o dízimo?
A Bíblia fala do dízimo principalmente no Antigo Testamento como parte da lei mosaica dada ao antigo Israel. A prática consistia em dar um décimo dos seus produtos agrícolas ou rendimentos para apoiar os levitas, que serviam como sacerdotes, e para cuidar dos pobres e necessitados. Vemos isso delineado em passagens como Levítico 27:30-32 e Deuteronómio 14:22-29 (Blegur et al., 2022; Crossley, 2010).
O profeta Malaquias exortou o povo a trazer «todo o dízimo para o armazém» (Malaquias 3:10), prometendo em troca as bênçãos de Deus. Esta passagem é frequentemente citada nas discussões sobre o dízimo hoje. Mas devemos ter cuidado para não tirar tais ensinamentos do seu contexto histórico e pactual.
No Novo Testamento, Jesus menciona o dízimo apenas algumas vezes, e não como uma ordem para seus seguidores. Em vez disso, ele critica aqueles que dão o dízimo meticulosamente, mas negligenciam assuntos mais importantes de justiça e misericórdia (Mateus 23:23). A igreja primitiva, como vemos em Atos e nas epístolas, não parece praticar o dízimo como um requisito formal (Blegur et al., 2022).
Isto não significa, mas que o princípio de dar generosamente está ausente do Novo Testamento. Pelo contrário, vemos surgir uma generosidade radical entre os primeiros cristãos, que partilhavam livremente os seus bens para satisfazer as necessidades uns dos outros (Atos 2:44-45, 4:32-35). O apóstolo Paulo encoraja os crentes a darem alegremente e de acordo com seus meios (2 Coríntios 9:6-7).
Assim, enquanto a prática específica do dízimo não é obrigatória para os cristãos no Novo Testamento, os princípios subjacentes de generosidade, mordomia e cuidado com os outros continuam a ser centrais para a vida cristã. Somos chamados a ser generosos com tudo o que Deus nos confiou, reconhecendo que tudo o que temos é um dom Dele.
Os cristãos são obrigados a dar 10% dos seus rendimentos para a Igreja?
Meus amados irmãos e irmãs em Cristo, esta pergunta toca num assunto que tem sido muito debatido entre os cristãos. Enquanto a prática do dízimo 10% foi prescrito na lei do Antigo Testamento, devemos considerar cuidadosamente se este requisito específico transita para o Novo Pacto estabelecido por Jesus Cristo (Blegur et al., 2022; Crossley, 2010).
É verdade que algumas tradições cristãs têm mantido o dízimo como um padrão para dar. Eles vêem-no como um princípio bíblico que fornece orientação útil para os crentes. Mas devemos ser cautelosos ao impor requisitos legalistas que não são explicitamente ordenados no Novo Testamento.
O apóstolo Paulo, nos seus ensinamentos acerca da doação, não menciona uma percentagem específica. Em vez disso, encoraja os crentes a darem generosa e alegremente, «cada um conforme a sua decisão no seu coração» (2 Coríntios 9:7). Tal sugere uma abordagem mais flexível, baseada em circunstâncias individuais e liderada pelo Espírito Santo (Blegur et al., 2022).
Ao mesmo tempo, não devemos usar esta liberdade como uma desculpa para a picada. Os primeiros cristãos muitas vezes davam mais de 10%vender bens para satisfazer as necessidades dos outros (Atos 4:32-35). O próprio Jesus elogiou a pobre viúva que deu tudo o que tinha (Marcos 12:41-44). Estes exemplos desafiam-nos a considerar se 10% deve ser encarado como um máximo e não como um mínimo.
Talvez possamos ver o dízimo não como uma regra rígida, mas como um ponto de partida útil para a consideração orante. Para alguns, a doação de 10% Pode ser um grande passo de fé. Para outros, especialmente os abençoados com abundância, o Senhor pode chamá-los a dar muito mais.
O mais importante não é a percentagem exata, mas a atitude do coração por trás da nossa doação. Confiamos em Deus como nosso provedor? Estamos a crescer em generosidade? Estamos a utilizar os nossos recursos para abençoar os outros e fazer avançar o reino de Deus?
Lembremo-nos também de que as contribuições financeiras não são a única maneira de dar. Somos chamados a oferecer-nos inteiramente a Deus – o nosso tempo, talentos e tesouros. Alguns podem ser capazes de doar mais financeiramente, enquanto outros podem servir de outras formas.
Que princípios o Novo Testamento prevê para a doação financeira?
Embora o Novo Testamento não prescreva uma percentagem específica para dar, oferece-nos uma rica orientação sobre o espírito e a prática da generosidade cristã. Vamos refletir sobre alguns destes princípios que podem moldar a nossa abordagem à gestão financeira.
Vemos que a dádiva deve fluir de um coração transformado pela graça de Deus. O apóstolo Paulo, ao louvar as igrejas macedónias, observa que elas primeiro se entregaram ao Senhor (2 Coríntios 8:5). Isto lembra-nos que a nossa doação é uma extensão da nossa devoção a Cristo (Carr, 2014).
Em segundo lugar, o Novo Testamento enfatiza a doação alegre e voluntária. Paulo escreve: «Cada um deve dar como decidiu no seu coração, não com relutância nem sob coação, porque Deus ama um doador alegre» (2 Coríntios 9:7). As nossas ofertas não devem ser motivadas por culpa ou pressão externa, mas sim pela alegria e gratidão pelas bênçãos de Deus (Blegur et al., 2022; Carr, 2014).
Outro princípio importante é a doação proporcional. Paulo encoraja os crentes a reservarem uma quantia "de acordo com os vossos rendimentos" (1 Coríntios 16:2). Isto sugere que aqueles que têm mais devem dar mais, embora reconhecendo que mesmo pequenos donativos de quem tem pouco são preciosos aos olhos de Deus, como Jesus afirmou com o ácaro da viúva (Lucas 21:1-4) (Carr, 2014).
O Novo Testamento também destaca a importância de dar sacrificialmente. Vemos isto exemplificado na igreja primitiva, onde os crentes vendiam bens para satisfazer as necessidades dos outros (Atos 4:32-35). Embora nem todos sejam chamados a tomar medidas tão extremas, todos somos desafiados a ceder de formas que alarguem a nossa fé e demonstrem a nossa confiança na provisão de Deus.
Somos incentivados a dar regularmente e sistematicamente. Paulo aconselha os coríntios a reservarem dinheiro «no primeiro dia de cada semana» (1 Coríntios 16:2). Isso nos ajuda a sermos intencionais e consistentes em nossa doação, em vez de deixá-la ao impulso ou à conveniência.
Por fim, o Novo Testamento ressalta que a nossa doação deve ser motivada pelo amor e pela preocupação com os outros. Quer apoiem os necessitados, contribuam para o trabalho da Igreja ou participem na propagação do Evangelho, os nossos dons financeiros são uma expressão tangível do amor de Cristo que flui através de nós.
Como é que Jesus aborda a doação nos seus ensinos?
Nosso Senhor Jesus Cristo, na sua infinita sabedoria e compaixão, falou-nos muitas vezes do uso dos bens materiais e da atitude do coração para com a doação. Seus ensinamentos sobre este assunto são poderosos e desafiadores, chamando-nos a uma reorientação radical de nossas prioridades e valores.
Devemos reconhecer que Jesus coloca a doação no contexto mais amplo da nossa relação com Deus e com o nosso destino eterno. Ele nos adverte contra a acumulação de tesouros na terra, onde a traça e a ferrugem destroem, e, em vez disso, encoraja-nos a armazenar tesouros no céu (Mateus 6:19-21). Este ensinamento lembra-nos que a nossa doação tem um significado eterno e deve ser motivada pelo nosso amor a Deus, em vez de ganho terreno (Carr, 2014).
Jesus também enfatiza a importância da nossa disposição interior ao dar. No Sermão da Montanha, Ele adverte contra dar para ser visto pelos outros, instruindo-nos a dar em segredo, sabendo que nosso Pai celestial vê e recompensa tal generosidade sincera (Mateus 6:1-4). Isto ensina-nos que o valor dos nossos dons não reside no seu reconhecimento público, mas na pureza das nossas intenções diante de Deus.
Os ensinamentos do nosso Senhor põem muitas vezes em evidência a ligação entre a nossa utilização do dinheiro e a condição dos nossos corações. Diz-nos que «onde estiver o teu tesouro, aí estará também o teu coração» (Mateus 6:21). Esta visão poderosa convida-nos a examinar a nossa doação como um reflexo dos nossos valores e compromissos mais profundos.
Jesus também nos desafia a dar sacrifícios e a confiar na provisão de Deus. Vemos isso lindamente ilustrado em seu elogio à pobre viúva que deu tudo o que tinha para viver (Marcos 12:41-44). Esta história lembra-nos que Deus não olha para a quantidade que damos, mas para o custo para nós mesmos e para a fé demonstrada em nossa doação.
Os ensinamentos de Cristo associam frequentemente a prestação de cuidados aos pobres e marginalizados. Na parábola do Bom Samaritano (Lucas 10:25-37) e na sua descrição do juízo final (Mateus 25:31-46), Jesus deixa claro que o nosso tratamento dos necessitados está intimamente ligado ao nosso amor por Ele.
É importante ressaltar que Jesus ensina que a verdadeira generosidade envolve mais do que apenas o nosso dinheiro. Quando chama o jovem rico a vender tudo o que tem e a dar aos pobres (Mc 10, 17-27), convida o homem a uma reorientação completa da sua vida, colocando a confiança em Deus acima da segurança material.
Que exemplos de dar vemos na Igreja Primitiva em Atos?
O livro de Atos fornece-nos uma imagem vívida e inspiradora da comunidade cristã primitiva, em que a generosidade e o cuidado mútuo eram características de sua vida compartilhada em Cristo. Ao examinarmos estes exemplos, vamos considerar como eles podem desafiar e encorajar-nos em nossa própria prática de dar hoje.
Talvez o exemplo mais notável que encontramos seja a partilha radical descrita em Atos 2:44-45 e 4:32-35. Lemos que os crentes eram de «um só coração e uma só alma» e que «ninguém reivindicou a propriedade privada de quaisquer bens, mas tudo o que possuíam era mantido em comum». Alguns chegaram mesmo a vender bens e bens, levando as receitas aos apóstolos para distribuição aos necessitados (Blegur et al., 2022; Carr, 2014).
Este extraordinário nível de generosidade brotou da sua profunda fé e unidade em Cristo. Não foi imposto como regra, mas surgiu espontaneamente de corações transformados pelo Evangelho e cheios do Espírito Santo. Embora esta prática específica possa não ser diretamente aplicável em todos os contextos hoje, desafia-nos a considerar como podemos incorporar mais plenamente o espírito de amor sacrificial e responsabilidade compartilhada dentro de nossas comunidades de fé.
Também vemos exemplos de dar para apoiar o trabalho do ministério e da missão. Em Atos 4:36-37, aprendemos de Barnabé, que vendeu um campo e trouxe o dinheiro aos apóstolos. Este acto de generosidade provavelmente ajudou a apoiar a crescente comunidade e os seus esforços evangelísticos. Recorda-nos a importância de contribuir para a obra da Igreja e para a difusão do Evangelho.
A igreja primitiva também demonstrou uma preocupação com os crentes necessitados além de sua comunidade imediata. Em Atos 11:27-30, lemos sobre a igreja em Antioquia enviar alívio aos crentes na Judeia durante um tempo de fome. Este exemplo encoraja-nos a olhar para além do nosso contexto local e a considerar como podemos apoiar os nossos irmãos e irmãs em Cristo que enfrentam dificuldades noutras partes do mundo.
Esta cultura da generosidade não estava isenta de desafios. A história de Ananias e Safira em Atos 5:1-11 serve como um lembrete preocupante da importância da integridade e da honestidade em nossa doação. O seu engano não era sobre a quantidade que deram, mas sobre a sua pretensão de dar mais do que realmente deram. Isto nos ensina que Deus está preocupado não apenas com nossas ações exteriores, mas com a veracidade de nossos corações.
Vemos também a igreja primitiva a organizar a sua doação para assegurar uma distribuição equitativa. A nomeação dos sete em Atos 6:1-7 para supervisionar a distribuição diária às viúvas mostra uma preocupação com a justiça e a boa gestão dos recursos. Isto pode guiar-nos no desenvolvimento de sistemas transparentes e responsáveis para a gestão e distribuição de fundos dentro de nossas igrejas hoje.
Ao refletirmos sobre estes exemplos da Igreja primitiva, inspiremo-nos em sua generosidade, seu cuidado uns pelos outros e seu compromisso com a missão de Cristo. Que também nós procuremos cultivar comunidades marcadas pelo amor sacrificial, pelo apoio mútuo e pela vontade de partilhar tudo o que Deus nos confiou para a edificação do seu Reino.
Como Paulo instrui os crentes a darem em suas cartas?
O apóstolo Paulo fornece uma rica orientação ao dar através de suas cartas, sempre enraizando suas instruções na graça e no amor de Cristo. No centro do ensinamento de Paulo está o apelo a dar generosa, alegre e sacrificialmente como expressão de fé e amor a Deus e ao próximo.
Em sua segunda carta aos Coríntios, Paulo dedica grande atenção à prática de dar. Encoraja os crentes a darem voluntariamente de acordo com os seus meios, recordando-lhes que «Deus ama um doador alegre» (2 Coríntios 9:7) (Houghton, 2019). Paulo salienta que a nossa dádiva deve decorrer da gratidão pelas abundantes bênçãos de Deus, e não da compulsão ou culpa. Ele assegura aos coríntios que Deus proverá suas necessidades à medida que dão generosamente aos outros.
Paulo também instrui os crentes a darem regularmente e sistematicamente. Em 1 Coríntios 16:2, ele aconselha pôr de lado uma parte da renda no primeiro dia de cada semana (Gonzalo Haya-Prats, Empowered Believers: O Espírito Santo no Livro de Atos, Ed., Paul Elbert, Trans. Scott A. Ellington (Eugene, OR: Cascade Books, 2011 (em inglês). Xxv + 289 Pp., $35.00, papel, n.d.). Esta prática de doação regular e intencional ajuda a cultivar um hábito de generosidade e garante que os recursos estejam disponíveis para satisfazer as necessidades à medida que surgem.
É importante ressaltar que Paulo ensina que dar não é apenas sobre dinheiro, mas sobre oferecer-nos plenamente a Deus e uns aos outros em amor. Louva as igrejas macedónias que «se entregaram primeiro ao Senhor» (2 Coríntios 8:5) antes de se doarem financeiramente para além dos seus meios. Isto recorda-nos que a verdadeira generosidade flui de um coração entregue a Cristo.
Paulo também enfatiza a importância da integridade e da responsabilidade no manuseio dos dons. Ele toma muito cuidado para evitar qualquer suspeita na administração da coleção para Jerusalém, arranjando representantes de confiança para acompanhar o dom (2 Coríntios 8:16-24). Isto ensina-nos a importância da mordomia sábia e da transparência nas nossas práticas de doação.
Acima de tudo, Paulo fundamenta o seu ensinamento em dar o exemplo supremo de Cristo, «que, embora fosse rico, por amor de vós se fez pobre, para que, pela sua pobreza, vos enriquecêsseis» (2 Coríntios 8:9). Ao contemplarmos o amor de doação de Cristo, que possamos ser inspirados a doar-nos generosamente para o bem dos outros e para a glória de Deus.
O que a Bíblia diz sobre a atitude e a motivação para dar?
As Escrituras falam-nos com grande sabedoria sobre as atitudes do coração que devem motivar a nossa doação. No centro está o amor – o amor a Deus e o amor ao próximo. Toda a verdadeira dádiva brota desta fonte de amor divino e humano.
A Bíblia ensina-nos que a nossa doação deve ser marcada pela alegria e gratidão. Ao refletirmos sobre a generosidade ilimitada de Deus para connosco, como é que os nossos corações não podem transbordar de gratidão? O apóstolo Paulo recorda-nos que «Deus ama um doador alegre» (2 Coríntios 9:7) (Houghton, 2019). A nossa doação deve ser uma resposta alegre à graça de Deus, não uma obrigação onerosa. Quando damos com alegria, participamos da própria natureza do nosso Deus generoso.
As Escrituras também enfatizam que a nossa doação deve ser voluntária e de coração. Em Êxodo 25:2, o Senhor instrui Moisés a receber contribuições para o tabernáculo de «todo aquele cujo coração os incita a dar» (Proskurina, 2024). Deus não deseja apenas os nossos recursos, mas a devoção gratuita dos nossos corações. A doação forçada ou relutante não honra o Senhor nem abençoa o doador.
A humildade é outra atitude crucial na doação bíblica. Jesus elogia a viúva pobre que lhe dá pequenas moedas, observando que ela deu mais do que os ricos que deram grandes somas de sua abundância (Marcos 12:41-44). Isto nos ensina que Deus não olha para a quantidade que damos, mas para o sacrifício e a devoção por trás do dom. Damos humildemente, reconhecendo que tudo o que temos provém das mãos de Deus.
A Bíblia também fala de dar como um ato de adoração e confiança em Deus. Quando damos, declaramos que Deus, não o dinheiro, é a nossa verdadeira fonte de segurança e alegria. Confiamos na sua promessa de prover às nossas necessidades à medida que procuramos primeiro o seu reino (Mateus 6:33). A nossa doação torna-se uma expressão tangível de fé.
Finalmente, as Escrituras ensinam que o amor pelos outros deve motivar a nossa doação. João Batista exorta aqueles com duas túnicas a partilhar com aqueles que não têm nenhuma (Lucas 3:11). A igreja primitiva partilhava as suas posses, de modo que ninguém entre eles estava em necessidade (Atos 4:32-35). Esta generosidade radical brotou dos corações transformados pelo amor de Cristo.
À medida que refletimos sobre estes ensinamentos bíblicos, que o Espírito Santo molde nossas atitudes em relação à doação. Demos com alegria, humildade e sacrifício, confiando na provisão de Deus e motivados pelo amor a Ele e aos nossos irmãos e irmãs necessitados.
Há promessas ou bênçãos associadas à dádiva nas Escrituras?
As Escrituras falam de bênçãos associadas a dádivas generosas. Mas temos de abordar este tema com sabedoria espiritual, reconhecendo que as bênçãos de Deus surgem muitas vezes de formas inesperadas e que a nossa principal motivação para dar deve ser sempre o amor a Deus e ao próximo, e não o ganho pessoal.
Dito isto, a Bíblia contém promessas relacionadas a dar. Em Malaquias 3:10, o Senhor desafia o Seu povo a trazer o dízimo completo e declara: «Teste-me nisto... e vê se não abrirei as comportas do céu e derramarei tanta bênção que não haverá espaço suficiente para o guardar.» Esta promessa poderosa recorda-nos a fidelidade de Deus para prover aqueles que O honram com os seus recursos.
No Novo Testamento, Jesus ensina: «Dai, e ser-vos-á dado. Uma boa medida, apertada, agitada e transbordante, será derramada no teu colo" (Lucas 6:38). Não se trata apenas de bênçãos materiais, mas da vida abundante que flui de um coração generoso alinhado com os propósitos de Deus.
O apóstolo Paulo assegura aos coríntios que Deus é capaz de os abençoar abundantemente, «para que em todas as coisas, em todos os momentos, tendo tudo o que necessitais, abundeis em toda a boa obra» (2 Coríntios 9:8) (Houghton, 2019). Esta promessa enfatiza a provisão de Deus para as nossas necessidades e a sua capacitação para a generosidade e o serviço contínuos.
As Escrituras também falam de bênçãos espirituais associadas à dádiva. Provérbios 11:25 declara: "Uma pessoa generosa prosperará; quem refrescar os outros será refrescado.» Isto aponta para a profunda alegria e renovação espiritual que advêm da doação altruísta. Do mesmo modo, Atos 20:35 regista as palavras de Jesus: «É mais abençoado dar do que receber», destacando a poderosa realização espiritual encontrada na generosidade.
Devemos lembrar-nos, mas que as bênçãos de Deus nem sempre são materiais ou imediatas. A maior bênção de dar é aproximar-se do coração de nosso Deus generoso e participar de sua obra de amor no mundo. À medida que damos, crescemos na fé, na compaixão e na semelhança com Cristo – certamente as bênçãos mais preciosas de todas.
Como a Bíblia aborda a doação além do dinheiro (tempo, talentos, etc.)?
As Escrituras pintam uma imagem bonita e holística da doação que se estende muito além das contribuições financeiras. Embora a doação monetária seja importante, Deus chama-nos a oferecer todo o nosso ser – o nosso tempo, talentos, competências e a nossa própria vida – em serviço amoroso a Ele e aos nossos vizinhos.
O apóstolo Paulo fala poderosamente desta visão abrangente da dádiva em Romanos 12:1, instando os crentes a «oferecerem os vossos corpos como sacrifício vivo, santo e agradável a Deus – este é o vosso culto verdadeiro e adequado». Esta entrega total é o fundamento da mordomia cristã. Somos chamados a colocar tudo o que somos e tudo o que temos à disposição de Deus para os seus fins.
Em toda a Bíblia, vemos exemplos de pessoas que dão seu tempo e talentos no serviço a Deus e aos outros. Em Êxodo, artesãos hábeis oferecem suas habilidades para construir o tabernáculo (Êxodo 35:30-35). No Novo Testamento, lemos que os crentes usam suas casas para a hospitalidade e reuniões (Atos 2:46, Romanos 16:5). Estes exemplos lembram-nos que as nossas habilidades, habilidades e recursos são dons de Deus para serem usados para a Sua glória e para o bem dos outros.
A parábola dos talentos em Mateus 25:14-30 nos ensina sobre a importância de usar e desenvolver fielmente os dons que Deus nos confiou. Quer tenhamos recebido muito ou pouco, Deus nos chama a investir nossos talentos sabiamente para o seu reino. Isto aplica-se não apenas ao dinheiro, mas a todas as nossas capacidades e recursos.
Em 1 Pedro 4:10-11, somos instruídos: «Cada um de vós deve utilizar qualquer dom que tenha recebido para servir os outros, como fiel mordomo da graça de Deus nas suas várias formas.» Isto recorda-nos que todos os nossos dons – seja falando, servindo, organizando, criando ou em qualquer outro domínio – devem ser utilizados no serviço amoroso aos outros.
A igreja primitiva em Atos fornece um poderoso modelo de doação holística. Lemos que os crentes compartilhavam suas posses, abriam suas casas, cuidavam dos necessitados e dedicavam-se à oração e ao ensino (Atos 2:42-47, 4:32-35). Esta generosidade radical com o seu tempo, recursos e vidas fluiu dos corações transformados pelo amor de Cristo.
Ao refletirmos sobre estes ensinamentos, peçamos ao Espírito Santo que nos mostre como podemos oferecer nosso tempo, talentos e todos nós mais plenamente no serviço a Deus e aos outros. Que possamos crescer em generosidade em todos os domínios da vida, tornando-nos reflexos vivos do amor abundante de Deus pelo mundo.
O que a Bíblia ensina sobre a mordomia e a gestão dos recursos de Deus?
A Bíblia oferece sabedoria poderosa sobre a mordomia, ensinando-nos que tudo o que temos, em última análise, pertence a Deus e é confiado a nós para seus propósitos. Esta compreensão transforma a forma como vemos e gerimos os recursos nos nossos cuidados.
O princípio fundamental da mordomia bíblica encontra-se no Salmo 24:1: «A terra é do Senhor e tudo o que nela existe, o mundo e todos os que nele vivem.» Isto recorda-nos que não somos proprietários, mas gestores dos recursos de Deus. O nosso papel é administrar fielmente o que Deus nos confiou, usando-o de formas que O honrem e sirvam aos outros.
Jesus ensina extensivamente sobre a mordomia através de parábolas. Na parábola dos talentos (Mateus 25:14-30), aprendemos que Deus espera que investamos e multipliquemos sabiamente os recursos que Ele nos dá, sejam muitos ou poucos. A parábola do gerente astuto (Lucas 16:1-13) encoraja-nos a usar sabiamente as riquezas mundanas para propósitos eternos. Estes ensinamentos recordam-nos que um dia daremos conta da forma como gerimos os recursos de Deus.
A Bíblia também enfatiza a importância do contentamento e de evitar o amor ao dinheiro. Paulo escreve em 1 Timóteo 6:6-10 que "a piedade com contentamento é um grande ganho" e adverte contra os perigos de perseguir a riqueza como um fim em si mesmo. Em vez disso, somos chamados a ser ricos em boas ações, generosos e dispostos a participar (1 Timóteo 6:18).
A gestão sábia envolve um planeamento e orçamento cuidadosos. Provérbios 21:5 diz-nos: «Os planos dos diligentes conduzem ao lucro tão seguramente como a pressa conduz à pobreza.» Isto encoraja-nos a ser pensativos e intencionais na gestão dos nossos recursos, em vez de gastar impulsivamente.
Ao mesmo tempo, a mordomia bíblica exige confiança na provisão de Deus. Jesus ensina-nos a não nos preocuparmos com as nossas necessidades materiais, mas a «buscar primeiro o seu reino e a sua justiça, e todas estas coisas vos serão dadas» (Mateus 6:33). Esta abordagem equilibrada combina a gestão responsável com a fé nos cuidados de Deus.
A Bíblia também fala da importância da generosidade na mordomia. Provérbios 11:24-25 afirma paradoxalmente: «Uma pessoa dá livremente, mas ganha ainda mais; outro retém indevidamente, mas chega à pobreza. Uma pessoa generosa prosperará. quem refrescar os outros será refrescado.» Isto recorda-nos que a verdadeira prosperidade não provém do açambarcamento, mas da generosidade de mãos abertas.
