A orientação da Bíblia sobre dar dinheiro à Igreja




  • A Bíblia encoraja os crentes a dar apoio financeiro à igreja como uma forma de expressar a sua fé e compromisso.
  • Contribuir para a igreja é visto como um ato de adoração e uma forma de honrar a Deus com as nossas riquezas.
  • A Bíblia ensina que a contribuição deve ser feita de livre vontade, com alegria e com um coração generoso.
  • O propósito de contribuir para a igreja é apoiar o trabalho do ministério, suprir as necessidades da comunidade e promover a propagação do Evangelho.

O que a Bíblia ensina sobre o dízimo?

A Bíblia fala do dízimo principalmente no Antigo Testamento como parte da lei mosaica dada ao antigo Israel. A prática envolvia dar um décimo dos produtos agrícolas ou rendimentos de alguém para sustentar os levitas, que serviam como sacerdotes, e para cuidar dos pobres e necessitados. Vemos isto delineado em passagens como Levítico 27:30-32 e Deuteronómio 14:22-29 (Blegur et al., 2022; Crossley, 2010).

O profeta Malaquias exortou famosamente o povo a trazer “todo o dízimo à casa do tesouro” (Malaquias 3:10), prometendo as bênçãos de Deus em troca. Esta passagem é frequentemente citada em discussões sobre o dízimo hoje em dia. Mas devemos ter cuidado para não retirar tais ensinamentos do seu contexto histórico e aliancista.

No Novo Testamento, Jesus menciona o dízimo apenas algumas vezes, e não como um mandamento para os seus seguidores. Pelo contrário, ele critica aqueles que dizimam meticulosamente, mas negligenciam os aspetos mais importantes da justiça e da misericórdia (Mateus 23:23). A igreja primitiva, como vemos em Atos e nas epístolas, não parece praticar o dízimo como um requisito formal (Blegur et al., 2022).

Isto não significa que o princípio da contribuição generosa esteja ausente do Novo Testamento. Pelo contrário, vemos uma generosidade radical a emergir entre os primeiros cristãos, que partilhavam livremente os seus bens para suprir as necessidades uns dos outros (Atos 2:44-45, 4:32-35). O apóstolo Paulo encoraja os crentes a contribuir com alegria e de acordo com as suas possibilidades (2 Coríntios 9:6-7).

Portanto, embora a prática específica do dízimo não seja obrigatória para os cristãos no Novo Testamento, os princípios subjacentes de generosidade, mordomia e cuidado pelos outros permanecem centrais na vida cristã. Somos chamados a ser generosos com tudo o que Deus nos confiou, reconhecendo que tudo o que temos é um presente d'Ele.

Os cristãos são obrigados a dar 10% dos seus rendimentos à igreja?

Meus amados irmãos e irmãs em Cristo, esta questão toca num assunto que tem sido muito debatido entre os cristãos. Embora a prática de dizimar 10% estivesse prescrita na lei do Antigo Testamento, devemos considerar cuidadosamente se este requisito específico se mantém na Nova Aliança estabelecida por Jesus Cristo (Blegur et al., 2022; Crossley, 2010).

É verdade que algumas tradições cristãs mantiveram o dízimo como um padrão para a contribuição. Veem-no como um princípio bíblico que fornece uma orientação útil para os crentes. Mas devemos ser cautelosos quanto a impor requisitos legalistas que não são explicitamente ordenados no Novo Testamento.

O apóstolo Paulo, nos seus ensinamentos sobre a contribuição, não menciona uma percentagem específica. Em vez disso, encoraja os crentes a contribuir generosa e alegremente, “cada um conforme decidiu no seu coração” (2 Coríntios 9:7). Isto sugere uma abordagem mais flexível, baseada nas circunstâncias individuais e guiada pelo Espírito Santo (Blegur et al., 2022).

Ao mesmo tempo, não devemos usar esta liberdade como desculpa para a avareza. Os primeiros cristãos frequentemente davam muito mais do que 10%, vendendo bens para suprir as necessidades dos outros (Atos 4:32-35). O próprio Jesus elogiou a viúva pobre que deu tudo o que tinha (Marcos 12:41-44). Estes exemplos desafiam-nos a considerar se 10% deve ser visto como um máximo em vez de um mínimo.

Talvez possamos ver o dízimo não como uma regra rígida, mas como um ponto de partida útil para uma consideração em oração. Para alguns, dar 10% pode ser um grande passo de fé. Para outros, especialmente aqueles abençoados com abundância, o Senhor pode chamá-los a dar muito mais.

O que mais importa não é a percentagem exata, mas a atitude do coração por trás da nossa contribuição. Estamos a confiar em Deus como o nosso provedor? Estamos a crescer em generosidade? Estamos a usar os nossos recursos para abençoar os outros e promover o reino de Deus?

Lembremo-nos também de que as contribuições financeiras não são a única forma de contribuir. Somos chamados a oferecer todo o nosso ser a Deus – o nosso tempo, talentos e tesouros. Alguns podem ser capazes de contribuir mais financeiramente, enquanto outros podem servir de outras formas capazes.

Que princípios o Novo Testamento fornece para a contribuição financeira?

Embora o Novo Testamento não prescreva uma percentagem específica para a contribuição, oferece-nos uma orientação rica sobre o espírito e a prática da generosidade cristã. Refletamos sobre alguns destes princípios que podem moldar a nossa abordagem à mordomia financeira.

Vemos que a contribuição deve fluir de um coração transformado pela graça de Deus. O apóstolo Paulo, ao elogiar as igrejas da Macedónia, observa que eles primeiro se entregaram ao Senhor (2 Coríntios 8:5). Isto lembra-nos que a nossa contribuição é uma extensão da nossa devoção a Cristo (Carr, 2014).

Em segundo lugar, o Novo Testamento enfatiza a contribuição alegre e voluntária. Paulo escreve: “Cada um deve dar conforme decidiu no seu coração, não com relutância ou por compulsão, pois Deus ama quem dá com alegria” (2 Coríntios 9:7). As nossas ofertas não devem ser motivadas por culpa ou pressão externa, mas por alegria e gratidão pelas bênçãos de Deus (Blegur et al., 2022; Carr, 2014).

Outro princípio importante é a contribuição proporcional. Paulo encoraja os crentes a reservar uma quantia “conforme os seus rendimentos” (1 Coríntios 16:2). Isto sugere que aqueles que têm mais devem dar mais, reconhecendo ao mesmo tempo que até as pequenas ofertas daqueles que têm pouco são preciosas aos olhos de Deus, como Jesus afirmou com a oferta da viúva (Lucas 21:1-4) (Carr, 2014).

O Novo Testamento também destaca a importância de contribuir sacrificialmente. Vemos isto exemplificado na igreja primitiva, onde os crentes vendiam bens para suprir as necessidades dos outros (Atos 4:32-35). Embora nem todos sejam chamados a medidas tão extremas, todos somos desafiados a contribuir de formas que estendam a nossa fé e demonstrem a nossa confiança na provisão de Deus.

Somos encorajados a contribuir regular e sistematicamente. Paulo aconselha os coríntios a reservar dinheiro “no primeiro dia de cada semana” (1 Coríntios 16:2). Isto ajuda-nos a ser intencionais e consistentes na nossa contribuição, em vez de a deixar ao impulso ou à conveniência.

Por último, o Novo Testamento enfatiza que a nossa contribuição deve ser motivada pelo amor e preocupação pelos outros. Quer seja apoiando aqueles que precisam, contribuindo para o trabalho da igreja ou participando na propagação do Evangelho, os nossos dons financeiros são uma expressão tangível do amor de Cristo a fluir através de nós.

Como Jesus aborda a contribuição nos seus ensinamentos?

O nosso Senhor Jesus Cristo, na Sua infinita sabedoria e compaixão, falou frequentemente sobre o uso de bens materiais e a atitude do coração em relação à contribuição. Os Seus ensinamentos sobre este assunto são poderosos e desafiadores, chamando-nos a uma reorientação radical das nossas prioridades e valores.

Devemos reconhecer que Jesus coloca a contribuição dentro do contexto mais amplo do nosso relacionamento com Deus e do nosso destino eterno. Ele avisa-nos contra acumular tesouros na terra, onde a traça e a ferrugem destroem, e encoraja-nos a acumular tesouros no céu (Mateus 6:19-21). Este ensinamento lembra-nos que a nossa contribuição tem um significado eterno e deve ser motivada pelo nosso amor a Deus em vez de ganho terreno (Carr, 2014).

Jesus também enfatiza a importância da nossa disposição interior ao contribuir. No Sermão da Montanha, Ele adverte contra contribuir para ser visto pelos outros, instruindo-nos a contribuir em segredo, sabendo que o nosso Pai celestial vê e recompensa tal generosidade sincera (Mateus 6:1-4). Isto ensina-nos que o valor dos nossos dons não reside no seu reconhecimento público, mas na pureza das nossas intenções perante Deus.

Os ensinamentos do nosso Senhor destacam frequentemente a ligação entre o nosso uso do dinheiro e a condição dos nossos corações. Ele diz-nos que “onde estiver o teu tesouro, aí estará também o teu coração” (Mateus 6:21). Esta perceção poderosa convida-nos a examinar a nossa contribuição como um reflexo dos nossos valores e compromissos mais profundos.

Jesus também nos desafia a contribuir sacrificialmente e a confiar na provisão de Deus. Vemos isto ilustrado de forma bela no Seu elogio à viúva pobre que deu tudo o que tinha para viver (Marcos 12:41-44). Esta história lembra-nos que Deus não olha para a quantia que damos, mas para o custo para nós mesmos e para a fé demonstrada na nossa contribuição.

Os ensinamentos de Cristo ligam frequentemente a contribuição ao cuidado pelos pobres e marginalizados. Na parábola do Bom Samaritano (Lucas 10:25-37) e na Sua descrição do juízo final (Mateus 25:31-46), Jesus deixa claro que o nosso tratamento daqueles que precisam está intimamente ligado ao nosso amor por Ele.

Importante, Jesus ensina que a verdadeira generosidade envolve mais do que apenas o nosso dinheiro. Quando Ele chama o jovem rico a vender tudo o que tem e a dar aos pobres (Marcos 10:17-27), Ele está a convidar o homem a uma reorientação completa da sua vida, colocando a confiança em Deus acima da segurança material.

Que exemplos de contribuição vemos na igreja primitiva em Atos?

O livro de Atos fornece-nos um retrato vívido e inspirador da comunidade cristã primitiva, na qual a generosidade e o cuidado mútuo eram marcas da sua vida partilhada em Cristo. Ao examinarmos estes exemplos, consideremos como eles podem desafiar-nos e encorajar-nos na nossa própria prática de contribuir hoje.

Talvez o exemplo mais marcante que encontramos seja a partilha radical descrita em Atos 2:44-45 e 4:32-35. Lemos que os crentes eram de “um só coração e alma” e que “ninguém reivindicava a propriedade privada de quaisquer bens, mas tudo o que possuíam era mantido em comum”. Alguns até venderam propriedades e bens, trazendo os lucros aos apóstolos para distribuição àqueles que precisavam (Blegur et al., 2022; Carr, 2014).

Este nível extraordinário de generosidade fluiu da sua fé profunda e unidade em Cristo. Não foi imposto como uma regra, mas surgiu espontaneamente de corações transformados pelo Evangelho e cheios do Espírito Santo. Embora esta prática específica possa não ser diretamente aplicável em todos os contextos hoje, desafia-nos a considerar como podemos incorporar mais plenamente o espírito de amor sacrificial e responsabilidade partilhada dentro das nossas comunidades de fé.

Vemos também exemplos de contribuição para apoiar o trabalho do ministério e da missão. Em Atos 4:36-37, aprendemos sobre Barnabé, que vendeu um campo e trouxe o dinheiro aos apóstolos. Este ato de generosidade provavelmente ajudou a apoiar a comunidade em crescimento e os seus esforços evangelísticos. Lembra-nos da importância de contribuir para o trabalho da igreja e para a propagação do Evangelho.

A igreja primitiva também demonstrou uma preocupação pelos crentes necessitados para além da sua comunidade imediata. Em Atos 11:27-30, lemos sobre a igreja em Antioquia a enviar ajuda aos crentes na Judeia durante um tempo de fome. Este exemplo encoraja-nos a olhar para além do nosso contexto local e a considerar como podemos apoiar os nossos irmãos e irmãs em Cristo que enfrentam dificuldades noutras partes do mundo.

Esta cultura de generosidade não esteve isenta de desafios. A história de Ananias e Safira em Atos 5:1-11 serve como um lembrete sóbrio da importância da integridade e honestidade na nossa contribuição. O seu engano não foi sobre a quantia que deram, mas sobre a sua pretensão de dar mais do que realmente deram. Isto ensina-nos que Deus está preocupado não apenas com as nossas ações externas, mas com a veracidade dos nossos corações.

Vemos também a igreja primitiva a organizar a sua contribuição para garantir uma distribuição equitativa. A nomeação dos sete em Atos 6:1-7 para supervisionar a distribuição diária às viúvas mostra uma preocupação pela justiça e boa mordomia dos recursos. Isto pode guiar-nos no desenvolvimento de sistemas transparentes e responsáveis para gerir e distribuir fundos dentro das nossas igrejas hoje.

Ao refletirmos sobre estes exemplos da igreja primitiva, sejamos inspirados pela sua generosidade, pelo seu cuidado uns pelos outros e pelo seu compromisso com a missão de Cristo. Que nós, também, procuremos cultivar comunidades marcadas pelo amor sacrificial, apoio mútuo e uma vontade de partilhar tudo o que Deus nos confiou para a edificação do Seu reino.

Como Paulo instrui os crentes a contribuir nas suas cartas?

O Apóstolo Paulo fornece uma orientação rica sobre a contribuição ao longo das suas cartas, enraizando sempre as suas instruções na graça e no amor de Cristo. No coração do ensino de Paulo está o apelo a contribuir generosa, alegre e sacrificialmente como uma expressão de fé e amor a Deus e ao próximo.

Na sua segunda carta aos Coríntios, Paulo dedica grande atenção à prática da contribuição. Ele encoraja os crentes a contribuir de livre vontade de acordo com as suas possibilidades, lembrando-os de que “Deus ama quem dá com alegria” (2 Coríntios 9:7)(Houghton, 2019). Paulo enfatiza que a nossa contribuição deve fluir da gratidão pelas bênçãos abundantes de Deus, não da compulsão ou culpa. Ele assegura aos coríntios que Deus suprirá as suas necessidades à medida que contribuem generosamente para os outros.

Paulo também instrui os crentes a contribuir regular e sistematicamente. Em 1 Coríntios 16:2, ele aconselha a reservar uma parte dos rendimentos no primeiro dia de cada semana(Gonzalo Haya-Prats, Empowered Believers: The Holy Spirit in the Book of Acts, Ed., Paul Elbert, Trans. Scott A. Ellington (Eugene, OR: Cascade Books, 2011). Xxv + 289 Pp., $35.00, Paper., n.d.). Esta prática de contribuição regular e intencional ajuda a cultivar um hábito de generosidade e garante que os recursos estejam disponíveis para suprir as necessidades à medida que surgem.

Importante, Paulo ensina que a contribuição não é apenas sobre dinheiro, mas sobre oferecer-nos totalmente a Deus e uns aos outros em amor. Ele elogia as igrejas da Macedónia que “se entregaram primeiro ao Senhor” (2 Coríntios 8:5) antes de contribuir financeiramente para além das suas possibilidades. Isto lembra-nos que a verdadeira generosidade flui de um coração rendido a Cristo.

Paulo também enfatiza a importância da integridade e responsabilidade no manuseamento dos dons. Ele tem muito cuidado para evitar qualquer suspeita na administração da coleta para Jerusalém, providenciando que representantes de confiança acompanhem o dom (2 Coríntios 8:16-24). Isto ensina-nos a importância de uma mordomia sábia e transparência nas nossas práticas de contribuição.

Acima de tudo, Paulo fundamenta o seu ensino sobre a contribuição no exemplo supremo de Cristo, “que, embora fosse rico, por amor de vós tornou-se pobre, para que pela sua pobreza vos tornásseis ricos” (2 Coríntios 8:9). Ao contemplarmos o amor autodoador de Cristo, que sejamos inspirados a dar de nós mesmos generosamente para o bem dos outros e para a glória de Deus.

O que a Bíblia diz sobre a atitude e a motivação para contribuir?

As Escrituras falam-nos com grande sabedoria sobre as atitudes do coração que devem motivar a nossa contribuição. No centro está o amor – amor a Deus e amor ao nosso próximo. Toda a verdadeira contribuição flui desta fonte de amor divino e humano.

A Bíblia ensina-nos que a nossa contribuição deve ser marcada pela alegria e gratidão. Ao refletirmos sobre a generosidade ilimitada de Deus para connosco, como podem os nossos corações não transbordar de gratidão? O Apóstolo Paulo lembra-nos que “Deus ama quem dá com alegria” (2 Coríntios 9:7)(Houghton, 2019). A nossa contribuição deve ser uma resposta alegre à graça de Deus, não uma obrigação onerosa. Quando contribuímos com alegria, participamos na própria natureza do nosso Deus generoso.

As Escrituras também enfatizam que a nossa contribuição deve ser voluntária e do coração. Em Êxodo 25:2, o Senhor instrui Moisés a receber contribuições para o tabernáculo de “todos cujo coração os impulsiona a dar”(Proskurina, 2024). Deus deseja não apenas os nossos recursos, mas a devoção livremente dada dos nossos corações. A contribuição forçada ou relutante não honra o Senhor nem abençoa quem dá.

A humildade é outra atitude crucial na contribuição bíblica. Jesus elogia a viúva pobre que dá as suas pequenas moedas, observando que ela deu mais do que os ricos que deram grandes somas da sua abundância (Marcos 12:41-44). Isto ensina-nos que Deus não olha para a quantia que damos, mas para o sacrifício e devoção por trás do dom. Contribuímos humildemente, reconhecendo que tudo o que temos vem da mão de Deus.

A Bíblia também fala da contribuição como um ato de adoração e confiança em Deus. Quando contribuímos, declaramos que Deus, e não o dinheiro, é a nossa verdadeira fonte de segurança e alegria. Confiamos na Sua promessa de suprir as nossas necessidades à medida que buscamos primeiro o Seu reino (Mateus 6:33). A nossa contribuição torna-se uma expressão tangível de fé.

Finalmente, a Escritura ensina que o amor pelos outros deve motivar a nossa doação. João Batista exorta aqueles que têm duas túnicas a partilhar com aqueles que não têm nenhuma (Lucas 3:11). A igreja primitiva partilhava os seus bens para que ninguém entre eles passasse necessidade (Atos 4:32-35). Esta generosidade radical fluía de corações transformados pelo amor de Cristo.

Ao refletirmos sobre estes ensinamentos bíblicos, que o Espírito Santo molde as nossas atitudes em relação à doação. Vamos doar com alegria, humildade e sacrifício, confiando na provisão de Deus e motivados pelo amor a Ele e aos nossos irmãos e irmãs necessitados.

Existem promessas ou bênçãos associadas à contribuição nas Escrituras?

As Escrituras falam de bênçãos associadas à doação generosa. Mas devemos abordar este tópico com sabedoria espiritual, reconhecendo que as bênçãos de Deus vêm frequentemente de formas inesperadas e que a nossa principal motivação para doar deve ser sempre o amor a Deus e ao próximo, não o ganho pessoal.

Dito isto, a Bíblia contém promessas relacionadas com a doação. Em Malaquias 3:10, o Senhor desafia o Seu povo a trazer o dízimo completo e declara: “Testai-me nisto... e vede se não abrirei as comportas do céu e derramarei tantas bênçãos que não haverá espaço suficiente para as guardar.” Esta promessa poderosa lembra-nos da fidelidade de Deus em prover para aqueles que O honram com os seus recursos.

No Novo Testamento, Jesus ensina: “Dai, e ser-vos-á dado. Uma boa medida, calcada, sacudida e transbordante, vos será derramada no regaço” (Lucas 6:38). Isto não fala apenas de bênçãos materiais, mas da vida abundante que flui de um coração generoso alinhado com os propósitos de Deus.

O Apóstolo Paulo assegura aos Coríntios que Deus é capaz de os abençoar abundantemente, “para que, tendo sempre em tudo toda a suficiência, abundeis em toda a boa obra” (2 Coríntios 9:8)(Houghton, 2019). Esta promessa enfatiza a provisão de Deus para as nossas necessidades e a Sua capacitação para a generosidade e o serviço contínuos.

A Escritura também fala de bênçãos espirituais associadas à doação. Provérbios 11:25 declara: “A pessoa generosa prosperará; quem refresca os outros será refrescado.” Isto aponta para a profunda alegria e renovação espiritual que advêm da doação altruísta. Da mesma forma, Atos 20:35 regista as palavras de Jesus: “Mais bem-aventurado é dar do que receber”, destacando a poderosa realização espiritual encontrada na generosidade.

Devemos lembrar-nos, contudo, de que as bênçãos de Deus nem sempre são materiais ou imediatas. A maior bênção de doar é aproximar-se do coração do nosso Deus generoso e participar na Sua obra de amor no mundo. À medida que doamos, crescemos na fé, na compaixão e na semelhança com Cristo – certamente as bênçãos mais preciosas de todas.

Como a Bíblia aborda a contribuição para além do dinheiro (tempo, talentos, etc.)?

As Escrituras pintam um quadro belo e holístico da doação que se estende muito além das contribuições financeiras. Embora a doação monetária seja importante, Deus chama-nos a oferecer todo o nosso ser – o nosso tempo, talentos, habilidades e as nossas próprias vidas – em serviço amoroso a Ele e aos nossos vizinhos.

O Apóstolo Paulo fala poderosamente desta visão abrangente da doação em Romanos 12:1, exortando os crentes a “apresentarem os vossos corpos como um sacrifício vivo, santo e agradável a Deus – este é o vosso culto verdadeiro e adequado.” Esta entrega total de si mesmo é a base da mordomia cristã. Somos chamados a colocar tudo o que somos e tudo o que temos à disposição de Deus para os Seus propósitos.

Ao longo da Bíblia, vemos exemplos de pessoas que dão o seu tempo e talentos ao serviço de Deus e dos outros. Em Êxodo, artesãos qualificados oferecem as suas habilidades para construir o tabernáculo (Êxodo 35:30-35). No Novo Testamento, lemos sobre crentes que usam as suas casas para hospitalidade e reuniões (Atos 2:46, Romanos 16:5). Estes exemplos lembram-nos que as nossas habilidades, capacidades e recursos são dons de Deus para serem usados para a Sua glória e para o bem dos outros.

A parábola dos talentos em Mateus 25:14-30 ensina-nos sobre a importância de usar e desenvolver fielmente os dons que Deus nos confiou. Quer nos tenha sido dado muito ou pouco, Deus chama-nos a investir os nossos talentos sabiamente para o Seu reino. Isto aplica-se não apenas ao dinheiro, mas a todas as nossas habilidades e recursos.

Em 1 Pedro 4:10-11, somos instruídos: “Cada um de vós deve usar o dom que recebeu para servir os outros, como bons despenseiros da multiforme graça de Deus.” Isto lembra-nos que todos os nossos dons – seja no falar, servir, organizar, criar ou qualquer outra área – devem ser usados em serviço amoroso aos outros.

A igreja primitiva em Atos fornece um modelo poderoso de doação holística. Lemos que os crentes partilhavam os seus bens, abriam as suas casas, cuidavam dos necessitados e dedicavam-se à oração e ao ensino (Atos 2:42-47, 4:32-35). Esta generosidade radical com o seu tempo, recursos e vidas fluía de corações transformados pelo amor de Cristo.

Ao refletirmos sobre estes ensinamentos, peçamos ao Espírito Santo que nos mostre como podemos oferecer o nosso tempo, talentos e todo o nosso ser mais plenamente ao serviço de Deus e dos outros. Que possamos crescer em generosidade em todas as áreas da vida, tornando-nos reflexos vivos do amor abundante de Deus pelo mundo.

O que a Bíblia ensina sobre a mordomia e a gestão dos recursos de Deus?

A Bíblia oferece uma sabedoria poderosa sobre mordomia, ensinando-nos que tudo o que temos pertence, em última análise, a Deus e nos é confiado para os Seus propósitos. Esta compreensão transforma a forma como vemos e gerimos os recursos sob o nosso cuidado.

O princípio fundamental da mordomia bíblica encontra-se no Salmo 24:1: “Do Senhor é a terra e tudo o que nela existe, o mundo e todos os que nele habitam.” Isto lembra-nos que não somos proprietários, mas gestores dos recursos de Deus. O nosso papel é administrar fielmente o que Deus nos confiou, usando-o de formas que O honrem e sirvam os outros.

Jesus ensina extensivamente sobre mordomia através de parábolas. Na parábola dos talentos (Mateus 25:14-30), aprendemos que Deus espera que invistamos e multipliquemos sabiamente os recursos que Ele nos dá, sejam eles muitos ou poucos. A parábola do administrador astuto (Lucas 16:1-13) encoraja-nos a usar a riqueza mundana sabiamente para propósitos eternos. Estes ensinamentos lembram-nos que um dia prestaremos contas de como gerimos os recursos de Deus.

A Bíblia também enfatiza a importância do contentamento e de evitar o amor ao dinheiro. Paulo escreve em 1 Timóteo 6:6-10 que “a piedade com contentamento é grande ganho” e alerta contra os perigos de perseguir a riqueza como um fim em si mesma. Em vez disso, somos chamados a ser ricos em boas obras, generosos e dispostos a partilhar (1 Timóteo 6:18).

A mordomia sábia envolve planeamento e orçamentação cuidadosos. Provérbios 21:5 diz-nos: “Os planos do diligente conduzem ao lucro, assim como a pressa conduz à pobreza.” Isto encoraja-nos a ser ponderados e intencionais na gestão dos nossos recursos, em vez de gastar impulsivamente.

Ao mesmo tempo, a mordomia bíblica requer confiança na provisão de Deus. Jesus ensina-nos a não nos preocuparmos com as nossas necessidades materiais, mas a “buscar primeiro o seu reino e a sua justiça, e todas estas coisas vos serão acrescentadas” (Mateus 6:33). Esta abordagem equilibrada combina a gestão responsável com a fé no cuidado de Deus.

A Bíblia também fala da importância da generosidade na mordomia. Provérbios 11:24-25 afirma paradoxalmente: “Há quem dê liberalmente e ainda se torne mais rico; outros retêm mais do que é justo, mas acabam na pobreza. A pessoa generosa prosperará; quem refresca os outros será refrescado.” Isto lembra-nos que a verdadeira prosperidade não vem de acumular, mas da generosidade de mãos abertas.



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