O que diz a Bíblia sobre o desígnio original de Deus para o casamento?
Quando olhamos para as Escrituras para compreender o desígnio original de Deus para o casamento, temos de voltar os nossos corações e as nossas mentes para o início – para o livro do Génesis e para a criação da humanidade. Nessas primeiras páginas, encontramos as sementes do plano de Deus para a união do homem e da mulher.
Em Génesis 2, lemos que Deus formou o homem do pó da terra e lhe deu vida. No entanto, o Senhor viu que não era bom para o homem estar sozinho, e assim criou a mulher como uma ajudante e companheira adequada. Quando Deus apresentou a mulher a Adão, exclamou com alegria: «Este é, finalmente, osso dos meus ossos e carne da minha carne» (Génesis 2:23). E o texto sagrado diz-nos: «Portanto, deixará o homem o seu pai e a sua mãe, e apegar-se-á à sua mulher, e serão uma só carne» (Génesis 2:24).
Vemos aqui os elementos essenciais do desígnio de Deus para o casamento – a complementaridade do homem e da mulher, a sua igualdade enquanto portadores da imagem de Deus, o seu apelo à unidade e à fidelidade e a fecundidade que decorre da sua união. O casamento, desde o início, destinava-se a refletir o amor e a comunhão dentro da Santíssima Trindade.
Este desenho original foi marcado pelo pecado, como sabemos. Contudo, Deus não abandonou o seu plano. Ao longo da história da salvação, Ele continuou a revelar a beleza e a santidade do casamento. Vemos isso na relação de aliança entre Deus e Israel, muitas vezes descrita em termos conjugais pelos profetas. Vemo-lo aperfeiçoado na união de Cristo e da sua Igreja.
Na sua infinita sabedoria e amor, Deus concebeu o matrimónio para ser uma união duradoura e fiel do homem e da mulher, aberta ao dom de uma vida nova. Destina-se a ser uma escola de amor e virtude, onde os esposos ajudam uns aos outros a crescer em santidade. Como nos ensina o Catecismo, «o pacto matrimonial, pelo qual um homem e uma mulher estabelecem entre si uma união de toda a vida, é por natureza ordenado para o bem dos cônjuges e para a procriação e educação dos filhos» (CIC 1601).
Agradeçamos por este belo dom do casamento e rezemos para que todos possam compreender e abraçar o desígnio original de Deus. Porque nele encontramos um caminho para a alegria, a santidade e a plenitude da vida que o nosso Criador amoroso pretende para nós.
Como Jesus define o casamento no Novo Testamento?
Quando nos voltamos para os Evangelhos para compreender como o nosso Senhor Jesus Cristo define o casamento, encontramo-Lo a reafirmar e a elevar o plano original de Deus. Jesus fala do matrimónio com grande reverência, sublinhando a sua permanência e o seu carácter sagrado.
No Evangelho de Mateus, encontramos um momento crucial em que os fariseus se aproximam de Jesus para testá-lo sobre a questão do divórcio. Perguntam: «É lícito ao homem divorciar-se da sua mulher por qualquer motivo?» (Mateus 19:3). A resposta do nosso Senhor é poderosa e de grande alcance. Dirige-os de volta ao princípio, ao desígnio original de Deus:
«Não lestes que aquele que os criou desde o princípio os fez homem e mulher, e disse: Por isso deixará o homem o seu pai e a sua mãe, e apegar-se-á à sua mulher, e os dois se tornarão uma só carne?» Já não são mais dois, mas uma só carne. Portanto, o que Deus uniu, não separe o homem" (Mateus 19:4-6)
Nestas palavras, Jesus afirma vários aspectos fundamentais do matrimónio. Em primeiro lugar, defende a complementaridade entre o homem e a mulher, criados à imagem de Deus. Em segundo lugar, salienta a unidade e a indissolubilidade do casamento – «os dois tornar-se-ão uma só carne». Em terceiro lugar, declara que o casamento é uma instituição divina – «O que Deus uniu».
O nosso Senhor vai ainda mais longe, explicando que Moisés só permitiu o divórcio devido à dureza do coração das pessoas, mas que esta não era a intenção original de Deus. Ele afirma claramente: "Quem divorciar-se da sua mulher, exceto por imoralidade sexual, e casar-se com outra, comete adultério" (Mateus 19:9).
Em outras passagens, Jesus usa as imagens do casamento para descrever o Reino de Deus. Ele fala de Si mesmo como o noivo e Seus seguidores como os convidados das bodas (Marcos 2:19-20). Na parábola das dez virgens, Ele compara a vinda do Reino a uma festa de casamento (Mateus 25:1-13).
Através destes ensinamentos, Jesus eleva o matrimónio a sinal sacramental do seu próprio amor pela Igreja. Como São Paulo explicaria mais tarde em Efésios 5, o casamento cristão é chamado a refletir o amor sacrificial de Cristo por sua noiva, a Igreja.
Tomemos a peito estas palavras de nosso Senhor, reconhecendo a grande dignidade e responsabilidade da vocação conjugal. Que possamos esforçar-nos, com a graça de Deus, para viver este chamado ao amor fiel, fecundo e duradouro. Ao fazê-lo, tornamo-nos sinais vivos do amor de Cristo no mundo.
O casamento é definido como apenas entre um homem e uma mulher nas Escrituras?
Esta pergunta toca num assunto de grande importância e sensibilidade no nosso tempo. À medida que procuramos compreender o ensino bíblico sobre o casamento, devemos abordar os textos sagrados com humildade, reverência e um desejo sincero de discernir a vontade de Deus.
Quando examinamos a Bíblia como um todo, encontramos um testemunho consistente do casamento como uma união entre um homem e uma mulher. Isto começa em Gênesis com a criação de Adão e Eva, e continua em todo o Antigo e Novo Testamentos. A linguagem usada para descrever o casamento é consistentemente a de um homem deixar seu pai e sua mãe e unir-se a sua esposa (Gênesis 2:24, Mateus 19:5, Efésios 5:31).
É verdade que, no Antigo Testamento, encontramos casos de poligamia entre os patriarcas e reis de Israel. Mas estes são apresentados como realidades históricas em vez de ideais a serem imitados. O relato da criação e a literatura profética defendem consistentemente o modelo de um homem e uma mulher como o desígnio de Deus. O profeta Malaquias, por exemplo, fala do casamento como um pacto entre um homem e «a mulher da tua mocidade» (Malaquias 2:14-15).
No Novo Testamento, Jesus reafirma esta compreensão do casamento. Quando questionado sobre o divórcio, remete para o plano original de Deus: "Não lestes que aquele que os criou desde o princípio os fez homem e mulher, e disse: Por isso deixará o homem a seu pai e a sua mãe, e apegar-se-á à sua mulher, e os dois se tornarão uma só carne?" (Mateus 19:4-5). Aqui, nosso Senhor fala claramente do casamento em termos de um homem e uma mulher.
O apóstolo Paulo, em suas cartas, refere-se consistentemente ao casamento como uma união entre marido e mulher. Em Efésios 5, desenvolve uma poderosa teologia do casamento como imagem da relação de Cristo com a Igreja, utilizando novamente a linguagem do marido e da mulher.
Ao mesmo tempo, devemos aproximar-nos deste ensinamento com sensibilidade pastoral e compaixão. Muitos no nosso mundo de hoje experimentam atração pelo mesmo sexo ou lutam com questões de identidade de género. Como seguidores de Cristo, somos chamados a acolher todos com amor e respeito, reconhecendo a dignidade inerente a cada pessoa criada à imagem de Deus.
Ao mesmo tempo que afirmamos o ensino bíblico sobre o casamento, devemos também reconhecer as realidades complexas da experiência humana e a necessidade de acompanhamento pastoral de todos os filhos de Deus. Esforcemo-nos por criar comunidades de amor e de acolhimento, onde todos possam encontrar o rosto misericordioso de Cristo.
Ao refletirmos sobre estas questões, rezemos por sabedoria e discernimento, procurando sempre defender a verdade da Palavra de Deus e, ao mesmo tempo, alargar o seu amor e misericórdia a todos.
O que a Bíblia ensina sobre os papéis do marido e da mulher no casamento?
Ao considerarmos o ensino bíblico sobre os papéis do marido e da mulher no casamento, devemos abordar este tópico com fidelidade às Escrituras e sensibilidade ao nosso contexto contemporâneo. A Palavra de Deus oferece-nos princípios intemporais, mas devemos também estar atentos ao modo como estes princípios são vividos nas diversas circunstâncias do nosso mundo de hoje.
No relato da criação do Génesis, vemos que o homem e a mulher são criados como portadores iguais da imagem de Deus, chamados a um domínio partilhado sobre a criação (Génesis 1:27-28). Esta igualdade fundamental e parceria forma a base para a compreensão dos papéis conjugais. Ao mesmo tempo, a Escritura fala de uma complementaridade entre marido e mulher, cada um trazendo dons únicos à união.
O Novo Testamento fornece orientação adicional sobre os papéis conjugais, particularmente nos escritos de São Paulo. Em Efésios 5, ele apresenta uma visão do casamento cristão que é ao mesmo tempo desafiadora e bela:
«Mulheres, sujeitai-vos aos vossos próprios maridos, como ao Senhor. Pois o marido é a cabeça da mulher, assim como Cristo é a cabeça da igreja, seu corpo, e é ele mesmo o seu Salvador. Ora, assim como a igreja se submete a Cristo, assim também as mulheres devem se submeter em tudo a seus maridos. Maridos, amai vossas mulheres, como Cristo amou a igreja e se entregou por ela" (Efésios 5:22-25).
Estes versos têm sido às vezes mal interpretados para justificar a dominação ou desigualdade dentro do casamento. Mas, quando lidos no contexto do amor abnegado de Cristo, vemos um apelo à submissão mútua e ao amor doador. A chefia do marido baseia-se na liderança servil de Cristo, dando a sua vida pela sua noiva, a Igreja.
São Paulo continua a dizer: "Da mesma forma, os maridos devem amar suas mulheres como seu próprio corpo. Quem ama a sua mulher ama-se a si mesmo» (Efésios 5:28). Isto enfatiza a poderosa unidade entre marido e mulher, e os cuidados e cuidados que devem caracterizar a sua relação.
Em 1 Pedro 3, encontramos ensinamentos semelhantes, com as mulheres chamadas a respeitar os seus maridos e os maridos instados a honrar as suas mulheres como «herdeiros convosco do dom gracioso da vida» (1 Pedro 3:7). Isto ressalta a igualdade espiritual entre marido e mulher perante Deus.
À medida que aplicamos estes ensinamentos hoje, devemos reconhecer que as expressões específicas dos papéis conjugais podem variar entre culturas e casais individuais. Os princípios essenciais, mas mantêm-se constantes: amor e respeito mútuos, compromisso compartilhado com Cristo, e uma vontade de servir e sacrificar-se uns pelos outros.
Rezemos por todos os esposos, para que cresçam no amor e na santidade, apoiando-nos uns aos outros no caminho da salvação. Que as suas uniões sejam testemunhas vivas do amor de Cristo pela sua Igreja, trazendo luz e esperança ao nosso mundo.
Como é que o casamento é utilizado como metáfora para a relação de Deus com o seu povo?
A utilização do casamento como metáfora da relação de Deus com o seu povo é um dos temas mais belos e poderosos da Sagrada Escritura. Esta imagem fala do amor íntimo e pactual que o nosso Criador tem pela humanidade, um amor que procura a comunhão e suscita uma resposta de fidelidade e devoção.
Encontramos pela primeira vez esta metáfora no Antigo Testamento, particularmente nos escritos dos profetas. O profeta Oseias, por exemplo, decreta dramaticamente o amor fiel de Deus por Israel infiel, casando-se com uma prostituta. Deus fala através de Oseias, dizendo: «E noivar-te-ei comigo para sempre. Noivar-vos-ei comigo na justiça e na justiça, na caridade e na misericórdia" (Os 2:19). Aqui vemos Deus retratado como o marido fiel, continuamente à procura de reconquistar a sua noiva rebelde, Israel.
O profeta Isaías também utiliza esta imagem, declarando: «Porque o teu Criador é o teu marido, o Senhor dos exércitos é o seu nome» (Isaías 54:5). E em Jeremias, Deus recorda a devoção precoce de Israel, dizendo: «Lembro-me da devoção da tua juventude, do teu amor como noiva» (Jeremias 2:2). Estas passagens revelam a natureza terna e apaixonada do amor de Deus pelo seu povo, um amor que persevera apesar da infidelidade humana.
No Novo Testamento, esta imagem conjugal encontra a sua expressão mais plena na relação entre Cristo e a Igreja. Jesus refere-se a Si mesmo como o noivo (Marcos 2:19-20), e na parábola das dez virgens, Ele compara o Reino dos Céus a uma festa de casamento (Mateus 25:1-13).
São Paulo desenvolve este tema mais plenamente em Efésios 5, onde fala do mistério do matrimónio como reflexo da união de Cristo e da Igreja. Escreve: «Este mistério é poderoso, e digo que se refere a Cristo e à Igreja» (Efésios 5:32). Neste caso, o casamento terreno é visto como um sinal vivo do amor sacrificial de Cristo pela sua noiva, a Igreja.
O Livro do Apocalipse leva esta imagem ao seu cumprimento escatológico, descrevendo a união final de Cristo e da Sua Igreja como a «ceia do casamento do Cordeiro» (Apocalipse 19:9). A Nova Jerusalém é descrita como «a noiva, a mulher do Cordeiro» (Apocalipse 21:9), adornada para o seu marido.
Esta rica metáfora bíblica ensina-nos verdades poderosas sobre o amor de Deus e a nossa relação com Ele. Fala da iniciativa de Deus em procurar-nos, da sua fidelidade apesar das nossas falhas e do seu desejo de comunhão íntima connosco. Chama-nos a responder com amor, fidelidade e devoção de todo o coração.
Para os casais, estas imagens convidam-nos a ver a sua união como um sinal vivo do amor de Cristo pela Igreja. Para todos os crentes, recorda-nos as profundezas do amor de Deus e o destino glorioso a que somos chamados – a união eterna com o nosso Esposo Divino.
O que a Bíblia diz sobre o divórcio e o novo casamento?
O ensino bíblico sobre o divórcio e o novo casamento reflete tanto a visão elevada de Deus sobre o casamento como a sua misericórdia para com a fragilidade humana. O nosso Senhor Jesus Cristo falou claramente sobre esta matéria, reafirmando o projeto original de Deus para o casamento como uma união ao longo da vida. Quando perguntado sobre o divórcio, Jesus respondeu ao apontar para o Génesis: "Portanto, o que Deus uniu, ninguém separe" (Marcos 10:9). (Dodaro, 2014)
Jesus ensinou que o divórcio era permitido por Moisés devido à dureza do coração das pessoas, mas que esta não era a intenção original de Deus (Mateus 19:8). Ele afirmou que quem se divorcia e volta a casar comete adultério, com uma possível exceção para casos de imoralidade sexual (Mateus 5:32, 19:9). (Dodaro, 2014)
O apóstolo Paulo ecoou o ensinamento de Cristo, instruindo que os crentes casados não devem separar-se, mas, se o fizerem, devem permanecer solteiros ou reconciliar-se (1 Coríntios 7:10-11). (Dodaro, 2014) Paulo também abordou situações em que um crente é casado com um incrédulo, aconselhando-os a permanecer casados, se possível, mas permitindo a separação se o cônjuge incrédulo sair (1 Coríntios 7:12-15).
Mas devemos abordar estes ensinamentos com sensibilidade pastoral. A Igreja, ao mesmo tempo que defende o ideal do matrimónio para toda a vida, reconhece que existem situações de grave dificuldade em que a convivência se torna praticamente impossível. Nesses casos, a separação e até mesmo o divórcio civil podem ser tolerados como último recurso. (Dodaro, 2014)
No que diz respeito ao novo casamento após o divórcio, a Igreja tem tradicionalmente defendido que isso não é possível se o primeiro casamento for válido. Mas está em curso uma reflexão sobre a forma de acompanhar pastoralmente aqueles que se encontram em situações complexas, equilibrando sempre a fidelidade ao ensinamento de Cristo com a misericórdia e a compaixão que Ele demonstrou a quantos lutam contra o pecado e as tribulações.
Devemos recordar que a lei de Deus é dada por amor, para proteger a dignidade do casamento e da vida familiar. Ao mesmo tempo, somos chamados a acompanhar com amor aqueles que experimentaram a dor do divórcio, ajudando-os a permanecer na comunidade eclesial e a crescer na fé e no amor a Deus.(Dodaro, 2014)
Rezemos por todos os esposos, para que encontrem em Cristo a força para viver fielmente a sua vocação. E aproximemo-nos com compaixão das pessoas feridas pelo divórcio, mostrando-lhes o amor e a misericórdia infalíveis do Pai.
Quais são as qualificações bíblicas para o casamento?
As Escrituras apresentam o casamento como uma união sagrada instituída pelo próprio Deus. Desde o início, no livro do Génesis, vemos que Deus criou os seres humanos, homem e mulher, e estabeleceu o matrimónio como fundamento da sociedade humana (Génesis 1:27-28, 2:24).
As qualificações bíblicas para o casamento, portanto, fluem desta origem e propósito divinos: o casamento é entre um homem e uma mulher. Esta complementaridade dos sexos é fundamental para o desígnio de Deus, refletindo a imagem de Deus e permitindo a procriação de crianças (Hoffman, 2018; Stanley et al., 2013)
Em segundo lugar, o casamento deve ser uma relação de aliança, não apenas um contrato. Trata-se de uma doação total de cada cônjuge ao outro, refletindo o amor pactual de Deus pelo seu povo. Este pacto deve ser exclusivo e perpétuo, como Jesus afirmou quando disse: «O que Deus uniu, ninguém separe» (Marcos 10:9). (Keller & Keller, 2011)
A Bíblia também ensina que os crentes devem casar-se com outros crentes. O apóstolo Paulo instrui que não devemos estar «em jugo desigual com os incrédulos» (2 Coríntios 6:14), e que uma viúva é livre para voltar a casar, mas «apenas no Senhor» (1 Coríntios 7:39). Isto não é mero preconceito, mas um reconhecimento de que a fé partilhada é crucial para a unidade mais profunda no casamento. (Keller & Keller, 2011)
As Escrituras apresentam certas qualidades de caráter como essenciais para um casamento piedoso. Os maridos são chamados a amar suas mulheres sacrificialmente, como Cristo amou a Igreja (Efésios 5:25). As mulheres são chamadas a respeitar seus maridos (Efésios 5:33). Ambos devem submeter-se um ao outro por reverência a Cristo (Efésios 5:21). (Hoffman, 2018)
A Bíblia também fala da importância da pureza sexual antes e dentro do casamento. As relações sexuais pré-matrimoniais são consistentemente retratadas como pecaminosas, enquanto a união sexual dentro do casamento é afirmada como boa e santa (Hebreus 13:4, 1 Coríntios 7:2-5). (Keller & Keller, 2011)
Estas qualificações não são regras arbitrárias, mas refletem a sabedoria e o amor de Deus. Eles são dados para o nosso florescimento, para proteger a dignidade e a beleza do casamento como Deus pretendia.
Ao mesmo tempo, devemos abordar estes ensinamentos com humildade e compaixão. Nenhum de nós cumpre perfeitamente o ideal de Deus. Somos todos pecadores que necessitam da graça de Deus. A Igreja é chamada a defender estes padrões bíblicos, ao mesmo tempo em que é um lugar de cura e restauração para aqueles que ficam aquém.
Rezemos por todos os que se preparam para o casamento, para que cresçam na compreensão do desígnio de Deus e nas virtudes necessárias para uma união forte e duradoura. E que todos nós, casados ou solteiros, nos esforcemos por refletir o amor fiel de Deus em todas as nossas relações.
Como a Bíblia retrata o casamento como um pacto?
A Bíblia apresenta o casamento não apenas como um contrato humano, mas como um pacto sagrado estabelecido pelo próprio Deus. Esta natureza pactual do casamento é tecida em toda a Escritura, do Génesis ao Apocalipse, e reflecte o próprio carácter de Deus e a Sua relação com o Seu povo. O A Ascensão da Bíblia ao Amor Verdadeiro É aquele que é altruísta, sacrificial e duradouro, como demonstrado no amor entre Cristo e sua Igreja. Esta compreensão do casamento como um pacto reflete o ensino bíblico de que o amor não é apenas um sentimento, mas um compromisso de honrar e valorizar uns aos outros. Esta perspetiva sobre o casamento desafia-nos a procurar a orientação e a força de Deus para viver esta aliança nas nossas próprias relações. Do ponto de vista bíblico, a aliança matrimonial estende-se também à forma como os cônjuges lidam com as suas finanças. A Bíblia ensina que a gestão financeira é um aspeto importante de um casamento saudável e que os casais são chamados a gerir os seus recursos com sabedoria e em conformidade com os princípios de Deus. Este A Visão Bíblica Sobre as Finanças e o Casamento salienta a necessidade de transparência, comunicação e unidade na tomada de decisões financeiras no âmbito do pacto matrimonial. Procurar a sabedoria e a orientação de Deus em questões financeiras pode reforçar o vínculo entre os cônjuges e promover a harmonia nas suas relações.
No relato da criação, vemos Deus trazer Eva a Adão, estabelecendo o primeiro casamento. A resposta de Adão, «Isto é agora osso dos meus ossos e carne da minha carne» (Génesis 2:23), expressa uma unidade e um compromisso poderosos que vão além de um mero acordo jurídico. O texto continua: «É por isso que um homem deixa o pai e a mãe e se une à sua mulher, e estes se tornam uma só carne» (Génesis 2:24). Este «deixar» e «unir-se» fala de um vínculo pactual que tem precedência mesmo sobre os laços familiares (Burke-Sivers, 2015).
Ao longo do Antigo Testamento, a relação pactual de Deus com Israel é frequentemente descrita em termos conjugais. Os profetas, em especial Oseias, utilizam a metáfora do casamento para ilustrar o amor fiel de Deus pelo seu povo, apesar da sua infidelidade. Esta analogia aprofunda a nossa compreensão dos pactos divinos e humanos como relações de amor e fidelidade firmes. (McBrien, 1994)
No Novo Testamento, Jesus afirma a natureza pactual do casamento citando Génesis 2:24 e acrescentando: «Assim, já não são dois, mas uma só carne. Portanto, o que Deus uniu, ninguém separe" (Mateus 19:6). Aqui, Jesus enfatiza tanto a unidade criada pelo pacto matrimonial como a sua permanência, tal como estabelecida por Deus. (Keller & Keller, 2011)
O apóstolo Paulo desenvolve ainda mais este tema em Efésios 5, onde compara a relação entre marido e mulher com a relação entre Cristo e a Igreja. Cita Génesis 2:24 e, em seguida, diz: «Este é um mistério poderoso — mas estou a falar de Cristo e da igreja» (Efésios 5:32). Isto revela que o casamento não é apenas um pacto entre homem e mulher, mas também um símbolo vivo do pacto entre Cristo e Seu povo. (Keller & Keller, 2011)
A natureza pactual do casamento também se reflete na linguagem usada para descrever a infidelidade conjugal. O adultério não é apenas quebrar um contrato, mas quebrar a fé com o cônjuge e com Deus (Malaquias 2:14). Isto ressalta a dimensão espiritual do pacto matrimonial.(Keller & Keller, 2011)
Compreender o casamento como um pacto tem implicações poderosas. Significa que o casamento não se baseia apenas em sentimentos ou benefícios mútuos, mas num compromisso solene feito perante Deus. Trata-se de um doar-se completamente ao outro, refletindo o amor de doação de Deus. Este vínculo da aliança destina-se a ser exclusivo, permanente e caracterizado pela fidelidade e amor sacrificial.
Ao mesmo tempo, devemos lembrar que esta visão elevada do casamento como um pacto não se destina a condenar aqueles que experimentaram a dor do divórcio ou dificuldades conjugais. Pelo contrário, deve inspirar-nos a procurar a graça de Deus para viver os nossos votos matrimoniais e a estender a compaixão àqueles que lutam nos seus casamentos.
Rezemos por todos os casais, para que renovem diariamente o seu amor pactual, tirando força do amor infalível de Deus. E que a Igreja seja sempre um lugar onde a beleza do pacto matrimonial seja celebrada e apoiada.
O que as Escrituras dizem sobre o sexo dentro do casamento?
As Escrituras falam da intimidade sexual dentro do casamento como um belo presente de Deus, a ser apreciado e desfrutado. Desde o início, no relato da criação, vemos que Deus criou os seres humanos como criaturas sexuais e abençoou a sua união (Gênesis 1:27-28). Esta bênção divina sobre a sexualidade conjugal é um tema que percorre toda a Bíblia. (Invernos, 2016)
Ao contrário de alguns equívocos, a Bíblia não vê o sexo como sujo ou vergonhoso quando expresso dentro do pacto do casamento. De facto, o Cântico de Salomão celebra as alegrias do amor conjugal e da intimidade física em linguagem poética. Este livro afirma a bondade do desejo sexual e do prazer no contexto do amor comprometido.(Keller & Keller, 2011)
O apóstolo Paulo, em sua carta aos Coríntios, fala francamente sobre a importância das relações sexuais dentro do casamento. Ele instrui maridos e mulheres a não se privarem mutuamente, reconhecendo que a intimidade sexual é um dom e uma responsabilidade mútuos (1 Coríntios 7:3-5). Este ensinamento afirma a igualdade entre marido e mulher na relação sexual, um conceito radical no mundo antigo. (Keller & Keller, 2011)
As Escrituras também ensinam que o sexo dentro do casamento serve a múltiplos propósitos. É um meio de expressar e aprofundar a união «uma só carne» entre marido e mulher (Génesis 2:24). É para a procriação, como se vê no mandamento de Deus de «sede fecundos e multiplicai-vos» (Génesis 1:28). E é para mútuo prazer e conforto, como celebrado no Cântico dos Cânticos e afirmado em Provérbios 5:18-19. (Keller & Keller, 2011)
A sexualidade conjugal é apresentada nas Escrituras como uma salvaguarda contra a tentação. Paulo aconselha que «por causa da tentação da imoralidade sexual, cada homem deve ter a sua própria mulher e cada mulher o seu próprio marido» (1 Coríntios 7:2). Isto reconhece a realidade do desejo sexual e proporciona a sua expressão adequada dentro do casamento. (Keller & Keller, 2011)
Embora a Bíblia afirme a bondade do sexo no casamento, também exige autocontrole e respeito mútuo. A intimidade sexual deve ser uma expressão de amor e unidade, não de egoísmo ou dominação. O ideal bíblico é uma relação sexual caracterizada pela ternura, consideração e desejo pelo bem do outro. (Keller & Keller, 2011)
Ao mesmo tempo, devemos abordar este tema com sensibilidade pastoral. Muitas pessoas lutam com questões relacionadas à sexualidade, seja devido a mágoas passadas, limitações físicas ou outros fatores. A Igreja é chamada a oferecer apoio e orientação compassivos, apontando sempre para a graça e o poder curativo de Deus.
Lembremo-nos também de que, embora a intimidade sexual seja um aspecto importante do casamento, não é a totalidade dele. Um matrimónio verdadeiramente cristão constrói-se sobre o fundamento da fé partilhada, do amor e do respeito recíprocos e do compromisso de crescer juntos em Cristo.
Que todos os casais encontrem nas suas relações sexuais uma fonte de alegria, intimidade e aprofundamento do amor. E que se lembrem sempre de que a sua união é um reflexo do amor de Cristo pela Igreja, um amor fiel, dom de si e eterno (Ellison, 2024; Keller & Keller, 2011)
Quais são alguns exemplos de casamentos na Bíblia que ilustram o desígnio de Deus?
A Bíblia fornece-nos vários exemplos de casamentos que, embora não sejam perfeitos, ilustram diferentes aspetos do desígnio de Deus para esta união sagrada. Estas histórias, com as suas alegrias e desafios, oferecem-nos insights e inspiração para as nossas próprias viagens conjugais.
Temos o exemplo de Adão e Eva, o primeiro casal. A união deles, estabelecida pelo próprio Deus, estabelece o padrão para todos os casamentos seguirem. Na sua relação, vemos a complementaridade fundamental entre o homem e a mulher e a profunda unidade expressa nas palavras de Adão: «Isto é agora osso dos meus ossos e carne da minha carne» (Génesis 2:23). Embora enfrentassem provações e o pecado entrasse em sua relação, mantiveram-se unidos, ilustrando a permanência do vínculo matrimonial. (Ellison, 2024)
Abraão e Sara são exemplos de um casamento caracterizado pela fé e pela perseverança. Apesar de enfrentarem a infertilidade e os desafios da vida nómada, continuaram empenhados uns nos outros e nas promessas de Deus. A sua história recorda-nos que o casamento é um caminho de fé, em que os casais são chamados a confiar em Deus juntos através das incertezas da vida.
A história de Rute e Boaz ilustra como Deus pode tirar a beleza de circunstâncias difíceis. Rute, viúva e estrangeira, encontrou amor e segurança com Boaz, um homem de carácter nobre. O seu casamento, que colmatou as divisões culturais, prenuncia a natureza inclusiva do reino de Deus e recorda-nos o poder redentor do amor pactual.
No Novo Testamento, vemos vislumbres do casamento de Priscila e Áquila. Este casal trabalhou em conjunto em seus negócios de construção de tendas e no ministério, em parceria para avançar o evangelho. O exemplo deles mostra como o casamento pode ser uma plataforma poderosa para a missão e o serviço partilhados a Deus.
Maria e José, embora o seu casamento fosse único devido ao nascimento virginal de Jesus, exemplificam a confiança no plano de Deus e o apoio mútuo face a circunstâncias extraordinárias. A sua fidelidade na ressurreição de Jesus oferece um modelo de devoção dos pais no matrimónio.
A Bíblia também apresenta exemplos de casamentos que ficaram aquém do ideal de Deus, como as múltiplas esposas de Davi ou as centenas de esposas e concubinas de Salomão. Estes servem como contos de advertência, ilustrando as consequências do desvio do desígnio de Deus para o casamento.
Mesmo nos casamentos imperfeitos retratados nas Escrituras, vemos muitas vezes a graça de Deus em ação, trazendo redenção e crescimento. O casamento do profeta Oseias com Gomer, embora marcado pela infidelidade, torna-se uma poderosa ilustração do amor fiel de Deus pelo seu povo.
Estes exemplos bíblicos recordam-nos que o casamento, tal como foi concebido por Deus, deve ser uma relação de compromisso exclusivo, de apoio mútuo, de fé partilhada e de propósito colaborativo. Mostram-nos que o casamento pode ser um contexto de crescimento pessoal, um testemunho da fidelidade de Deus e um meio de abençoar os outros.
Ao mesmo tempo, estas histórias lembram-nos que nenhum casamento é sem os seus desafios. Mesmo os casais que procuram seguir a Deus enfrentam provações e tentações. Tal deve incentivar-nos a confiar não nas nossas próprias forças, mas na graça de Deus e no apoio da comunidade de fé.
Aprendamos com estes exemplos bíblicos, inspirando-nos na sua fé e perseverança. E lembremo-nos de que cada casamento, com a sua história única, tem potencial para refletir o amor de Deus e ser um testemunho da sua graça no mundo.
Que todos os casais encontrem nas Escrituras encorajamento e orientação para as suas próprias viagens conjugais. E que, como os casais fiéis de outrora, deixem às gerações futuras um legado de amor e de fé.
