Mistérios Bíblicos: Quanto tempo Jesus sofreu na cruz?




  • Jesus esteve na cruz por cerca de seis horas, das 9h às 15h, com base em relatos evangélicos.
  • Os principais acontecimentos durante essas horas incluíram a crucificação de Jesus, a zombaria, a escuridão sobre a terra e as suas últimas palavras antes da morte.
  • Antigas diferenças de cronometragem judaicas e romanas ajudam a explicar algumas variações nas linhas do tempo do Evangelho, com linguagem aproximada frequentemente usada.
  • O significado espiritual destas horas inclui temas como a redenção, o amor de Deus, a vitória sobre o pecado e o cumprimento da profecia divina.

Quanto tempo esteve Jesus na cruz? Compreender as Horas da Paixão de Cristo

Vocês já se perguntaram por quanto tempo nosso Salvador, Jesus Cristo, o Filho de Deus, carregou este pesado fardo na cruz? É uma questão que tocou os corações dos crentes durante gerações, mesmo durante séculos. E não se trata apenas de história, não se trata apenas de um facto curioso. Não, esta pergunta vai direto ao âmago da nossa fé. Encoraja-nos, como crentes, a olhar mais profundamente, a compreender o incrível sacrifício que Ele fez por vós e por mim. A Bíblia, a espantosa Palavra de Deus, dá-nos alguns marcadores temporais claros. Mas para compreender verdadeiramente o que essas horas significaram, podemos explorar antigos costumes, ver como as maravilhosas histórias do Evangelho se encaixam e realmente pensar sobre o significado profundo e espiritual que Deus colocou neste acontecimento que mudou a vida.1 Este artigo está aqui para iluminar a linha do tempo da crucificação de Jesus, o mundo em torno dessas horas sagradas e o poderoso significado que ainda têm para cada crente hoje. Vemos que, quando perguntamos «quanto tempo», muitas vezes abre-nos uma porta, enquanto cristãos, para descobrirmos o «porquê» por detrás da crucificação e «o que significa para a minha vida», transformando uma simples pergunta sobre a história numa incrível viagem de crescimento e compreensão espirituais.

Quanto tempo Jesus esteve na cruz de acordo com os Evangelhos?

Assim, quando olhamos para os preciosos Evangelhos, eles nos dizem que Jesus esteve naquela cruz por cerca de seis horas. Obtemos este entendimento principalmente a partir do Evangelho de Marcos. Diz-nos que Jesus foi crucificado à «terceira hora» (Marcos 15:25) e que respirou o seu último fôlego à «nona hora» (Marcos 15:34-37).3 Naqueles dias, o povo judeu começou o seu dia por volta do nascer do sol, que era por volta das 6:00 da manhã. Por conseguinte, essa «terceira hora» seria como as 9 horas da manhã. Para nós, a «nona hora» seria por volta das 15 horas5.

E é maravilhoso como os Evangelhos de Mateus e Lucas concordam com Marcos sobre o tempo de escuridão que sobreveio à terra e o momento em que Jesus passou à nona hora.3 Por exemplo, Mateus 27:45-50 fala-nos da escuridão da sexta à nona hora, e depois Jesus gritou e abandonou o seu espírito.5 Lucas 23:44-46 partilha uma história muito semelhante.5 Este acordo entre Mateus, Marcos e Lucas — o que chamamos de Evangelhos Sinópticos — sobre a sua passagem à «nona hora» mostra-nos que este momento específico foi incrivelmente importante para os primeiros crentes que partilharam estas histórias. Eles provavelmente viram isso não apenas como um tempo escolhido pelo próprio Deus, talvez até mesmo conectando-o a tradições importantes como o sacrifício à noite no Templo.2 Portanto, aquela janela de seis horas, de cerca de 9:00 da manhã a 3:00 da tarde, é o momento em que a maioria das pessoas concorda que Jesus sofreu na própria cruz.

Quais foram os principais acontecimentos que a Bíblia registra durante o tempo de Jesus na cruz?

Aquelas seis horas que Jesus passou na cruz, foram cheias de momentos poderosos e dolorosos, todos cuidadosamente escritos nos Evangelhos. Estas histórias mostram-nos alguém que não era apenas uma vítima, mas que, mesmo na sua dor mais profunda, cumpria profecias antigas, oferecia perdão e mostrava a sua natureza divina e amorosa.

  • A Crucificação (por volta das 9:00 da manhã): Jesus foi pregado na cruz num lugar chamado Gólgota, mesmo entre dois criminosos.3 E, por cima da sua cabeça, colocaram um sinal que dizia frequentemente: «Jesus de Nazaré, Rei dos Judeus».4
  • Os soldados dividem suas vestes: Os soldados romanos apostavam nas roupas de Jesus lançando sorteios. Este foi um cumprimento surpreendente de uma profecia do Antigo Testamento (Salmo 22:18).
  • Brincadeiras e Insultos: Jesus enfrentou tanta maldade e zombaria de todos os tipos de pessoas: Os chefes dos sacerdotes, os mestres religiosos, os anciãos e até mesmo um dos criminosos que estavam pendurados ao seu lado.3 Eles o desafiaram, dizendo-lhe que, se ele fosse realmente o Filho de Deus ou o Rei de Israel, ele deveria salvar-se a si mesmo.
  • As Sete Últimas Palavras de Jesus da Cruz: Mesmo nesta dor, Jesus pronunciou palavras cheias de sentido e graça:
  • «Pai, perdoa-lhes, porque não sabem o que fazem» (Lucas 23:34).3 Que amor maravilhoso!
  • Para o ladrão que creu: «Em verdade vos digo que hoje estareis comigo no paraíso» (Lucas 23:43).
  • À sua preciosa mãe, Maria, e ao seu querido discípulo João: «Mulher, aqui está o teu filho» e João, «Aqui está a tua mãe» (João 19:26-27).3 Ele cuidava deles.
  • «Eloi, Eloi, lema sabachthani?» (que significa «Meu Deus, meu Deus, por que me abandonaste?») (Mateus 27:46; Marcos 15:34).3 Este é o início do Salmo 22, um salmo que fala de sofrimento profundo, mas também de vitória final.
  • «Tenho sede» (João 19:28).3
  • «Está consumado» (João 19:30).3 A sua missão foi cumprida!
  • «Pai, nas tuas mãos entrego o meu espírito» (Lucas 23:46).3
  • Escuridão sobre a terra (meio-dia às 15:00): Uma escuridão profunda e invulgar abateu-se sobre toda a terra desde a sexta hora (ou seja, cerca do meio-dia) até à nona hora (cerca das 15h00).3
  • A morte de Jesus (por volta das 15h): Depois de clamar em alta voz, Jesus «entregou o seu espírito».3
  • Acontecimentos sobrenaturais durante a sua morte: Os Evangelhos, especialmente Mateus, nos contam coisas incríveis que aconteceram quando Ele morreu: A enorme cortina do templo foi rasgada em dois de cima para baixo, a terra tremeu, as rochas se separaram e os túmulos se abriram.
  • A Confissão do Centurião: Um centurião romano, um soldado que viu todas estas coisas e como Jesus morreu, declarou: «Certamente este homem era o Filho de Deus!» (Mateus 27:54; Marcos 15:39) ou «Certamente este era um homem justo» (Lucas 23:47).3 Mesmo ele reconheceu algo extraordinário!

Estes acontecimentos, todos escritos para nós, mostram que o sofrimento de Jesus não foi aleatório ou sem significado. Os escritores do Evangelho queriam que o víssemos cumprir o plano de Deus, mostrar o seu amor e perdão divinos e manter-se ligado ao seu Pai, mesmo nessa terrível dor. Para cada leitor cristão, esta história destaca o seu poder e a natureza proposital e amorosa do seu sacrifício.

Como as antigas formas judaicas e romanas de contar o tempo afetaram os relatos da crucificação do Evangelho?

Para compreender verdadeiramente as referências temporais nas histórias da crucificação de Jesus, ajuda saber um pouco sobre como as pessoas contavam o tempo na época nas culturas judaica e romana. Os seus modos eram diferentes dos nossos relógios super-precisos de hoje, e até diferentes uns dos outros. Por vezes, se não compreendermos estas diferenças, pode parecer um pouco confuso.5 Mas quando aprendemos sobre elas, a cronologia da Bíblia torna-se mais clara e podemos ver como os escritores do Evangelho falavam com as pessoas no seu próprio tempo e cultura.

Calendário judaico

Na Judeia, no primeiro século, as pessoas começavam normalmente o seu dia quando o sol se levantava, que era por volta das 6h00 da manhã5. Depois contavam as horas a partir desse ponto.

  • Por conseguinte, a «primeira hora» seria por volta das 7 horas da manhã.
  • A "terceira hora" de que os Evangelhos falam (como em Marcos 15:25) seria por volta das 9:00 da manhã.
  • A "sexta hora" (mencionada em Mateus 27:45; Marcos 15:33; Lucas 23:44) seria por volta das 12:00 (meio-dia).5
  • E a "nona hora" (como em Mateus 27:46; Marcos 15:34; Lucas 23:44) seria por volta das 3:00 p.m.5 Esta forma de contar as horas desde o nascer do sol é geralmente o que acreditamos que Mateus, Marcos e Lucas usaram quando escreveram sobre a crucificação.5

Calendário romano

Os romanos tinham um sistema que, especialmente para coisas oficiais como leis, muitas vezes começava o dia à meia-noite, tal como fazemos hoje.5 Isto é por vezes chamado de "tempo civil romano".

  • Com este sistema, a «primeira hora» após a meia-noite seria à 1 hora da manhã.
  • A «sexta hora» após a meia-noite seria às 6h10. Alguns estudiosos inteligentes pensam que o Evangelho de João, que foi escrito sabendo que as pessoas em todo o mundo grego e romano o leriam, poderia ter utilizado esta forma romana de contar o tempo. Isto é especialmente pensado para João 19:14, que diz que foi "cerca da sexta hora" quando Pilatos mostrou Jesus à multidão para o julgamento final.6

Natureza aproximada da cronometragem antiga

É também muito importante recordar que contar o tempo nessa altura não era tão exato como os nossos relógios digitais de hoje. Quando diziam «uma hora», era muitas vezes uma estimativa, uma ideia geral.5 As pessoas usavam coisas como a posição do sol ou relógios de sol, o que lhes dava um calendário geral, não uma precisão precisa.10 Assim, quando vemos frases como «cerca da sexta hora» (João 19:14), dizem-nos que estavam a dar uma aproximação.10 Isto significa que pequenas diferenças nos tempos mencionados podem não ser contradições em absoluto, mas apenas formas diferentes de estimar o mesmo período geral.

A forma como um autor escolheu mencionar o tempo também pode mostrar com quem estava a falar ou o que queria enfatizar. Por exemplo, se João usasse o tempo romano para o julgamento de Pilatos, poderia destacar o processo jurídico romano oficial. Mas Mark usar o tempo judaico para a crucificação em si faria mais sentido para uma audiência judaica. Faz tudo parte da sabedoria de Deus na forma como a Sua Palavra nos foi dada!

Por que os Evangelhos parecem dar tempos diferentes para quando Jesus foi crucificado?

Um dos detalhes que as pessoas têm falado muito é como o Evangelho de Marcos e o Evangelho de João parecem dar tempos diferentes para quando Jesus foi crucificado. Marcos 15:25 diz-nos: «Era a terceira hora em que o crucificaram.» Se usarmos o tempo judaico, são 9:00 da manhã.6 Mas então, João 19:14, quando Pilatos apresenta Jesus à multidão pouco antes de ser levado para ser crucificado, diz: «Era o dia da preparação para a Páscoa; Era por volta da sexta hora.» Se João usasse o tempo judaico aqui, esta «sexta hora» seria o meio-dia. Isso significaria que a sentença aconteceu durante três horas. depois Marcos diz que a crucificação começou! 5 Tal conduziu a um grande debate entre académicos e pessoas de fé ao longo da história, uma vez que estes queriam compreender como é que estes relatos se encaixam perfeitamente, porque acreditamos na verdade da Palavra de Deus.11

E adivinhem o quê? Há algumas explicações muito boas que mostram que estas passagens não estão de todo em desacordo e que, na verdade, nos dão diferentes partes da mesma história surpreendente:

  • João usou o tempo romano: Esta é a explicação que muitas pessoas sábias concordam. Acreditam que João, em 19:14, estava a utilizar o tempo civil romano, que contava horas a partir da meia-noite.5 Se for esse o caso, a «cerca da sexta hora» de João significaria cerca das 6 horas da manhã. Este momento encaixa-se tão bem com tudo o resto que aconteceu: O julgamento de Jesus antes de Pilatos terminou por volta das 6 horas da manhã e, em seguida, foi açoitado, ridicularizado e levado para o Gólgota. Todos os preparativos e o ato de crucificação levariam então até cerca das 9 horas da manhã, que é a «terceira hora» (hora judaica) de que Mark fala.10 Portanto, estão a descrever diferentes momentos dessa manhã, não discordando sobre o mesmo.10
  • Eventos diferentes a serem cronometrados: Isto é muito semelhante ao ponto acima. Marcos pode estar a falar do momento exacto em que o acto físico da crucificação - o prego na cruz - começou às 9:00 da manhã, enquanto João aponta para o momento anterior em que Pilatos fez o seu julgamento final e condenou Jesus.10
  • Linguagem aproximada e cronometragem antiga: Lembram-se de como dissemos que «cerca da sexta hora» em João já nos diz que é uma estimativa? 10 Uma vez que as referências dos tempos antigos eram frequentemente arredondadas, alguns estudiosos, como um homem inteligente chamado D.A. Carson, salientaram que, se algo acontecesse a meio da manhã (por exemplo, por volta das 10h00 ou das 10h30), uma pessoa poderia arredondar para a «terceira hora» (o bloco de tempo das 9h00), enquanto outra poderia arredondar para a «sexta hora» (o bloco do meio-dia), especialmente se dissesse «cerca de».5 Esta ideia sugere que, mesmo que ambos utilizassem o tempo judaico, a forma como estimavam poderia explicar a diferença.
  • A «terceira hora» de Mark como uma declaração sumária: Alguns estudiosos pensam que a "terceira hora" de Marcos pode ser uma forma de resumir todo o processo de crucificação, que poderia ter incluído a condenação anterior por Pilatos ou a caminhada até ao Gólgota.11

Não é maravilhoso como a Palavra de Deus pode ser compreendida tão harmoniosamente? O esforço para ver como estes relatos se encaixam mostra uma crença de longa data na consistência dos Evangelhos. Compreender estas explicações pode tornar a sua fé ainda mais forte, mostrando que o que pode parecer uma discrepância muitas vezes tem uma resposta histórica e textual perfeitamente razoável. Recorda-nos igualmente que os escritores dos Evangelhos não se limitaram a escrever factos; foram autores inspirados que fizeram escolhas cuidadosas, talvez para se adequarem a diferentes públicos ou para destacarem diferentes e belos aspetos do sofrimento e do amor de Jesus.

Para ajudar a clarificar ainda mais a forma como estes prazos podem funcionar em conjunto, segue-se um pequeno quadro que mostra uma possível ordem de eventos:

Quadro: Cronologia Harmonizada da Manhã da Crucificação de Jesus

Evento Referência(s) do Evangelho Tempo romano (joão) Tempo Judaico (Sinópticos) Equivalente a tempo moderno
O Julgamento de Jesus Conclui/Sentencia-se por Pilatos João 19:14 «Acerca da 6.a hora» 6:00 da manhã
Jesus afastou-se do Calvário Mateus 27:31, Marcos 15:20 Depois das 6:00 da manhã.
Jesus Pregado na Cruz Marcos 15:25 «A terceira hora» ~9:00 da manhã
A escuridão começa Mateus 27:45, Marcos 15:33, Lucas 23:44 «Sexta hora» 12h00 (meio-dia)
Jesus morre Mateus 27:46-50, Marcos 15:34-37, Lucas 23:44-46 «Nona hora» ~3:00 p.m.

Esta forma de olhar para ele sugere que João está falando sobre a sentença de Pilatos por volta das 6:00 da manhã (usando o tempo romano), e Marcos está falando sobre a crucificação real começando por volta das 9:00 da manhã (usando o tempo judaico). Tudo se encaixa lindamente!

Qual é o significado espiritual para os cristãos das horas que Jesus passou na cruz?

As horas que Jesus passou na cruz estão cheias de profundo significado espiritual para cada cristão. São o próprio fundamento da nossa fé e a forma como compreendemos o incrível plano de salvação de Deus. Desta vez não foi apenas algo que aconteceu na história; Foi um acto divino com efeitos que duram para sempre.

  • Redenção e Expiação pelo Pecado: O significado espiritual mais central é que o sofrimento e a morte de Jesus foram o sacrifício último e perfeito por todo o pecado humano. Ele tomou sobre si o castigo que todos merecemos. Ao fazê-lo, Ele corrigiu as coisas (expiação) pelo pecado e trouxe a humanidade de volta a uma relação correta com Deus.8 Essas seis horas foram o momento em que Ele "morreu para reverter o efeito do pecado sobre toda a criação" e "para salvar a humanidade".17 Ele fez isso por vós!
  • Demonstração do amor insondável de Deus: O facto de Jesus, Deus Filho, estar disposto a passar por tanta dor e vergonha durante essas seis horas é a maior prova do incrível e ilimitado amor de Deus por um mundo que se tinha afastado Dele.8
  • A vitória sobre o pecado, a morte e Satanás: Através da sua morte sacrificial na cruz, compreendemos que Jesus conquistou o poder do pecado, o medo da morte e a influência de Satanás.20 A sua morte não foi uma perda; Foi uma vitória poderosa que desarmou as forças espirituais inimigas e recuperou tudo o que estava perdido quando Adão pecou pela primeira vez.
  • Simbolismo do Número Seis: Algumas ideias teológicas maravilhosas encontram significado mesmo no número seis em si. Assim como Deus criou os céus e a terra em seis dias, as seis horas de Jesus na cruz são vistas como a sua obra de fazer uma nova criação, redimir a antiga que foi estragada pelo pecado. E desde que a humanidade foi criada no sexto dia, essas seis horas enfatizam que Cristo morreu especificamente pelas pessoas, por vós e por mim.17
  • Símbolo das Três Horas de Luz e das Três Horas de Escuridão: Mesmo a forma como estas seis horas foram divididas tem importância simbólica 17:
  • As primeiras três horas (cerca de 9:00 da manhã ao meio-dia), à luz do dia: Estas horas são vistas como uma "Testemunha Perfeita" de Cristo como o Cordeiro puro e sem pecado de Deus. Assim como um sacrifício tinha de ser verificado e encontrado perfeito, estas horas à luz mostraram a santidade de Cristo antes de Ele assumir o pecado do mundo.17
  • As últimas três horas (cerca do meio-dia às 15:00), na escuridão sobrenatural: Desta vez é entendida como uma "Testemunha Perfeita" de Cristo a ser julgado pelos pecados de todo o mundo. As trevas representavam o juízo de Deus sobre o pecado, que Jesus tomou sobre Si por nós.17
  • Cumprimento do Plano Soberano de Deus: O tempo e a forma como Jesus morreu não são vistos como acidentes. Todos eles faziam parte do plano cuidadoso e intencional de Deus para a salvação, que acontece exatamente no «momento certo» e da «forma correta».17 Deus está sempre no controlo!
  • Jesus como o último Cordeiro da Páscoa: A morte de Jesus, especialmente por volta da festa da Páscoa e ao mesmo tempo que o sacrifício diário da tarde no Templo (a nona hora, ou 15h00), lembra-nos poderosamente que Ele é o verdadeiro Cordeiro da Páscoa, cujo sacrifício tira o pecado do mundo.2

Estes maravilhosos entendimentos teológicos mostram-nos quanto esforço foi feito para encontrar o propósito e o simbolismo divinos de Deus em todos os pormenores do sofrimento de Jesus. Transforma factos simples sobre o tempo em ricas lições espirituais, encorajando-nos como crentes a ver a mão amorosa de Deus não apenas no quadro geral da salvação em todos os detalhes intrincados do sofrimento de Cristo. Isto torna a história da crucificação ainda mais significativa e pessoal para cada um de nós.

O que os primeiros Padres da Igreja ensinaram sobre quanto tempo Jesus esteve na cruz e o momento da sua morte?

Os primeiros Padres da Igreja - os sábios teólogos e escritores nos primeiros séculos depois de Cristo - passaram muito tempo a pensar e a escrever sobre os acontecimentos da crucificação, inclusive quando tudo aconteceu. Os seus ensinamentos sublinhavam muitas vezes o profundo significado teológico daqueles momentos-chave e defendiam também a verdade e a coerência das histórias evangélicas.

  • Ênfase na Escuridão Milagrosa: Um grande tema nos seus escritos foi a natureza sobrenatural daquela escuridão de três horas que aconteceu da sexta à nona hora (meio-dia às 15 horas). Acreditavam amplamente que este não era apenas um evento meteorológico, um verdadeiro sinal de Deus.3
  • João Crisóstomo (que viveu entre 347 e 407 d.C.), em um de seus famosos sermões (Homilia 88 sobre Mateus), argumentou muito fortemente que a escuridão não era um eclipse solar. Salientou que um eclipse não duraria três horas e não poderia acontecer durante uma lua cheia (que é quando ocorre a Páscoa). Em vez disso, Crisóstomo viu a escuridão como Deus mostrando sua ira com o terrível crime de crucificar Jesus. Ele acreditava que era um sinal destinado a fazer as pessoas se arrependerem e um sinal de problemas futuros.
  • Reconciliação dos Cronologias do Evangelho: Essa diferença aparente entre Marcos dizer que a crucificação foi à «terceira hora» (9h00) (Marcos 15h25) e João dizer que era «cerca da sexta hora» para o julgamento de Pilatos (João 19:14) era algo que conheciam e discutiam11.
  • Agostinho de Hipona (que viveu de 354 a 430 d.C.), no seu importante trabalho denominado Harmonia dos Evangelhos, Falou-se muito sobre isto. Pensou em diferentes possibilidades. Uma ideia era que a «terceira hora» de Marcos poderia referir-se ao momento em que os líderes judeus gritavam para que Jesus fosse crucificado, o que enfatizaria a sua responsabilidade. Em seguida, o prego real na cruz pelos soldados poderia ter acontecido mais tarde, talvez alinhando-se com a «sexta hora» de João, se essa fosse a hora judaica para a própria crucificação. Agostinho também considerou que João podia ter usado o tempo romano (6:00 da manhã) para a sentença.11 Seu principal objetivo era mostrar que as histórias do Evangelho eram consistentes e completamente verdadeiras.
  • A importância da morte da nona hora: O facto de Jesus ter morrido à hora nona (3:00 p.m.) foi algo que eles consistentemente notaram, e muitas vezes ligaram-no à sua importância espiritual.
  • Epifânio de Salamina (que viveu por volta de 310/320-403 d.C.) Mencionou que quarta e sexta-feira eram dias em que as pessoas jejuavam até à nona hora. Conectou o jejum de sexta-feira especificamente ao momento da morte de Cristo na cruz.23 Isto mostra que havia uma ligação espiritual e adorável a esta hora específica.
  • Vistas no Dia da Crucificação: Enquanto a maioria das pessoas acreditava que a crucificação aconteceu numa sexta-feira, alguns dos primeiros escritos cristãos exploraram ou mencionaram outras ideias, como uma crucificação no meio da semana (quarta-feira). Fizeram-no tentando corresponder perfeitamente à profecia dos «três dias e três noites» (Mateus 12:40).23 Mas estas não eram as opiniões mais comuns. Epifânio, por exemplo, associou quarta-feira à prisão de Cristo e sexta-feira à sua crucificação.23
  • A Natureza do Sofrimento da Crucificação: Embora não possamos ver tantas falhas simbólicas detalhadas de todo o período de seis horas nos escritos dos primeiros Padres (como algumas interpretações modernas fazem), eles enfatizaram o quão terrivelmente Cristo sofreu.
  • Agostinho descreveu a crucificação como um método concebido para causar a maior dor e fazer a morte durar o maior tempo possível. Isto realmente destacou a experiência angustiante que Cristo passou por toda a humanidade.24

Os Padres da Igreja concentraram-se principalmente na confirmação do poder divino em ação na crucificação (que a escuridão milagrosa mostrou), no cumprimento do plano perfeito de Deus (visto no momento da Sua morte) e na veracidade e fiabilidade globais dos relatos evangélicos. Quando falaram sobre «quanto tempo» Jesus esteve na cruz, foi muitas vezes com estes objetivos amorosos, pastorais e de defesa da fé em mente. Concentraram-se no significado teológico dos principais eventos relatados, em vez de apenas uma linha de tempo minuto a minuto para seu próprio bem. Queriam que víssemos Deus em tudo!

Por que Jesus morreu em cerca de seis horas, quando a crucificação muitas vezes podia durar muito mais tempo?

A crucificação era uma forma incrivelmente cruel de executar alguém, e as vítimas às vezes podiam sofrer por dias antes de finalmente passarem por exaustão, desidratação, incapacidade de respirar ou choque.2 Assim, o facto de Jesus ter morrido em cerca de seis horas foi realmente bastante rápido em comparação com muitos outros que foram crucificados. Isso fez as pessoas se perguntarem por que a morte dele veio mais cedo. Quando olhamos para os Evangelhos e o que sabemos sobre a história, parece ser uma combinação de razões:

  • A gravidade do trauma pré-crucifixão: A maior razão física para Jesus morrer relativamente rápido foi o sofrimento extremo por que passou. antes Foi até pregado na cruz.3
  • Pontuação: Jesus foi submetido a uma brutal flagelação romana, que era uma terrível flagelação.3 Esta punição envolvia ser chicoteado com algo chamado flagrum, que muitas vezes tinha pedaços de osso ou metal amarrados a suas tiras de couro. A flagelação rasgaria a carne de uma pessoa, causaria uma perda maciça de sangue, enviá-la-ia para o choque e poderia até ser fatal por si só ou levar alguém muito perto da morte.9 Uma fonte diz mesmo que foi «encurralado até um centímetro da sua vida».9
  • Batidas e Abusos: Durante seus julgamentos perante os líderes judeus e os soldados romanos, Jesus foi repetidamente espancado, atingido e ridicularizado.
  • Exaustão e sofrimento emocional: Naquela noite incluiu Sua agonia no Jardim do Getsêmani, Sua prisão, ser questionado várias vezes, não ter sono e carregar o peso emocional de ser traído e abandonado.12 A descrição Dele suando sangue (hematidrose) no Getsêmani mostra que Ele estava sob extremo estresse físico mesmo antes de Sua prisão.12 Todas essas coisas O teriam deixado incrivelmente enfraquecido e em estado de grave choque físico no momento em que Ele chegou até o Gólgota. Marcos 15:44 até nos diz que Pilatos ficou surpreendido por Jesus ter morrido tão cedo.14
  • A perspetiva teológica: Jesus Voluntariamente Entregou o seu Espírito: Para além das razões físicas, os Evangelhos mostram-nos que a morte de Jesus foi um ato da sua própria vontade. Ele estava no controlo.
  • João 10:17-18 registra Jesus dizendo: «Ninguém o aceita minha vida De mim o deixo por minha própria vontade...fonte(https://onegoodport.blogspot.com/2019/04/like-flint.html) a deitá-la e a autoridade para a retomar.» Ele escolheu isto para nós!
  • Os relatos evangélicos descrevem-no clamando em alta voz e depois «desistindo do seu espírito» (Mateus 27:50; Marcos 15:37; Lucas 23:46) ou «queimando-lhe a cabeça e abandonando-lhe o espírito» (João 19:30).2 Esta linguagem diz-nos que foi uma libertação consciente e voluntária da sua vida, e não apenas o seu corpo que abandonou a dor. Como diz belamente uma análise, «a vida de Jesus não foi tirada; foi dado”.2
  • Outra forma de o ver é que morreu de «coração partido», esmagado pela angústia mental e pelo pesado peso do pecado do mundo25. Esta visão salienta igualmente que a razão última da sua morte foi mais do que apenas física.
  • Confirmação da morte: O facto de os soldados romanos não terem de partir as pernas de Jesus (que era uma prática chamada crurifragium, feito para fazer as vítimas morrerem mais rápido, tornando-lhes impossível empurrar para cima para respirar) também mostra que Ele já tinha ido.3 Em vez disso, um soldado perfurou seu lado com uma lança, e o sangue e a água fluíram (João 19:33-34), o que foi visto como um sinal claro de morte.3

Assim, podemos compreender a morte relativamente rápida de Jesus de duas formas. A sua humanidade significou que sentiu todos os efeitos físicos devastadores da tortura que sofreu. Mas a sua divindade significava que Ele mantinha o controlo mesmo na morte, entregando a sua vida para completar a sua missão por nós. Para os crentes, isto confirma tanto o seu sofrimento humano partilhado como o seu poder e controlo divinos. Faz do seu sacrifício algo com que podemos relacionar-nos em nossa própria dor e algo singularmente poderoso e autoritário. Ele fez tudo por ti!

Conclusão: Mais do que horas

Quando olhamos para os relatos do Evangelho, eles nos dizem que Jesus Cristo esteve fisicamente naquela cruz por cerca de seis horas. Foram das 9h00 da manhã (a chamada «terceira hora») às 15h00 da tarde (a «nona hora»). Aquelas horas estavam cheias de dor física inimaginável, profundo sofrimento emocional e até mesmo sinais cósmicos como a escuridão sobrenatural que cobria a terra.

Mas, se nos concentrássemos apenas na duração em termos de minutos e horas, perderíamos a importância eterna e o peso incrível desses momentos. O sofrimento por que Jesus passou começou muito antes de ser pregado naquela cruz de madeira, e tornou-se ainda mais intenso pelo fardo espiritual que carregava - o pecado de toda a humanidade - para ti e para mim. Os primeiros Padres da Igreja, esses sábios líderes da fé, Embora tenham falado sobre a linha do tempo e como os diferentes relatos se encaixam, sempre apontaram para o significado divino entrelaçado nestes eventos — o julgamento de Deus sobre o pecado, o seu poderoso poder e o cumprimento de antigas profecias.

Para nós, cristãos, estas seis horas são muito mais do que apenas uma nota em um livro de história. Representam o clímax do incrível plano de Deus para nos redimir, a expressão final do seu incrível amor e o precioso preço que pagou pela nossa salvação. Entende-se que os acontecimentos da cruz, embora tenham acontecido num momento e num lugar específicos, têm efeitos que duram para sempre, para além do próprio tempo.20 Compreender a linha do tempo, como eles contaram o tempo na época, a ordem dos acontecimentos e até mesmo por que a morte de Jesus veio relativamente rapidamente, pode todos aprofundar o nosso apreço pelo quão enorme foi o Seu sacrifício. Estas horas, exigem mais do que apenas saber sobre elas; convidam-nos a refletir, a ser gratos, a adorar e a viver uma vida completamente transformada pelo incrível amor que Ele demonstrou na cruz do Calvário.

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