Qual é a maneira correta e digna de Deus de pensar acerca do sexo?




  • O sexo é um belo presente de Deus destinado a unir-se e procriar dentro do casamento, celebrado na Bíblia (Gênesis 1:27-28, 1 Coríntios 7:3-5).
  • Os casais devem nutrir uma relação sexual saudável com amor, comunicação e cuidado mútuo, respeitando os seus corpos como dons de Deus.
  • A pureza sexual antes do casamento envolve reconhecer nossos corpos como templos do Espírito Santo, estabelecer limites e preparar-se para a intimidade conjugal.
  • Os cristãos devem ver e enfrentar a tentação sexual, procurando a ajuda de Deus, evitando situações de risco e promovendo um amor mais profundo por Deus e pela dignidade humana.

O que a Bíblia ensina sobre o desígnio e a finalidade de Deus para o sexo?

As Sagradas Escrituras revelam-nos que a sexualidade é um belo dom do nosso Criador, destinado a ser uma poderosa expressão de amor e unidade entre marido e mulher. No livro do Génesis, lemos que Deus criou o homem e a mulher à sua imagem, abençoando-os e ordenando-lhes que «sejam fecundos e se multipliquem» (Génesis 1:27-28). Isto ensina-nos que o sexo tem propósitos unitivos e procriativos dentro do casamento.

O Cântico dos Cânticos celebra a alegria e a beleza da intimidade conjugal, mostrando-nos que o prazer sexual no casamento é bom e santo aos olhos de Deus. O apóstolo Paulo nos instrui ainda mais que os esposos não devem privar-se uns aos outros, mas sim reunir-se regularmente para evitar a tentação (1 Coríntios 7:3-5). Isto revela que o sexo é destinado a fortalecer o vínculo conjugal e proporcionar conforto e satisfação mútua.

Mas também devemos reconhecer que a nossa sexualidade, como todos os aspectos da natureza humana, foi afetada pelo pecado. A Bíblia ensina consistentemente que a atividade sexual fora do pacto matrimonial entre um homem e uma mulher fica aquém do ideal de Deus (1 Coríntios 6:18-20, Hebreus 13:4). Isto não é para condenar, mas para nos proteger e nos guiar para a plenitude da vida que Deus pretende.

A Bíblia apresenta o sexo como um mistério santo que reflete o amor íntimo e abnegado entre Cristo e sua Igreja (Efésios 5:31-32). Destina-se a ser uma fonte de alegria, conforto e fecundidade dentro do vínculo sagrado do casamento, respeitando sempre a dignidade de cada pessoa tal como é feita à imagem de Deus.

Como os casais podem cultivar uma relação sexual saudável e que honre a Deus?

Uma relação sexual que honra a Deus dentro do casamento é construída sobre um alicerce de amor, respeito e doação mútua. Requer comunicação aberta, paciência e uma vontade de crescer juntos na intimidade, tanto emocional como física.

Os casais devem reconhecer que sua sexualidade é um dom de Deus para ser acarinhado e nutrido. Devem aproximar-se da sua vida íntima com gratidão e reverência, vendo-a como uma oportunidade para aprofundar os seus laços e refletir o amor de Deus pelo seu povo.

A comunicação é essencial para cultivar uma relação sexual saudável. Os cônjuges devem sentir-se à vontade para discutir suas necessidades, desejos e preocupações uns com os outros em um espírito de amor e compreensão. Isto pode exigir a superação de sentimentos de vergonha ou constrangimento, reconhecer que Deus criou nossos corpos e desejos como bons.

Os casais também devem priorizar a intimidade não sexual, nutrindo a proximidade emocional e espiritual através de atividades compartilhadas, conversas significativas e oração em conjunto. Isso cria uma base sólida para a intimidade física florescer.

É importante que os cônjuges estejam atentos e respondam às necessidades uns dos outros, praticando o altruísmo e a generosidade na sua vida íntima. Como ensina São Paulo, «o marido deve cumprir o seu dever conjugal para com a mulher, e também a mulher para com o marido» (1 Coríntios 7:3).

Os casais devem também esforçar-se por manter a pureza no seu casamento, evitando a pornografia ou outras influências que possam distorcer o desígnio de Deus para a sexualidade. Em vez disso, devem concentrar-se em cultivar o desejo um pelo outro e encontrar alegria em sua união exclusiva.

Finalmente, os casais devem lembrar-se de que a sua relação sexual, como todos os aspectos do seu casamento, é um caminho de crescimento e aprendizagem. Devem ser pacientes uns com os outros, perdoar as imperfeições e procurar sempre crescer no amor e na compreensão.

Ao aproximar-se de sua relação sexual com reverência, comunicação, altruísmo e compromisso com o crescimento, os casais podem cultivar uma vida íntima saudável e que honra a Deus, que fortalece seu vínculo e traz glória ao seu Criador.

Quais são as diretrizes bíblicas para a pureza sexual antes do casamento?

Meus amados filhos e filhas, o apelo à pureza sexual antes do casamento é um convite desafiador, mas belo, para nos prepararmos para o dom sagrado da intimidade conjugal. As Escrituras nos fornecem orientação para ajudar-nos a honrar a Deus e nossos futuros esposos com nossos corpos e corações.

Somos chamados a reconhecer nossos corpos como templos do Espírito Santo (1 Coríntios 6:19-20). Esta verdade poderosa deve inspirar-nos a tratar a nossa sexualidade com reverência e respeito, evitando quaisquer ações que desonrem a habitação de Deus dentro de nós.

A Bíblia ensina consistentemente que a intimidade sexual é reservada para o pacto do casamento. Como escreve São Paulo: «É da vontade de Deus que sejais santificados: para que eviteis a imoralidade sexual" (1 Tessalonicenses 4:3). Isso inclui não apenas atos físicos, mas também pensamentos e atitudes luxuriosos que objetivam os outros ou tratam a sexualidade casualmente.

Mas temos de encarar este ensino não como um fardo, mas como uma oportunidade para crescer no autocontrolo, no respeito pelos outros e na confiança no plano de Deus para as nossas vidas. Praticando a castidade antes do casamento, preparamo-nos para dar o dom de nós mesmos ao nosso futuro cônjuge.

As Escrituras também nos encorajam a guardar nossos corações e mentes. Como Provérbios 4:23 afirma: «Acima de tudo, guarda o teu coração, pois tudo o que fazes flui dele.» Isto implica estar atento aos meios de comunicação social que consumimos, à empresa que mantemos e aos pensamentos que entretemos.

Para aqueles em relacionamentos de namoro, é importante estabelecer limites claros e apoiar uns aos outros na manutenção da pureza. Isso pode envolver limitar o afeto físico, evitar situações que podem levar à tentação e concentrar-se na construção de intimidade emocional e espiritual.

Devemos também lembrar que a pureza não é meramente abster-se de certas ações, mas cultivar uma visão positiva da sexualidade como um dom de Deus. Tal implica educar-nos sobre o desígnio de Deus para o sexo e o casamento e desenvolver uma atitude saudável e respeitosa para com o nosso próprio corpo e o dos outros.

Por último, para aqueles que ficaram aquém do ideal de Deus, devemos recordar que há sempre esperança e perdão em Cristo. A Igreja está pronta para oferecer apoio, orientação e a graça curativa dos sacramentos a todos os que procuram abraçar uma vida de pureza.

Seguindo estas diretrizes bíblicas com humildade e graça, podemos honrar a Deus com nossa sexualidade antes do casamento, preparando-nos para o belo dom da intimidade conjugal em seu momento perfeito.

Como os cristãos devem encarar e enfrentar a tentação sexual?

A tentação sexual é uma realidade que muitos enfrentam em nosso mundo caído. No entanto, como seguidores de Cristo, somos chamados a ver estas lutas não como obstáculos intransponíveis, mas como oportunidades para crescer em virtude e dependência da graça de Deus.

Devemos reconhecer que experimentar a tentação não é em si mesmo pecaminoso. Até mesmo nosso Senhor Jesus foi tentado, mas sem pecado (Hebreus 4:15). O que importa é a forma como respondemos a estas tentações. Como escreve São Tiago, «Bem-aventurado aquele que persevera na provação, porque, tendo resistido à prova, receberá a coroa da vida que o Senhor prometeu aos que o amam» (Tiago 1:12).

Quando enfrentamos a tentação sexual, devemos primeiro recorrer à oração, procurando a força e a orientação de Deus. Como nosso Senhor nos ensinou, devemos orar: "Não nos deixeis cair em tentação, mas livrai-nos do mal" (Mateus 6:13). Este humilde reconhecimento da nossa necessidade da ajuda de Deus é o fundamento da nossa resistência à tentação.

Devemos também ser proativos em evitar situações que sabemos que podem levar à tentação. Como São Paulo aconselha, "Fugi da imoralidade sexual" (1 Coríntios 6:18). Isso pode envolver estar atento aos meios de comunicação que consumimos, aos locais onde vamos e à empresa que mantemos. Requer sabedoria e autoconsciência para reconhecer nossas próprias vulnerabilidades e tomar medidas para proteger-nos.

Mas não devemos ver esta luta como uma mera questão de força de vontade. Pelo contrário, somos chamados a cultivar um amor mais profundo por Deus e um maior apreço pela dignidade da sexualidade humana. À medida que crescemos em nossa relação com Cristo e nossa compreensão de Seu desígnio para o sexo, tornamo-nos mais motivados a resistir à tentação por amor do que por medo.

Também é fundamental procurar o apoio da comunidade cristã. Não estamos destinados a enfrentar estas lutas sozinhos. Confiar-se em amigos de confiança, mentores ou diretores espirituais pode fornecer responsabilidade, encorajamento e conselhos sábios. O sacramento da Reconciliação é também uma poderosa fonte de graça e de cura para os que caíram no pecado.

Para aqueles que lutam com tentações ou dependências persistentes, a ajuda profissional pode ser necessária. Não há vergonha em procurar aconselhamento ou juntar-se a grupos de apoio para abordar essas questões. A Igreja deve ser um local de compaixão e apoio para aqueles que enfrentam tais lutas.

Finalmente, devemos lembrar-nos de que a nossa identidade não é definida pelas nossas tentações ou mesmo pelos nossos fracassos, mas pelo nosso estatuto de filhos amados de Deus. Quando caímos, devemos voltar-nos rapidamente para o nosso Pai misericordioso, confiando em seu perdão e graça para começar de novo.

Ao ver a tentação sexual através da lente do amor e da graça de Deus, e ao procurar ativamente a Sua ajuda e o apoio da nossa comunidade cristã, podemos crescer em santidade e liberdade, tornando-nos mais plenamente o povo que Deus nos criou para ser.

O que as Escrituras dizem sobre atração e relações entre pessoas do mesmo sexo?

O tema da atração e das relações entre pessoas do mesmo sexo requer grande sensibilidade, compaixão e fidelidade aos ensinamentos das Escrituras e da Igreja. Temos de abordar esta questão com humildade, reconhecendo a complexidade da sexualidade humana e as emoções profundas envolvidas, mantendo simultaneamente a verdade revelada na Palavra de Deus.

A Bíblia apresenta consistentemente o desígnio de Deus para as relações sexuais como sendo entre um homem e uma mulher no âmbito do pacto matrimonial. Em Génesis, lemos que Deus criou o homem como homem e mulher, abençoando a sua união (Génesis 1:27-28, 2:24). Esta complementaridade é afirmada em toda a Escritura e é vista como um reflexo da relação de Cristo com a Igreja (Efésios 5:31-32).

Embora a Bíblia não aborde extensivamente a atração pelo mesmo sexo em si, ela fala claramente sobre o comportamento sexual do mesmo sexo. Tanto o Antigo como o Novo Testamento apresentam comportamentos como ficar aquém do ideal de Deus para a sexualidade humana (Levítico 18:22, Romanos 1:26-27, 1 Coríntios 6:9-10). É importante notar, mas que estas passagens não identificam o comportamento do mesmo sexo como exclusivamente pecaminoso, mas antes o enumeram entre vários pecados sexuais e relacionais que se desviam do desígnio de Deus.

Ao mesmo tempo, devemos lembrar que todas as pessoas, independentemente da orientação sexual, são criadas à imagem de Deus e possuem dignidade e valor inerentes. A Igreja é chamada a acolher e amar todas as pessoas, inclusive aquelas que experimentam a atração pelo mesmo sexo, sem comprometer-se com a verdade bíblica.

Para aqueles que experimentam atração pelo mesmo sexo, o apelo à castidade pode ser particularmente desafiador. No entanto, acreditamos que a graça de Deus é suficiente para todas as lutas (2 Coríntios 12:9). A Igreja deve fornecer apoio compassivo e comunidade para os indivíduos que procuram viver de acordo com o ensino bíblico sobre a sexualidade.

É crucial distinguir entre a atração pelo mesmo sexo, que não é pecaminosa em si, e o comportamento sexual do mesmo sexo. Muitos cristãos fiéis experimentam atração pelo mesmo sexo enquanto escolhem viver uma vida celibatária em obediência às Escrituras. O seu testemunho de fidelidade e auto-sacrifício deve ser honrado e apoiado pela comunidade cristã.

Temos também de nos precaver contra a redução dos indivíduos à sua orientação sexual. Cada pessoa é um ser complexo e multifacetado criado à imagem de Deus, com dons, lutas e chamados únicos. A Igreja deve afirmar a plena humanidade e dignidade de todas as pessoas, apelando amorosamente a todos para que vivam de acordo com o desígnio de Deus para a sexualidade.

Por último, ao abordarmos esta questão, devemos fazê-lo com humildade, reconhecendo que todos ficamos aquém da glória de Deus e necessitamos da sua graça (Romanos 3:23). A nossa resposta deve ser sempre caracterizada pelo amor, pela verdade e pelo desejo de ver todas as pessoas experimentarem a plenitude da vida em Cristo.

Que nós, como Igreja, sejamos um lugar de verdade, amor e cura para todos os que procuram seguir a Cristo, independentemente das lutas particulares que enfrentam. Vamos continuar a orar por sabedoria e compaixão enquanto navegamos nestas questões complexas em nosso mundo moderno.

Como os cristãos podem promover uma visão positiva e bíblica da sexualidade em uma cultura que muitas vezes a distorce?

Em um mundo que muitas vezes não compreende e abusa do dom da sexualidade, somos chamados a ser uma luz. Devemos abordar esta tarefa com grande ternura e amor, recordando que todos nós somos pecadores necessitados da graça de Deus.

Devemos enraizar-nos profundamente nas Escrituras e na rica tradição do ensinamento da Igreja sobre a sexualidade humana. Isto fornece a base para uma compreensão verdadeiramente vivificante da intimidade como Deus a pretendia. Devemos estudar estes ensinamentos não como doutrinas frias, mas como um roteiro para o amor autêntico e o florescimento humano.

Ao mesmo tempo, devemos envolver-nos com a nossa cultura com o coração e a mente abertos. O Papa São João Paulo II recordou-nos que somos chamados a estar «no mundo, mas não do mundo». Isto significa que ouvimos e procuramos compreender as experiências e as perspetivas dos outros, mesmo quando diferem das nossas. Abordamos as conversas sobre sexualidade com humildade, reconhecendo que todos temos muito a aprender.

Ao promover uma visão bíblica da sexualidade, devemos centrar-nos na beleza e na bondade do desígnio de Deus, em vez de nos limitarmos a condenar o que não é suficiente. Podemos falar da poderosa unidade e amor autodoador que a intimidade sexual no casamento pretende expressar. Podemos destacar como isto reflete a própria natureza de Deus e seu amor pela humanidade.

É fundamental que incorporemos esta visão positiva nas nossas próprias vidas e relações. Como disse São Francisco de Assis, «Pregar o Evangelho em todos os momentos e, quando necessário, usar palavras». As nossas ações e a qualidade das nossas relações falarão muito sobre a natureza vivificante da ética sexual cristã.

Por fim, devemos abordar esta tarefa com grande paciência e perseverança. A mudança cultural acontece lentamente, e podemos não ver resultados imediatos. Mas se plantarmos fielmente sementes de verdade e amor, confiando na providência de Deus, podemos ter esperança de que, com o tempo, produzirão frutos (Dinse et al., 2023; Knauss, 2017, pp. 84-104).

Qual é o papel do sexo no casamento cristão além da procriação?

Embora a Igreja sempre tenha afirmado o aspecto procriativo da sexualidade conjugal, não devemos reduzir este dom poderoso a um único propósito. A união íntima de marido e mulher no ato sexual é uma expressão multifacetada de amor, compromisso e doação mútua.

A intimidade sexual no casamento é um símbolo poderoso e a atualização da aliança entre marido e mulher. Assim como Cristo se doa plenamente à Igreja, sua noiva, assim também os esposos são chamados a doar-se plenamente uns aos outros. Este dom total de si, expresso corporalmente no ato sexual, renova e fortalece o vínculo conjugal.

A sexualidade conjugal é uma fonte de alegria, prazer e ligação emocional que Deus pretende que os casais desfrutem. O Cântico dos Cânticos nas Escrituras retrata lindamente o prazer que marido e mulher podem ter um no outro. Este prazer mútuo não é algo de que se envergonhe, mas sim celebrado como parte do bom desígnio de Deus para o casamento.

A intimidade sexual também serve como um meio de comunicação e ligação emocional entre os cônjuges. Pode expressar o amor, o perdão, o conforto e uma infinidade de outras emoções de uma forma única e poderosa. Em tempos de alegria ou tristeza, a intimidade pode aproximar os casais, promover a unidade e a compreensão mútua.

A relação sexual no casamento pode ser uma escola de virtude, que ensina aos esposos a paciência, o autocontrole, a generosidade e a sensibilidade às necessidades do outro. Chama-os para fora do egocentrismo e para uma postura de amor autodoador.

Para os casais incapazes de conceber filhos, é importante afirmar que a sua relação sexual continua a ser boa, santa e propositada, mesmo sem a possibilidade de procriação. O aspecto unitivo da sexualidade conjugal é valioso em si mesmo, não apenas como um meio para um fim.

Por fim, não devemos esquecer a dimensão espiritual da sexualidade conjugal. Quando abordado com reverência e em conformidade com o desígnio de Deus, o ato sexual pode ser uma forma de culto, uma celebração da bondade de Deus e um meio de experimentar o seu amor de uma forma única.

De todas estas maneiras, vemos que o sexo no casamento cristão vai muito além da mera procriação. Trata-se de um dom multifacetado de Deus, concebido para reforçar o vínculo conjugal, trazer alegria e prazer, fomentar a intimidade emocional e espiritual e refletir o próprio amor de Deus (Dinse et al., 2023; Knauss, 2017, pp. 84-104).

Como os cristãos devem abordar temas como masturbação e pornografia?

Devemos abordar estes temas sensíveis com grande cuidado pastoral e compaixão, reconhecendo as lutas que muitos enfrentam nesta área. Ao mesmo tempo, não devemos fugir da verdade do desígnio de Deus para a sexualidade humana.

No que diz respeito à masturbação, a Igreja tem consistentemente ensinado que este ato fica aquém do plano de Deus para a sexualidade humana. O prazer sexual destina-se a ser experimentado no contexto da relação conjugal, como uma expressão de amor e auto-doação entre os cônjuges. A masturbação, por sua natureza, volta a sexualidade para dentro e pode promover uma abordagem egocêntrica ao prazer sexual.

Mas devemos ter cuidado para não amontoar culpa ou vergonha desnecessária sobre aqueles que lutam nesta área. Muitos factores, incluindo necessidades psicológicas e emocionais, podem contribuir para este comportamento. A nossa abordagem deve ser de compreensão e apoio, encorajando o crescimento do autocontrolo e redirecionando a energia sexual para expressões mais vivificantes.

A pornografia apresenta um desafio ainda mais sério, uma vez que objetiva as pessoas humanas, distorce o significado da sexualidade e pode levar à dependência. A disponibilidade generalizada de pornografia na nossa era digital fez desta uma questão difundida que afeta muitos, inclusive dentro da Igreja.

Temos de ter a certeza de que A utilização de pornografia é incompatível com uma compreensão cristã da sexualidade e da dignidade humana. Reduz as pessoas a objetos de prazer e pode prejudicar gravemente a capacidade de intimidade autêntica. A indústria da pornografia está frequentemente ligada à exploração e ao tráfico de seres humanos, fazendo do seu consumo uma participação nestes graves males.

Ao mesmo tempo, devemos abordar os que lutam contra o uso da pornografia com grande compaixão. Muitos começam a usar pornografia em tenra idade e encontram-se presos em padrões viciantes. A nossa resposta deve ser oferecer esperança, apoio e recursos práticos para nos libertarmos desta dependência.

Tanto para a masturbação quanto para o uso da pornografia, o caminho a seguir envolve mais do que apenas a modificação do comportamento. Requer uma abordagem holística que aborde as necessidades emocionais e espirituais subjacentes, promova relações saudáveis e ajude os indivíduos a crescer em virtude e autocontrole.

Devemos encorajar aqueles que lutam nestas áreas a procurar apoio através de orientação espiritual, aconselhamento e relações de responsabilidade. Programas como Covenant Eyes for Internet accountability ou grupos de apoio podem ser recursos valiosos.

O objetivo não é apenas evitar estes comportamentos, mas crescer na virtude da castidade – a integração bem-sucedida da sexualidade na pessoa. Trata-se de aprender a ver a si mesmo e aos outros como pessoas inteiras, e não como objetos de prazer, e a orientar a sexualidade para o amor autêntico e o dom de si.

Como Igreja, devemos criar espaços seguros onde estas questões possam ser discutidas aberta e honestamente, sem medo de julgamento. Só trazendo estas lutas à luz poderemos oferecer verdadeira esperança e cura às pessoas afetadas (Hastings & Jones, 2023, pp. 143-175; Hickey, 2013, p. 4; Mariyati et al., 2021, pp. 91-100; Nazare, 2020; Ruetz, 2016; Sulianti et al., 2018; Taylor & Jackson, 2018, pp. 621-639; Vitz & Williams, 2023, p. 296-314; Zaks, 2021).

Que princípios bíblicos devem guiar os cristãos na abordagem do pecado sexual e na procura da restauração?

Ao abordar o pecado sexual e procurar a restauração, devemos sempre começar com a verdade fundamental da misericórdia e do amor ilimitados de Deus. Nosso Senhor Jesus Cristo não veio para condenar, mas para salvar e curar. Este deve ser o fundamento da nossa abordagem.

Temos de reconhecer a gravidade do pecado sexual sem perder de vista o perdão de Deus. O apóstolo Paulo fala claramente sobre a gravidade da imoralidade sexual, mas também nos lembra que em Cristo somos lavados, santificados e justificados (1 Coríntios 6:9-11). Nenhum pecado está fora do alcance da graça de Deus.

O princípio do arrependimento é fundamental. Isto envolve não apenas sentir pena, mas um genuíno afastamento do pecado e em direção a Deus. Exige honestidade consigo mesmo e com Deus sobre a natureza e a extensão do seu pecado. O Sacramento da Reconciliação pode ser um poderoso meio de experimentar o perdão de Deus e receber a graça para a transformação.

Devemos também abraçar o princípio bíblico da restauração e da cura. O desejo de Deus não é apenas perdoar, mas curar e restaurar. Isso muitas vezes envolve um processo de cura interior, abordando as causas profundas do pecado sexual, como feridas passadas, crenças distorcidas sobre Deus ou sobre si mesmo, ou necessidades emocionais não satisfeitas.

O princípio da comunidade é vital para enfrentar o pecado sexual e procurar a restauração. Tiago 5:16 nos instrui a confessar nossos pecados uns aos outros e orar uns pelos outros. Este apoio mútuo e responsabilidade dentro do corpo de Cristo é essencial para superar o pecado sexual e crescer em santidade.

Devemos também considerar o princípio da restituição, quando aplicável. Se o pecado sexual de alguém prejudicou os outros, devem ser tomadas medidas para corrigir e procurar a reconciliação sempre que possível, sempre com sabedoria e limites adequados.

O princípio da transformação contínua através da renovação da mente (Romanos 12:2) é crucial. Trata-se de substituir ativamente a mentira e o pensamento distorcido sobre a sexualidade pela verdade de Deus. Pode incluir a memorização das Escrituras, a meditação da Palavra de Deus e a procura de um ensino bíblico sólido sobre a sexualidade.

Não devemos esquecer o princípio do esforço capacitado pela graça. Embora confiemos inteiramente na graça de Deus para a transformação, somos também chamados a «fazer todos os esforços» para crescer na piedade (2 Pedro 1:5-7). Isto envolve perseguir ativamente as disciplinas espirituais, evitar ocasiões de pecado e cultivar virtudes que apoiem a pureza sexual.

Por fim, devemos abraçar o princípio da esperança. Não importa quão profunda ou duradoura possa ser a luta contra o pecado sexual, em Cristo há sempre esperança de mudança e de novos começos. Devemos continuamente apontar as pessoas para o poder transformador do Evangelho.

Em tudo isto, a nossa abordagem deve ser marcada pela compaixão, reconhecendo a nossa própria necessidade de graça, ao mesmo tempo que nos mantemos firmes na verdade do desígnio de Deus para a sexualidade. Caminhamos ao lado daqueles que lutam contra o pecado sexual, sem condenar nem perdoar, mas apontando sempre para a cura e a restauração disponíveis em Cristo (Dinse et al., 2023; Knauss, 2017, pp. 84-104; Zaks, 2021).

Como os pais podem ensinar aos filhos uma visão que honra a Deus do sexo e da sexualidade?

Meus queridos pais em Cristo, ensinar nossos filhos sobre a sexualidade é uma responsabilidade sagrada, que requer sabedoria, coragem e, sobretudo, amor. Temos de abordar esta tarefa com grande cuidado, reconhecendo que estamos a ajudar a moldar a compreensão dos nossos filhos sobre um dom poderoso de Deus.

Os pais devem criar uma atmosfera de abertura e confiança no seio da família. As crianças devem sentir-se à vontade para fazer perguntas sobre sexualidade, sabendo que receberão respostas honestas e adequadas à idade. Este diálogo contínuo sobre a sexualidade deve começar cedo e continuar durante toda a infância e adolescência, adaptando-se à fase de desenvolvimento da criança.

É crucial apresentar a sexualidade no contexto do plano global de Deus para os seres humanos. Ensinar aos filhos que seus corpos são bons e sagrados, criados à imagem de Deus. Ajude-os a compreender que a sexualidade é um dom de Deus, destinado a expressar amor e criar uma nova vida dentro da aliança do casamento.

Os pais devem esforçar-se para ser a principal fonte de informação sobre sexualidade para seus filhos. Num mundo em que as mensagens distorcidas sobre o sexo prevalecem, é vital que as crianças ouçam primeiro a verdade dos pais. Isso exige que os pais se eduquem e estejam preparados para discutir esses tópicos.

Modele relações e atitudes saudáveis em relação à sexualidade em sua própria vida. As crianças aprendem tanto, se não mais, a partir do que observam como a partir do que lhes é dito. Deixai-os ver o amor, o respeito e a afeição apropriada entre os pais.

Ensinar às crianças a virtude da castidade – não como uma lista de proibições, mas como uma integração positiva da sexualidade em toda a pessoa. Ajude-os a compreender que a castidade é para todos, casados ou solteiros, e que leva à liberdade e ao amor autêntico.

Enfrente os desafios e as tentações que os seus filhos enfrentarão, como a pornografia, a pressão dos pares e as influências dos meios de comunicação social. Equipa-os com estratégias para navegar nestes desafios e incutir neles um forte senso de sua própria dignidade e valor.

Não se evite de debater os aspetos físicos da sexualidade, incluindo temas como a puberdade e as relações sexuais. Apresentar estas informações com exatidão e no contexto do desígnio de Deus para o casamento e a procriação.

Ensinai vossos filhos a respeitar os outros e seus próprios corpos. Isso inclui discussões sobre modéstia, limites apropriados e a importância do consentimento.

Por último, salientar o amor incondicional de Deus e a realidade do perdão. As crianças devem saber que, independentemente dos erros que possam cometer neste domínio, o amor de Deus por elas nunca muda e que há sempre um caminho de regresso a Ele.

Lembrai-vos, pais, de que não estais sozinhos nesta tarefa. Procure o apoio de sua comunidade eclesial, utilize bons recursos na educação sexual cristã e, acima de tudo, ore por sabedoria e orientação ao assumir esta importante responsabilidade.

Ao abordar esta tarefa com amor, abertura e fidelidade à verdade de Deus, podemos ajudar os nossos filhos a desenvolver uma visão saudável e honradora de Deus da sexualidade que os servirá bem ao longo das suas vidas (Dinse et al., 2023; Idoiaga-Mondragon et al., 2024; Knauss, 2017, pp. 84-104; Mariyati et al., 2021, pp. 91-100).

Bibliografia:

Davey, A. V., Kumar, N., Davey, S., & Na

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