Sexo oral: O que a Bíblia diz sobre isso dentro e antes do casamento?




  • O sexo oral é um tema sensível que requer compreensão e orientação da Bíblia, enfatizando o plano de Deus para a intimidade dentro do casamento.
  • A Bíblia vê o sexo oral antes do casamento como pecado, pois as expressões sexuais são reservadas para a aliança do casamento.
  • Dentro do casamento, não existem proibições bíblicas explícitas contra o sexo oral; ele deve ser consensual, amoroso e honrar a Deus, enquanto aumenta a intimidade.
  • Os casais são encorajados a comunicar abertamente sobre os seus sentimentos, consciências e desejos em relação às práticas sexuais para manter um relacionamento saudável.

Sexo oral e o cristão: A orientação de Deus para a sua vida e casamento

Introdução: Encontrando paz e sabedoria sobre um tema pessoal

Deus quer que você caminhe em paz e entendimento em todas as partes da sua vida! Hoje, vamos falar sobre um assunto sensível, o sexo oral, com um coração cheio de graça e um desejo pela verdade de Deus. Neste mundo, fala-se muito sobre sexo, nem sempre com a sabedoria de que precisamos. É por isso que é tão bom que você esteja buscando o que a Palavra de Deus diz. Vamos examinar a Bíblia juntos, não para lhe dar uma lista de regras rígidas onde o próprio Deus deu liberdade para capacitá-lo a fazer escolhas que O honrem, seja você solteiro ou casado. Analisaremos as escrituras, veremos o que crentes sábios do passado pensavam e aplicaremos os princípios eternos de Deus. Quando você aborda isso com um coração voltado para a verdade e o amor, descobrirá como glorificar a Deus nesta área pessoal. É maravilhoso que tantos estejam fazendo essas perguntas! Isso mostra um desejo profundo de viver plenamente para Deus, e esse é um sinal de uma fé saudável e em crescimento.

Entendendo a conversa: O que é sexo oral?

Para garantir que estamos todos na mesma página, vamos falar sobre o que é o sexo oral. Simplificando, é quando alguém usa a boca e a língua para estimular as áreas íntimas do parceiro. Existem termos médicos para isso, como “cunnilingus” para mulheres e “felação” para homens.¹ E acredite, você não está sozinho ao se perguntar sobre isso! Muitos bons cristãos, pessoas exatamente como você, estão perguntando onde isso se encaixa na sua fé.¹ É uma pergunta comum, e tudo bem! Isso apenas mostra que precisamos falar sobre isso com a sabedoria de Deus. Em um mundo transbordando de informações, algumas boas e outras nem tanto, é inteligente buscar respostas claras e cheias de fé sobre essas partes pessoais de nossas vidas.

Antes do altar: O sexo oral antes do casamento é pecado?

Deus tem um plano lindo para a intimidade, e Ele quer protegê-lo! Quando falamos sobre qualquer tipo de atividade sexual antes casamento, a Palavra de Deus nos dá uma orientação clara e amorosa. A Bíblia ensina que este presente especial de intimidade sexual é reservado para o vínculo incrível do casamento. Hebreus 13:4 (NVI) nos diz para honrar o casamento e manter o leito conjugal puro, porque Deus julgará aqueles que não o fizerem.¹ O casamento é o lugar escolhido por Deus para a expressão sexual. E Efésios 5:3 (NVI) nos encoraja, dizendo que não deveria haver nem mesmo uma menção de imoralidade sexual ou impureza entre o povo de Deus, porque não é isso que somos!¹ Essa frase “imoralidade sexual” vem de uma palavra grega, porneia. É um termo abrangente para qualquer atividade sexual fora do casamento.¹ Não se trata apenas de um ato específico; trata-se de qualquer ação destinada a criar excitação sexual fora dessa aliança sagrada do casamento. Portanto, porneia cobre todas essas coisas contra as quais o Novo Testamento alerta.⁵

Você pode ouvir pessoas dizerem: “Ah, sexo oral não é realmente sexo”, talvez como uma forma de contornar o plano de Deus ou pensando que é mais seguro.¹ Mas aos olhos de Deus, não é assim que funciona. O sexo oral é definitivamente um ato sexual; destina-se a excitar. Portanto, fazer isso antes do casamento cai na categoria de imoralidade sexual de que a Bíblia fala.¹

A mensagem clara desses princípios amorosos é que, sim, o sexo oral antes do casamento é considerado pecado.¹ É um tipo de intimidade que Deus projetou exclusivamente para o relacionamento conjugal. Isso não é para ser duro; é porque o plano de Deus para o sexo está ligado àquela incrível união de “uma só carne” que Ele cria no casamento (você vê isso em Gênesis 2:24, e Jesus e Paulo também falaram sobre isso!).³ Tornar-se “uma só carne” é sobre dar todo o seu ser ao seu cônjuge daquela maneira profunda e íntima — e isso é algo tão precioso que pertence apenas ao compromisso vitalício do casamento. Qualquer coisa que tente trazer essa intimidade para fora do casamento não faz parte do melhor plano de Deus para você.

Dentro da aliança do casamento: A Bíblia proíbe o sexo oral para casais casados?

Quando falamos sobre sexo oral dentro a bela aliança do casamento, as coisas parecem diferentes. Você não encontrará um versículo na Bíblia que diga especificamente “não façam sexo oral” aos casais casados.¹ Como Deus não dá uma regra direta contra isso, precisamos olhar para Seus princípios mais amplos e amorosos sobre como um marido e uma esposa devem desfrutar de sua intimidade.

Deus nos deu algumas diretrizes maravilhosas para o seu relacionamento sexual no casamento:

  • Deve honrar a Deus: Cada parte da sua vida, incluindo a sua intimidade, pode trazer glória a Deus. Seus corpos são preciosos para Ele (1 Coríntios 6:12-13, 19-20).¹
  • É apenas para vocês dois: Esta conexão especial é exclusivamente para marido e mulher (1 Coríntios 7:2).¹ Isso significa que não há espaço para coisas como pornografia ou pensamentos sobre outras pessoas.¹
  • É sobre amor e doação: Vocês são chamados a se entregar amorosamente um ao outro (1 Coríntios 7:3-4).¹ É sobre um coração generoso, pensando nas necessidades e desejos do seu parceiro.
  • Deve ser regular: A intimidade é uma parte saudável e regular do casamento. Vocês não devem se privar um do outro, a menos que ambos concordem por um curto período para oração, para que não enfrentem tentações desnecessárias (1 Coríntios 7:5).¹
  • Aproxima vocês: Deus projetou o sexo conjugal para ser uma maneira poderosa de unir vocês, tornando essa união de “uma só carne” ainda mais forte (Gênesis 2:24, 1 Coríntios 7:5).¹ Não é apenas físico; é emocional e espiritual também.
  • Ambos concordam alegremente: Isso é muito importante! Nenhum de vocês deve se sentir pressionado ou forçado a fazer algo com que não se sinta confortável.⁶ Como o Focus on the Family sabiamente diz, o verdadeiro acordo significa que ambos entendem e são livres para dizer sim ou não.⁶
  • Mantenham o leito conjugal puro: Hebreus 13:4 diz que o leito conjugal deve ser “sem mácula”. Aquela bela palavra grega, amiantos, significa puro, imaculado e moralmente correto.⁸ Essa pureza vem principalmente de serem fiéis um ao outro e garantir que sua intimidade esteja alinhada com o plano amoroso de Deus.⁸

Muitos conselheiros cristãos acreditam que, se você seguir esses belos princípios — se o ato honra a Deus, é apenas entre vocês dois, é amoroso, aproxima vocês, ambos concordam alegremente e não incomoda a consciência de nenhum dos dois — então o sexo oral dentro do seu casamento não é pecado.¹ Essa perspectiva destaca a importância da comunicação e do consentimento mútuo na intimidade entre parceiros. Da mesma forma, discussões sobre outros tópicos, como o consumo de álcool é pecado, podem levar a interpretações variadas com base em crenças pessoais e no impacto potencial no relacionamento. Em última análise, entender e respeitar os valores um do outro é a chave para navegar nessas questões complexas dentro do casamento.

É interessante: a Bíblia é muito clara sobre o que é não aceitável fora do casamento, ela dá mais liberdade dentro casamento. Isso nos mostra que o casamento é um espaço especial e sagrado. Dentro desse vínculo, trata-se menos de uma lista de “não faça” e mais de: “Isso honra a Deus? Isso abençoa meu cônjuge? Isso torna nosso casamento mais forte e mais alegre?”

Deus quer que você tenha clareza e alegria no seu casamento! Para ajudar você e seu cônjuge a conversar sobre isso com sabedoria, aqui estão algumas perguntas e pensamentos orientadores maravilhosos baseados na Palavra d'Ele:

Tabela 1: Navegando pelas perspectivas cristãs sobre o sexo oral dentro do casamento

Pergunta/Princípio OrientadorInterpretações/Pontos de vista comunsPrincipais considerações bíblicasPontos para discussão e discernimento do casal
É biblicamente proibido?Não foi encontrada nas Escrituras qualquer proibição explícita para casais casados.1 Alguns inferem a proibição a partir de “atos antinaturais” (Romanos 1) ou de visões históricas da Igreja.10Silêncio das Escrituras sobre atos específicos dentro do casamento; Romanos 1.Sentimos ambos que isto se alinha com a liberdade bíblica no casamento, ou temos reservas baseadas na nossa compreensão das Escrituras?
É “Antinatural”?Alguns argumentam que é “antinatural” se não servir a função biológica primária dos órgãos ou se não for peniano-vaginal.10 Outros argumentam que “natural” em Romanos 1 refere-se a abandonar as relações heterossexuais por homossexuais.13Romanos 1:26-27; Cântico dos Cânticos (celebração da intimidade diversa).O que significa “natural” para nós no contexto da nossa sexualidade dada por Deus dentro do casamento? Estamos preocupados com este aspeto?
É Amoroso e Mutuamente Consensual?Universalmente visto como essencial. Os atos devem ser orientados para o outro, não egoístas ou coercivos.1 Ambos os cônjuges devem participar de forma voluntária e alegre.1 Coríntios 7:3-5; Efésios 5:21-33.Estamos ambos genuinamente confortáveis, dispostos e entusiasmados? É este um ato de entrega e prazer mútuo, ou alguém se sente pressionado ou desconfortável?
Qual é o Motivo?Os motivos devem ser puros: expressar amor, dar prazer, aumentar a intimidade, honrar a Deus. É pecaminoso se for impulsionado pela luxúria, pornografia, egoísmo ou para humilhar.21 Coríntios 6:12-20; Provérbios 5:15-19.Por que queremos participar neste ato? É para aprofundar a nossa ligação amorosa, ou existem outras motivações menos saudáveis em jogo (por exemplo, influência dos meios de comunicação seculares, experiências passadas ou desejo egoísta)?
O que diz a Consciência?Se qualquer um dos cônjuges sentir que é errado ou tiver uma consciência perturbada, não deve ser feito (Romanos 14:23).2 A consciência deve ser informada pelas Escrituras, mas também respeitada.Romanos 14:1-23.Este ato viola a consciência de qualquer um dos cônjuges? Podemos ambos participar nisto com a consciência limpa perante Deus?
Honra a Deus e ao Leito Conjugal?O ato deve trazer glória a Deus e manter o leito conjugal “imaculado” (puro, honroso).1 Isto envolve fidelidade e garantir que o ato edifique em vez de prejudicar a santidade da união.Hebreus 13:4; 1 Coríntios 10:31.Esta prática aproxima-nos de Deus e um do outro? Aumenta a sacralidade e a alegria da nossa intimidade conjugal, ou introduz algo que parece impuro ou desonroso?

Vozes do passado: O que os primeiros pais da Igreja ensinaram sobre a intimidade conjugal e atos não procriativos?

É bom aprender com aqueles que nos precederam. Os primeiros Padres da Igreja, líderes sábios nos séculos após os apóstolos, tinham pensamentos diferentes sobre o casamento e o sexo. Um grande tema para muitos era que ter filhos era a principal, ou mesmo a única, razão para a intimidade no casamento.¹⁵ Por exemplo, Clemente de Alexandria, por volta de 150-215 d.C., disse que ter relações por razões que não fossem fazer bebés era como “fazer uma injúria à natureza”.11 Agostinho, um teólogo muito importante (354-430 d.C.), também ligou fortemente o casamento à procriação, embora visse outras coisas boas no casamento também, como a fidelidade e o vínculo especial.¹¹

Alguns destes primeiros líderes falaram especificamente contra atos sexuais que consideravam “contra a natureza” ou que envolviam “maldade com a boca”. Um antigo escrito cristão chamado Carta de Barnabé (por volta de 74 d.C.) falava sobre uma lei do tempo de Moisés para condenar a “maldade com a boca com o corpo através da impureza sexo oral”.11 Agostinho, num livro de 401 d.C., foi muito direto. Ele disse que o sexo era apenas para fazer filhos, e qualquer coisa além disso era por luxúria, não por razão. Ele até disse que se um homem quisesse usar o corpo da sua esposa de uma forma “não permitida para este propósito sexo oral ou anal”, era “mais execrável” (significando mais detestável) com uma esposa do que até com alguém que não fosse a sua esposa.¹¹ Esta linguagem forte mostra que eles estavam muito preocupados que o sexo que não fosse para ter bebés fosse impulsionado por desejos errados e fosse contra o desígnio de Deus.

A Igreja Católica, baseando-se nesta longa história, ainda destaca o aspeto da procriação no casamento. Embora vejam a proximidade que isso traz, eles têm uma visão específica sobre as práticas orais. A estimulação oral como preliminar que leva ao coito regular (que pode levar a bebés) pode ser aceitável. Mas, se o sexo oral levar ao orgasmo do homem fora do coito regular, isso não é permitido, porque eles veem o seu orgasmo como diretamente ligado à sua capacidade de criar nova vida.¹⁹

Ajuda lembrar o mundo em que estes Padres da Igreja viviam. Eles estavam frequentemente a reagir a muita loucura sexual e práticas prejudiciais nas culturas ao seu redor. Eles também estavam a lidar com diferentes filosofias, algumas das quais desprezavam o corpo ou ter filhos, enquanto outras valorizavam o autocontrolo estrito.¹⁷ Além disso, havia um forte movimento no início do cristianismo que valorizava muito ser solteiro e autocontrolado, tornando-os por vezes um pouco cautelosos quanto ao sexo, mesmo no casamento. Tudo isto moldou a sua visão de que ter filhos era a principal razão para o sexo, o que os tornava suspeitos de atos que não fossem para esse propósito. Conhecer esta história não significa que as suas preocupações sobre a luxúria estivessem erradas; significa que podemos avaliar as suas conclusões específicas sobre certos atos de forma um pouco diferente hoje, especialmente se também acreditamos que Deus deu o sexo no casamento para a proximidade e alegria, não apenas para bebés.

O Cântico dos Cânticos: Um guia para a paixão conjugal?

O Cântico dos Cânticos no Antigo Testamento é um livro tão bonito e poético! É uma celebração maravilhosa do amor, do namoro e da paixão entre um marido e uma esposa. Usa linguagem rica, colorida e metáforas para descrever o seu profundo afeto.²⁰

Alguns professores da Bíblia acreditam que certas partes deste belo cântico sugerem ou aludem ao sexo oral. Por exemplo, quando diz em Cântico dos Cânticos 2:3, “o seu fruto era doce ao meu paladar”, ou noutros versículos descritivos (como 4:16; 5:1; 7:6-8), alguns veem isto como uma forma poética de falar sobre isso.² Um ministério, o Berean Bible Ministry, observa até que alguns estudiosos da Bíblia pensam que Cântico 2:3 se refere à noiva a praticar sexo oral.²¹ Kevin Carson também menciona estas ideias, mas lembra-nos sabiamente que, embora as palavras possam sugerir tais coisas poeticamente, elas não as ordenam claramente.² As pessoas que veem desta forma sentem que a linguagem poética é suficientemente ampla para incluir muitos tipos de expressões íntimas que trazem alegria a um casamento.

Mas outros professores bíblicos respeitados, como John MacArthur, discordam fortemente de ler estas linhas poéticas como referências diretas a atos específicos como o sexo oral. MacArthur sente que fazer isso pode “explorar” as belas palavras, fazendo-as soar cruas e retirando-lhes a dignidade, o que não é a forma como a Bíblia geralmente fala sobre estas coisas.²⁰ Ele está preocupado que tais interpretações possam tornar-se demasiado gráficas, mal-entender a forma respeitosa da Bíblia de discutir o sexo e até pressionar erradamente os cônjuges a fazer coisas que as Escrituras nunca pretenderam.²⁰ Ele acredita que os símbolos são expressões gerais de beleza e desejo, usadas em vez de linguagem explícita, e não pretendem ser um manual de instruções detalhado.² Ele enfatiza que a mensagem de intimidade na Bíblia visa elevar e inspirar uma ligação mais profunda entre os parceiros, em vez de se concentrar em atos físicos. Ao manter um sentido de reverência e admiração na compreensão destes textos, os crentes podem melhor incorporar a sua fé e ser a luz no mundo, mostrando o amor na sua forma mais pura. Esta abordagem encoraja uma visão da intimidade sexual que celebra o vínculo sagrado do casamento em vez de o reduzir à mera fisicalidade.

Esta diferença na compreensão do Cântico dos Cânticos mostra-nos um desafio: como aplicamos passagens bíblicas poéticas e metafóricas a questões da vida real? É um equilíbrio delicado. Se o tornarmos demasiado espiritual, podemos perder a sua mensagem clara de que o amor físico no casamento é bom e apaixonado. Mas se levarmos as metáforas demasiado à letra para encontrar instruções exatas para atos específicos, podemos acabar por colocar as nossas próprias ideias na Bíblia em vez de extrair o que Deus pretendia. Uma boa abordagem é apreciar a poderosa celebração da proximidade conjugal do Cântico dos Cânticos em toda a sua beleza, tendo o cuidado de não transformar a sua poesia num manual de sexo. A grande mensagem é sobre deleite e desfrutar um do outro dentro do maravilhoso vínculo do casamento.

“Natural” ou “antinatural”? Abordando preocupações de Romanos 1

As palavras do Apóstolo Paulo em Romanos 1:26-27 surgem frequentemente quando falamos sobre o que é “natural” ou “antinatural” no sexo. A passagem diz que quando as pessoas se afastaram de Deus, “Deus entregou-as a paixões vergonhosas. Até as suas mulheres trocaram as relações sexuais naturais por outras antinaturais. Da mesma forma, os homens também abandonaram as relações naturais com as mulheres e inflamaram-se de luxúria uns pelos outros. Os homens cometeram atos vergonhosos com outros homens…” (Romanos 1:26-27, NVI).¹⁴

Algumas pessoas acreditam que este aviso contra atos “antinaturais” também poderia aplicar-se a certos atos sexuais dentro de um casamento heterossexual que não são para fazer bebés ou não envolvem o coito tradicional. Por exemplo, uma pessoa que escreve no eBible.com pensa que o sexo oral é um pecado com base em Romanos 1:26 porque não é o “uso natural dos órgãos usados no ato”.10 Outro artigo no Penstrokes.co.ke argumenta que, como a boca não foi concebida para os genitais da mesma forma que outros órgãos são emparelhados, o sexo oral é “antinatural”.12 Estas visões definem geralmente “natural” pelo principal propósito biológico dos órgãos ou por atos que podem levar à gravidez.

Mas muitos estudiosos da Bíblia dizem que Romanos 1 está principalmente a falar sobre os resultados de se afastar de Deus, o que levou a muitos tipos de problemas morais, sendo os atos homossexuais um exemplo específico de escolher “relações antinaturais” em vez de “naturais”. Ra McLaughlin, por exemplo, diz que em Romanos 1, estes versículos parecem estar a falar apenas sobre homossexualidade.¹³ O Reformation Project sugere que Paulo está a condenar a luxúria egoísta e descontrolada, especialmente quando as pessoas deixam relações heterossexuais por homossexuais, em vez de fazer uma declaração geral sobre todos os atos não procriativos dentro de casamentos amorosos e comprometidos.¹⁴ A passagem enfatiza realmente as “paixões luxuriosas” e os “atos vergonhosos” que vêm de uma rebelião maior contra Deus e o Seu desígnio para as relações homem-mulher.¹⁴

Portanto, aplicar Romanos 1 ao sexo oral dentro do casamento é algo sobre o qual as pessoas discordam realmente. Uma questão chave é se “natural” significa estritamente “pode fazer um bebé” ou o trabalho biológico principal de um órgão, ou se é sobre a ordem criada mais ampla de Deus para o sexo, que para os humanos, é entre um homem e uma mulher. Se for a última, então os atos “antinaturais” de que Paulo fala em Romanos 1 são principalmente aqueles que vão contra este desígnio básico homem-mulher, sendo os atos entre pessoas do mesmo sexo o exemplo claro que ele dá para os homens (v. 27). O forte foco da passagem em “paixões vergonhosas” e atos provenientes da idolatria sugere que a espírito, da situação, e as tipo de mudança relacional (deixar relações heterossexuais por homossexuais) são fundamentais para o que Paulo está a criticar. Portanto, dizer que “antinatural” desta passagem se aplica a todas as expressões sexuais não procriativas dentro de um casamento heterossexual amoroso, consensual e exclusivo pode ser esticar a passagem para além do que ela estava principalmente focada. A “antinatureza” que Paulo parece estar a destacar é fundamentalmente sobre abandonar o padrão estabelecido por Deus para as relações sexuais homem-mulher.

para além de apenas olhar para versículos bíblicos específicos, Deus preocupa-se sempre com o que está nos nossos corações — os nossos motivos, as nossas intenções e as nossas atitudes. Isto é tão importante quando pensamos sobre a intimidade no casamento. Algo que pode parecer bem por si só pode tornar-se um problema se as nossas razões para o fazer forem erradas. Os casais devem perguntar a si mesmos: O nosso desejo por uma certa expressão sexual vem do amor, de um desejo real de abençoar o nosso cônjuge e de honrar a Deus? Ou vem do egoísmo, luxúria, más influências como a pornografia, fantasias erradas, ou tentar pressionar ou humilhar o nosso parceiro?.²

O consentimento mútuo — ambos concordarem alegremente — é um requisito absoluto para uma intimidade saudável no seu casamento.⁶ Nenhum de vocês deve sentir-se pressionado, manipulado ou forçado a qualquer atividade sexual que o deixe desconfortável ou que sinta ser errada. Como a Focus on the Family coloca tão bem, o consentimento real significa que ambos os parceiros compreendem totalmente o que está a ser sugerido e são verdadeiramente livres para dizer “não” sem se preocuparem com consequências negativas.⁶ Isto honra a dignidade e o valor de cada pessoa, refletindo aquele amor altruísta e doador que está no coração do plano de Deus para o casamento.

Estritamente ligado a isto está honrar a consciência do seu cônjuge.² A Bíblia ensina em Romanos 14:23 que “tudo o que não provém da fé é pecado”. Se um de vocês acredita que um ato sexual específico é errado ou simplesmente não se sente bem no seu espírito, o outro cônjuge deve respeitar isso amorosamente. Pressionar o seu cônjuge a ir contra a sua consciência não é amoroso e pode realmente prejudicar a sua relação e o seu bem-estar.

Estas “questões do coração” — o seu motivo, o seu acordo alegre e a sua consciência — elevam a conversa sobre a intimidade conjugal para além de apenas uma lista do que é permitido ou não. Elas enraízam a sua ética sexual no amor e na saúde espiritual do seu casamento. O foco muda de um “Podemos fazer isto?” legalista para um “Devemos fazer isto, considerando o nosso amor por Deus e um pelo outro, os nossos sentimentos individuais, o nosso desejo de unidade e o nosso compromisso em construir um casamento santo e alegre?” mais maduro e amoroso. Isto significa que conversas abertas, honestas, amorosas e contínuas sobre os seus desejos sexuais, preferências e limites não são apenas úteis — são essenciais para uma intimidade próspera que honra a Deus. Quando o amor, como o amor descrito em 1 Coríntios 13, guia as suas decisões, e quando cada um coloca o bem-estar e a saúde espiritual do seu parceiro em primeiro lugar (Efésios 5:21-33), vocês estão num ótimo lugar para fazer escolhas que tornarão o seu vínculo ainda mais forte.

Sabedoria prática: Existem preocupações de saúde ou outras a considerar?

Embora estejamos principalmente a falar sobre o que a Palavra de Deus diz e o que é certo aos Seus olhos, também é sensato pensar em coisas práticas, como a sua saúde. Embora o sexo oral seja por vezes falado no mundo como “sexo mais seguro” do que o coito, não é completamente isento de riscos quando se trata de doenças sexualmente transmissíveis (DSTs).¹ Infeções como clamídia, gonorreia, herpes, VIH/SIDA e HPV podem ser transmitidas através do contacto oral-genital.¹ Kevin Carson aponta até que o HPV do sexo oral pode levar ao cancro da boca e da garganta.²

Se está num casamento onde ambos são fiéis apenas um ao outro, e ambos entraram no casamento sem quaisquer DSTs, estes riscos são muito, muito menores ou até inexistentes.² Mas ainda é bom estar ciente destas coisas porque cuidar do seu corpo e amar o seu cônjuge inclui ser responsável. Se houver alguma dúvida sobre o passado ou o estado de DST de qualquer um dos parceiros, ou se a fidelidade for alguma vez quebrada, estas preocupações de saúde tornam-se muito reais. A Bíblia diz-nos para amar o nosso próximo como a nós mesmos — e isso inclui definitivamente o seu cônjuge! Parte desse amor é não colocá-los conscientemente em perigo. Isto mostra uma preocupação completa pelo seu bem-estar como casal — espiritual, emocional e fisicamente.

E se os cônjuges discordarem sobre o sexo oral no casamento?

É perfeitamente normal que um marido e uma esposa tenham sentimentos, níveis de conforto ou desejos diferentes sobre práticas sexuais específicas, e isso inclui o sexo oral. Quando se encontram em desacordo, aqueles princípios bíblicos maravilhosos de ambos concordarem e respeitarem a consciência um do outro tornam-se tão importantes.² Se um de vocês se sente desconfortável com o sexo oral, tem uma objeção moral ou simplesmente não quer fazê-lo, o outro cônjuge deve honrar isso amorosa e respeitosamente. Ninguém deve sentir-se pressionado ou obrigado a fazer qualquer coisa sexual que o deixe inquieto ou que acredite ser errado.

A comunicação aberta, honesta e gentil é a chave aqui. Ambos devem sentir-se seguros para partilhar os seus sentimentos, preocupações, desejos e limites sem se preocuparem em ser julgados ou em deixar a outra pessoa chateada ver Efésios 4:29. O objetivo destas conversas deve ser compreenderem-se melhor e edificarem-se mutuamente, não que uma pessoa “ganhe” ou imponha a sua vontade sobre o conforto ou as crenças do seu parceiro. Deus concebeu a intimidade conjugal para fortalecer o vosso relacionamento e aproximar-vos, não para causar divisão, ansiedade ou infelicidade.

Os desacordos sobre sexo podem causar muito stress num casamento se não forem tratados com graça e amor. Deus chama-nos a colocar a saúde do nosso relacionamento e o bem-estar espiritual e emocional do nosso cônjuge acima da nossa preferência por um ato específico. Quando discordam, o caminho amoroso significa, muitas vezes, optar por não realizar o ato em questão, especialmente se um dos parceiros não se sentir totalmente confortável e disposto. O objetivo é manter a vossa proximidade e unidade fortes através de outras formas de demonstrar amor e afeto, em vez de deixar que uma prática específica se torne uma fonte de conflito ou pressão. Com o tempo, através de conversas amorosas contínuas, oração e crescimento conjunto, as vossas opiniões podem mudar; isto não pode ser forçado nem apressado. A unidade e o amor no vosso casamento são muito mais preciosos do que qualquer ato sexual isolado.

Conclusão: Buscando a sabedoria de Deus para o seu casamento

compreender este tópico do sexo oral significa refletir cuidadosamente sobre o que a Bíblia ensina, o que a história nos diz e como aplicar os princípios amorosos e intemporais de Deus. A Bíblia é muito clara: toda a atividade sexual, incluindo o sexo oral, antes ou fora do casamento não faz parte do plano de Deus. Essas expressões estão reservadas para a aliança especial do casamento, onde o “leito sem mácula” deve ser preservado.1

dentro o vosso casamento, a Bíblia não diz especificamente que o sexo oral é proibido. Portanto, para casais casados, a vossa orientação provém desses princípios bíblicos maravilhosos e abrangentes: a vossa intimidade sexual deve honrar a Deus, ser apenas entre vós os dois, expressar o vosso amor mútuo e entrega altruísta, aproximar-vos, ser algo com que ambos concordam alegremente e ser feita com a consciência limpa perante Deus.¹ Vimos que algumas vozes cristãs da história, especialmente os primeiros Padres da Igreja, focavam-se frequentemente na procriação como o principal propósito do sexo no casamento e eram cautelosos ou mesmo contra atos que não tivessem esse propósito, vendo-os possivelmente como motivados pela luxúria ou como “antinaturais”.11 Estas visões históricas dão-nos o contexto necessário para as ponderar com uma compreensão plena da Bíblia sobre as partes unificadoras e alegres da intimidade conjugal também. O que está verdadeiramente no vosso coração e a atitude que trazem a qualquer ato sexual são muito importantes.²

Para vós, enquanto casal, quando pensam em práticas sexuais que a Bíblia não detalha, a vossa jornada consiste em procurar a sabedoria de Deus juntos. Isto significa estudar a Sua Palavra, orar pela Sua orientação e ter conversas abertas, honestas e amorosas um com o outro. A intimidade conjugal é um presente precioso de Deus, destinado a ser desfrutado dentro da bela estrutura que Ele estabeleceu, visando sempre a alegria mútua, o respeito profundo e o crescimento conjunto em santidade.

Onde a Bíblia não é explícita, a liberdade cristã deve ser vivida com grande amor e responsabilidade, sempre com o objetivo de honrar a Deus e edificar o vosso cônjuge e o vosso casamento. A “resposta” final para vós, enquanto casal, sobre assuntos tão pessoais, muitas vezes não se encontra numa regra universal, mas na vossa jornada partilhada e orante de descoberta da vontade de Deus para o vosso casamento único, guiada pelos princípios claros da Sua Palavra e pela condução do Seu Espírito. O objetivo é um casamento que, em todos os aspetos, reflita o amor sacrificial e a santidade radiante de Cristo. Vocês conseguem!



Descubra mais da Christian Pure

Subscreva agora para continuar a ler e ter acesso ao arquivo completo.

Continuar a ler

Partilhar em...