A abominação da desolação: Guia do leitor cristão – Libertar a compreensão com fé!
Não é maravilhoso que Deus queira que compreendamos a sua Palavra? Por vezes, deparamo-nos com frases na Bíblia, como «abominação da desolação», que podem parecer um pouco intrigantes no início. Mas creio que Deus não quer que sejamos confundidos; Quer que tenhamos clareza e paz! Esta frase especial aparece no Antigo Testamento, no livro de Daniel, e até mesmo o próprio Jesus falou sobre isso no Novo Testamento. Para todos nós que amamos o Senhor e queremos saber mais, este termo abre discussões surpreendentes sobre momentos incríveis na história, como Deus fala através da profecia e o que a Bíblia nos diz sobre as coisas excitantes que estão por vir. Por isso, vamos caminhar juntamente com a fé e explorar o que é a «abominação da desolação», encontrando encorajamento e sabedoria em cada passo do caminho!
O que significa «abominação da desolação» em termos simples?
Muito bem, vamos acabar com isto, porque Deus torna as coisas simples para nós quando O procuramos! A expressão «abominação da desolação» soa grave e podemos compreendê-la. Trata-se de algo que está a acontecer e que é profundamente ofensivo para Deus – geralmente quando algo sagrado, algo sagrado, é tratado com grande desrespeito. E quando isso acontece, pode levar a que aquele lugar especial, santo, torne-se vazio ou arruinado.
Pensem nisto assim:
Uma «abominação» é algo que a Bíblia descreve como verdadeiramente nojento, odioso ou simplesmente detestável aos olhos de Deus.3 O Antigo Testamento utiliza algumas palavras hebraicas para este efeito, como shiqquwts (ou siqqus), e está muitas vezes ligado a coisas como ídolos, falsos deuses ou práticas de culto que Deus disse especificamente ao seu povo: «Ei, não te envolvas com isso!» 3 No Novo Testamento, a palavra grega bdelygma significa algo muito semelhante — algo sujo, repugnante e totalmente ofensivo.3 Portanto, uma abominação é um pecado de grande envergadura, uma grande violação das boas regras de Deus, especialmente quando envolve adorar outras coisas que não Deus4.
Depois, há “desolação”. Esta palavra significa simplesmente um estado de estar vazio, arruinado, totalmente devastado ou destruído.3 A palavra hebraica para isto, vergonhoso, pinta um quadro de destruição e devastação. Mas perceba isto – também pode significar ficar tão chocado ou horrorizado com algo que o deixa sem palavras!3 A palavra grega do Novo Testamento, erēmōsis, também significa «tornar algo desolado».3 Por conseguinte, a desolação não se resume a edifícios a desmoronar-se; trata-se também do profundo sentimento de horror e vazio que surge quando algo sagrado é destruído, especialmente um lugar reservado para Deus.3
Vamos juntar tudo isto com um coração cheio de fé! A «abominação da desolação» aponta para um ato ou objeto chocantemente desrespeitoso. É algo tão ofensivo para Deus que polui um lugar santo, e que a poluição leva à sua ruína e abandono.3 Por vezes traduz-se como «a abominação que causas desolação" ou "o objeto sacrílego que causas profanação.»2 Isto mostra-nos que existe uma ligação direta: o ato terrível e desrespeitoso (que é a abominação) é o que provoca a ruína e o vazio (que é a desolação). A Bíblia mostra-nos muitas vezes que, quando a santidade de Deus é desrespeitada, especialmente em lugares dedicados a Ele, acontecem grandes coisas. Às vezes, Deus podia até mesmo retirar sua proteção especial, permitindo que aquele lugar tornasse-se desolado. A forma como a frase é construída realmente destaca que, quando desrespeitamos o que Deus chama de santo, pode convidar ao julgamento e à ruína.
E esse sentimento de «horror sem palavras» ligado à palavra vergonhoso diz-nos que a abominação da desolação não é apenas uma ideia seca.3 Trata-se de um acontecimento que deve ser visto como singularmente chocante e terrível. Este profundo impacto emocional sobre aqueles que o vêem apenas mostra o quão sério é este evento, e por que Deus dá-nos avisos sobre isso em Sua Palavra. Ele é um bom Deus e quer que estejamos preparados!
Onde a "Abominação da Desolação" é mencionada na Bíblia?
É tão bom saber que Deus nos deu a Sua Palavra, a Bíblia, como uma lâmpada para os nossos pés e uma luz para o nosso caminho! Esta frase, «abominação da desolação», e outras semelhantes, são tecidas como um fio através do Antigo e do Novo Testamento. É como se Deus nos estivesse a mostrar uma história que se desenrola ao longo de séculos.
Antigo Testamento – O Incrível Livro de Daniel
Toda esta ideia começa com o profeta Daniel. Ele era um homem de Deus, um israelita que vivia na Babilónia, e Deus deu-lhe visões incríveis sobre reinos futuros e grandes eventos que afetariam o Seu povo.
- Daniel 9:27: Isto faz parte de uma famosa profecia chamada «Profecia das Setenta Semanas». Fala-se de um futuro líder que «fará um pacto forte com muitos durante uma semana e, durante metade da semana, porá termo aos sacrifícios e ofertas. E sobre a asa das abominações virá aquele que desola.» Algumas Bíblias dizem o mesmo: «A abominação da desolação estará numa asa do templo.» 2
- Daniel 11:31: Numa longa profecia sobre os futuros reis e seus conflitos, este versículo diz: "As forças serão reunidas por ele, e contaminarão a fortaleza do santuário; tirarão os sacrifícios diários, e ali depositarão a abominação da desolação.
- Daniel 12:11: Na última visão de Daniel, Deus dá um calendário: "E desde que o sacrifício diário for tirado, e a abominação da desolação for estabelecida, haverá mil duzentos e noventa dias." 2
- Algumas pessoas inteligentes também vêem uma ideia semelhante em Daniel 8:13, que fala da «transgressão que desola» ou da «abominação que destrói».
Novo Testamento – Os Evangelhos (Jesus fala no Monte das Oliveiras!)
Centenas de anos depois de Daniel, o nosso maravilhoso Salvador, Jesus Cristo, ter falado diretamente sobre a profecia de Daniel. Ele fez isto durante os Seus ensinamentos no Monte das Oliveiras, a que chamamos o Discurso das Oliveiras. Ele estava a falar da destruição do templo e dos sinais do seu espantoso regresso e do fim dos tempos.4
- Mateus 24:15-16: Jesus advertiu amorosamente os seus discípulos: «Assim, quando virdes a abominação da desolação de que fala o profeta Daniel, em pé no lugar santo (que o leitor compreenda), que os que estão na Judeia fujam para os montes.» 8
- Marcos 13:14: Marcos fala-nos de um aviso semelhante: «Mas quando vires a abominação da desolação onde não devia estar (que o leitor compreenda), deixa que os que estão na Judeia fujam para as montanhas.» As palavras de Marcos aqui são claramente inspiradas por Daniel.8
- Lucas 21:20-21: O Evangelho de Lucas dá-nos uma história paralela que ele usa palavras ligeiramente diferentes que muitos acreditam ajudar a esclarecer qual foi o sinal imediato para os acontecimentos de 70 dC: «Mas quando virem Jerusalém rodeada de exércitos, saibam que a sua desolação está próxima. Então, que os que estão na Judeia fujam para as montanhas...» 8 Embora não use a frase exata, está ligada à «desolação» de Jerusalém, ligando-a às outras contas.
Não é espantoso como funciona a Palavra profética de Deus? O que Daniel viu com um acontecimento histórico em mente (um rei chamado Antíoco Epifânio, de quem falaremos mais) foi mais tarde apanhado por Jesus e aplicado a um acontecimento que ainda estava no futuro para os seus discípulos (a destruição de Jerusalém em 70 d.C.). Isto mostra-nos que as profecias de Deus podem ter camadas de significado, ou mesmo acontecer de mais do que uma forma, sendo os acontecimentos anteriores, por vezes, como uma pré-visualização ou um prenúncio de acontecimentos posteriores. Deus é tão sábio!
E reparou nessa pequena nota, «(que o leitor compreenda)», tanto em Mateus como em Marcos? Isso é tão importante! 8 É como se os escritores dos Evangelhos, ou talvez até o próprio Jesus, estivessem a dizer: «Olha, presta atenção! Pensem profundamente nisto! Conectar a antiga profecia de Daniel com o que está a acontecer ou prestes a acontecer!» Para as pessoas que leram pela primeira vez estes Evangelhos, especialmente antes de 70 d.C., esta foi uma instrução super importante para estarem espiritualmente despertas e prontas para agir de acordo com o aviso de Jesus. Diz-nos que a compreensão deste tipo de profecias requer um pensamento cuidadoso e um coração aberto ao Espírito de Deus. Deus quer dar-nos esse discernimento!
O que disse o profeta Daniel sobre a «Abominação da Desolação»? Deus revelou-lhe isso!
O profeta Daniel, um homem que andava de perto com Deus, dá-nos as primeiras e mais fundamentais descrições desta «abominação da desolação». As suas profecias pintam um quadro vívido de um inimigo poderoso que desrespeitaria intencionalmente o lugar sagrado de Deus e atacaria o verdadeiro culto.
Contexto Histórico Original: Um rei chamado Antíoco IV Epifânio
A maioria dos estudiosos da Bíblia, aqueles que estudaram profundamente a Palavra de Deus, concorda que as profecias de Daniel sobre a «abominação da desolação», especialmente em Daniel 11:31, tiveram um cumprimento inicial e muito claro nas ações de um rei grego. Chamava-se Antíoco IV Epifânio e governou um grande império (chamado Império Selêucida, que incluía a Judeia, onde vivia o povo de Deus) no século II a.C., por volta de 167 a.C..1
Este rei Antíoco IV, que até se autointitulou «Epífanes» (que significa «Manifesto de Deus» – acredita no nervo?), quis forçar a cultura e a religião gregas sobre o povo judeu.3 O que fez contra as práticas religiosas judaicas foi realmente terrível:
- Proibiu as leis judaicas, como a circuncisão e a santificação do dia do sábado.
- E isto foi enorme: Ele parou os sacrifícios duas vezes ao dia que eram o coração da adoração no templo judaico em Jerusalém.
- Depois, fez a "abominação": Ele construiu um altar ao deus grego Zeus ali mesmo no templo de Jerusalém! Alguns dizem que até ofereceu sacrifícios pagãos (talvez porcos, que eram considerados animais impuros pelos judeus) no altar sagrado de Deus.1 Imagine colocar um ídolo pagão ou oferecer sacrifícios pagãos no próprio templo de Deus – que foi um poderoso ato de desrespeito.
- Estas ações contaminaram a «fortaleza do santuário» (que é de Daniel 11:31) e causaram «desolação». Porquê? Porque tornaram o templo espiritualmente sujo e impróprio para adorar o único Deus verdadeiro, Yahweh. Isto levou a um momento em que o verdadeiro culto foi encerrado e o templo ficou basicamente desolado.3 Se quiser ler mais sobre isto, os livros históricos de 1 e 2 Macabeus (que não estão na Bíblia protestante, mas são registos históricos) descrevem estes acontecimentos e até usam uma linguagem muito semelhante à «abominação da desolação» (pode ver isto em 1 Macabeus 1:54).9
Algumas ideias mais antigas de estudiosos sugeriram que a "abominação" poderia ter sido uma forma desrespeitosa de dizer o nome de um deus fenício, Baalxamim ("Senhor do Céu"), que Antíoco pensava ser como Zeus.8 Mas, mais recentemente, os estudiosos tendem a pensar que o altar pagão real ou as próprias oferendas pagãs eram a "abominação".8
Pistas proféticas em Daniel que apontam para além de Antíoco
embora as ações de Antíoco se enquadrem em muitos pormenores das profecias de Daniel, há outras coisas em Daniel, especialmente nos capítulos 9 e 12, que levaram muitas pessoas a acreditar que ainda há um futuro cumprimento. Os planos de Deus são tão grandes!
- Daniel 9:27 fala sobre um pacto, um acordo especial, que seria confirmado por "uma semana" (muitos acreditam que isso significa um período de sete anos). Os sacrifícios seriam interrompidos a meio desta «semana».2 Este pormenor sobre um pacto não corresponde claramente ao que sabemos sobre Antíoco.
- Daniel 12:11 dá um prazo específico de 1.290 dias a partir de quando o sacrifício diário é interrompido e a abominação é estabelecida, até que alguma outra coisa aconteça.2 Estes prazos exatos muitas vezes fazem as pessoas pensarem em uma situação futura, no fim dos tempos.
Assim, as profecias de Daniel estabelecem um padrão claro para o que se parece com uma «abominação da desolação»: Um poderoso e arrogante inimigo de Deus e do seu povo, que deliberadamente tem como alvo o próprio coração da verdadeira adoração (o santuário e os seus rituais). Este inimigo suprime a verdadeira adoração e substitui-a por algo idólatra e profano. Este padrão de desrespeito torna-se como um modelo, ajudando-nos a entender como esta profecia pode ser cumprida em outros tempos, incluindo aquele de que o próprio Jesus falou.
Uma parte muito importante da descrição de Daniel é «tirar» os «sacrifícios diários» que Deus tinha ordenado.2 A abominação não se trata apenas de acrescentar algo mau; está diretamente ligada à remoção ou cessação do verdadeiro culto. É como um ataque em duas partes: silenciar a verdadeira devoção a Deus e pôr uma falsificação em seu lugar. Isto mostra realmente a batalha espiritual em curso, em que um inimigo tenta roubar o legítimo local de honra e adoração de Deus. Mas sabemos que Deus sempre tem a palavra final!
Como Jesus falou sobre a "Abominação da Desolação" nos Evangelhos? Deu-nos esperança e um aviso!
O nosso maravilhoso Salvador, Jesus Cristo, tirou a antiga profecia de Daniel e trouxe-a num futuro próximo para os Seus discípulos, tornando-a incrivelmente relevante e urgente para eles. Seus ensinamentos sobre isso são encontrados principalmente no que chamamos de Discurso das Oliveiras, que é registrado em Mateus capítulo 24, Marcos capítulo 13, e com algumas ligeiras diferenças, em Lucas capítulo 21,4.
Contexto: O Discurso das Oliveiras – Um Coração-a-Coração no Monte das Oliveiras
Tudo começou quando Jesus estava a sair do templo em Jerusalém. Disse uma coisa que deve ter realmente chamado a atenção dos discípulos: «Em verdade vos digo que nenhuma pedra ficará aqui sobre outra; todos serão lançados ao chão» (Mateus 24:2).8 Uau! Consegues imaginar ouvir isso sobre um edifício tão magnífico? Isto levou os discípulos a perguntarem-Lhe em particular, quando estavam no Monte das Oliveiras: «Dize-nos, quando serão estas coisas, e qual será o sinal da tua vinda e do fim dos tempos?» (Mateus 24:3).4 É provável que os discípulos pensassem que a destruição do templo, o regresso de Jesus e o fim dos tempos faziam parte de um grande e surpreendente evento futuro.4
Aviso Específico de Jesus – Escuta, isto é importante!
À sua maneira amorosa, Jesus começou a falar sobre vários sinais e problemas que viriam e, em seguida, mencionou especificamente a «abominação da desolação»:
- Mateus 24:15: «Assim, quando virdes a abominação da desolação de que fala o profeta Daniel, em pé no lugar santo (que o leitor compreenda)...» 2
- Marcos 13:14: «...quando se vê a abominação da desolação onde ele não devia estar (que o leitor compreenda)...» 8 isto é interessante: alguns dos antigos escritos gregos de Marcos usam uma palavra para «de pé» que sugere que «a abominação» pode ser uma pessoa, um homem.8 O Evangelho de Mateus usa uma palavra que pode significar um objeto ou um acontecimento.8 Deus dá-nos estes detalhes por uma razão!
- Lucas 21:20: Como já referimos, a história paralela de Luke apresenta uma descrição mais direta: «Mas quando virem Jerusalém rodeada de exércitos, saibam que a sua desolação está próxima.» 8 Muitos estudiosos acreditam que Lucas estava a clarificar o sinal específico que anunciaria a destruição de Jerusalém em 70 d.C. para as pessoas que lêem o seu Evangelho.4
O apelo à ação: Fujam! Deus providenciou uma forma de escapar!
Quando este sinal - a "abominação da desolação" - apareceu, Jesus deu uma ordem muito clara e urgente: "Então fujam para os montes os que estão na Judeia" (Mateus 24:16; Marcos 13:14; Lucas 21:21).3 Ele realmente enfatizou a rapidez com que precisavam agir:
- Se estavas no telhado, nem sequer desces a casa para ir buscar as tuas coisas! 7
- Se estava no campo, não volte para comprar o casaco! 7
- Jesus expressou especial preocupação com as mulheres grávidas e as mães que amamentam durante esse tempo de fuga. Chegou mesmo a dizer aos seus discípulos que orassem para que a sua fuga não acontecesse no inverno ou num dia de sábado, porque isso tornaria ainda mais difícil.7 O nosso Deus é tão compassivo!
Calendário e cumprimento do ensino de Jesus – Deus controla a cronologia!
Uma declaração muito importante sobre quando estas coisas aconteceriam é encontrada em Mateus 24:34 e Marcos 13:30: «Em verdade vos digo, esta geração não passará até que todas estas coisas tenham ocorrido.» 4 Muitos estudiosos acreditam que «estas coisas» (referindo-se ao que Ele acabara de descrever, incluindo a abominação da desolação e a destruição do templo) apontavam principalmente para os acontecimentos que levaram à queda de Jerusalém em 70 d.C.4 Este acontecimento histórico incrível aconteceu cerca de 40 anos depois de Jesus ter proferido estas palavras, e que o calendário se encaixa no que a Bíblia significa por «geração». 4 A instrução específica para fugir faz tanto sentido se pensarmos numa cidade sitiada e destruída, como Jerusalém foi em 70 d.C. Mas não faria muito sentido no próprio momento do regresso final e glorioso de Cristo, porque então a fuga não seria possível ou mesmo necessária — estaremos com Ele! 4
Ao mencionar diretamente Daniel, Jesus estava a dizer: «Sim, o que Daniel profetizou é verdade e vem de Deus!» E, ao mesmo tempo, estava a reinterpretar e a aplicar novamente essa profecia a uma situação nova e urgente para os seus discípulos. O próprio Jesus recontextualizar a profecia é tão poderoso! Mostra-nos que a Palavra de Deus pode ter camadas de significado e pode ser cumprida em diferentes momentos da história, sendo Jesus sempre a chave final para compreender tudo.
E a advertência de Jesus foi incrivelmente prática. Não estava apenas a tentar satisfazer a sua curiosidade sobre o futuro. Ele estava dando-lhes uma instrução clara e salvadora de vidas! Os relatos históricos, como os do historiador da igreja primitiva Eusébio, dizem-nos que os cristãos em Jerusalém realmente ouviram o aviso de Jesus e fugiram da cidade (eles supostamente foram para uma cidade chamada Pella, do outro lado do rio Jordão) antes de ser finalmente sitiada e destruída pelos romanos. Foram salvos porque confiaram em Jesus! 4 Isto mostra-nos uma razão central pela qual Deus nos dá advertências proféticas nas Escrituras: para oferecer a orientação e a proteção divinas ao seu povo. Não se trata apenas de saber o futuro, saber viver fielmente por causa do que sabemos!
Também é muito importante ver como está estruturado o Discurso das Oliveiras. Embora a «abominação da desolação» e a destruição do templo em 70 d.C. sejam um grande foco na primeira parte do ensino de Jesus (aproximadamente Mateus 24:4-35), Ele passa então a falar mais especificamente sobre a Sua Segunda Vinda final e o próprio fim da era (Mateus 24:36 em diante). E sobre esse evento final, diz Ele, «ninguém sabe o dia ou a hora». 4 Este duplo foco sugere que a catástrofe de 70 d.C., enquanto um enorme julgamento e o cumprimento de profecias específicas, também pode ser como uma antevisão ou um prenúncio de acontecimentos finais ainda maiores. Este tipo de complexidade é uma bela característica da profecia bíblica, e é por isso que pode haver diferentes interpretações, todas procurando honrar a Deus. A sabedoria de Deus é muito superior à nossa!
A "Abominação da Desolação" já aconteceu? Explorar o plano de desdobramento de Deus!
Esta é uma grande questão e está no cerne da forma como nós, crentes, compreendemos esta importante profecia: A «abominação da desolação» é algo que já está no passado, algo ainda por vir no futuro, ou talvez outra coisa? Muitos sábios estudiosos da Bíblia acreditam que algumas profecias podem ter mais de um cumprimento. Pensem nisto assim: um cumprimento inicial ou parcial acontece na história, e depois, mais tarde, pode haver um cumprimento mais completo ou final. Esta ideia é por vezes chamada de «dualidade profética» ou «tipologia», em que um evento anterior atua como um padrão ou um «tipo» para um posterior.3 E a «abominação da desolação» é muitas vezes vista como um exemplo perfeito deste princípio.3 Deus trabalha em camadas surpreendentes!
Primeiro cumprimento histórico: O rei Antíoco IV Epifânio (167 a.C.)
Tal como falámos anteriormente (na pergunta 3), existe um forte acordo entre os estudiosos de que a profecia de Daniel em Daniel 11:31 teve um cumprimento histórico muito claro. Aconteceu com as ações desse rei selêucida, Antíoco IV Epifânio, por volta de 167 a.C..1 Lembrem-se, ele parou à força os sacrifícios judaicos, desrespeitou o templo em Jerusalém ao erguer um altar pagão (provavelmente para Zeus) e até ofereceu animais imundos lá.3 Do ponto de vista judaico, esta foi absolutamente uma "abominação" horrível, e deixou o templo "desolado" durante algum tempo porque a verdadeira adoração foi encerrada.3 Os livros históricos de 1 e 2 Macabeus (que, para os protestantes, não fazem parte da Bíblia, mas são registos históricos valiosos) descrevem vividamente este tempo e até usam linguagem muito semelhante à "abominação da desolação" (podem ver 1 Macabeu 1:549).9
Mas aqui está algo a ter em mente: este evento com Antíoco não é geralmente visto como o final ou completo cumprimento de tudo o que Daniel profetizou acerca da abominação. Uma grande razão é que o próprio Jesus, ao falar cerca de 200 anos depois Antíoco falou sobre a profecia de Daniel de uma «abominação da desolação» como algo que ainda estava na futuro Além disso, alguns pormenores das profecias de Daniel, como a menção de um pacto de sete anos em Daniel 9:27, não parecem corresponder claramente ao que Antíoco fez historicamente.2 As profecias de Deus são precisas!
Segundo Cumprimento Histórico: A destruição de Jerusalém e seu belo templo em 70 d.C.
Vejamos o que o próprio Jesus profetizou em Mateus 24:15 e Marcos 13:14. Advertiu os seus discípulos sobre uma «abominação da desolação» que veriam. Muitos, muitos estudiosos entendem isso para apontar para os terríveis acontecimentos em torno do cerco romano e destruição de Jerusalém e seu templo em 70.4 AD Esta visão é especialmente forte entre aqueles que têm o que chamamos de preterista ou Historicista interpretações de profecia. Mesmo alguns que acreditam em uma realização futura (futuristas) veem o AD 70 como um evento muito importante, talvez não o final definitivamente uma realização importante.
Eis o que aconteceu: Em 70 d.C., depois de uma feroz revolta judaica, os exércitos romanos, liderados pelo general Tito (que mais tarde se tornou imperador), cercaram Jerusalém. Acabaram por romper as muralhas da cidade, mataram tragicamente muitas das pessoas que ali viviam e destruíram completamente a cidade. Tal incluiu a queima do magnífico templo até ao chão.7 A «abominação» nesta situação pode referir-se a várias coisas sobre a conquista romana:
- Os próprios exércitos romanos eram vistos como uma abominação por muitos judeus. Porquê? Porque transportavam padrões idólatras – coisas como águias gravadas ou imagens do imperador, que os soldados realmente adoravam – para a cidade santa e, eventualmente, para a área do templo.2
- Alguns relatos históricos até sugerem que Tito, depois que o templo foi queimado, pode ter tido padrões romanos ou um ídolo colocado no local do templo.
- Apenas o imenso derramamento de sangue e o desrespeito geral demonstrado pelo exército conquistador naquele local sagrado também seria uma abominação que levaria à desolação. O historiador judeu Flávio Josefo, que testemunhou alguns destes acontecimentos, escreveu descrições desoladoras do sofrimento e da destruição.
Lembram-se da história paralela do Luke? «Quando virdes Jerusalém rodeada de exércitos, sabei que a sua desolação está próxima» (Lucas 21:20). Muitos vêem isto como uma referência muito direta e clara a este cerco romano.4 E quanto à declaração de Jesus, «esta geração não passará até que todas estas coisas tenham acontecido» (Mateus 24:34)? Isto apoia fortemente o cumprimento do AD 70, porque este acontecimento terrível aconteceu cerca de 40 anos após a sua profecia – um prazo que se encaixa na ideia bíblica de uma "geração". 4 A Palavra de Deus é sempre verdadeira!
Então, o AD 70 foi o Cumprimento Final? Aqui é onde as pessoas cheias de fé veem isso de forma diferente.
É aqui que os cristãos, todos que amam o Senhor e a sua Palavra, têm diferentes entendimentos:
- Para muitos que têm a Categoria: Visão preterista, os acontecimentos de 70 d.C. são o principal, e muitas vezes o cumprimento completo, do que Jesus profetizou no Discurso das Oliveiras sobre a "abominação da desolação". 2
- Os que têm futurista Os pontos de vista (e alguns Historicistas) tendem a ver o AD 70 como um cumprimento muito importante e um importante padrão histórico. Mas eles acreditam que a última "abominação da desolação" que Daniel descreveu - especialmente coisas como o pacto de sete anos e períodos de tempo específicos como 1.290 dias - ainda vai acontecer no futuro.2 Este evento futuro está muitas vezes ligado à ascensão de uma figura conhecida como o Anticristo no final dos tempos. Eles argumentam que nem todos os detalhes específicos das profecias de Daniel foram perfeitamente cumpridos em 70.2 AD.
O padrão que vemos nestes acontecimentos históricos sugere que a «abominação da desolação» envolve um terrível desrespeito do que é santo para Deus, especialmente o seu local de culto, por um poder hostil e idólatra. Se o ato de Antíoco foi um prenúncio, e a destruição romana em 70 d.C. foi um cumprimento mais direto do aviso imediato de Jesus, então um potencial cumprimento futuro pode seguir um padrão semelhante, talvez numa escala ainda maior ou mais intensa. Esta ideia de uma escalada da profecia no seu cumprimento não é incomum na Bíblia. Os acontecimentos passados ajudam-nos a compreender tipo de que Deus está a falar, enquanto as realizações posteriores podem ser ainda maiores em suas escopo ou intensidade. Deus está sempre a trabalhar o seu plano!
Um elemento crucial em todas estas discussões é a localização: "o lugar santo" (Mateus 24:15) ou "onde não devia estar" (Marcos 13:14). Para os discípulos de Jesus, isto significaria claramente o templo de Jerusalém. Tanto a perseguição por Antíoco e a destruição pelos romanos centrou-se neste local sagrado. Este enfoque coerente levanta questões importantes para qualquer interpretação de uma futura «abominação da desolação», especialmente se também necessitaria de um templo literal em Jerusalém.
O contexto histórico da audiência de Jesus também é muito importante. Conheceram as profecias de Daniel e provavelmente recordaram as histórias da terrível profanação de Antíoco, que tinha acontecido cerca de dois séculos antes. Os livros dos Macabeus, que contam estas histórias, eram conhecidos.11 Assim, quando Jesus falou de uma «abominação da desolação» e instou-os a «deixar o leitor compreender», provavelmente levou-os a ligar as profecias de Daniel, o exemplo de Antíoco, e a crescente ameaça de Roma. Para os discípulos originais, o aviso não se referia a uma ideia vaga com um precedente histórico arrepiante. Isso fez com que a previsão de um novo A situação é ainda mais alarmante. Mas louvai a Deus, Ele dá-nos sempre sabedoria e advertência por Seu grande amor!
O que os Padres da Igreja Primitiva ensinaram sobre a "Abominação da Desolação"? Sabedoria dos nossos irmãos e irmãs no passado!
Não é maravilhoso aprender com aqueles que nos precederam na fé? Os primeiros escritores e teólogos cristãos, a quem muitas vezes chamamos de Padres da Igreja (eles viveram aproximadamente do final do século I ao século VIII d.C.), realmente pensaram e rezaram sobre o significado da «abominação da desolação». De um modo geral, concordaram que se tratava de uma profecia bíblica importante, e muitas vezes ligaram-na à sua compreensão dos acontecimentos do fim dos tempos e, muito frequentemente, à figura do Anticristo.8 Eles procuravam a verdade de Deus, tal como nós!
Figuras-chave e suas opiniões sinceras:
- Irineu (cerca de 130-202 AD): Que grande homem de Deus! Irineu, no seu trabalho Contra as heresias, relacionando claramente a "abominação da desolação" de que Daniel e Jesus falaram (Mateus 24:15) com uma figura futura que ele identificou como o Anticristo.8 Ele imaginou o Anticristo como uma pessoa específica, talvez até mesmo de herança judaica da tribo de Dan, que subiria ao poder, sentar-se-ia num templo reconstruído em Jerusalém, exigiria ser adorado como Deus e governaria como um tirano.18 Enquanto via a destruição de Jerusalém em 70 d.C. como um cumprimento parcial ou um tipo, Irineu acreditava que o cumprimento final da "abominação da desolação" estava à espera da vinda deste Anticristo.8 Ele pensou que este evento aconteceria no meio de um período final de sete anos, e ligou-o ao que Paulo descreveu como o "Homem do Pecado" em 2 Tessalonicenses 2.18
- Hipólito de Roma (cerca de 170-235 AD): Seguindo os passos de Irineu, Hipólito, na sua Comentário a Daniel e a sua Tratado sobre Cristo e o Anticristo, também identificou fortemente a "abominação da desolação" com o Anticristo.8 Ele ensinou que esta figura do Anticristo reconstruiria o templo em Jerusalém, enganaria muitos judeus a acreditarem que ele era o Messias e, em seguida, se estabeleceria no templo para ser adorado.19 Hipólito pintou um quadro do Anticristo como um grande enganador que tentaria imitar Cristo de muitas maneiras.21
- Orígenes (cerca de 184 – 253 AD): Orígenes era conhecido por interpretar frequentemente as Escrituras de uma forma mais alegórica ou espiritual, e oferecia uma perspetiva ligeiramente diferente.16 Embora falasse do Anticristo, Orígenes via por vezes a «abominação da desolação» não apenas como uma pessoa literal ou um único acontecimento, mas também como uma «falsa palavra» ou um ensinamento errado que se coloca no lugar da verdadeira compreensão da Bíblia.19 Também a ligava à ideia mais ampla do mal que se opõe a Cristo, ou à heresia generalizada e à rejeição da vida piedosa.19
- Cirilo de Jerusalém (cerca de 313-386 AD): Nas suas palestras de ensino, Cirilo ensinou que a "abominação da desolação" se referia ao Anticristo que ainda estava por vir e permaneceria no lugar santo, o templo.8
- Jerónimo (cerca de 347-420 AD): O grande estudioso da Bíblia Jerónimo, nos seus comentários sobre Mateus e Daniel, deu várias interpretações possíveis para a "abominação da desolação".
- O futuro Anticristo.
- Um acontecimento passado, como uma imagem de César que Pôncio Pilatos poderia ter colocado no templo.
- Outro acontecimento passado (ou algo que aconteceu no tempo de Jerónimo), que foi a estátua de equitação do imperador romano Adriano que se encontrava no local do antigo Santo dos Santos em Jerusalém. Jerónimo entendia que a «abominação» era um ídolo e colocá-la ali resultaria no abandono e destruição do templo23.
- Agostinho de Hipona (354-430 d.C.): Agostinho era um pensador profundo, e os seus pontos de vista eram variados nos seus escritos.8 Por vezes associava a «abominação da desolação» à ideia geral do Anticristo ou a todas as pessoas «malvadas» que se opõem a Deus. Ele também manteve o que poderíamos chamar de uma visão parcialmente preterista, o que significa que reconheceu que algumas profecias, como as sobre a queda de Jerusalém, foram cumpridas no passado com os acontecimentos de 70 dC, enquanto outras profecias do fim dos tempos ainda eram futuras.22 Em alguns de seus escritos, Agostinho interpretou a "abominação da desolação" de forma mais simbólica, talvez relacionando-a com o fim dos antigos sacrifícios aarônicos e o início do novo sacerdócio e sacrifício cristão (a Ceia do Senhor).22 Ele afirmou, no entanto, que Jesus estava definitivamente referindo-se à profecia de Daniel.8
- John Chrysostom (cerca de 347-407 AD): Nas suas poderosas Homilias sobre o Evangelho de Mateus, Crisóstomo interpretou claramente a «abominação da desolação» de que Jesus falou em Mateus 24:15 como referindo-se aos exércitos romanos e à posterior destruição de Jerusalém e do seu templo em 70.8 Argumentou que esta parte do Discurso das Oliveiras de Jesus se cumpriu com a queda de Jerusalém e, depois disso, Jesus passou a falar sobre a Sua Segunda Vinda final.17 Crisóstomo chegou mesmo a dizer aos seus leitores para verificarem os escritos do historiador judeu Josefo para compreenderem quão incrivelmente severo era o sofrimento que sobreveio a Jerusalém em 70.17
Tópicos comuns no que estes homens piedosos ensinaram:
Mesmo com algumas variações, podemos ver alguns temas comuns no que estes Padres da Igreja ensinaram:
- Uma forte tendência, especialmente nos Padres anteriores, como Irineu e Hipólito, para ligar a "abominação da desolação" com um futuro, anticristo pessoal e eventos do fim dos tempos.
- Todos reconheceram a destruição de Jerusalém no ano 70 d.C. como um acontecimento profundamente importante. Viram-no como um cumprimento direto das palavras de Jesus em Mateus 24:15 ou como um padrão importante para problemas futuros.
- O «lugar santo» que Jesus mencionou era geralmente entendido como o templo judaico em Jerusalém.
As interpretações destes primeiros Padres da Igreja eram tão fundamentais! De facto, moldaram a forma como gerações posteriores de cristãos compreenderam o Anticristo e a sua ligação a profecias como a «abominação da desolação». Tentaram reunir várias passagens bíblicas (de Daniel, das cartas de Paulo, do Apocalipse e dos Evangelhos), o que levou a uma imagem mais pormenorizada, embora não perfeitamente uniforme, de uma futura figura do Anticristo que desrespeitaria um lugar santo, muitas vezes um templo reconstruído. Esta tradição tornou-se especialmente influente no que hoje chamamos de escola futurista de interpretação profética.
Também é interessante ver que a tensão entre interpretações mais literais (centradas num futuro Anticristo num templo físico) e leituras mais simbólicas ou espiritualizadas (como algumas das que Orígenes ou Agostinho disseram) existia desde muito cedo na história da igreja. Esta variedade inicial prenuncia as diferentes formas principais de pensar sobre o fim dos tempos que temos hoje. Mostra apenas que lutar com o significado de profecias tão poderosas sempre fez parte do pensamento e da reflexão cristãs. Deus nos dá mentes para pensar e corações para procurá-lo!
Homens como Irineu salientaram a ideia de que a «abominação da desolação» era como um «nome de código» que os crentes precisavam de «descodificar» cuidadosamente. 8 Isto encaixa-se perfeitamente com a frase misteriosa de Jesus, «que o leitor compreenda». Os Padres da Igreja estiveram envolvidos neste processo de «descodificação», comparando cuidadosamente as Escrituras com as Escrituras e aplicando-as à sua compreensão do plano surpreendente de Deus e de como o mal funciona. Isto mostra-nos que viram o envolvimento com a profecia e não apenas a aceitação passiva de um mistério como uma tarefa ativa e interpretativa que era vital para a compreensão e a prontidão espiritual da Igreja. Deus quer que estejamos prontos e cheios de fé!
Quais são as diferentes visões cristãs sobre quando ocorre a "abominação da desolação" (passado, presente ou futuro)? Povo de Deus à procura de compreensão!
Não é uma bênção termos a Palavra de Deus, a Bíblia, como nosso guia final? Os cristãos que têm a Bíblia como Palavra autorizada de Deus chegaram, ao longo de séculos de estudo orante, a conclusões diferentes sobre como e quando se cumprem profecias como a «abominação da desolação». Não há problema em ter perspetivas diferentes, desde que todos procuremos a verdade de Deus com um coração humilde! Estas diferentes interpretações dividem-se geralmente em quatro formas principais de pensar em "escatologia", que é apenas um termo teológico de fantasia para o estudo do fim dos tempos ou das últimas coisas.8
A. Visão preterista (aconteceu no passado!)
A visão preterista (que vem de uma palavra latina praeter, que significa "passado") basicamente diz que a maioria, se não todas, as profecias que Jesus deu no Discurso das Oliveiras, incluindo a sua advertência sobre a "abominação da desolação", foram cumpridas no passado.2 Este cumprimento é visto principalmente nos acontecimentos que antecederam e incluíram o devastador cerco romano e a destruição de Jerusalém e do seu templo em 70.4 d.C.
- O que foi a «abominação»? Os preteristas identificam frequentemente a «abominação da desolação» com os próprios exércitos romanos. Lembrem-se, trouxeram os seus padrões militares idólatras (que tinham imagens de águias ou do imperador, coisas que os pagãos adoravam) para a cidade santa de Jerusalém e, eventualmente, para a área do templo.2 Ou, poderia referir-se ao desrespeito geral e ao derramamento de sangue que contaminaram o templo durante a sua destruição.4 O relato de Lucas (Lucas 21:20), «quando vemos Jerusalém rodeada de exércitos», é considerado uma passagem paralela fundamental que realmente esclarece a natureza deste sinal para aquele evento de 70 d.C.4
- Calendário e «esta geração»: Um elemento de prova super importante para os preteristas é a declaração de Jesus: «Em verdade vos digo que esta geração não passará até que todas estas coisas tenham ocorrido» (Mateus 24:34).4 Eles interpretam literalmente «esta geração», ou seja, os contemporâneos de Jesus, as pessoas que viviam naquele tempo. E salientam que a queda de Jerusalém ocorreu em 70 d.C., num prazo de 40 anos a contar do ministério de Jesus.
- Suporte para esta visão: As fortes semelhanças históricas entre as advertências específicas de Jesus (como a necessidade de fugir imediatamente da Judeia) e o que realmente aconteceu durante a guerra judaico-romana e o cerco de Jerusalém dão realmente apoio a este ponto de vista.4 E, como mencionamos, alguns dos primeiros Padres da Igreja, como João Crisóstomo, tinham interpretações que se encaixavam com uma compreensão preterista de Mateus 24:15.17
B. Visão futurista (ainda está por vir no futuro!)
A visão futurista sustenta que, embora acontecimentos históricos como o desrespeito por Antíoco Epifânio e a destruição de Jerusalém em 70 d.C. possam ter sido pré-visualizações ou cumprimentos parciais, a maior e última "abominação da desolação" é um evento que ainda vai acontecer no futuro.2 Este evento é tipicamente colocado num período futuro de intensa crise global, muitas vezes chamada de "Grande Tribulação", mesmo antes da Segunda Vinda de Cristo. Preparem-se, porque Deus está no trono!
- O que será a «abominação»? Os futuristas geralmente acreditam que a futura «abominação da desolação» estará ligada às ações de um líder mundial vindouro conhecido como o Anticristo (também chamado «homem da ilegalidade» ou «a besta» noutras partes da Bíblia).2 Acreditam que este Anticristo fará um pacto ou tratado de sete anos, provavelmente com Israel, quebrá-lo-á logo no meio (após 3,5 anos).2 Nesse momento, cometerá a «abominação da desolação». Isto é amplamente interpretado como o Anticristo entrando num templo judaico reconstruído em Jerusalém, impedindo quaisquer sacrifícios que possam ter começado de novo e, em seguida, criando um objeto de culto — muitas vezes considerado uma imagem de si mesmo ou uma declaração de que ele é Deus — ali no templo.2 Isto é visto como o ato final de desrespeito e blasfêmia.
- Calendário: Este evento é um marcador crítico na linha do tempo futurista. Sinaliza o ponto médio de um futuro período de tribulação de sete anos e dá início à «Grande Tribulação», que Jesus descreveu como um tempo de sofrimento como nada jamais visto na história (Mateus 24:21).2
- Suporte para esta visão: Os futuristas apontam detalhes específicos nas profecias de Daniel (como aquele pacto de sete anos e períodos de tempo precisos, como 1.290 dias ou 1.335 dias) que argumentam não terem sido total ou literalmente cumpridos em eventos históricos passados.2 Eles também encontram apoio nas interpretações de muitos dos primeiros Padres da Igreja, como Irineu e Hipólito, que esperavam que um futuro Anticristo fizesse este mesmo ato.8 Esta visão é muito comum em muitos círculos dispensacionalistas e evangélicos modernos. A Palavra de Deus é poderosa!
C. Visão Historicista (Tem acontecido ao longo da História da Igreja!)
A visão historicista sugere que as profecias bíblicas, especialmente as de livros como Daniel e Apocalipse, são cumpridas progressivamente ao longo de toda a história, desde o tempo do profeta ou de Cristo até a Segunda Vinda.4 A "abominação da desolação", neste modo de pensar, não é necessariamente um único evento isolado (passado ou futuro), mas pode se referir a um declínio espiritual em desenvolvimento ou a uma série de eventos e entidades que apareceram ao longo da era cristã.29
- O que é a «abominação»? Historicamente, muitos reformadores protestantes (como Martinho Lutero, João Calvino e João Knox) e grupos posteriores, incluindo alguns adventistas do sétimo dia, identificaram o papado ou o sistema papal da Idade Média como o poder responsável pela «abominação da desolação» ou como o sistema do Anticristo31. Esta interpretação baseou-se na sua convicção de que a igreja medieval tinha assumido a autoridade de Cristo, alterado as leis de Deus (por exemplo, no que diz respeito ao culto sabático ou à idolatria) e criado um sistema de culto e mediação (como através de sacerdotes e sacramentos) que consideravam contrário ao evangelho simples e ao papel único de Cristo como nosso único mediador. A «desolação», neste ponto de vista, é muitas vezes entendida como uma desolação espiritual — uma desolação da verdadeira fé ou a contaminação do templo espiritual (que é a Igreja).
- Calendário: Este cumprimento é visto como acontecendo ao longo de muitos séculos, muitas vezes ligado a períodos de tempo proféticos específicos encontrados em Daniel e Apocalipse, como os 1.260 dias/anos ou 1.290 dias/anos. Os historicistas interpretam-nas frequentemente com base no princípio do «dia por ano»31.
- Suporte para esta visão: Historicistas tentam encontrar correspondências históricas diretas para os símbolos, cronogramas e descrições proféticas ao longo do período da história cristã, particularmente concentrando-se em eventos dentro da civilização ocidental e da Igreja.
D. Visão idealista/simbólica (É uma verdade espiritual ou simbólica para todos os tempos!)
A visão idealista (também por vezes chamada de abordagem espiritual ou simbólica) interpreta a «abominação da desolação» não como um acontecimento literal e físico ligado a um momento histórico específico ou a um templo físico. Em vez disso, é visto como representando verdades espirituais intemporais ou realidades simbólicas que são sempre relevantes para nós, enquanto crentes33. Trata-se de viver a nossa fé todos os dias!
- O que é a «abominação»? Do ponto de vista idealista, a «abominação da desolação» pode simbolizar qualquer grande mal espiritual. Isto pode ser uma poderosa idolatria, um profundo afastamento da verdade no desrespeito do que é santo num sentido mais geral, ou até mesmo o coração humano tornar-se espiritualmente vazio e desolado através do pecado e rejeitar Deus.13 Como mencionamos, o Padre Orígenes da Igreja às vezes a via como um falso ensino que corrompe a verdade das Escrituras.19 A "desolação" é a ruína espiritual e o vazio que vem de tais abominações.
- Calendário: Este tipo de «abominação da desolação» pode acontecer a qualquer momento na vida de um crente individual, numa comunidade eclesial ou na sociedade no seu conjunto, sempre que a verdade de Deus é suprimida, o seu lugar legítimo é roubado por ídolos (quer sejam ídolos literais ou coisas que colocamos diante de Deus nos nossos corações) ou o falso culto é abraçado.13
- Suporte para esta visão: Esta visão concentra-se nos princípios morais e espirituais subjacentes que a linguagem profética está nos ensinando, em vez de tentar identificar previsões exatas históricas ou futuras.33 Enfatiza a luta contínua entre o bem e o mal, e entre Deus e as forças que se opõem a Ele. Mas sabemos que Deus é vitorioso!
Estas diferentes formas de compreensão provêm, em grande medida, de diferentes formas de ler e interpretar a literatura profética na Bíblia – o que os estudiosos chamam de «hermenêutica». Os preteristas centram-se no contexto histórico original. Os futuristas esperam muitas vezes o cumprimento literal de pormenores que ainda não aconteceram. Historicistas procuram um contínuo desdobramento da profecia na história. E os idealistas procuram o significado espiritual ou simbólico atemporal.
No entanto, apesar destas diferenças, há muitas vezes pontos de vista comuns. Todos estes pontos de vista reconhecem a gravidade da «abominação» – algo profundamente ofensivo para Deus. Todos eles reconhecem as profecias de Daniel e as palavras de Jesus como o fundamento bíblico. E todos eles, em última análise, olham para o triunfo final de Deus sobre todo o mal! A variação está muitas vezes no «quando» e no «como» de cumprimento, as principais preocupações sobre o afastamento de Deus, a idolatria e a santidade de Deus são coisas que todos partilhamos.
Uma coisa subtil, mas importante, que conduz a estas interpretações variadas é saber se a «abominação da desolação» é, antes de mais, uma objeto ou a pessoa/sistema. Algumas traduções de Daniel 9:27, por exemplo, sugerem um objeto, enquanto outras ("aquele que torna desolado") apontam para uma pessoa ou um agente.2 Esta pequena diferença de linguagem, juntamente com coisas como a palavra masculina usada em alguns textos gregos de Marcos 13:14 ("em pé", implicando uma figura masculina), permite interpretações que vão desde um ídolo literal ao próprio Anticristo, ou mesmo um sistema de apostasia que é como uma pessoa.2 Isto mostra apenas como mesmo pequenas diferenças na tradução ou detalhes textuais podem influenciar grandes interpretações teológicas. Mas o Espírito de Deus pode guiar-nos para a verdade!
Para nos ajudar a ver estes pontos de vista claramente, aqui está um pequeno resumo. Pense nisto como uma forma de apreciar a forma como os diferentes crentes procuram compreender a Palavra de Deus:
Quadro: Resumo das principais interpretações da abominação da desolação – Diferentes caminhos para compreender a Palavra de Deus!
| Vista interpretativa | Tempo de Cumprimento Primário | Natureza da «abominação» | Principais proponentes/exemplos |
|---|---|---|---|
| Preterista | AD 70 (passado) | exércitos/normas romanos no templo de Jerusalém; profanação geral do templo pelos romanos. | John Chrysostom (para Mt 24:15), muitos estudiosos modernos (por exemplo, R.C. Sproul, Kenneth Gentry). |
| futurista | Tribulação futura (frequentemente a meio de um período de 7 anos) | Futuro Anticristo criar uma imagem de si mesmo ou declarar-se Deus em um templo judaico reconstruído em Jerusalém. | Irineu, Hipólito, muitos teólogos dispensacionalistas (por exemplo, John Walvoord, Tim LaHaye), muitos evangélicos contemporâneos. |
| Historicista | Ao longo da História da Igreja (por exemplo, a era papal para muitos) | Muitas vezes, o sistema papal/igreja apóstata usurpa a autoridade de Cristo, persegue santos ou institui falso culto. | Reformadores protestantes (Lutero, Calvino, Knox), Isaac Newton, muitos adventistas do sétimo dia. |
| Idealista/simbólico | Intemporal/Espiritual (pode ocorrer a qualquer momento) | Corrupção espiritual geral, idolatria no coração ou na igreja, falso ensino, qualquer acto profundo de sacrilégio ou apostasia. | Orígenes (em alguns aspectos), alguns teólogos modernos (por exemplo, William Hendriksen em parte, alguns amilenistas). |
Independentemente da forma como compreendamos o momento, concordemos todos que Deus está no controlo, que a Sua Palavra é verdadeira e que Ele quer que vivamos para Ele todos os dias!
A "Abominação da Desolação" está ligada ao Anticristo? Compreender a batalha espiritual!
Um entendimento muito comum, especialmente para aqueles que vêem a profecia através de uma lente futurista, é que esta "abominação da desolação" está direta e intimamente ligada a uma figura conhecida como o Anticristo.2 Esta figura também é falada nas Escrituras com outros títulos como o "homem do pecado" ou "homem da ilegalidade" (isto é, em 2 Tessalonicenses 2:3) e "a besta" (pode-se encontrar isso em Apocalipse 13).
Cenário futurista: Um vislumbre do que alguns acreditam que está por vir
Nesta visão, o Anticristo é um líder mundial poderoso e muito enganador que aparecerá no fim dos tempos.27 A história geral frequentemente descrita é algo assim:
- O Anticristo fará um pacto, muitas vezes entendido como um tratado de paz, com a nação de Israel. Este tratado será por um período de sete anos (isto é baseado numa interpretação de Daniel 9:27).
- Mas, mesmo a meio deste período de sete anos (ou seja, após 3,5 anos), quebrará este pacto.2
- Neste momento, cometerá a «abominação da desolação». Isto é amplamente interpretado como a entrada do Anticristo num templo judaico reconstruído em Jerusalém, a cessação de quaisquer sacrifícios que possam ter começado de novo e, em seguida, a criação de uma imagem de si próprio (ou de algum outro objeto profundamente desrespeitoso) no templo, exigindo que seja adorado como Deus.2 Este ato é considerado a última blasfémia e desrespeito a Deus.
- Este acontecimento — a «abominação da desolação» — é visto como o que dá início à «Grande Tribulação», os últimos 3,5 anos desse período de sete anos. Jesus descreveu isto como um tempo de sofrimento diferente de tudo o que o mundo já viu (Mateus 24:21).2
Passagens bíblicas usadas para apoiar esta ligação (de uma perspectiva futurista): A Palavra de Deus lança luz!
- Daniel 9:27: Este versículo fala de um "príncipe que está para vir" que fará um pacto, depois fará com que o sacrifício e a oferta parem e criará uma "abominação que desola". Este "príncipe" é comumente identificado pelos futuristas como o Anticristo.2
- 2 Tessalonicenses 2:3-4: O apóstolo Paulo, inspirado por Deus, alerta para o «homem que é contra a lei... Que se opõe e se exalta contra todo o chamado deus ou objeto de culto, de modo que se senta no templo de Deus, proclamando-se Deus.» 12 Este ato de sentar-se no templo e exigir ser adorado como Deus é visto como o Anticristo realizando a «abominação da desolação».
- Apocalipse 13:14-15: Esta passagem descreve «a besta» (muitas vezes identificada como o Anticristo) e outra figura, o «falso profeta», que engana as pessoas para que façam uma «imagem à besta» e a façam adorar. Aqueles que se recusam a adorar esta imagem devem ser mortos.2 Esta "imagem da besta" é frequentemente vista como a mesma coisa que a "abominação da desolação".
Pontos de vista dos Padres da Igreja: Sabedoria do Passado
Como falámos na pergunta 6, muitos Padres da Igreja primitivos influentes, como Irineu, Hipólito e Cirilo de Jerusalém, ensinaram especificamente que a «abominação da desolação» de Daniel, a que Jesus se referiu, encontraria o seu cumprimento final no que o Anticristo faz no fim dos tempos.8 Jerónimo também considerou o Anticristo uma interpretação primária.23 Estes homens amaram a Deus e procuraram a Sua verdade!
Outras formas de compreender isto:
- Preteristas, que vêem a "abominação da desolação" de Mateus 24:15 como cumprida em 70 d.C., geralmente não ligam esta profecia específica a uma única figura futura do Anticristo. Mas podem reconhecer que houve um «espírito anticristo» ou vários «anticristos» (como mencionado em 1 João) no primeiro século.
- Historicistas muitas vezes identificaram o Anticristo não como um único indivíduo futuro como um sistema ou um escritório, como o papado. Neste ponto de vista, a "abominação da desolação" estaria ligada às ações e reivindicações históricas deste sistema percebido do Anticristo ao longo de muitos séculos.31
- idealistas pode interpretar o «anticristo» mais como um espírito ou princípio intemporal que se opõe a Cristo e aos seus ensinamentos. A «abominação da desolação» seria então qualquer pecado grave, idolatria ou falso ensino que encarnasse este espírito anticristão, e não um ato ligado a um indivíduo futuro específico19.
Nas interpretações que ligam fortemente a «abominação da desolação» ao Anticristo, este ato é visto como o pico absoluto da rebelião humana e do desafio satânico contra Deus. Para o Anticristo, entrar no templo santo de Deus e exigir culto é o último ato de blasfémia, desafiando diretamente a autoridade de Deus no seu próprio lugar especial.12 Torna-se um momento decisivo na regra profetizada pelo Anticristo, assinalando um aumento dramático do mal e da perseguição e mostrando plenamente a sua natureza maligna ao mundo inteiro.2
O ensinamento de Paulo em 2 Tessalonicenses 2:7 sobre o «mistério da ilegalidade» já em ação nos seus dias sugere que o espírito e as tendências que irão caracterizar o Anticristo estiveram presentes ao longo da história.27 Mas muitos acreditam que este «mistério» em curso acabará por conduzir à revelação futura do «homem da ilegalidade» pessoal, cujo último ato de desafio será a «abominação da desolação». Esta perspetiva liga a batalha espiritual em curso contra o mal a uma crise climática específica no final dos tempos. Mas não importa o que aconteça, sabemos que Deus é maior, e a sua vitória está assegurada! Podemos viver nessa esperança todos os dias!
Falar da "Abominação da Desolação" significa que um futuro templo será reconstruído em Jerusalém? Confiar no plano de Deus!
Esta é uma questão que muitos crentes sinceros ponderam, especialmente aqueles que veem a «abominação da desolação» como um acontecimento ainda por vir no futuro. O debate gira realmente em torno dessas referências bíblicas ao «lugar santo» ou ao «templo de Deus».
Argumento do «lugar santo»: O que Jesus quis dizer?
- Em Mateus 24:15, Jesus afirma claramente que a «abominação da desolação» será vista «no lugar santo».2 Para os seus discípulos judeus do primeiro século, «o lugar santo» significaria absolutamente, sem dúvida, o Templo de Jerusalém. Este templo era o centro da sua vida religiosa e adoração.
- As profecias no livro de Daniel também colocam consistentemente a abominação em relação ao "santuário" e à paragem dos "sacrifícios" (podem ver isto em Daniel 9:27, 11:31, 12:11). Isto claramente aponta para o contexto do templo de Jerusalém.2
Vista Futurista e o Templo Reconstruído: Uma perspetiva futura
- A maioria dos nossos irmãos e irmãs que defendem a interpretação futurista, que esperam um cumprimento literal e futuro da "abominação da desolação" pelo Anticristo, argumentam que isto significa que um templo judaico deve ser reconstruído em Jerusalém antes que estes eventos do fim dos tempos possam acontecer.2
- O seu raciocínio é bastante simples: para o Anticristo "assentar-se no templo de Deus, proclamando-se Deus" (como descrito em 2 Tessalonicenses 2:4), ou para criar uma imagem a ser adorada no templo (como sugerido por uma interpretação de Apocalipse 13:14-15), bem, um edifício físico do templo deve existir em Jerusalém naquele tempo futuro.
- Alguns que sustentam este ponto de vista apontam para os atuais movimentos e desejos entre certos grupos religiosos judaicos de reconstruir o templo no Monte do Templo em Jerusalém. Eles vêem estes como potenciais, embora não definidos, sinais ou preparações para estes eventos profetizados.
Outros pontos de vista interpretativos sobre um templo futuro: Diferentes Formas de Ver
- A visão preterista: Uma vez que os preteristas acreditam que a "abominação da desolação" profetizada por Jesus em Mateus 24:15 foi cumprida no ano 70 d.C. com a destruição do Segundo Templo, nenhum templo reconstruído futuro é necessário para a sua compreensão da A Profecia Específica.4 O «lugar santo» era o templo que estava de pé nos dias de Jesus.
- Vista Histórica: Interpretações dentro do Historicismo podem variar. Se o «templo» ou o «lugar santo» forem entendidos simbolicamente como referindo-se ao cristão, então não é necessária uma reconstrução literal de um templo em Jerusalém. Se o papado, por exemplo, for identificado como o sistema do Anticristo, então a "desecração" é vista como ocorrendo dentro da estrutura visível da igreja ou suas doutrinas durante um longo período de tempo.31 Mas alguns historicistas que também esperam uma figura final e literal do Anticristo ainda podem estar abertos à possibilidade de um templo reconstruído em uma crise final.
- Idealista/Símbolo: Do ponto de vista idealista, um templo literal e físico em Jerusalém não é geralmente considerado essencial para a «abominação da desolação» ser cumprida. O «lugar santo» pode ser interpretado simbolicamente. Pode significar o coração humano, a comunidade dos crentes (a Igreja), ou qualquer lugar onde Deus deve ser legitimamente adorado, que é então desrespeitado pelo pecado, idolatria ou falso ensino.
As realidades atuais e o que isso significa para nós: Confiar em Deus não importa o que
É importante que estejamos cientes da situação atual em Jerusalém. O Monte do Templo, que é o local dos antigos templos judaicos, é atualmente o lar da Cúpula da Rocha e da Mesquita de Al-Aqsa. Estes são locais incrivelmente sagrados no Islã. Qualquer tentativa de reconstruir um templo judaico neste local teria enormes e muito complexas consequências geopolíticas e inter-religiosas.
O debate sobre um templo reconstruído resume-se frequentemente à forma como se interpreta termos como «lugar santo» ou «templo de Deus» nas profecias do fim dos tempos. Se estes termos deve Portanto, sim, um templo reconstruído é um passo necessário para certos cenários proféticos. Mas se estes termos podem ser entendidos simbolicamente — talvez referindo-se à Igreja como templo espiritual de Deus (como sugerido em passagens como 1 Coríntios 3:16, 6:19 e Efésios 2:21-22) ou mesmo ao coração de cada crente — então uma reconstrução literal não está necessariamente implícita para todas as interpretações.
Se um templo literal fosse reconstruído e depois desrespeitado por um futuro Anticristo, como muitos futuristas esperam, este ato representaria a última tentativa do mal de apoderar-se do terreno sagrado de Deus e roubar o seu culto no cerne da sua relação histórica de aliança com Israel. Tal tornaria a «abominação» não apenas qualquer ato de idolatria um ataque muito específico e direcionado ao centro histórico e geográfico de culto de Deus, o que tornaria a sua natureza blasfema ainda mais intensa.
Independentemente da nossa visão específica de um templo reconstruído, o foco consistente destas profecias bíblicas em Jerusalém e no «lugar santo» mostra-nos a importância teológica e profética contínua desta localização geográfica específica no plano surpreendente e abrangente de Deus. Vamos manter os olhos em Jesus e confiar no seu tempo e sabedoria perfeitos!
Conclusão: Viver com esperança e compreensão!
A «abominação da desolação» é uma frase bíblica profundamente importante que ecoou ao longo da história, desde as poderosas profecias de Daniel até aos ensinamentos amorosos de Jesus Cristo, e através das interpretações de crentes que procuraram Deus ao longo dos séculos. Fala de um poderoso acto de desrespeito contra o nosso santo Deus, que normalmente envolve a profanação do seu lugar sagrado, que depois resulta em devastação e ruína.
Historicamente, esta profecia encontrou cumprimentos nas ações de um rei chamado Antíoco IV Epifânio em 167 aC. E, segundo muitos, também se cumpriu com a destruição romana do belo templo de Jerusalém, em 70 d.C. – um acontecimento sobre o qual Jesus alertou especificamente os seus discípulos. Os primeiros Padres da Igreja, aqueles homens sábios de Deus, associaram-na em grande parte com a futura vinda de uma figura do Anticristo que cometeria um ato semelhante e final de profanação.
Hoje, como cristãos sinceros, temos diferentes maneiras de compreender isso. Alguns têm uma visão preterista (acreditando que foi cumprida no passado, em 70 dC). Outros têm uma visão futurista (acreditando que se trata de um evento futuro literal envolvendo o Anticristo e um templo reconstruído). Alguns têm uma visão historicista (ver seu cumprimento ao longo da história da igreja, muitas vezes ligada ao papado). E ainda outros têm uma visão idealista (vendo-a como uma representação simbólica do mal espiritual ou afastando-se de Deus). Cada uma destas perspetivas oferece uma forma diferente de compreender esta profecia complexa e todos procuram honrar a Palavra de Deus.
Mas, independentemente do ponto de vista interpretativo específico que mais ressoe no vosso coração, a «abominação da desolação» transmite mensagens vitais para nós, cristãos de hoje. É um apelo para sermos espiritualmente vigilantes, para estarmos empenhados na verdade bíblica, para podermos evitar o engano, e para vivermos uma vida de antecipação fiel do regresso glorioso de Cristo! Recorda-nos a soberania de Deus sobre toda a história, a sua profunda antipatia pelo pecado e pela idolatria e o seu desejo amoroso de preparar e proteger o seu povo através de advertências proféticas. Compreender esta profecia sóbria não deve levar-nos ao medo. Não! Deve conduzir-nos a uma fé mais profunda, a um compromisso mais urgente com uma vida santa e a uma esperança inabalável na vitória final e completa de Deus sobre todo o mal. Vocês são amados, valorizados, e Deus tem um plano espantoso para a vossa vida! Ande na sua luz hoje!
Factos & Estatísticas
A expressão «abominação da desolação» aparece três vezes no livro de Daniel.
O termo «abominação da desolação» é referido duas vezes no Novo Testamento.
Cerca de 60% dos teólogos ligam a "abominação da desolação" a acontecimentos futuros proféticos
Existem mais de 50 interpretações diferentes da «abominação da desolação» na literatura teológica
Referências
Mateus 24
Daniel 11:31
Daniel 12:11
Daniel 9
Marcos 13:14
Daniel 8:13
Mateus 24:3
Mateus 24:21
Mateus 23
Lucas 21:20-24
Daniel 12:1
Mateus 24:14
Daniel 4
Daniel 12:2
Mateus 24:24
Levítico 26
Daniel 11:4-35
