Bispo explica como Nossa Senhora de Guadalupe pode chegar ao Silicon Valley pós-moderno




Num mundo marcado pela secularização e pela fragmentação cultural, Nossa Senhora de Guadalupe permanece um caminho privilegiado para proclamar o Evangelho, disse o Bispo Óscar Cantú de San Jose, Califórnia, ao partilhar como um evento recente dedicado à Virgem Maria ilumina a missão da Igreja no coração do Silicon Valley.

Durante o recente “Congresso Teológico e Pastoral sobre o Evento Guadalupano”, realizado no México, o prelado descreveu a sua diocese como um antigo vale de pomares de fruta agora transformado no coração da tecnologia global, lar de empresas de classe mundial como Google, Apple, Hewlett-Packard e Nvidia.

Lá, explicou Cantú, pessoas da Índia, China, América Latina, África e muitos outros países vivem juntas, trazendo consigo as suas religiões ou a sua “indiferença” religiosa.

Ele falou de “uma forte secularização” ali, chamando-lhe uma “sociedade que se proclama orgulhosamente pós-moderna, sem necessidade de Deus ou da religião”. Acrescentou que muitos “já não têm tempo ou espaço para a religião” e que “preferem práticas modernas” como o ioga ou a meditação, a que chamam mindfulness, que é “meditação sem transcendência”.

O bispo quer que a preparação pastoral e espiritual para o 50.º aniversário da Diocese de San José em 2031 seja marcada por Nossa Senhora de Guadalupe, que ele espera que sirva como ponto de referência e modelo.

Usar a metodologia de Nossa Senhora de Guadalupe no Silicon Valley

O bispo lançou um desafio direto aos padres, diáconos, religiosos e leigos da sua diocese: “Como podemos aplicar a metodologia de Nossa Senhora de Guadalupe, que ela usou há 500 anos no México, agora, no Silicon Valley, num mundo pós-moderno?”

Ele disse que os frades espanhóis “não tiveram muito sucesso na evangelização” porque chegaram com os conquistadores, que usaram agressão e força. “Mas Nossa Senhora teve um grande sucesso que os frades não poderiam ter imaginado. Milhões de corações foram tocados e transformados em pouco tempo.”

Cantú enumerou os elementos-chave desta pedagogia Guadalupana, começando pela beleza e ternura maternal das suas palavras a Juan Diego: “‘Meu querido Juan Diego, o menor dos meus filhos.’ Que coração feito de pedra como o que temos no nosso Silicon Valley não se derreteria com essas palavras?”, perguntou ele.

Ele também enfatizou como Maria “lhe falou na sua língua, não em espanhol. Ela usou o simbolismo dos povos indígenas, um códice que testemunhava o que ela contava, que testemunhava o que Juan Diego mais tarde contou aos outros povos indígenas.”

Ele recordou a forma cristológica como a Virgem se apresentou, identificando-se como “a Mãe do Deus por quem vivemos”, e como ela introduziu assim “a beleza da verdade” em contraste com a antiga lógica do sacrifício humano.

Outro elemento que Cantú enfatizou é o papel dos leigos e, em particular, dos pobres. Ele destacou que a Virgem envolve Juan envolve Juan Diego na missão da Igreja quando lhe diz: “É necessário que vás ter com o bispo.” Ele comentou que “a participação traz dignidade e é uma expressão de dignidade”, e que aspetos da sinodalidade já são evidentes em Guadalupe: participação e voz dentro da comunidade eclesial.

O bispo observou que a participação de Juan Diego não cria uma estrutura separada, porque “não devemos criar uma Igreja paralela, mas sim tudo deve estar sob a autoridade, a estrutura que o Filho da Virgem nos deixou, que é uma Igreja hierárquica, com respeito pelo magistério, mas o magistério, por sua vez, com a participação e escuta de todos, todos, todos.” Por esta razão, definiu-a como “uma Igreja hierárquica e sinodal”.

Entre os elementos que o prelado destacou está o conceito da sagrada casinha como uma Igreja de misericórdia, uma casa onde a humanidade ferida é acolhida: uma “casinha de amor e compaixão”.

Nossa Senhora de Guadalupe ressoa com as comunidades migrantes

Cantú explicou que, na sua diocese, a fé permaneceu viva graças aos refugiados e imigrantes: hispânicos, filipinos, vietnamitas, indianos e africanos, muitos deles com histórias de terem de deixar as suas terras natais e de discriminação.

A Virgem de Guadalupe torna-se uma ponte de identidade e consolo ali, não apenas para os mexicanos, observou ele. Para ilustrar isto, contou uma experiência numa paróquia trilingue (vietnamita, filipina e hispânica) durante uma Missa em honra de Nossa Senhora de Guadalupe.

O bispo chegou preparado para celebrar a Missa em espanhol com a comunidade hispânica, mas descobriu que cerca de metade dos presentes eram vietnamitas, pelo que decidiu pregar incluindo a sua própria história como filho de imigrantes mexicanos no Texas.

“No Texas, muitas vezes os americanos não me viam puramente como americano porque os meus pais nasceram noutro país, e em casa falavam espanhol; e quando ia visitar os meus primos em Monterrey, eles também não me viam como mexicano, por isso, bem, sentia-me um pouco como um estranho.”

Ao partilhar esta experiência de não pertença, Cantú observou os rostos dos fiéis vietnamitas: “Vi nos seus rostos que eles compreendiam, como refugiados que deixaram o seu país há 30 ou 40 anos, que talvez nunca tivessem tido a oportunidade de aprender bem a língua, de compreender totalmente a política ou a cultura americana, que pelo resto das suas vidas se sentiram como convidados. E foi, creio eu, naquele momento que eles se identificaram com Juan Diego, a quem a Virgem recebeu na sua casinha.”

Esta história foi publicada pela primeira vez pela ACI Prensa, o serviço irmão em língua espanhola da EWTN News. Foi traduzido e adaptado pela EWTN News English.

https://www.ewtnnews.com/world/us/bishop-explains-how-our-lady-of-guadalupe-can-reach-postmodern-silicon-valley



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