Quem eram os pastores na história da Natividade?




  • Os pastores na antiga Judeia eram humildes e não tinham credibilidade, mas Deus escolheu-os para anunciar o nascimento de Cristo, mostrando a preferência divina pelos humildes. (Aranoff, 2014, p. 36)
  • A vida dos pastores preparou-os espiritualmente; a sua solidão e o cuidado com as ovelhas nutriram corações prontos para receber a mensagem de Deus com fé. (Aranoff, 2014, p. 36)
  • O Evangelho de Lucas narra como os anjos apareceram aos pastores, proclamando o nascimento de Jesus, levando os pastores a visitar Belém e, mais tarde, a espalhar a notícia com alegria.
  • Os primeiros Padres da Igreja viam os pastores como modelos de fé, rápidos a acreditar e a partilhar a notícia de Cristo, simbolizando a vigilância espiritual e a humildade.
Esta entrada é a parte 29 de 42 da série O Natal como Cristão

Quem eram os pastores na história do Natal?

Historicamente, os pastores na Judeia do primeiro século ocupavam um lugar humilde na sociedade. Eram frequentemente vistos com suspeita, considerados indignos de confiança e até impuros pelos padrões religiosos. No entanto, foi a estes trabalhadores marginalizados que Deus escolheu revelar a maior notícia da história humana. (Aranoff, 2014, p. 36)

Devemos compreender que o pastoreio não era apenas uma ocupação, mas um modo de vida. Estes homens viviam com os seus rebanhos, protegendo-os de predadores e ladrões, levando-os a pastagens e água. A sua existência era de vigilância, sacrifício e profunda ligação ao mundo natural que Deus criou.

No campo psicológico, podemos ver como o estilo de vida dos pastores os preparou para este encontro divino. A sua solidão nos campos proporcionava tempo suficiente para a contemplação e reflexão espiritual. O seu cuidado constante pelas criaturas vulneráveis cultivou corações de compaixão e altruísmo. (Aranoff, 2014, p. 36)

Estes pastores em particular podem ter estado a cuidar de rebanhos destinados aos sacrifícios do Templo na vizinha Jerusalém. Se assim for, existe uma bela simetria no facto de serem os primeiros a saudar o Cordeiro de Deus que se tornaria o sacrifício final por toda a humanidade.

Não nos esqueçamos de que grandes figuras na história da salvação – Abraão, Moisés, David – foram todos pastores em algum momento. Ao escolher pastores como as primeiras testemunhas do nascimento de Cristo, Deus afirmou a dignidade desta antiga profissão e o seu significado espiritual. (Aranoff, 2014, p. 36)

Assim, vemos que estes pastores, embora aparentemente insignificantes aos olhos do mundo, eram idealmente adequados, tanto pelas circunstâncias como pelo caráter, para receber a proclamação angélica. Os seus corações abertos e espíritos humildes permitiram-lhes aceitar prontamente a notícia milagrosa e procurar ansiosamente o Rei recém-nascido.

Nos pastores, encontramos um modelo da recetividade e da fé infantil para a qual todos os crentes são chamados. Que possamos, como eles, estar sempre atentos à voz de Deus nas nossas vidas, prontos a responder com alegria e admiração ao milagre contínuo de Emanuel – Deus connosco.

O que a Bíblia diz sobre os pastores no nascimento de Jesus?

O Evangelho de Lucas fornece-nos um relato belo e detalhado do papel dos pastores na história da Natividade. Examinemos este texto sagrado com compreensão histórica e discernimento espiritual.

Lucas diz-nos que havia pastores a viver nos campos perto de Belém, vigiando os seus rebanhos durante a noite. Esta simples afirmação revela muito sobre o cenário. Provavelmente era primavera, pois os pastores estariam nos campos com cordeiros recém-nascidos. A vigília noturna sugere a sua dedicação e os perigos constantes enfrentados pelos seus rebanhos. (Wildsmith, 1989)

De repente, um anjo do Senhor apareceu-lhes, e a glória do Senhor brilhou ao redor deles. Podemos imaginar o medo e o espanto que devem ter tomado conta destes homens simples perante tal manifestação divina. No entanto, as primeiras palavras do anjo foram de conforto: “Não temais”. Com que frequência nas Escrituras vemos os mensageiros celestiais começarem com esta garantia, reconhecendo a nossa fragilidade humana enquanto nos chamam à coragem. (Brown et al., 1986)

O anjo proclama então a boa nova de grande alegria – o nascimento de um Salvador, Cristo o Senhor. É dado um sinal aos pastores: encontrarão um bebé envolto em panos e deitado numa manjedoura. Aqui vemos a sabedoria de Deus ao fornecer tanto mistério como evidência concreta, envolvendo tanto a fé como a razão. (Marmon, 2009)

Lucas descreve então uma multidão do exército celestial a aparecer, louvando a Deus e dizendo: “Glória a Deus nas alturas, e paz na terra, boa vontade para com os homens”. Este coro cósmico sublinha o significado universal do nascimento de Cristo, unindo o céu e a terra. (Brown et al., 1986)

Após esta experiência incrível, os pastores respondem com ação imediata. Dizem uns aos outros: “Vamos até Belém e vejamos o que aconteceu, o que o Senhor nos deu a conhecer”. A sua fé é demonstrada através da sua ânsia em verificar e testemunhar o milagre por si mesmos. (Marmon, 2009)

Ao encontrar Maria, José e o bebé Jesus, os pastores partilharam a sua história, surpreendendo todos os que a ouviram. Lucas diz-nos que Maria guardava estas coisas e meditava nelas no seu coração, dando-nos um vislumbre do impacto poderoso do testemunho dos pastores. (Wildsmith, 1989)

Finalmente, é-nos dito que os pastores regressaram aos seus rebanhos, glorificando e louvando a Deus por tudo o que tinham ouvido e visto. Tornaram-se os primeiros evangelistas, partilhando a boa nova do nascimento de Cristo com outros. (Marmon, 2009)

Neste relato, vemos como Deus usou estes humildes pastores como instrumentos da Sua revelação, confiando-lhes um papel fundamental na história do Natal. A sua experiência lembra-nos que Deus trabalha frequentemente através dos humildes e inesperados para realizar os Seus propósitos, convidando-nos a todos a estarmos atentos à Sua presença nas nossas vidas.

Por que Deus escolheu pastores como as primeiras testemunhas?

Ao contemplar por que razão o nosso Senhor escolheu pastores como as primeiras testemunhas do nascimento de Cristo, descobrimos verdades poderosas sobre a natureza de Deus e o Seu plano para a humanidade. Vamos explorar esta questão com contexto histórico e discernimento espiritual.

Devemos reconhecer o significado simbólico dos pastores na tradição bíblica. Ao longo do Antigo Testamento, Deus é frequentemente retratado a cuidar ternamente do Seu rebanho. Grandes líderes como Moisés e David foram pastores antes de serem chamados para guiar o povo de Deus. Ao escolher pastores como as primeiras testemunhas, Deus cria uma bela continuidade com esta imagem, apontando para Jesus como o derradeiro Bom Pastor que daria a Sua vida pelas Suas ovelhas. (Aranoff, 2014, p. 36)

Historicamente, os pastores na Judeia do primeiro século estavam entre as classes sociais mais baixas. Eram frequentemente vistos com suspeita, considerados impuros pelos padrões religiosos, e o seu testemunho nem sequer era admissível em tribunal. Ao revelar a maior notícia da história a estes trabalhadores marginalizados, Deus demonstra a Sua preferência pelos humildes e o Seu desejo de elevar os pequenos. Esta escolha desafia as hierarquias sociais e prefigura o ministério de Cristo para com os marginalizados e pecadores. (Aranoff, 2014, p. 36)

Psicologicamente, podemos ver como o estilo de vida dos pastores os preparou para este encontro divino. A sua existência solitária nos campos proporcionava tempo suficiente para a contemplação e reflexão espiritual. A sua vigilância constante e cuidado pelas criaturas vulneráveis cultivaram corações de compaixão e altruísmo. Estas qualidades tornaram-nos recetivos ao milagre e dispostos a responder com fé infantil. (Aranoff, 2014, p. 36)

A resposta rápida e alegre dos pastores à mensagem angélica serve de modelo para todos os crentes. Eles não hesitaram nem duvidaram, foram imediatamente procurar o menino Jesus. A sua ânsia em partilhar a boa nova depois demonstra o impulso evangelístico natural que flui de um encontro genuíno com a graça de Deus. (Marmon, 2009)

Devemos também considerar os aspetos práticos da escolha de Deus. O anúncio dos pastores sobre o nascimento de Cristo ao povo de Belém serviu para corroborar os eventos em torno da natividade de Jesus. O seu testemunho ter-se-ia espalhado rapidamente pela cidade, preparando o caminho para a visita posterior dos Magos e potencialmente protegendo a Sagrada Família de suspeitas ou perigos indevidos.

A escolha dos pastores como as primeiras testemunhas ilustra belamente os valores do reino invertido de Deus. Lembra-nos que a sabedoria divina confunde frequentemente as expectativas humanas. Nos pastores, vemos que a graça de Deus não é conquistada pelo estatuto social, pureza religiosa ou realização intelectual, mas é dada livremente àqueles com corações abertos e recetivos.

Neste Natal, que possamos cultivar as qualidades de humildade, atenção e pronta obediência dos pastores. Que estejamos sempre atentos à voz de Deus nas nossas vidas, preparados para responder com alegria e admiração ao milagre contínuo de Emanuel – Deus connosco.

O que o anjo disse aos pastores?

As primeiras palavras do anjo foram: “Não temais”. Esta frase simples, mas poderosa, aparece frequentemente quando seres celestiais encontram humanos nas Escrituras. Reconhece a nossa resposta humana natural ao sobrenatural, enquanto nos chama à coragem e à abertura. Ao abordar o medo dos pastores, o anjo cria um espaço para que eles recebam a notícia milagrosa que se segue. (Brown et al., 1986)

O anjo declara então: “Eis que vos trago boas novas de grande alegria que serão para todo o povo”. Esta afirmação é revolucionária no seu alcance. A alegria anunciada não se limita a uns poucos escolhidos, mas destina-se a todo o povo. Aqui vemos o amor universal de Deus e a natureza inclusiva do Seu plano de salvação. (Marmon, 2009)

Segue-se o coração da mensagem: “Pois hoje vos nasceu na cidade de David um Salvador, que é Cristo o Senhor”. Cada palavra aqui carrega um peso teológico imenso. “Vos nasceu” personaliza o dom de Cristo. “Hoje” enfatiza a realidade imediata e histórica da encarnação. “Na cidade de David” liga Jesus às profecias messiânicas. “Um Salvador” revela a Sua missão de redimir a humanidade. “Cristo” identifica-O como o Messias há muito esperado, enquanto “Senhor” afirma a Sua natureza divina. (Wildsmith, 1989)

O anjo fornece então um sinal: “E isto vos servirá de sinal: encontrareis o bebé envolto em panos e deitado numa manjedoura”. Este detalhe serve múltiplos propósitos. Dá aos pastores uma forma de identificar a criança, demonstrando o desejo de Deus de fornecer provas para a fé. Também estabelece imediatamente as circunstâncias humildes do nascimento de Cristo, prefigurando um ministério que desafiaria as noções mundanas de poder e realeza. (Wildsmith, 1989)

Psicologicamente, podemos apreciar como esta mensagem angélica foi perfeitamente elaborada para ressoar com o seu público. Os pastores, habituados a cuidar de cordeiros vulneráveis, teriam ficado comovidos com a imagem de um recém-nascido a precisar de proteção. O cenário modesto de uma manjedoura ter-lhes-ia sido familiar e acessível, em vez de intimidante.

Historicamente, sabemos que Belém era conhecida como a cidade de David, e havia a expectativa de que o Messias viria da linhagem de David. Ao mencionar especificamente esta localização, o anjo aproveita a compreensão cultural e as esperanças messiânicas dos pastores.

Esta proclamação celestial aos pastores serve como um belo modelo de evangelização. Aborda medos, anuncia alegria, proclama a verdade central da salvação, fornece provas de apoio e convida a uma resposta. Ao contemplarmos as palavras do anjo, que possamos nós também ser mensageiros desta boa nova, partilhando o amor de Deus e a esperança de Cristo com todos os que encontrarmos.

Quantos anjos apareceram aos pastores?

A narrativa de Lucas começa com um único anjo a aparecer aos pastores. Este mensageiro celestial, provavelmente o arcanjo Gabriel que tinha aparecido anteriormente a Maria, vem com a proclamação inicial do nascimento de Cristo. O texto diz-nos que “a glória do Senhor brilhou ao redor deles”, indicando uma manifestação visível da presença de Deus acompanhando este arauto angélico. (Brown et al., 1986)

Após entregar a notícia alegre e fornecer o sinal do bebé na manjedoura, Lucas descreve então uma cena magnífica: “De repente, apareceu com o anjo uma multidão do exército celestial, louvando a Deus”. A palavra grega usada para “multidão” (plethos) sugere um número vasto e incontável. Este coro celestial junta-se a glorificar a Deus, dizendo: “Glória a Deus nas alturas, e paz na terra, boa vontade para com os homens”. (Brown et al., 1986)

Portanto, para responder diretamente à pergunta, as Escrituras falam de um anjo anunciador principal, seguido por uma grande multidão de anjos. O número exato não é especificado, enfatizando, em vez disso, a natureza avassaladora desta reunião celestial.

Historicamente, esta multidão angélica recorda o conselho divino ou exército celestial mencionado noutras passagens bíblicas. A sua aparição a pastores humildes é particularmente importante, uma vez que tais visões eram tipicamente associadas a profetas ou líderes. Isto sublinha a natureza revolucionária da revelação de Deus em Cristo, quebrando barreiras entre o céu e a terra, entre o divino e o mundano.

Psicologicamente, podemos imaginar o impacto poderoso que esta manifestação divina crescente teria tido nos pastores. O medo inicial com o aparecimento do anjo único teria dado lugar ao espanto e à admiração perante a visão e o som do coro celestial. Esta experiência provavelmente cimentou a realidade e a importância da mensagem nas suas mentes, impelindo-os a uma ação imediata.

A progressão de um anjo para muitos também carrega um significado teológico. Move-se de um anúncio pessoal para uma celebração cósmica, enfatizando as implicações individuais e universais do nascimento de Cristo. O anjo único fala diretamente aos pastores, embora a multidão louve a Deus, modelando a resposta adequada à Encarnação para toda a criação.

Nas nossas vidas espirituais, podemos tirar inspiração deste relato. Como os pastores, podemos encontrar Deus inicialmente de uma forma pessoal, talvez subtil. Mas à medida que respondemos com fé, podemos encontrar-nos atraídos para uma maior realização da glória de Deus e do significado cósmico da nossa salvação.

Qual foi a mensagem dos anjos quando Jesus nasceu?

Um anjo do Senhor apareceu de repente perante estes homens simples, causando sem dúvida grande medo e espanto. Mas o mensageiro celestial falou palavras de conforto e alegria: “Não tenhais medo. Trago-vos boas novas que causarão grande alegria a todo o povo. Hoje, na cidade de David, nasceu-vos um Salvador; ele é o Messias, o Senhor” (Lucas 2:10-11). (Koester, 2014, p. 256)

Que significado poderoso está contido nesta breve proclamação! Vemos a terna preocupação de Deus pela humanidade – “Não tenhais medo”. O nosso Pai amoroso conhece as nossas fraquezas e medos. Ele procura tranquilizar-nos da Sua presença e cuidado, mesmo enquanto revela a Sua glória.

Depois vem a essência do Evangelho – boas novas de grande alegria. Não apenas para uns poucos escolhidos, mas para todo o povo. O Messias há muito esperado tinha finalmente chegado! As esperanças e anseios de gerações estavam a ser cumpridos naquele preciso momento.

Repare como esta mensagem é pessoal – “nasceu-vos”. Embora Jesus tenha vindo para todos, Ele veio para cada um individualmente. Cada alma é preciosa aos olhos de Deus.

O anjo dá três títulos cruciais: Salvador, Messias e Senhor. Jesus é Aquele que nos resgata do pecado e da morte. Ele é o Ungido prometido pelos profetas. E Ele é o Senhor divino, digno da nossa adoração e obediência.

Para confirmar esta notícia espantosa, o anjo forneceu um sinal: “Encontrareis um bebé envolto em panos e deitado numa manjedoura” (Lucas 2:12). Que paradoxo – o Rei dos Reis encontrado nas circunstâncias mais humildes!

De repente, uma grande companhia de anjos apareceu, louvando a Deus e dizendo: “Glória a Deus nas alturas, e paz na terra aos homens a quem Ele quer bem” (Lucas 2:14). O céu e a terra uniram-se na celebração da Encarnação – Deus tornando-se homem para nos reconciliar consigo mesmo.

Esta foi a mensagem maravilhosa proclamada naquela noite santa – uma mensagem de esperança, alegria e paz que ainda ressoa nos nossos corações hoje.

Como os pastores reagiram ao anúncio dos anjos?

O Evangelho de Lucas diz-nos que, depois de os anjos partirem, os pastores disseram uns aos outros: “Vamos até Belém ver o que aconteceu, o que o Senhor nos deu a conhecer” (Lucas 2:15). (Koester, 2014, p. 256) Observe a sua prontidão imediata para agir de acordo com a mensagem que tinham recebido. Não houve hesitação, dúvida ou debate. Eles simplesmente acreditaram e obedeceram.

Esta prontidão para responder à palavra de Deus é um modelo para todos nós. Com que frequência ouvimos os apelos do Espírito Santo, mas hesitamos ou damos desculpas? Os pastores ensinam-nos que a verdadeira fé é ativa, não passiva. Ela move-nos a “ir e ver” por nós mesmos as maravilhas que Deus preparou.

O texto continua dizendo: “Foram, pois, apressadamente e encontraram Maria e José, e o menino deitado na manjedoura” (Lucas 2:16). Mais uma vez, vemos o seu sentido de urgência. Eles não demoraram, “foram apressadamente” encontrar o menino Jesus. Quando Deus Se revela, a resposta apropriada é a antecipação ansiosa e a busca de todo o coração.

Ao encontrar a Sagrada Família, exatamente como o anjo tinha dito, “contaram o que lhes tinha sido dito a respeito daquele menino, e todos os que ouviram ficaram maravilhados com o que os pastores lhes diziam” (Lucas 2:17-18). Aqui vemos o transbordar natural do seu encontro com o divino. Eles não podiam ficar calados sobre o que tinham visto e ouvido, tornando-se os primeiros evangelistas do Evangelho.

Finalmente, Lucas diz-nos: “Os pastores voltaram, glorificando e louvando a Deus por tudo o que tinham ouvido e visto, que era exatamente como lhes tinha sido dito” (Lucas 2:20). Os seus corações estavam cheios de alegria e adoração. Eles tinham experimentado pessoalmente a fidelidade de Deus no cumprimento das Suas promessas.

Em tudo isto, vemos um belo padrão de crescimento espiritual: ouvir a palavra de Deus, acreditar nela, agir de acordo com ela, testemunhar aos outros e voltar para louvar a Deus. Que possamos, como aqueles simples pastores, cultivar corações tão abertos e responsivos à revelação contínua de Deus nas nossas vidas.

O que aconteceu quando os pastores foram a Belém?

Diz-se que os pastores “encontraram Maria e José, e o menino, que estava deitado na manjedoura” (Lucas 2:16). (Koester, 2014, p. 256) Imagine a cena – um estábulo humilde, talvez uma gruta usada para abrigar animais. Ali, no meio das circunstâncias mais simples, jazia o Rei dos Reis, o tão esperado Messias. Os pastores encontraram tudo exatamente como o anjo tinha descrito. Que confirmação da sua fé!

Neste momento, vemos o belo cumprimento das promessas de Deus. Aquele que foi predito pelos profetas tinha chegado finalmente, não em esplendor real, mas na maior humildade. Os pastores, representando os pobres e humildes de Israel, foram os primeiros a prestar homenagem ao Salvador recém-nascido. Que lembrete poderoso de que os caminhos de Deus não são os nossos caminhos, e que Ele escolhe frequentemente o inesperado para realizar os Seus propósitos.

O texto continua dizendo: “Quando o viram, espalharam a notícia sobre o que lhes tinha sido dito a respeito daquele menino” (Lucas 2:17). Só podemos imaginar a alegria e a excitação com que partilharam a sua experiência incrível. Estes homens simples tornaram-se os primeiros evangelistas, proclamando as boas novas do nascimento do Messias a todos os que queriam ouvir.

Lucas diz-nos que “todos os que ouviram ficaram maravilhados com o que os pastores lhes diziam” (Lucas 2:18). A palavra grega usada aqui, ἐθαύμασαν (ethaumasan), transmite um sentido de admiração, espanto e até perplexidade. O testemunho dos pastores desafiou as expectativas das pessoas e moveu os seus corações a considerar as obras maravilhosas de Deus.

No meio de tudo isto, é-nos dado um vislumbre precioso da vida interior da Bem-Aventurada Virgem: “Maria, porém, guardava todas estas coisas, meditando-as no seu coração” (Lucas 2:19). Nossa Senhora é um modelo para nós de uma resposta contemplativa aos mistérios de Deus, refletindo profundamente sobre a Sua palavra e obras.

Finalmente, Lucas regista que “Os pastores voltaram, glorificando e louvando a Deus por tudo o que tinham ouvido e visto, que era exatamente como lhes tinha sido dito” (Lucas 2:20). O seu encontro com o menino Jesus transformou-os. Eles voltaram para os seus campos como homens mudados, com os seus corações transbordando de louvor e gratidão.

Em tudo isto, vemos como Deus usou estes humildes pastores para autenticar a mensagem angélica e para espalhar as alegres notícias do nascimento do Salvador. A sua fé simples e obediência desempenharam um papel crucial no drama da nossa salvação que se desenrolava.

Que lições espirituais podemos aprender com a história dos pastores?

O relato dos pastores no nascimento de Cristo é rico em percepções espirituais que podem guiar-nos e inspirar-nos nas nossas próprias jornadas de fé. Vamos refletir sobre algumas das lições poderosas que podemos colher da sua experiência.

Vemos nos pastores um modelo de atenção à voz de Deus. No meio do seu trabalho comum, eles estavam abertos ao extraordinário. Com que frequência nós, na azáfama das nossas vidas diárias, falhamos em notar a presença de Deus ou ouvir o Seu chamado? Os pastores lembram-nos de cultivar um espírito de vigilância e recetividade aos encontros divinos.

A sua resposta imediata à mensagem angélica demonstra a importância da obediência à palavra de Deus. Eles não hesitaram nem deram desculpas, agiram prontamente de acordo com o que tinham ouvido. Nas nossas próprias vidas, com que rapidez respondemos quando Deus nos impele à ação? Os pastores desafiam-nos a passar do ouvir para o fazer, da fé para as obras.

Os pastores ensinam-nos sobre a alegria de buscar a Cristo. Eles “foram apressadamente” encontrar o menino Jesus, cheios de antecipação ansiosa. Abordamos as nossas vidas espirituais com o mesmo entusiasmo? Buscamos Jesus com urgência e expectativa na oração, nas Escrituras, nos sacramentos?

Aprendemos com os pastores sobre o transbordar natural de um encontro genuíno com Deus. Depois de verem o menino Jesus, não puderam deixar de partilhar as boas novas com os outros. A fé autêntica leva sempre ao testemunho. Se experimentámos verdadeiramente o amor e a misericórdia de Deus em Cristo, como podemos ficar calados?

A história dos pastores destaca a opção preferencial de Deus pelos pobres e marginalizados. Estes homens simples, frequentemente desprezados na sociedade, foram escolhidos para receber o anúncio glorioso do nascimento do Messias. Isto lembra-nos que Deus revela-Se frequentemente de forma mais clara aos humildes e aos de coração simples.

Vemos nos pastores um belo exemplo de fé que busca a compreensão. Eles acreditaram na mensagem angélica, foram ver por si mesmos e encontraram tudo exatamente como lhes tinha sido dito. Este ciclo de revelação, fé e confirmação pode fortalecer a nossa própria confiança nas promessas de Deus.

Por último, os pastores voltaram para os seus campos “glorificando e louvando a Deus” (Lucas 2:20). (Koester, 2014, p. 256) O seu encontro com Cristo transformou a sua perspetiva sobre as suas vidas comuns. Cada aspeto da vida tornou-se uma oportunidade para a adoração. Podemos dizer o mesmo sobre as nossas rotinas diárias?

De todas estas formas, os simples pastores de Belém continuam a ser os nossos professores na escola da fé. Que o seu exemplo nos inspire a uma maior atenção, obediência, alegria, testemunho, humildade, confiança e louvor na nossa própria caminhada com o Senhor.

O que os primeiros Padres da Igreja ensinaram sobre os pastores no nascimento de Cristo?

Santo Ambrósio de Milão, no seu comentário ao Evangelho de Lucas, viu nos pastores uma representação dos pastores da Igreja. Ele escreveu: “Observem que os pastores estavam a vigiar. Pois os bons pastores vigiam diligentemente o seu rebanho. Eles vigiam de noite para se protegerem contra os ataques de animais selvagens e as emboscadas secretas dos ladrões.” Ambrósio viu a vigilância dos pastores como um modelo para os líderes espirituais, sempre alertas para proteger e guiar os seus rebanhos.

São Gregório Magno traçou um paralelo entre os pastores que vigiavam os seus rebanhos e a vigilância interior exigida a todos os crentes. Ele ensinou: “O que significa que os pastores estavam a vigiar, senão que estavam a guardar os seus pensamentos com cuidado ansioso, para que não fossem contaminados por qualquer impureza?” Gregório convida-nos, assim, a ver nos pastores um exemplo de vigilância espiritual.

São Cirilo de Alexandria enfatizou o papel dos pastores como os primeiros evangelistas. Ele escreveu: “Eles tornaram-se evangelistas, pois como mais podemos chamar aqueles que foram os primeiros a pregar Cristo?” Cirilo viu nos pastores um modelo para todos os crentes partilharem as boas novas da vinda de Cristo.

Vários Padres da Igreja, incluindo São João Crisóstomo, notaram o significado de os pastores serem os primeiros a receber a notícia do nascimento de Cristo. Eles viram isto como um cumprimento das profecias do Antigo Testamento sobre o Messias como o Bom Pastor, e um prenúncio do ministério de Cristo aos pobres e marginalizados.

São Beda, o Venerável, chamou a atenção para a obediência imediata dos pastores. Ele escreveu: “Os pastores apressam-se a ver Cristo, pois ninguém encontra Cristo dormindo, mas buscando-O ansiosamente.” Beda encoraja-nos, assim, a emular a resposta ansiosa dos pastores à revelação de Deus.

Santo Agostinho de Hipona viu nos pastores uma representação do povo judeu, a quem a mensagem da salvação chegou primeiro. Ele escreveu: “Os pastores eram judeus; a eles, por estarem perto, chegaram as primeiras notícias do nascimento do Salvador.” Agostinho lembra-nos, assim, da continuidade entre a aliança de Deus com Israel e a nova aliança em Cristo.

Orígenes de Alexandria encontrou um significado simbólico na ocupação dos pastores. Ele ensinou que, assim como os pastores cuidam de animais irracionais, também Cristo veio cuidar da humanidade pecadora, frequentemente comparada a ovelhas desgarradas.

Estas interpretações variadas dos Padres da Igreja demonstram a riqueza e a profundidade que encontraram na história dos pastores. Eles viram nestes homens simples não apenas figuras históricas, mas também tipos e exemplos para todos os crentes. Que as suas percepções nos inspirem a abordar a narrativa familiar do Natal com olhos novos e corações abertos, procurando sempre aproximar-nos do menino Jesus nascido em Belém.



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