O que a Bíblia diz sobre a unicidade e o casamento?
As Sagradas Escrituras falam-nos com grande sabedoria sobre a vida solteira e conjugal. Vemos que Deus abençoa e honra os dois caminhos, cada um à sua maneira.
No início, lemos que Deus criou o homem e a mulher para se unirem no casamento, dizendo: «Não é bom que o homem esteja só» (Génesis 2:18). O casamento é apresentado como uma instituição divina, um pacto de amor e fidelidade que reflete o amor fiel de Deus pelo seu povo. O próprio Senhor Jesus abençoou a festa das núpcias em Caná, demonstrando a dignidade da vida conjugal.
No entanto, também vemos que a unicidade é afirmada como um chamado digno. O profeta Jeremias permaneceu solteiro por ordem de Deus. Nosso Senhor Jesus nunca se casou, dedicando-lhe plenamente a vida terrena à sua missão divina. E São Paulo, na sua primeira carta aos Coríntios, fala dos benefícios de permanecer solteiro «por causa da crise atual» (1 Coríntios 7:26). Observa que a pessoa solteira pode preocupar-se com os assuntos do Senhor e com a forma de O agradar, ao passo que a pessoa casada deve também preocupar-se com as responsabilidades mundanas e agradar ao seu cônjuge.
Paulo deixa claro que tanto o casamento como o celibato são dons de Deus, dizendo: «Cada um tem o seu próprio dom de Deus, um de uma espécie e outro de outro» (1 Coríntios 7:7). Ele aconselha que é bom manter-se solteiro como está, mas também que o casamento não é um pecado e pode ser o caminho certo para muitos.
As Escrituras não elevam um estado acima do outro, mas mostram como a unicidade e o casamento podem ser vividos em santidade. O que mais importa não é o nosso estado civil, mas a nossa fidelidade ao apelo de Deus às nossas vidas. Quer sejamos solteiros ou casados, somos todos chamados a amar a Deus com todo o nosso coração e a servi-Lo com a nossa vida.
Lembremo-nos de que no Reino dos Céus, como nosso Senhor ensina, eles não se casam nem são dados em casamento (Mateus 22:30). A nossa identidade e realização última não se encontram nas nossas relações terrenas, mas na nossa relação com Deus. Tanto o solteiro como o casado podem testemunhar esta verdade eterna através das suas vidas de fé, esperança e amor.
Como os solteiros e as pessoas casadas podem servir a Deus e à igreja?
Tanto as pessoas solteiras como as casadas têm papéis vitais a desempenhar na vida e na missão da Igreja. Cada estado de vida oferece oportunidades únicas para servir a Deus e ao seu povo.
Aqueles que são solteiros muitas vezes têm mais flexibilidade com o seu tempo e recursos. Isto pode permitir-lhes estar mais disponíveis para o serviço na paróquia e na comunidade. Eles podem ser capazes de voluntariar-se mais prontamente, para realizar viagens de missão, ou para prosseguir a educação e formação para o ministério. A sua libertação das responsabilidades familiares pode permitir-lhes responder rapidamente às necessidades que surgem.
Os solteiros podem também dar um poderoso testemunho da suficiência do amor de Deus. Em um mundo que muitas vezes idolatra relacionamentos românticos, o contentamento e a alegria de uma única pessoa devotada a Cristo podem ser um testemunho convincente. Lembram-nos a todos que a nossa principal identidade e fonte de realização está apenas em Deus.
Os casais, por outro lado, têm a bela vocação de imaginar o amor fiel de Deus na sua relação de aliança. O seu compromisso mútuo, vivido dia a dia, pode ser um sinal do amor de Cristo pela Igreja. A família que formam torna-se uma «igreja doméstica», um lugar onde a fé é alimentada e vivida.
As pessoas casadas muitas vezes têm oportunidades únicas de chegar a outras famílias, orientar casais mais jovens e se envolver em ministérios orientados para a família. A sua experiência de amor sacrificial no casamento e na parentalidade pode aprofundar a sua compreensão do amor de Deus, enriquecendo o seu serviço aos outros.
Tanto os solteiros como os casados podem servir nos ministérios litúrgicos, na formação da fé, nas obras de caridade e nos esforços de evangelização. O mais importante não é o estado de vida, mas o compromisso com Cristo e a vontade de usar os dons para o bem do Corpo de Cristo.
Temos de ter cuidado para não classificar as pessoas com base no seu estado civil. Uma pessoa solteira pode ter um dom especial para trabalhar com crianças, enquanto um casal pode sentir-se chamado a um ministério de hospitalidade para os sem-teto. O Espírito Santo distribui dons como Ele quer, não de acordo com o nosso estado conjugal.
O que é crucial é que promovamos uma cultura nas nossas paróquias onde todos se sintam valorizados e tenham oportunidades de servir. Temos de evitar a tentação de ver os solteiros como de alguma forma «menos do que» ou de sobrecarregar os casais com expectativas. O chamado de cada pessoa ao serviço será único, com base nos seus dons, circunstâncias e impulsos do Espírito Santo.
Recordemos que no final, solteiros ou casados, somos todos chamados à mesma vocação fundamental: Amar a Deus e ao próximo com todo o nosso coração. É ao viver este chamado, cada um à sua maneira, que verdadeiramente servimos a Deus e edificamos a sua Igreja.
Quais são os benefícios e desafios espirituais da unicidade vs. casamento?
Tanto a unicidade como o casamento oferecem benefícios e desafios espirituais únicos. Consideremo-las de coração aberto, reconhecendo que a graça de Deus opera em ambos os estados de vida.
Para a pessoa solteira, pode haver uma liberdade especial para dedicar-se totalmente ao Senhor. Como São Paulo observa, eles podem estar "ansiosos com as coisas do Senhor, como agradar ao Senhor" (1 Coríntios 7:32). Esta atenção indivisa pode favorecer uma profunda intimidade com Deus e a disponibilidade para o seu serviço. Muitos santos ao longo da história descobriram que o celibato permitiu-lhes derramar suas vidas mais plenamente no amor a Deus e ao próximo.
No entanto, a unicidade também traz desafios. Pode haver momentos de solidão, de sentir-se incompreendido ou marginalizado em uma sociedade orientada para o casal. A pessoa solteira pode debater-se com questões de identidade e propósito, especialmente se desejar o casamento, mas não tiver encontrado um cônjuge. Podem enfrentar a tentação de procurar realizar-se de formas que não são as melhores de Deus para eles.
O matrimónio, por outro lado, proporciona uma escola diária de amor e sacrifício. Os cônjuges têm a oportunidade de crescer em santidade através do dom mútuo de si mesmos, do perdão e da perseverança. O sacramento do matrimónio oferece graças especiais para ajudar os casais a viver a sua vocação. A vida familiar pode aprofundar a compreensão do amor incondicional de Deus e promover o crescimento em virtudes como a paciência e a humildade.
Mas o matrimónio apresenta também os seus próprios desafios espirituais. As exigências da vida familiar podem, por vezes, levar à negligência da relação pessoal com Deus. Os conflitos entre os esposos podem ser ocasiões de pecado se não forem tratados com graça. Pode haver tentações para o egoísmo ou para buscar a realização fora do pacto matrimonial.
Tanto os solteiros como as pessoas casadas enfrentam o desafio de viver a sua sexualidade de acordo com o plano de Deus. Para a pessoa solteira, isso significa abraçar a castidade e encontrar formas saudáveis de expressar amor e intimidade. Para o casal, significa permanecer fiel um ao outro e usar o dom da sexualidade de maneiras que honram a Deus e um ao outro.
Uma tarefa espiritual fundamental para os solteiros e as pessoas casadas é encontrar a sua identidade final e realização em Cristo. A pessoa solteira deve guardar-se de fazer um ídolo do desejo de casamento, enquanto a pessoa casada não deve esperar que seu cônjuge satisfaça necessidades que só Deus pode satisfazer.
Ambos os estados oferecem oportunidades para o crescimento espiritual através da comunidade. Os solteiros podem encontrar isso em comunidades cristãs intencionais ou amizades próximas, enquanto os casais têm sua igreja doméstica e relações familiares prolongadas.
No final, o que mais importa não é o nosso estado de vida, mas a nossa abertura à graça de Deus e a nossa vontade de crescer no amor. Solteiros ou casados, todos somos chamados à santidade, para nos tornarmos mais semelhantes a Cristo a cada dia. Ajudemo-nos uns aos outros neste caminho, reconhecendo os dons e os desafios únicos de cada vocação.
Como os cristãos devem ver o contentamento na unicidade vs. o desejo de casamento?
Esta pergunta toca num delicado equilíbrio com que muitos de nós lutamos no nosso caminho espiritual. Abordemo-la com compaixão e sabedoria, reconhecendo a complexidade dos corações humanos e os caminhos misteriosos de Deus.
Devemos afirmar que o contentamento em qualquer estado de vida é um dom de Deus e um fruto do Espírito Santo. São Paulo nos diz que ele aprendeu a contentar-se em qualquer circunstância (Filipenses 4:11-13). Este contentamento não é uma resignação passiva, mas uma confiança ativa na bondade e na provisão de Deus. Para a pessoa solteira, contentamento significa abraçar o momento presente, reconhecer as oportunidades e bênçãos únicas do seu estado atual e confiar no plano de Deus para as suas vidas.
Ao mesmo tempo, devemos reconhecer que o desejo do matrimónio é natural e bom. Deus nos criou para a relação e, para muitos, a vocação ao casamento é um chamado santo. Este desejo não deve ser reprimido ou visto como uma falta de fé. Em vez disso, ele pode ser oferecido a Deus como uma oração, confiando que Ele conhece os nossos corações e irá guiar-nos de acordo com a sua perfeita vontade.
O desafio consiste em manter estas duas realidades – contentamento na unicidade e desejo de casamento – numa tensão saudável. É possível contentar-se com o estado atual de unicidade, mantendo-se aberto e desejando o casamento. Tal exige uma confiança profunda no calendário e nos objetivos de Deus.
Devemos ter cuidado para não cair em extremos. Por um lado, devemos evitar o erro de fazer do casamento um ídolo, como se fosse o único caminho para a realização ou santidade. Por outro lado, não devemos descartar ou depreciar o desejo genuíno por um cônjuge, como se fosse de alguma forma menos espiritual.
Para aqueles que são solteiros, encorajo-vos a cultivar o contentamento aprofundando a vossa relação com Cristo, investindo em amizades significativas e usando os vossos dons ao serviço dos outros. Encontre a alegria no momento presente, nas liberdades e oportunidades únicas da sua vida individual. Ao mesmo tempo, se desejarem casar-se, levem esse desejo a Deus em oração honesta. Estejam abertos à Sua orientação, quer isso leve ao casamento ou a uma aceitação mais profunda da unicidade como vosso chamado.
Para aqueles que estão casados, lembrem-se de apoiar seus irmãos e irmãs solteiros. Não assuma que estão insatisfeitos ou incompletos. Reconhecer as valiosas contribuições que dão à Igreja e à sociedade. E se expressam o desejo de casar-se, ouçam com empatia e encorajem sem pressão.
A todos, digo: Busque primeiro o Reino de Deus (Mateus 6:33). Quer sejamos solteiros ou casados, nosso principal chamado é amar a Deus e ao próximo. À medida que nos concentramos nisso, encontraremos um profundo contentamento que transcende nossas circunstâncias.
Rezemos uns pelos outros para que possamos crescer na confiança e render-nos à vontade de Deus. Que aprendamos a nos contentar em todas as circunstâncias, enquanto ainda estamos abertos às novas coisas que Deus pode estar fazendo em nossas vidas. E que possamos apoiar-nos uns aos outros com amor e compreensão neste caminho de fé.
Que papel a comunidade desempenha para os solteiros e casais na igreja?
A comunidade é essencial para todos os cristãos, independentemente do seu estado civil. Somos criados para a relação, não apenas com Deus, mas uns com os outros. Como o livro de Eclesiastes nos recorda, «Dois são melhores do que um... Se um deles cair, um pode ajudar o outro a subir» (Eclesiastes 4:9-10). Pensemos no papel vital da comunidade, tanto para os solteiros como para os esposos, na Igreja.
Para indivíduos individuais, a comunidade pode proporcionar um sentimento crucial de pertença e apoio. Em um mundo que muitas vezes prioriza casais e famílias, os solteiros às vezes podem se sentir isolados ou esquecidos. A comunidade eclesial deve ser um lugar onde seja plenamente acolhida, valorizada e integrada à vida da paróquia. Aqui, podem formar amizades profundas, encontrar oportunidades de serviço e experimentar o calor da fraternidade cristã.
A comunidade também pode ajudar as pessoas solteiras a enfrentar os desafios do seu estado na vida. Os companheiros crentes podem oferecer encorajamento durante os tempos de solidão, responsabilidade em viver a castidade e apoio prático na vida diária. As relações intergeracionais dentro da igreja podem ser especialmente enriquecedoras, com os membros mais velhos a orientar os mais jovens e as pessoas solteiras a terem frequentemente oportunidades únicas de investir na vida das crianças e dos jovens.
Para os casais, a comunidade fornece apoio essencial para viver sua vocação. O casamento não existe isoladamente. Todos precisamos do incentivo, da sabedoria e, às vezes, da correção dos outros. A comunidade eclesial pode oferecer orientação de casais mais experientes, oportunidades de oração partilhada e crescimento espiritual, e apoio prático em momentos de necessidade.
A comunidade também ajuda os casais a evitar a tentação de se voltarem para dentro e negligenciarem seu chamado para servir aos outros. Ao participarem ativamente na vida da igreja, os casais podem utilizar os seus dons para edificar o Corpo de Cristo e testemunhar o amor de Deus no mundo.
Tanto os solteiros quanto os casados se beneficiam de fazer parte de uma comunidade diversificada que reflete a riqueza do Corpo de Cristo. Quando nos reunimos – jovens e idosos, solteiros e casados, de várias origens – aprendemos uns com os outros e crescemos na nossa compreensão do amor de Deus.
A Igreja deve esforçar-se para criar uma comunidade verdadeiramente inclusiva, onde os solteiros e os casais se sintam em casa. Isto significa estar atento à linguagem e às atividades que podem excluir involuntariamente um grupo ou outro. Significa fornecer ministérios e pequenos grupos que satisfaçam as necessidades de várias fases e situações da vida. E significa promover uma cultura em que os dons de todos sejam reconhecidos e utilizados, independentemente do estado civil.
Lembremo-nos de que, no final, somos todos parte de uma família em Cristo. Como São Paulo nos diz: "Porque, assim como cada um de nós tem um corpo com muitos membros... assim também em Cristo, embora muitos, formamos um só corpo, e cada membro pertence a todos os outros" (Romanos 12:4-5). Quer sejamos solteiros ou casados, precisamos uns dos outros. Somos chamados a carregar os fardos uns dos outros, a regozijar-nos com os que se regozijam e a lamentar-nos com os que choram.
Que as nossas comunidades eclesiais sejam lugares de amor e acolhimento genuínos, onde tanto os solteiros como os esposos possam crescer na fé, encontrar apoio em tempos de necessidade e, juntos, edificar o Reino de Deus. Trabalhemos para criar tais comunidades, sempre guiadas pelo Espírito Santo e unidas no nosso amor a Cristo e uns aos outros.
Como a Igreja pode apoiar e incluir tanto os solteiros como os casais?
A Igreja deve reconhecer que tanto a unicidade como o matrimónio são vocações, cada uma com os seus dons e desafios únicos. Todos somos chamados a amar e servir a Deus, independentemente do nosso estado de vida.
Para melhor apoiar os solteiros, as paróquias devem criar oportunidades para uma comunidade e um serviço significativos que vão além dos «grupos de solteiros». Os solteiros sentem-se frequentemente marginalizados ou incompletos, como se o casamento fosse o único caminho para a santidade. Devemos afirmar a dignidade e a plenitude da vida individual, seguindo o exemplo de Jesus e de São Paulo.
Para os casais, a Igreja deve oferecer formação e apoio contínuos, não apenas preparação pré-casamento. O casamento é uma viagem de crescimento ao longo da vida. As paróquias podem fornecer programas de orientação, retiros e recursos para ajudar os casais a lidar com os desafios e aprofundar seu vínculo sacramental.
Ambos os grupos precisam de espaços para a amizade autêntica e o companheirismo espiritual ao longo das fases da vida. O ministério intergeracional permite que a sabedoria e a energia das diferentes vocações enriqueçam toda a comunidade.
As famílias e o ensino devem apresentar diversos modelos de santidade, com santos solteiros e casados. A linguagem sobre a família deve ser inclusiva, reconhecendo que a própria Igreja é a nossa família primária em Cristo.
Devemos promover uma cultura do encontro, onde todos se sintam acolhidos e valorizados. Os solteiros e os casais têm presentes para oferecer. Quando criamos espaços para relações genuínas, construímos o Corpo de Cristo em toda a sua bela diversidade.
Quais são os equívocos sobre a unicidade e o casamento na cultura cristã?
Nas nossas comunidades cristãs, muitas vezes somos vítimas de ideias simplistas sobre a unicidade e o casamento que não refletem a rica realidade da experiência humana ou os diversos chamados de Deus.
Um equívoco comum é que a unicidade é apenas um período de espera antes do casamento, em vez de uma vocação válida em si mesma. Às vezes tratamos os solteiros como incompletos ou imaturos, esquecendo-nos de que o próprio Jesus viveu uma única vida de poderosa fecundidade. A unicidade pode ser um testemunho poderoso da suficiência do amor de Deus e um sinal do reino celestial onde não nos casaremos nem seremos dados em casamento.
Por outro lado, muitas vezes idealizamos o casamento como a solução para a solidão ou o auge da vida cristã. Embora o casamento seja um belo sacramento, não é imune a lutas, nem é o único caminho para a santidade. Devemos ter cuidado para não sugerir que as pessoas casadas são de alguma forma mais maduras espiritualmente ou favorecidas por Deus.
Outro equívoco é que todos os solteiros desejam o casamento ou que todos os casais são cumpridos. A realidade é muito mais complexa. Muitos solteiros abraçam o seu estado de vida alegremente, enquanto alguns indivíduos casados podem lutar com a insatisfação. Temos de evitar suposições e, em vez disso, ouvir o percurso único de cada pessoa.
Em nossas tentativas bem-intencionadas de honrar o casamento, às vezes, inadvertidamente, diminuímos a solteirona. Podemos falar de casamento como "completar" uma pessoa, o que implica que os solteiros estão de alguma forma incompletos. Isto contradiz a verdade de que a nossa identidade primária e completude vêm apenas de Cristo.
Finalmente, muitas vezes não reconhecemos a diversidade dentro da unicidade e do casamento. Os solteiros podem ser nunca casados, divorciados, viúvos ou celibatários por escolha. Os casamentos apresentam-se de muitas formas, enfrentando vários desafios e alegrias. As nossas abordagens pastorais devem ser suficientemente flexíveis para abordar esta diversidade.
Ao examinar estes equívocos, abrimo-nos a uma compreensão mais rica dos variados chamados de Deus e dos dons únicos de cada estado de vida.
Como os solteiros e os casais lidam com questões de intimidade e sexualidade a partir de uma perspectiva bíblica?
Navegar na intimidade e na sexualidade requer sabedoria, graça e uma base profunda nas Escrituras para solteiros e casais. Embora as suas circunstâncias sejam diferentes, ambos são chamados a viver o desígnio de Deus para a sexualidade humana com integridade e amor.
Para os solteiros, o desafio é muitas vezes abraçar a castidade enquanto ainda cultiva uma intimidade saudável. A intimidade física é reservada para o casamento, mas a intimidade emocional e espiritual pode e deve ser alimentada através de amizades e comunidades profundas. Os solteiros devem guardar os seus corações e corpos, mas permanecer abertos a uma ligação genuína.
A Bíblia afirma a bondade da sexualidade dentro do casamento, enquanto pede pureza na unicidade. Os solteiros podem encontrar inspiração em Jesus e Paulo, que modelaram vidas de poderosa intimidade com Deus e outros sem relações sexuais. O seu celibato não era uma privação, mas um dom, libertando-os para uma devoção radical ao reino de Deus.
Para os casais, a sexualidade é um belo presente a ser acarinhado e protegido. No entanto, mesmo dentro do casamento, os casais devem navegar os desafios com graça. Diferenças no desejo, feridas passadas ou problemas de saúde podem sobrecarregar a intimidade sexual. Os casais são chamados a doar-se mutuamente, respeitando a dignidade um do outro e nunca usando o outro como um objeto de gratificação.
Tanto os solteiros como os casais devem cultivar a pureza de coração, proteger-se da luxúria e cultivar o amor genuíno. Em nossa cultura hipersexualizada, isso requer esforço intencional e, muitas vezes, escolhas contraculturais sobre o consumo dos meios de comunicação e as fronteiras sociais.
A nossa sexualidade aponta para algo maior – o amor íntimo entre Cristo e a sua Igreja. Quer sejamos solteiros ou casados, somos todos chamados a crescer na nossa capacidade de dar e receber amor. Ao ancorarmos a nossa identidade no amor de Cristo, encontramos a força para viver com alegria e integridade o desígnio de Deus para a sexualidade.
O que os solteiros e os casais podem aprender uns com os outros espiritualmente?
Solteiros e casais têm muito a ensinar uns aos outros sobre fé, amor e discipulado. Ao partilharem as suas perspectivas e experiências únicas, podem enriquecer todo o Corpo de Cristo.
Os solteiros muitas vezes cultivam uma devoção profunda e indivisa ao Senhor. As suas vidas podem ser um testemunho poderoso da suficiência do amor de Deus e da realidade do reino vindouro. Os casais podem aprender com este foco de coração único, lembrando-se de que a sua realização final vem de Cristo, não do seu cônjuge.
Os casais, por sua vez, oferecem um exemplo vivido de amor pactual e de sacrifício diário. O seu empenho reflete o amor fiel de Cristo pela Igreja. Os solteiros podem inspirar-se neste testemunho de amor duradouro e encontrar formas de viver um compromisso semelhante nas suas comunidades e amizades.
Os solteiros podem desenvolver uma dependência particular da comunidade cristã para apoio e pertencimento. A sua experiência pode recordar aos esposos a importância da família eclesial mais ampla, protegendo-os contra o isolamento nos seus matrimónios.
As pessoas casadas muitas vezes crescem na paciência e no perdão através dos desafios diários da vida em conjunto. Os solteiros podem aprender com esta perseverança nas relações, aplicando uma graça semelhante às suas amizades e laços familiares.
Ambos os grupos enfrentam tentações únicas e áreas de crescimento espiritual. Ao partilharem abertamente as suas lutas e vitórias, criam uma cultura de autenticidade e de apoio mútuo na Igreja.
Os solteiros podem ter mais flexibilidade para servir e assumir riscos para o Evangelho. O seu exemplo pode inspirar os casais a permanecerem abertos ao chamado de Deus e a evitarem estabelecer-se em rotinas confortáveis.
Os casais muitas vezes desenvolvem um profundo apreço pelo poder santificador das relações comprometidas. Os solteiros podem aplicar estas lições de amor às suas outras grandes relações, crescendo em altruísmo e fidelidade.
Ao aprenderem uns com os outros, os solteiros e os casados pintam uma imagem mais completa do amor de Cristo pela Igreja. Juntos, lembram-nos que a nossa identidade primária não está no nosso estado de relacionamento, mas em sermos filhos amados de Deus.
De que forma o estado de relacionamento de uma pessoa afeta a sua identidade em Cristo?
A nossa identidade em Cristo transcende todas as categorias terrenas, incluindo o nosso estado de relacionamento. Quer sejamos solteiros ou casados, a nossa principal vocação é sermos discípulos de Jesus, conformados à sua imagem e participantes da sua missão.
Dito isto, o nosso estado de relacionamento molda a nossa experiência vivida de fé de formas importantes. Os solteiros podem achar mais fácil dedicar atenção indivisa ao Senhor, como Paulo observa em 1 Coríntios 7. A sua identidade em Cristo pode exprimir-se através de uma disponibilidade radical para o serviço e de um profundo investimento na comunidade eclesial.
Os indivíduos casados muitas vezes experimentam sua fé através das lentes da relação de aliança. A sua identidade em Cristo é vivida no morrer diário de si mesmo exigido no casamento e na vida familiar. A relação matrimonial torna-se um cadinho para a formação espiritual.
Mas devemos ser cautelosos em permitir que o estado da relação se torne a característica que define a nossa identidade. Tanto os solteiros como as pessoas casadas podem cair na armadilha de procurar a realização final ou o valor em seu estado de vida, em vez de apenas em Cristo.
Para os solteiros, pode haver uma tentação de sentir-se incompleto ou menos valioso para a igreja. Devem enraizar continuamente a sua identidade no amor de Cristo, abraçando a sua dignidade inerente de filhos de Deus. A sua unicidade não é uma falta, mas uma forma particular de visualizar o amor de Deus para com o mundo.
Os indivíduos casados podem ser tentados a encontrar a sua identidade primária no seu papel como cônjuge ou pai, em vez de em Cristo. Embora estas relações sejam dons preciosos, não devem suplantar a nossa identidade fundamental como amados de Deus.
A nossa relação com Cristo é a realidade definidora da nossa vida. Quer sejamos solteiros ou casados, somos chamados a crescer na intimidade com Deus, a dar frutos para o seu reino e a amar os outros sacrificialmente. As nossas relações terrenas – ou a falta delas – são simplesmente contextos diferentes em que vivemos esta identidade central como discípulos.
Ao ancorar nossa identidade firmemente em Cristo, encontramos a liberdade de abraçar plenamente nosso estado atual de vida, seja solteiro ou casado. Reconhecemos que cada um tem as suas alegrias e desafios únicos, mas nenhum deles define o nosso valor ou objectivo final. Em Cristo, somos completos e chamados a uma vida de serviço significativo, independentemente do status da relação.
Bibliografia:
Ahmad, R., & Hassan, S. (2020). A eficácia dos programas de enriquecimento do casamento em ajudar casais casados em Wester
