Procurar o perdão: O que fazer se blasfemou contra o Espírito Santo




  • A blasfémia contra o Espírito Santo é uma rejeição séria e deliberada da verdade e da obra de Deus, particularmente no que diz respeito a Jesus e à salvação.
  • Este pecado é denominado «perdoável», porque envolve uma recusa persistente em aceitar o perdão de Deus, marcando um coração endurecido que se fecha ao arrependimento.
  • Pensamentos acidentais ou dúvidas momentâneas acerca de Deus não constituem este pecado. exige uma rebelião consciente e contínua contra a verdade clara do Espírito Santo.
  • Se estás preocupado em cometer este pecado, a tua preocupação é um sinal de que o Espírito Santo ainda está a operar na tua vida, indicando que não cruzaste essa linha.

Introdução: Compreender um ensino difícil

Sei que ouvir falar de um «pecado imperdoável» pode suscitar muita preocupação e medo no seu coração.1 Pode estar a perguntar: «Será que sou eu? Não há esperança?» Mas quero dizer-vos que, muitas vezes, a ansiedade advém de não compreendermos bem o que Jesus quis dizer, ou de olharmos para as Suas palavras sozinhos, para além de tudo o resto que a Bíblia diz sobre o incrível amor de Deus.3

Hoje, vamos analisar atentamente o que a Bíblia e os crentes sábios ao longo dos tempos partilharam sobre este assunto. O nosso objetivo é proporcionar-lhe clareza, compreensão e um profundo sentido da paz de Deus, se isso o tem perturbado. E deixem-me dizer-vos uma coisa maravilhosa desde o início: se estás verdadeiramente preocupado com o facto de teres cometido este pecado, essa preocupação em si é um sinal poderoso de que não o fizeste! Deus é bom!

O que é exatamente a «Blasfémia contra o Espírito Santo» segundo a Bíblia?

Para compreender verdadeiramente este importante tema, temos de ir diretamente à Palavra de Deus, aos locais onde o próprio Jesus falou sobre o assunto. Podemos encontrá-los em Mateus 12:31-32, Marcos 3:28-29 e Lucas 12:10.5

Na Bíblia, «blasfémia» não é apenas uma palavra obscena. Significa falar mal de Deus, desrespeitá-Lo ou transformar as Suas verdades sagradas em mentiras.1 É um insulto direto à própria natureza de Deus e à sua obra espantosa.

O momento em que Jesus falou acerca deste pecado é fundamental. Tinha acabado de fazer algo incrível — curou um homem que era endemoninhado, cego e não conseguia falar. Era uma demonstração clara do poderoso poder de Deus! Mas alguns líderes religiosos, os fariseus, viram-no e, em vez de louvarem a Deus, acusaram Jesus de usar o poder de Satanás, o poder de Belzebul, para expulsar demónios.

Embora não possamos repetir esse momento exato hoje — acusar Jesus cara-a-cara depois de ver os seus milagres 1 — o coração deste pecado continua a ser o mesmo. Trata-se de rejeitar teimosamente e conscientemente a mensagem clara do Espírito Santo sobre quem é Jesus e a Sua obra divina.5 Não se trata de um lapso de língua quando se é fraco ou não se sabe melhor; é uma escolha profundamente enraizada no coração para lutar contra a verdade de Deus.8

O que os fariseus fizeram foi incrivelmente sério. Não estavam apenas a discordar ou a duvidar. Viram um ato inegável do poder de Deus — uma cura, um demónio expulso, coisas que o Espírito Santo faz (Jesus até o disse em Mateus 12:28 9) — e chamaram deliberadamente esse poder divino de demoníaco.1 Não foi um erro inocente; Foi uma torção odiosa de algo claramente verdadeiro. Era assim que era extremo: uma rejeição direta e consciente da obra clara do Espírito Santo, tudo para fazer Jesus parecer mau.

Por que razão este pecado é chamado de «perdoável»?

Quando ouvimos «imperdoável», não é porque o nosso Deus incrível não está disposto a perdoar, ou porque a sua misericórdia se esgota. Não, a Bíblia mostra-nos repetidas vezes que Deus é incrivelmente misericordioso e cheio de compaixão!10 A razão pela qual este pecado é considerado imperdoável é devido ao que o próprio pecado faz ao coração de uma pessoa.

O Espírito Santo desempenha um papel tão vital na nossa salvação. Ele é Aquele que gentilmente nos mostra o nosso pecado, leva-nos a arrepender-nos (ou seja, a abandonar o pecado e a voltar-nos para Deus) e ajuda-nos a ver que Jesus é o nosso Senhor e Salvador.5 Assim, blasfemar contra o Espírito Santo como Jesus falou significa afastar total e finalmente toda a obra do Espírito. É como fechar a única porta pela qual o perdão pode passar. Se rejeitarmos a forma como Deus nos oferece e perdoa, então não podemos recebê-la.1 Um sábio professor, São Tomás de Aquino, disse que este pecado é imperdoável porque «exclui os elementos através dos quais ocorre o perdão do pecado».7 É como dizer «não» ao único medicamento do único médico que pode salvar a nossa vida.

Por conseguinte, «imperdoável» não significa que Deus retenha a sua misericórdia. Trata-se de o coração de uma pessoa se tornar tão determinado numa recusa persistente e final de se arrepender e aceitar o perdão que Deus oferece livremente através do Seu Espírito.7 É muitas vezes chamado de «impenitência final» – o que significa que alguém permanece impenitente até à sua morte, fechando-se completamente da graça de Deus.7 O Evangelho de Marcos até o chama de «pecado eterno» (Marcos 3:29 6), porque a rejeição é tão final e completa da sua parte, que os seus efeitos são duradouros.

Esta natureza imperdoável provém do coração endurecido da pessoa e não da decisão de Deus de reter a misericórdia. O Espírito Santo é absolutamente essencial para nos mostrar o nosso pecado, levar-nos ao arrependimento e levar-nos à fé em Jesus.5 Quando alguém blasfema contra o Espírito Santo, isso significa que está a rejeitar profunda e persistentemente a Sua obra, lutando ativamente contra a própria forma como Deus traz o perdão.4 Por conseguinte, é «imperdoável» não porque Deus revogue a Sua misericórdia porque a pessoa se coloca num lugar onde não pode — e, devido ao seu coração endurecido, não pode — aceitar essa misericórdia. É uma escolha a ser cortada da própria fonte da vida e do perdão. Isto ajuda-nos a ver que não se trata de um Deus que castiga a triste verdade de um coração que se fechou completamente à graça de Deus. É por isso que é tão importante permanecermos abertos e ouvirmos a liderança do Espírito nas nossas vidas.

Posso ter cometido este pecado por acidente ou por um momento de ira?

Muitas pessoas boas se preocupam que um mau pensamento rápido, ou dizer algo lamentável sobre Deus quando estavam zangados, ou mesmo um tempo de dúvida, possa ser este pecado imperdoável. Mas o que a Bíblia descreve como blasfêmia contra o Espírito Santo é algo muito mais deliberado, muito mais fixo no coração.

O próprio Jesus disse-nos algo claro: Disse que falar contra o Filho do Homem (isto é, o próprio Jesus) poderia ser perdoado falar contra o Espírito Santo não seria perdoado (Mateus 12:32 1). Isto nos mostra que a blasfêmia contra o Espírito Santo é diferente e muito grave. Não é um erro descuidado.1 Professores sábios e estudiosos da Bíblia concordam que este pecado envolve uma rebelião consciente, deliberada e muitas vezes contínua e a rejeição da verdade clara de Deus, não apenas um deslizamento acidental ou uma explosão momentânea.8

É amplamente compreendido que este pecado implica conhecer muito sobre a verdade de Deus e, em seguida, rejeitar intencional e odiosamente essa verdade que conhecemos13. É como ver o sol brilhar intensamente e insistir teimosamente que é escuro. João Calvino, um grande homem de Deus, disse que é quando uma pessoa está «tão limitada pelo poder da verdade divina que não pode alegar ignorância, mas resiste deliberadamente, e isso apenas para resistir».15 É desafiar a obra clara do Espírito, mesmo quando, no fundo, sabe melhor.

Portanto, a fasquia para este pecado é incrivelmente alta. Não se trata de um mau pensamento que o perturba, ou de questionar a sua fé, ou mesmo de dizer algo de que se arrepende quando está fraco, zangado ou não sabia melhor. É consistentemente descrita como uma oposição profunda, estabelecida e informada à verdade inegável do Espírito Santo, especialmente sobre Jesus e a salvação. Isto deve trazer tanta paz àqueles que têm medo de ter cruzado acidentalmente esta linha. Este pecado está longe das lutas comuns que todos enfrentamos na nossa caminhada de fé. É uma atitude deliberada, endurecida e final de rebelião.

O que Jesus quis dizer quando falou deste pecado aos fariseus?

Quando Jesus falou estas palavras sérias, Ele estava a falar directamente a um grupo específico: os fariseus, os líderes religiosos do Seu tempo.1 Estes homens tinham passado a vida a estudar a lei de Deus e eram vistos como guias espirituais. Tinham visto com os seus próprios olhos os milagres incríveis que Jesus fez, como curar os doentes e expulsar os demónios — prova clara de que o poder de Deus estava a operar através Dele pelo Espírito Santo.1

Mas a reação dos fariseus a estes milagres não foi apenas um mal-entendido ou uma dúvida honesta. Fizeram uma escolha deliberada de dizer que a obra do Espírito Santo através de Jesus era, na realidade, obra de Satanás.1 Não procuravam a verdade; queriam desacreditar Jesus para proteger o seu próprio poder e posição, porque os seus ensinamentos os desafiavam.1 Estavam «absolutamente empenhados na descrença»1 e diziam qualquer coisa, mesmo algo tão distorcido como chamar o Espírito de Deus de demoníaco, para rejeitar Jesus como o Messias.

Esta acusação mostrava-lhes uma dureza profunda e perigosa no coração. Mostrou que não estavam dispostos a ver a obra de Deus se não se ajustasse às suas ideias ou servisse aos seus próprios interesses.4 Não tinham um «espírito de arrependimento» e estavam determinados a «continuar a viver como já tinham escolhido»4, mesmo quando confrontados com provas inegáveis de Deus. As palavras de Jesus sobre o pecado imperdoável foram um forte aviso para eles sobre o perigo espiritual de uma oposição tão teimosa e intencional à verdade clara de Deus.

O pecado dos fariseus é um poderoso exemplo de escolha da cegueira espiritual e da malícia. Estas eram pessoas com muito conhecimento religioso que viam o poder divino em primeira mão. No entanto, em vez de levá-los à humildade e à fé, seu orgulho e interesse próprio os fizeram distorcer conscientemente a verdade que viam. A condenação de Jesus visava esta rejeição específica e desafiadora daqueles que, dada a sua posição e as provas, deveriam ter conhecido melhor e respondido de forma diferente. Embora hoje não possamos repetir perfeitamente essas circunstâncias históricas exatas — dirigindo-nos diretamente a Jesus em pessoa após os seus milagres 1 — a condição espiritual central de rejeitar consciente, maliciosa e persistentemente a obra clara e o testemunho do Espírito Santo é o que significa este pecado.

O que os Padres da Igreja Primitiva ensinaram sobre a blasfêmia contra o Espírito Santo?

Os primeiros pensadores cristãos, muitas vezes chamados de Padres da Igreja, passaram muito tempo a pensar nas palavras de Jesus sobre este tema difícil. Embora nem todos o explicassem exatamente da mesma forma, muitas vezes concordavam que se tratava de um pecado muito grave e intencional.16

Alguns dos primeiros Padres da Igreja, como Atanásio, Hilário de Poitiers, Ambrósio, Jerónimo e João Crisóstomo, tomaram-no literalmente. Eles o viam como diretamente ligado ao que os fariseus faziam: dizendo coisas blasfemas contra o Espírito Santo, alegando deliberadamente que as obras divinas de Cristo, feitas pelo poder do Espírito Santo, provinham efetivamente de demónios ou espíritos malignos.13 Por exemplo, São João Crisóstomo salientou que os fariseus agiam «impudentemente contra a verdade manifesta», sabendo que expulsar demónios era o Espírito de Deus em ação, mas chamando-o odiosamente de demónio.13

Uma ideia muito influente veio de Santo Agostinho. Ensinou que a blasfémia contra o Espírito Santo é «impenitência final».7 Isto significa que uma pessoa teimosamente se recusa a arrepender-se de um pecado grave durante toda a sua vida, permanecendo nesse estado rebelde até morrer.7 Agostinho acreditava que este pecado é especificamente «contra o Espírito Santo», porque o Espírito Santo é Aquele que traz o perdão e dá a graça de que precisamos para nos arrependermos. Continuar a resistir ao arrependimento é continuar a resistir à obra de salvação do Espírito.16

Outros primeiros pensadores, cujas ideias foram posteriormente resumidas por teólogos como São Tomás de Aquino, associaram este pecado a «pecar através de certa malícia».16 Esta visão analisa a razão pela qual as pessoas pecam: pecar por fraqueza pode ser contra Deus Pai (que é todo-poderoso), pecar por ignorância contra Deus Filho (que é todo-sábio) e pecar por malícia deliberada - escolher conscientemente o mal - como contra Deus Espírito Santo (que é todo bom e amoroso). Este «pecado por malícia» significa rejeitar desdenhosamente as graças do Espírito Santo que normalmente impediriam esse pecado, como a esperança na misericórdia de Deus ou o medo do julgamento de Deus.16

Aqui está um quadro simples que mostra o que alguns dos principais Padres da Igreja ensinaram:

Pai da IgrejaResumo da Interpretação-Chave
AtanásioDizendo, literalmente, coisas blasfemas contra o Espírito Santo; atribuir as obras de Deus aos ídolos/demónios.
Hilário de PoitiersLiteralmente, dizer coisas blasfemas contra o Espírito Santo.
AmbroseLiteralmente, dizer coisas blasfemas contra o Espírito Santo.
JeromeDizer literalmente coisas blasfemas contra o Espírito Santo, dizer que as obras de Cristo (feitas pelo Espírito) eram do príncipe dos diabos.
João CrisóstomoDeliberadamente atribuir as claras obras do Espírito Santo aos demónios; Agir descaradamente contra a verdade divina óbvia.
AgostinhoImpenitência final: permanecer em pecado mortal até à morte, resistindo à obra de perdão e arrependimento do Espírito Santo.

Mesmo com estas diferentes formas de defini-lo - se foi a blasfêmia literal dos fariseus, uma recusa ao arrependimento ao longo da vida, ou uma escolha deliberada do mal por malícia - os Padres da Igreja geralmente concordaram que este pecado é excepcionalmente grave. Não é um pecado de simples fraqueza ou ignorância que possas cometer por acidente. Em vez disso, envolve uma rejeição profunda, consciente e intencional de Deus, especialmente destinada à obra clara do Espírito Santo ou à sua oferta de graça e arrependimento. Este acordo histórico reforça a ideia de que a blasfémia contra o Espírito Santo não é algo que apenas se depara com um estado muito extremo e endurecido de oposição a Deus.

Como diferentes tradições cristãs compreendem este pecado hoje?

As denominações cristãs de hoje continuam a pensar sobre este ensinamento, muitas vezes com base no que os Padres da Igreja disseram, ao mesmo tempo em que destacam certos aspectos. Embora as definições exatas possam diferir um pouco, existe um entendimento comum: A blasfêmia contra o Espírito Santo é geralmente vista como mais do que apenas dizer más palavras. Geralmente, envolve uma resistência persistente e endurecida à verdade e à convicção do Espírito Santo, conduzindo frequentemente a uma rejeição final da graça de Deus.

O Igreja Católica segue principalmente Santo Agostinho e São Tomás de Aquino, vendo o pecado imperdoável como «impenitência final».7 Isto significa morrer sem se arrepender, tendo deliberadamente e teimosamente recusado a misericórdia e o perdão de Deus ao longo da vida.7 Considera-se imperdoável não porque Deus carece de misericórdia porque a pessoa, pela sua recusa final de se arrepender, exclui as próprias coisas (como a tristeza pelo pecado e o desejo de perdão) através das quais o perdão de Deus vem.7

ortodoxos orientais o ensino salienta frequentemente que este pecado implica rejeitar Cristo como enganador, mesmo quando há provas claras da obra do Espírito Santo nEle. Ao fazê-lo, uma pessoa separa-se da única fonte de perdão — Cristo e o seu Reino.9 A visão ortodoxa esclarece que Deus não se recusa a perdoar aqueles que se arrependem; Em vez disso, persistir neste pecado torna impossível o arrependimento e receber o perdão, porque significa afastar-se completamente de Deus.9 Alguns escritores ortodoxos também o ligam a uma negação endurecida da presença e do poder de Deus em atos sagrados, como tomar a Sagrada Comunhão com um coração que profanamente nega sua realidade divina.17

Entre Categoria: Tradições protestantes, existem vários pontos de vista:

  • Reformada teólogos, como João Calvino, tendem a defini-la como uma rejeição deliberada e maliciosa da verdade divina por alguém que é tão confrontado com a luz do Espírito Santo que não pode alegar ignorância, mas resiste apenas para resistir.15 É uma luta consciente contra a verdade conhecida, que é a obra do Espírito.
  • Luterana O ensino descreve-o como uma calúnia consciente e deliberada do Espírito Santo e Sua obra salvífica, mostrando um coração endurecido em oposição impenitente a Deus.14 Visto que o Espírito Santo é aquele que cria e mantém a fé e produz arrependimento, rejeitá-Lo desta forma é rejeitar os meios de salvação.14 Os luteranos muitas vezes oferecem este conforto: se alguém está preocupado por ter cometido este pecado, essa preocupação é um sinal de que não cometeu.18
  • Metodista O entendimento (Wesleyano/Arminiano) inclui chamar deliberadamente o bem de mal, rejeitar conscientemente a convicção do Espírito Santo e atribuir publicamente a Satanás a obra do Espírito Santo (ou as obras divinas de Jesus.6 Pode levar a um estado em que uma pessoa se torna tão endurecida contra Deus que não se arrepende, e porque não há arrependimento, não pode haver perdão.12
  • Batista os pontos de vista veem-na muitas vezes como uma rejeição intencional, consciente, deliberada e persistente de Cristo e da obra de convicção do Espírito Santo. Isto conduz a uma dureza de coração que coloca uma pessoa fora do alcance do Espírito para o arrependimento, um estado por vezes chamado apostasia (um completo afastamento de uma fé professada).20 Alguns teólogos batistas ensinam que um verdadeiro crente nascido de novo não pode cometer este pecado; pelo contrário, é algo que só podem cometer aqueles que tinham uma profissão de fé superficial ou falsa e, em seguida, a rejeitam totalmente20.

Através destas diversas tradições cristãs, embora as definições específicas possam diferir — quer se trate da chamada impenitência final, da atribuição de obras divinas a Satanás, da resistência consciente à verdade conhecida ou da apostasia — existe um forte acordo. Este pecado envolve um estado poderoso, estabelecido e intencional de rejeição da obra e do testemunho do Espírito Santo, especialmente no que diz respeito à salvação oferecida através de Jesus Cristo. Mostra-se consistentemente não como uma falha momentânea ou um erro acidental como um estado extremo de oposição endurecida. Este amplo acordo sobre a gravidade e a natureza do pecado deve trazer tranquilização àqueles que são ternos e temerosos, uma vez que o pecado descrito está longe das lutas ou dúvidas espirituais comuns.

Se estou preocupado por ter cometido este pecado, o que significa isso?

Um dos conselhos mais consistentes e reconfortantes dados aos que estão ansiosos pela blasfêmia contra o Espírito Santo é este: o próprio facto de estares preocupado, preocupado ou receoso por teres cometido este pecado é uma forte prova de que tens não Este conselho provém de uma vasta gama de tradições cristãs e baseia-se numa compreensão profunda tanto do próprio pecado como da obra do Espírito Santo.

Porque é que a tua preocupação é um bom sinal? O desejo de Deus, o medo de O ofender e o desejo de perdão são, eles próprios, sinais de que o Espírito Santo opera no vosso coração.2 É Deus que vos atrai para Si e vos torna sensíveis às coisas espirituais (Filipenses 2:13 é frequentemente mencionado aqui 2). Alguém que verdadeiramente e finalmente cometeu o pecado imperdoável é geralmente compreendido como tendo atingido um estado de profunda dureza espiritual e indiferença. Tal pessoa passaria a preocupar-se com a sua relação com Deus, passaria a querer arrepender-se e não ficaria perturbada com a ideia de ter cometido tal pecado.4 A sua consciência seria, como disse o apóstolo Paulo noutro lugar, «arrancada como com ferro quente», o que significa que deixaria de sentir convicção espiritual.21 Não quereriam arrepender-se porque o seu coração seria posto contra Deus.4

O vosso sentimento de medo e preocupação é muito importante quando falamos deste pecado em particular. Ao contrário de muitos outros pecados em que a culpa e o remorso mostram claramente que cometeu um erro, com blasfémia contra o Espírito Santo, é o ausência de preocupação, a falta de desejo de arrepender-se e uma fria indiferença a Deus que são mais típicos do próprio pecado. A presença do medo, uma consciência perturbada e um desejo de estar certo com Deus realmente apontam para longe de tê-lo cometido. Isto porque a blasfémia contra o Espírito Santo, no seu âmago, envolve um endurecimento completo e final do coração e uma rejeição total da obra do Espírito.4 Uma vez que o Espírito Santo é quem nos convence do pecado e nos atrai para Deus 5, uma pessoa que tivesse verdadeiramente alcançado este estado de rejeição final deixaria de estar aberta à convicção do Espírito ou de ter um desejo genuíno de Deus. Portanto, sua preocupação, sua sensibilidade espiritual e seu desejo de perdão são sinais poderosos de que o Espírito Santo ainda está em ação em sua vida, oferecendo-lhe a graça e a possibilidade de arrependimento. Esta compreensão é um conforto vital, ajudando-o a ver que seu coração terno é um dom do Espírito, não uma marca de condenação imperdoável.

Há alguma esperança de perdão se alguém endureceu verdadeiramente o seu coração?

Esta pergunta toca o incrível poder e misericórdia de Deus quando confrontado com o pecado humano. É importante conhecer a diferença entre um coração geralmente endurecido e o estado específico e final que a blasfémia contra o Espírito Santo implica.

A Bíblia mostra momentos em que o coração das pessoas se endurece, por vezes até descrito como Deus «entregando-as» ao seu pecado (como em Romanos 1 23). Mas as Escrituras também estão cheias de histórias do imenso poder de Deus para suavizar até mesmo os corações mais duros e trazer salvação àqueles que estavam profundamente presos ao pecado e à rebelião (como visto no plano de Deus para judeus e gentios em Romanos 3 23). Deus promete claramente fazer milagres de transformação do coração, tirar um "coração de pedra" e dar um "coração de carne" (Ezequiel 11:19-20, Ezequiel 36:26-27 24). Isto mostra o seu profundo desejo de que nos arrependamos e o seu poder para fazê-lo acontecer.

A blasfêmia contra o Espírito Santo, no entanto, é apresentada de uma forma única. É entendido como o ponto final de não retorno precisamente porque é definido como um final e liquidada estado de não arrependimento, uma rejeição completa e irreversível da qual a pessoa não vai A questão não é a incapacidade ou a falta de vontade de Deus de perdoar se o arrependimento vier a acontecer; pelo contrário, o próprio pecado é marcado pelo estado fixo da pessoa de rejeitar ativa e permanentemente a possibilidade de perdão recusando-se a arrepender-se.7

Para qualquer outro pecado, por mais grave que seja, a promessa da Bíblia é clara: Se uma pessoa se arrepender verdadeiramente e se voltar para Deus, o seu perdão estará abundantemente disponível. Versículos como 1João 1:9 ("Se confessarmos os nossos pecados, ele é fiel e justo para nos perdoar os nossos pecados e nos purificar de toda injustiça") e Isaías1:18 ("Embora os vossos pecados sejam como a escarlata, eles serão brancos como a neve") confirmam a misericórdia ilimitada de Deus para com aqueles que se arrependem.10 A questão crítica com a blasfêmia contra o Espírito Santo é que ela é definida pelo completo e final ausência de tal arrependimento.

Assim, o «ponto de não retorno» com blasfêmia contra o Espírito Santo é definido pela falta de vontade última do pecador, e não por um limite no desejo ou no poder de Deus de perdoar. Enquanto Deus, em Sua soberana misericórdia, pode e faz suavizar corações geralmente endurecidos, convidando-os a arrepender-se 23, a ideia de blasfêmia contra o Espírito Santo descreve um estado específico e extremo. Neste estado, o indivíduo rejeitou de forma tão definitiva, consciente e finalmente a obra do Espírito Santo - o que inclui trazer convicção e arrependimento - que não vai Arrependei-vos. A porta para o perdão está sempre aberta do lado de Deus para qualquer um que queira voltar-se para Ele, este pecado em particular implica intrinsecamente que o indivíduo feche essa porta do seu lado, de forma permanente e irrevogável. Este entendimento honra tanto o poder soberano de Deus como a sua natureza misericordiosa, ao mesmo tempo que leva a sério a nossa poderosa capacidade humana de rejeição final. Significa também que qualquer pessoa que ainda sinta um impulso para o arrependimento, ou um desejo de perdão de Deus, não atingiu, por definição, este estado final e irreversível. Louvado seja Deus por isto!

Que medidas posso tomar se tiver medo deste pecado?

Se o medo de ter cometido o pecado imperdoável está a pesar-te, há passos práticos e cheios de fé que podes dar e que te levarão à paz e à tranquilidade. Estas ações consistem em entrar ativamente na graça de Deus, sem deixar que o medo vença.

Volte-se para Deus, não se afaste dEle. A mensagem consistente da Bíblia quando enfrentamos o pecado ou o medo é arrepender-se (o que significa voltar-se para Deus e afastar-se do pecado) e acreditar na Sua bondade.2 Se tem medo de ter pecado, a resposta certa é sempre aproximar-se de Deus, não desesperar ou tentar esconder-se.

abraçar a misericórdia sem limites de Deus. Recordar-se ativamente do incrível amor de Deus, da sua paciência e da sua profunda vontade de perdoar a todos os que o procuram com um coração arrependido. A Escritura assegura-nos que Jesus não afastará ninguém que venha a Ele (João 6:37 2), e que Deus é fiel para perdoar aqueles que confessam seus pecados (1João 1:9-10). Pensar na natureza compassiva de Deus, tal como descrita em toda a Bíblia (como no Salmo 86:5 10), pode ajudar a afastar esse medo.

confessar quaisquer pecados específicos e estes temores a Deus. Fale com Deus honestamente e abertamente sobre as ansiedades que sente e sobre quaisquer ações ou pensamentos específicos que estejam a causar culpa ou preocupação. A confissão é um caminho bíblico para receber o perdão e a limpeza de Deus.10

Procure conselhos sábios de líderes espirituais confiáveis. Falar com um pastor, sacerdote ou um amigo ou mentor cristão maduro e conhecedor pode ser incrivelmente útil.2 Podem oferecer orientação bíblica para a vossa situação específica, orar convosco e por vós, e proporcionar a tão necessária tranquilidade. Não tentes enfrentar medos tão profundos sozinho.

Concentre-se em Jesus Cristo e na sua obra consumada. O principal papel do Espírito Santo é apontar para Jesus e atrair as pessoas a Ele para a salvação. Assim, um foco espiritual saudável está na vida de Cristo, na sua morte sacrificial na cruz pelos nossos pecados e na sua ressurreição vitoriosa. Confiar no que Cristo fez é o coração da fé cristã.

Por fim, viver uma vida de fé e obediência. Envolver-se ativamente em práticas cristãs — como a oração, a leitura das Escrituras, a comunhão com outros crentes e a tentativa de obedecer aos mandamentos de Deus — mostra um coração que procura Deus, não O rejeita. Tais ações são o oposto do espírito de rebelião endurecida e final que marca a blasfêmia contra o Espírito Santo.

Tomar estes passos ativos - voltar-se para Deus, confessar, procurar conselho, concentrar-se em Cristo e viver na fé - é por si só a prova de que você não está no estado de rejeição endurecida ligada ao pecado imperdoável. O caminho para a paz não consiste em perguntar-se obsessivamente se cometeu este pecado específico ao abraçar ativamente os meios de graça que Deus proporciona. Esta abordagem proativa ajuda a afastar o medo e a fortalecer a sua relação com um Deus amoroso e misericordioso.

Conclusão: Descansar na infinita misericórdia de Deus

O ensino sobre a blasfêmia contra o Espírito Santo é um dos mais sérios nas Escrituras. Mas é tão importante compreendê-lo no quadro geral do amor esmagador de Deus e do seu desejo de que todas as pessoas sejam salvas e conheçam a verdade (1 Timóteo 2:4). O coração de Deus para connosco não é uma condenação do convite gracioso.

A mensagem mais importante para qualquer pessoa preocupada com este tópico é esta: um coração que está genuinamente à procura de Deus, que está preocupado com o pecado, e que deseja o perdão tem não cometeu o pecado imperdoável. Essa mesma preocupação, essa ternura espiritual, é amplamente compreendida pelos pastores e teólogos como um sinal da obra contínua do Espírito Santo na vossa vida.4 Um coração que fosse verdadeira e finalmente endurecido contra Deus não seria capaz de ter tais ansiedades ou desejos de estar certo com Ele.

A paz é encontrada na confiança no belo caráter de Deus. Ele é um Deus de infinita misericórdia, transbordante de amor inabalável, e sempre fiel a perdoar aqueles que se voltam para Ele em arrependimento e depositam a sua fé em Jesus Cristo. Para aqueles sobrecarregados pelo medo, o convite é colocar esses medos aos pés da cruz, receber a garantia do perdão oferecido através de Cristo e viver na liberdade e na alegria da graça infalível de Deus. Como diz lindamente um antigo hino: «Ele quebra o poder do pecado cancelado; Ele liberta o prisioneiro».2 Hoje podes descansar nisso!

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