Qual é a genealogia bíblica de Noé a Jesus?
À medida que exploramos a genealogia bíblica de Noé a Jesus, devemos abordar esta questão com precisão acadêmica e discernimento espiritual. Esta linhagem representa não só uma lista de nomes, mas também uma história sagrada da aliança de Deus com a humanidade.
A genealogia de Noé a Jesus encontra-se principalmente em duas passagens do Novo Testamento – Mateus 1:1-17 e Lucas 3:23-38. Mas estes constroem sobre as genealogias apresentadas no Antigo Testamento, particularmente em Gênesis, 1 Crónicas, e o livro de Rute.
A partir de Noé, a linha prossegue através de seu filho Sem. De Sem, traçamos a linhagem através de várias gerações até Terá, o pai de Abraão. Esta parte da genealogia encontra-se em Génesis 11:10-26 (Grover, 2019, pp. 1-149; Madsen, 2020, pp. 1-17).
Abraão, é claro, ocupa um lugar central nesta linhagem como o pai da nação israelita. A partir de Abraão, a linha continua através do seu filho Isaac e, em seguida, através do filho de Isaac, Jacob, também conhecido como Israel. O filho de Jacó, Judá, é o próximo na linha, cumprindo a profecia de que o Messias viria da tribo de Judá.
A genealogia então prossegue através de várias gerações, incluindo figuras notáveis como Boaz, Jessé e o rei Davi. A importância de Davi nesta linhagem não pode ser exagerada, uma vez que o Messias foi profetizado para ser um descendente de Davi, muitas vezes referido como o "Filho de Davi" (Madsen, 2020, pp. 1-17).
Depois de Davi, a genealogia continua através da linhagem dos reis da Judeia, incluindo Salomão, Roboão e outros, até chegarmos ao tempo do exílio babilónico. Após o exílio, a genealogia torna-se menos clara, com algumas diferenças entre os relatos de Mateus e Lucas.
Nas últimas gerações antes de Jesus, encontramos figuras como Zorobabel, que conduziu o regresso do exílio. A genealogia de Mateus procede então através de José, o pai legal de Jesus, enquanto a genealogia de Lucas é frequentemente interpretada como traçando a linhagem de Maria (Sivertsen, 2005, pp. 43-50).
Estas genealogias não são meros registros históricos. Servem um propósito teológico, demonstrando a fidelidade de Deus às suas promessas ao longo das gerações e salientando a identidade de Jesus como Filho de Davi e Filho de Deus.
Qual dos filhos de Noé era Jesus?
De acordo com o relato bíblico, Noé teve três filhos: Shem, Ham e Japheth. É através de Sem que a linhagem de Jesus é traçada (Grover, 2019, pp. 1-149; Madsen, 2020, pp. 1-17). É por esta razão que o termo «semita» é utilizado para descrever a família linguística que inclui o hebraico, bem como os povos descendentes de Sem.
A escolha de Shem como o progenitor da linha messiânica é importante. Em Génesis 9:26-27, Noé abençoa Sem, dizendo: «Bendito seja o Senhor, o Deus de Sem!». Esta bênção prenuncia o papel especial que os descendentes de Sem desempenhariam na história da salvação.
Psicologicamente, é fascinante considerar como esta ligação genealógica pode ter moldado a identidade e a autocompreensão do povo israelita. O conhecimento de que eram descendentes do filho que recebeu uma bênção especial podia ter reforçado seu sentimento de serem escolhidos por Deus para um propósito único.
Historicamente, os descendentes de Sem, conhecidos como semitas, povoaram grande parte do Oriente Médio. Isto inclui os acadianos, arameus, assírios, babilónios e, claro, os hebreus. As ligações linguísticas e culturais entre estes povos reflectem a sua ascendência comum ('''ì¢...ê·1⁄4, 2002, pp. 15–29).
Embora Jesus descenda de Sem, o amor e a salvação de Deus não se limitam a uma linhagem. Em Cristo, a bênção dada a Sem estende-se a todos os povos. Como Paulo escreve em Gálatas 3:28-29, «Não há judeu nem grego... pois todos vós sois um em Cristo Jesus. E se sois de Cristo, sois descendência de Abraão e herdeiros segundo a promessa.»
A descida de Jesus de Sem também o liga à narrativa mais ampla da aliança de Deus com a humanidade. Depois do dilúvio, Deus fez um pacto com Noé e seus filhos, prometendo nunca mais destruir a terra com um dilúvio. Este pacto é um precursor dos pactos posteriores com Abraão, Moisés e Davi, todos os quais encontram seu cumprimento em Cristo.
Quantas gerações houve entre Noé e Jesus?
As duas genealogias primárias de Jesus no Novo Testamento, encontradas em Mateus 1 e Lucas 3, fornecem diferentes contagens de gerações. Esta diferença tem sido objecto de discussão entre os estudiosos bíblicos durante séculos (Sanders, 1913, p. 184; Sivertsen, 2005, pp. 43–50).
De acordo com a genealogia de Mateus, que começa com Abraão, há 42 gerações desde Abraão até Jesus. Se acrescentarmos as gerações de Noé a Abraão, que estão enumeradas em Génesis 11, chegamos a cerca de 52-54 gerações de Noé a Jesus (Madsen, 2020, pp. 1-17).
A genealogia de Lucas, por outro lado, traça a linhagem de Jesus até Adão. No relato de Lucas, existem cerca de 76 gerações desde Adão até Jesus. Subtraindo as gerações de Adão a Noé, restam-nos aproximadamente 66-68 gerações de Noé a Jesus (Grover, 2019, pp. 1-149).
Devo salientar que estes números não devem ser tomados como medições cronológicas precisas. Genealogias bíblicas muitas vezes servem a propósitos teológicos e literários, em vez de estritamente históricos. Podem saltar gerações ou usar números simbólicos para transmitir significado.
Psicologicamente, é fascinante considerar por que razão estas genealogias foram preservadas e incluídas nos Evangelhos. Servem para enraizar Jesus na história de Israel e da humanidade, sublinhando tanto a sua herança judaica como o seu significado universal. A extensão destas genealogias também sublinha a vasta extensão do tempo ao longo do qual o plano de salvação de Deus se desenrolou, destacando a paciência e a fidelidade de Deus.
O conceito de uma geração nos tempos bíblicos pode não estar perfeitamente alinhado com a nossa compreensão moderna. No mundo antigo, considerava-se frequentemente que uma geração tinha cerca de 40 anos, embora isso pudesse variar ('''ì¢...ê·1⁄4, 2002, pp. 15–29).
Apesar das diferenças no número de gerações, ambas as genealogias servem para ligar Jesus a figuras-chave da história de Israel, em especial Abraão e Davi. Isto sublinha o papel de Jesus como cumprimento das promessas de Deus a estes patriarcas.
Que figuras importantes aparecem na genealogia entre Noé e Jesus?
Isaque, o filho da promessa, e Jacó, renomeado Israel, continuam esta linhagem. Os doze filhos de Jacó tornam-se os progenitores das doze tribos de Israel. Entre estes, Judá tem um significado especial, uma vez que é através da sua linhagem que o Messias viria, cumprindo a profecia de Jacó em Génesis 49:10 (Groverno, 2019, pp. 1-149).
À medida que avançamos, encontramos Boaz, um homem de caráter nobre que se casa com Rute, uma mulher moabita. A sua história recorda-nos o amor inclusivo de Deus que transcende as fronteiras nacionais. Rute, enquanto estrangeira que se torna parte da linha messiânica, prenuncia a universalidade da missão de Cristo (Madsen, 2020, pp. 1-17).
De Boaz e Rute vem Jessé, o pai de Davi. O rei Davi, o pastor que se tornou rei, é talvez a figura mais importante nesta genealogia depois de Abraão. A promessa de Deus a Davi de que o seu trono seria estabelecido para sempre encontra o seu cumprimento final em Jesus, o Rei eterno (Groverno, 2019, pp. 1-149).
Salomão, filho de Davi, conhecido pela sua sabedoria e pela construção do primeiro templo, é o próximo nesta linha ilustre. Mas também vemos figuras como Roboão, cujas ações levaram à divisão do reino, lembrando-nos que esta linhagem inclui tanto os fiéis quanto os falhos.
À medida que nos aproximamos do tempo do exílio, encontramos o Rei Josias, cujas reformas religiosas trouxeram um breve período de renovação espiritual. Após o exílio, Zorobabel surge como uma figura fundamental, liderando o regresso a Jerusalém e a reconstrução do Templo (Madsen, 2020, pp. 1-17).
Nas últimas gerações antes de Jesus, encontramo-nos com José e Maria. Embora não seja o seu pai biológico, o papel de José como pai legal de Jesus é crucial, ligando Jesus à linhagem davídica. Maria, escolhida para ser a mãe do Messias, constitui um modelo de fé e obediência (Sivertsen, 2005, pp. 43-50).
Psicologicamente, é fascinante considerar como estas histórias ancestrais podem ter moldado a autocompreensão de Jesus e as expectativas dos que o rodeiam. Cada uma destas figuras, com os seus pontos fortes e fracos, a sua fidelidade e fracassos, contribuiu para a vasta teia da história de Israel em que Jesus nasceu.
Como historiadores, devemos também reconhecer que há lacunas e variações nos registros genealógicos. Estas diferenças recordam-nos que o objetivo destas genealogias não é primariamente cronológico, mas teológico, demonstrando a obra coerente de Deus ao longo da história humana.
Por que há diferenças entre as genealogias em Mateus e Lucas?
Devo salientar que estas diferenças não implicam necessariamente contradição ou erro. Pelo contrário, provavelmente refletem diferentes fontes e finalidades. Mateus, escrevendo principalmente para uma audiência judaica, enfatiza a linhagem real de Jesus através de Salomão, sublinhando a sua pretensão de ser o Messias, o Filho de Davi. Lucas, com uma perspetiva mais universal, traça a linhagem de Jesus até Adão, sublinhando a sua solidariedade para com toda a humanidade (Willmington, 2017).
Uma explicação tradicional, que remonta a Júlio Africano no século III, sugere que Mateus dá a genealogia de José, enquanto Lucas fornece a de Maria, o que explicaria a divergência após Davi. Mas ambas as genealogias explicitamente nomeiam José, não Maria, o que complica esta interpretação (Sanders, 1913, p. 184).
Outro ponto de vista é que uma genealogia representa a linha jurídica de sucessão ao trono de Davi, embora a outra represente a linhagem biológica real. Isto alinha-se com a prática judaica do casamento levirato, onde um homem pode ser legalmente considerado o filho de um pai, mas biologicamente o filho de outro (Sanders, 1913, p. 184).
Psicologicamente, é fascinante considerar como estas diferentes genealogias podem ter ressoado com o seu público original. A ênfase de Mateus na herança judaica e na linhagem real teria respondido às expectativas messiânicas, enquanto o âmbito universal de Lucas teria apelado aos crentes gentios que procuram compreender o seu lugar no plano de Deus.
As genealogias antigas muitas vezes serviam para propósitos além da mera descendência biológica. Eles podem ser usados para estabelecer legitimidade, traçar conexões teológicas ou enfatizar atributos particulares da pessoa em questão. As diferenças entre Mateus e Lucas podem refletir estas diferentes finalidades (Sivertsen, 2005, pp. 43-50).
Qual é o significado da genealogia de Jesus que remonta a Noé?
A genealogia de nosso Senhor Jesus Cristo, que remonta a Noé, tem um forte significado para a nossa fé e compreensão do plano de Deus para a humanidade. Esta linhagem, cuidadosamente preservada nas Escrituras, revela a continuidade da aliança de Deus e o cumprimento das suas promessas através das gerações.
Noé, como sabemos, foi escolhido por Deus para preservar a vida durante o grande dilúvio. Nele, vemos a misericórdia e o desejo de Deus de um novo começo para a humanidade. O facto de a linhagem de Jesus incluir Noé recorda-nos que o nosso Salvador está ligado a este momento crucial de renovação e esperança na história humana.
Historicamente, esta genealogia serve como uma ponte entre a história primitiva do Gênesis e a história específica de Israel. Mostra como o plano de salvação de Deus, iniciado com Noé, continuou através de Abraão, Davi e, em última análise, até Jesus. Esta continuidade demonstra a fidelidade de Deus ao longo de milénios, um testemunho do seu amor inabalável pela sua criação.
Psicologicamente, tal linhagem fornece um sentido de identidade e pertencimento. Para os primeiros cristãos, e para nós hoje, enraíza Jesus firmemente na história humana. Diz-nos que a nossa fé não se baseia em ideias abstratas, mas em pessoas reais que viveram, lutaram e esperaram, tal como nós.
A genealogia de Noé a Jesus abrange tanto os justos como os pecadores, os grandes e os humildes. Esta diversidade recorda-nos que o plano de salvação de Deus inclui toda a humanidade, independentemente dos nossos méritos ou falhas individuais. Oferece esperança a cada um de nós, sabendo que também nós, apesar das nossas imperfeições, podemos fazer parte da grande história de redenção de Deus.
A inclusão de Noé na genealogia de Jesus também sublinha a natureza universal da missão de Cristo. Noé foi um pai de toda a humanidade pós-dilúvio, e Jesus, como o novo Noé, vem oferecer a salvação a todos os povos. Esta universalidade é um aspeto crucial da nossa fé e missão cristãs.
Esta genealogia não é apenas uma lista de nomes, mas um testemunho poderoso do amor duradouro de Deus, da sua fidelidade às suas promessas e do seu desejo de reconciliar toda a humanidade consigo mesma através de Jesus Cristo. Convida-nos a vermo-nos como parte desta grande narrativa, chamada a prosseguir o trabalho de construção do reino de Deus no nosso próprio tempo e lugar.
Como é que a linhagem de Noé se liga às promessas do pacto de Deus?
A linhagem de Noé serve de fio de ouro, tecendo em conjunto as promessas da aliança de Deus ao longo da história da salvação. Esta ligação não é meramente genealógica, mas profundamente teológica, revelando a constância do amor de Deus e o desenrolar do seu plano divino.
Lembremo-nos primeiro do pacto que Deus fez com Noé depois do dilúvio. Este pacto, simbolizado pelo arco-íris, era uma promessa a toda a criação de que Deus nunca mais destruiria a terra com um dilúvio. Era um pacto de preservação e esperança, um novo começo para a humanidade. Este pacto forma o fundamento sobre o qual todos os pactos subseqüentes são construídos.
De Noé, a linhagem continua através de seu filho Sem e, eventualmente, até Abraão. Com Abraão, vemos uma promessa de aliança mais específica: que, através da sua descendência, todas as nações da terra seriam abençoadas. Esta promessa é então transmitida através de Isaque, Jacó e, eventualmente, a Davi, cada vez mais focada e definida.
A culminação destas promessas da aliança está, é claro, em Jesus Cristo. Como nos ensina o apóstolo Paulo, todas as promessas de Deus encontram o seu «sim» em Cristo (2 Coríntios 1:20). Jesus, como cumprimento destes pactos, traz a bênção prometida a Abraão a todas as nações, e estabelece o novo e eterno pacto em Seu sangue.
Historicamente, esta linhagem demonstra a continuidade do plano de Deus ao longo de milénios. Mostra-nos que a obra de salvação de Deus não é uma série de acontecimentos desconexos, mas uma narrativa coerente com Jesus no seu centro. Este entendimento foi crucial para a Igreja primitiva, uma vez que procurou explicar como Jesus, como o Messias judeu, podia ser o Salvador de toda a humanidade.
Psicologicamente, esta ligação com a linhagem de Noé proporciona uma sensação de enraizamento e propósito. Lembra-nos que somos parte de uma história muito maior do que nós mesmos, uma história que remonta ao amanhecer da história humana e avança para a eternidade. Isto pode ser uma fonte de grande conforto e força, especialmente em tempos de dificuldade ou incerteza.
As promessas da aliança ligadas à linhagem de Noé revelam o desejo de Deus para a relação com a humanidade. Cada aliança representa Deus estendendo-se à Sua criação, procurando aproximar-nos de Si mesmo. Em Jesus, vemos a expressão última deste desejo, quando Deus se torna um de nós para reconciliar-nos consigo mesmo.
A linhagem de Noé e a sua ligação às promessas do pacto de Deus revelam o amor paciente e persistente de Deus pela sua criação. Mostra-nos um Deus que não abandona o seu povo, mas que trabalha incansavelmente ao longo da história para realizar a nossa salvação. Este entendimento pode aprofundar a nossa fé e inspirar-nos a responder mais plenamente ao amor de Deus nas nossas próprias vidas.
O que ensinaram os primeiros Padres da Igreja sobre a genealogia de Jesus a partir de Noé?
Muitos dos Padres viram nesta genealogia um testemunho poderoso da realidade da natureza humana de Cristo. São Ireneu, por exemplo, salientou que a descendência de Jesus de Noé e Adão provou que Ele era verdadeiramente humano, contrariando aqueles que alegavam que Cristo só parecia ser humano. Esta afirmação da humanidade de Cristo foi crucial para a compreensão da salvação pela Igreja primitiva – para que Cristo nos salvasse, tinha de ser plenamente uno connosco.
Ao mesmo tempo, os Padres viram também nesta genealogia uma confirmação da missão divina de Cristo. Santo Agostinho, na sua grande obra «Cidade de Deus», traçou a forma como o plano de salvação de Deus se desenrolou ao longo das gerações, desde Noé até Cristo. Ele viu nesta linhagem a paciente obra de Deus que preparava a humanidade para a vinda do Salvador.
Orígenes, nas suas homilias sobre o Evangelho de Lucas, encontrou um profundo significado espiritual nos nomes enumerados na genealogia. Para ele, cada nome representava uma virtude ou uma realidade espiritual que culminava em Cristo. Esta interpretação alegórica, embora talvez desconhecida para nós hoje, lembra-nos os ricos tesouros espirituais que podem ser encontrados em todas as partes da Escritura.
Historicamente, o interesse dos Padres na genealogia de Jesus de Noé reflete a necessidade da Igreja primitiva de demonstrar a continuidade entre o Antigo e o Novo Testamento. Mostrando como Cristo estava ligado a Noé e aos patriarcas, podiam argumentar que o cristianismo não era uma nova religião, mas o cumprimento das antigas promessas de Deus.
Psicologicamente, podemos ver nos ensinamentos dos Padres um desejo de tornar a vinda de Cristo inteligível e significativa no quadro da história da salvação. Ao ligarem Jesus a Noé e à história da inundação, proporcionaram uma forma de os crentes compreenderem o significado universal de Cristo.
Os Padres frequentemente usavam a genealogia para ensinar lições morais. São João Crisóstomo, por exemplo, salientou que a inclusão de santos e pecadores na ascendência de Cristo demonstrava a graça de Deus e a possibilidade de arrependimento para todos.
Há alguma mulher mencionada na genealogia de Noé a Jesus?
Quando examinamos a genealogia de Noé a Jesus, deparamo-nos com uma verdade poderosa sobre o amor inclusivo de Deus e o papel vital das mulheres na história da salvação. Embora as genealogias antigas se centrassem frequentemente principalmente na linhagem masculina, o Espírito Santo inspirou a inclusão de várias mulheres neste registo sagrado, cada uma com uma história única que enriquece a nossa compreensão do plano de Deus.
Na genealogia de Mateus, que traça a linhagem de Jesus até Abraão (e, por extensão, até Noé), encontramos cinco mulheres especificamente mencionadas: Tamar, Raabe, Rute, Bate-Seba (referida como «esposa de Urias») e Maria. Cada uma destas mulheres desempenhou um papel crucial no desdobramento do plano de salvação de Deus (Smit, 2010, pp. 191-207).
Tamar, através da sua determinação e astúcia, assegurou a continuação da linhagem de Judá. Raabe, uma mulher cananeia, demonstrou grande fé em proteger os espiões israelitas. Rute, uma moabita, mostrou notável lealdade e tornou-se a bisavó do rei Davi. Bate-Seba, apesar das circunstâncias em torno de sua relação com Davi, tornou-se a mãe de Salomão. E Maria, evidentemente, respondeu «sim» ao convite de Deus para se tornar a mãe do nosso Senhor (Sinaga et al., 2022).
A inclusão destas mulheres é importante em vários níveis. Historicamente, demonstra que o plano de salvação de Deus transcendeu as fronteiras culturais e étnicas. Estas mulheres vinham de diversas origens, algumas eram estrangeiras e algumas tinham histórias complicadas. No entanto, Deus trabalhou através de todos eles.
Psicologicamente, a presença destas mulheres na genealogia pode ser profundamente afirmadora. Diz-nos que Deus valoriza e trabalha através de homens e mulheres, que pode usar pessoas de todas as esferas da vida e que o nosso passado não nos impede de fazer parte do plano de Deus.
A inclusão destas mulheres desafia as normas patriarcais da época. Sugere que a vinda do Messias não foi apenas através da linha masculina, mas também exigiu a participação ativa das mulheres. Esta inclusão prenuncia a igualdade radical que Jesus iria pregar e encarnar no seu ministério.
Embora a genealogia de Lucas, que remonta a Adão e, por conseguinte, inclui Noé, não mencione especificamente nenhuma mulher, inclui a frase principal «como se pensava, o filho de José» quando se refere a Jesus. Esta referência subtil ao papel único de Maria recorda-nos novamente o papel essencial que as mulheres desempenharam na realização da nossa salvação (Eloff, 2004, pp. 75-87).
A presença destas mulheres na genealogia de Noé a Jesus fala muito sobre o amor inclusivo de Deus, a sua capacidade de trabalhar através de todas as pessoas, independentemente do género ou da origem, e o papel essencial das mulheres na história da salvação. Convida-nos a reconhecer e celebrar os contributos das mulheres nas nossas próprias comunidades religiosas e a assegurar que todas as pessoas, independentemente do género, sejam valorizadas e capacitadas para participar plenamente na obra de redenção em curso de Deus.
Como a compreensão desta genealogia aprofunda nossa fé hoje?
Compreender a genealogia de Noé a Jesus pode aprofundar profundamente a nossa fé hoje, oferecendo-nos informações sobre a fidelidade de Deus, a universalidade do seu amor e o nosso próprio lugar na sua grande narrativa da salvação.
Esta genealogia recorda-nos a fidelidade inabalável de Deus ao longo das gerações. De Noé a Jesus, vemos a promessa de salvação de Deus a desenrolar-se ao longo da história, apesar das falhas humanas e das perturbações sociais. Tal pode reforçar a nossa confiança nas promessas de Deus para a nossa própria vida e para o futuro da Igreja. À medida que enfrentamos desafios no nosso mundo moderno, podemos obter conforto e coragem ao saber que servimos a um Deus que tem sido fiel há milénios (Thompsett, 2004, pp. 9-18).
A diversidade desta genealogia fala da universalidade do amor e do plano de salvação de Deus. Inclui pessoas de diferentes nacionalidades, estatutos sociais e origens morais. Esta diversidade recorda-nos que o amor de Deus se estende a todas as pessoas, independentemente da sua origem ou do seu passado. Num mundo muitas vezes dividido por nacionalidade, raça ou estatuto social, este entendimento pode inspirar-nos a ser mais inclusivos e amorosos nas nossas próprias comunidades religiosas (Smit, 2010, pp. 191-207).
Vermo-nos psicologicamente como parte desta grande narrativa pode fornecer um sentimento de pertença e propósito. Recorda-nos que as nossas histórias individuais estão ligadas a uma história mais vasta da obra redentora de Deus no mundo. Isto pode ser particularmente reconfortante em tempos de luta pessoal ou dúvida.
A inclusão na genealogia de indivíduos justos e pecadores pode ser uma fonte de esperança e encorajamento. Mostra-nos que Deus trabalha através de pessoas imperfeitas, usando-as para Seus propósitos, apesar de suas falhas. Tal pode ajudar-nos a superar sentimentos de indignidade e inspirar-nos a responder ao apelo de Deus nas nossas próprias vidas, sabendo que Ele nos pode utilizar apesar das nossas imperfeições (Sinaga et al., 2022).
Historicamente, compreender esta genealogia pode aprofundar nosso apreço pelas raízes judaicas de nossa fé. Recorda-nos que Jesus não apareceu no vácuo, mas foi o culminar de séculos da obra de Deus entre o seu povo escolhido. Isto pode promover um maior respeito e diálogo com os nossos irmãos e irmãs judeus.
A extensão da genealogia de Noé a Jesus sublinha o âmbito cósmico da missão de Cristo. Tal como o pacto de Noé era com toda a humanidade, Jesus vem como o Salvador do mundo. Esta perspetiva universal pode inspirar-nos a pensar para além das nossas preocupações locais e a empenhar-nos mais plenamente na missão global da Igreja (Tolan, 2018, pp. 530-532).
Por fim, refletir sobre esta genealogia pode aprofundar a nossa compreensão do próprio Jesus. Enraíza-o firmemente na história humana, ao mesmo tempo que aponta para a sua missão divina. Esta dupla natureza de Cristo – plenamente humana e totalmente divina – é central para a nossa fé e crucial para a nossa salvação.
Compreender esta genealogia convida-nos a ver-nos como parte da história contínua de redenção de Deus. Desafia-nos a viver à altura da nossa herança como filhos de Deus, a abraçar o Seu amor universal e a confiar na Sua fidelidade. Que esta compreensão nos inspire a viver mais profundamente a nossa fé e a partilhar mais amplamente o amor de Deus no nosso mundo de hoje.
