As Crónicas da Crucificação: Como Jesus foi crucificado?




  • A crucificação de Jesus Cristo é um testemunho do poder do amor sobre as trevas.
  • Na terra manchada de sangue do Gólgota, Jesus foi despojado de suas vestes e pregado numa cruz de madeira.
  • Jesus suportou o peso dos pecados da humanidade e estendeu os braços num gesto de perdão.
  • O seu sacrifício simboliza o amor inabalável e o poder redentor.
  • A sua morte mudou o curso da história e ecoa através da eternidade.

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Por que Jesus foi pregado na cruz em vez de amarrado?

Historicamente, tanto pregar e amarrar foram usados nas crucificações romanas. O método muitas vezes dependia das circunstâncias específicas e dos caprichos dos executores. Mas pregar parece ter sido mais comum, especialmente para aqueles considerados criminosos graves.

Jesus, embora inocente, foi condenado como um rebelde político – «Rei dos Judeus». As autoridades romanas provavelmente escolheram pregar para infligir o máximo de dor e humilhação. Este método brutal alinhado com o seu objetivo de dissuadir futuras rebeliões através de demonstrações públicas de crueldade.

A prega também assegurou uma morte mais lenta e agonizante. Uma pessoa crucificada pode sobreviver por dias se amarrada, mas pregar a morte acelerada através da perda de sangue e choque. Os relatos do Evangelho sugerem que Jesus morreu relativamente rapidamente, em poucas horas, em vez de dias.

Teologicamente, o prego de Jesus tem um significado poderoso para os cristãos. As feridas nas mãos e nos pés tornaram-se símbolos poderosos de seu sofrimento e sacrifício. O apóstolo Tomé até procurou tocar estas feridas como prova da ressurreição.

O profeta Isaías, que escreveu séculos antes, falou de alguém que seria "perfurado pelas nossas transgressões" (Isaías 53:5). Os primeiros cristãos viam as feridas das unhas de Jesus como um cumprimento desta profecia. As unhas tornaram-se uma representação vívida do preço pago pelo pecado humano.

O prego de Jesus na cruz é paralelo à prática do Antigo Testamento de animais sacrificados serem presos ao altar. Na compreensão cristã, Jesus torna-se o sacrifício final, com as unhas amarrando-o ao "altar" da cruz.

A permanência de pregar também carrega peso simbólico. Ao contrário das cordas que poderiam potencialmente ser desamarradas, as unhas representam a finalidade e a totalidade do compromisso de Jesus com a sua missão sacrificial. Não havia como desviar-se do caminho que ele havia escolhido.

Devemos lembrar-nos de que estes detalhes, embora historicamente e teologicamente maiores, não devem ofuscar o significado maior da crucificação. Quer seja pregado ou amarrado, o sacrifício voluntário de Jesus na cruz permanece no cerne da fé cristã.

Onde exatamente no corpo de Jesus estavam as unhas?

Tradicionalmente, a arte cristã tem representado pregos através das palmas das mãos de Jesus. Mas estudos modernos sugerem que isso não teria suportado o peso do corpo. Em vez disso, as evidências apontam para as unhas serem conduzidas através dos pulsos, especificamente o espaço entre o raio e os ossos da ulna.

Em 1968, arqueólogos em Jerusalém descobriram os restos de um homem crucificado chamado Jeohanan. A descoberta forneceu informações valiosas sobre os métodos romanos de crucificação. Um prego foi encontrado conduzido através dos ossos do calcanhar, sugerindo que os pés de Jesus provavelmente foram pregados de forma semelhante.

O Evangelho de João diz-nos que, depois da ressurreição, Jesus convidou Tomé a colocar a mão na ferida do seu lado. Isto indica uma ferida adicional, provavelmente de uma lança romana, na área do peito.

Assim, podemos razoavelmente concluir que as unhas foram colocadas através dos pulsos e pés de Jesus, com uma ferida adicional no seu lado. Mas não nos detenhamos apenas nos pormenores físicos. Estas feridas carregam um poderoso significado espiritual.

As feridas nas mãos ou nos pulsos de Cristo recordam-nos a sua vontade de chegar a toda a humanidade com amor. As marcas de prego em seus pés falam de sua viagem para procurar e salvar os perdidos. A ferida no seu lado recorda como o seu coração foi trespassado de amor por todos nós.

São Boaventura, nas suas reflexões espirituais, via estas feridas como portas de entrada para o coração de Cristo. Ele encorajou os crentes a entrar espiritualmente nestas feridas para experimentar a profundidade do amor divino.

Devemos também lembrar-nos de que concentrarmo-nos demasiadamente nos detalhes físicos da crucificação pode nos desviar. O nosso objetivo não é um fascínio mórbido pelo sofrimento, mas uma apreciação mais profunda do amor de Deus manifestado no sacrifício de Cristo.

Estas feridas, enquanto falavam de grande dor, acabaram por se tornar sinais de vitória. O Cristo ressuscitado tinha estas marcas como sinais de seu triunfo sobre a morte e o pecado. Não são sinais de derrota, mas de um amor mais forte do que a morte.

Ao contemplarmos estas feridas sagradas, deixemo-nos levar pela compaixão por todos os que sofrem no nosso mundo de hoje. Que possamos ver Cristo nos feridos e marginalizados entre nós, aproximando-nos deles com o mesmo amor que Cristo demonstrou na cruz.

Que estas reflexões sobre as feridas de Cristo não nos deixem tristes, mas nos inspirem a viver mais plenamente à luz da sua ressurreição. Pois é através das suas feridas que somos curados, e através da sua morte que encontramos a vida eterna.

Que tamanho e tipo de pregos provavelmente foram utilizados?

Os pregos da crucificação romana eram tipicamente feitos de ferro. Eles eram resistentes e longos o suficiente para suportar o peso de um corpo humano e para serem conduzidos profundamente para a madeira. Com base em evidências arqueológicas, incluindo os restos encontrados do homem crucificado Jeohanan, estes pregos eram provavelmente entre 5 a 7 polegadas (13 a 18 cm) de comprimento.

O eixo destas unhas teria sido quadrado na secção transversal, cerca de 3/8 polegadas (1 cm) de espessura. Esta forma quadrada forneceu maior poder de retenção do que um prego redondo. A cabeça da unha teria sido plana e mais larga, talvez cerca de 2 cm de diâmetro.

Estas unhas não eram os itens fabricados com precisão que podemos imaginar hoje. Provavelmente eram forjadas à mão, ásperas e de forma potencialmente irregular. Esta irregularidade teria aumentado a dor e os danos causados durante a sua utilização.

O historiador romano Josefo descreveu as unhas da crucificação como «afiadas até um ponto agudo». Este desenho teria permitido uma penetração mais fácil da carne e da madeira, mas teria causado um trauma terrível durante o processo.

Mas não nos concentremos demasiado nestes detalhes físicos sombrios. Embora seja importante compreender a realidade histórica do sofrimento de Cristo, devemos ter sempre em mente as maiores verdades espirituais para as quais estes factos apontam.

Estes pregos cruéis, instrumentos de tortura, tornaram-se no plano de Deus instrumentos de salvação. Santo Agostinho expressou lindamente este paradoxo: «A árvore sobre a qual estavam fixados os membros do moribundo era mesmo a cadeira do seu ensino.»

O tamanho e a força destas unhas recordam-nos a magnitude do poder do pecado sobre a humanidade. No entanto, o seu fracasso final em manter Cristo na morte fala do poder ainda maior do amor de Deus e da ressurreição.

Na tradição cristã, as unhas têm sido frequentemente vistas como símbolos dos pecados que levaram Cristo à cruz. São Bernardo de Claraval escreveu: «O que prendeu Cristo à cruz não foram os pregos, mas o seu amor por vós.»

Lembre-se de que as feridas de Cristo não são apenas factos históricos, mas realidades vivas que continuam a trazer cura e esperança. Como escreveu São Pedro, «pelas suas feridas fostes curados» (1 Pedro 2:24).

Que o pensamento destas unhas nos leve à gratidão, à compaixão pelos que sofrem e a um renovado compromisso de seguir a Cristo no amor doador. Pois não são os pregos, mas o amor, que verdadeiramente definem o significado da cruz.

Jesus foi crucificado numa cruz ou numa estaca?

A questão de saber se Jesus foi crucificado numa cruz ou numa estaca tem sido assunto de algum debate. Abordemos este tema com rigor histórico e abertura espiritual, procurando compreender a verdade, recordando que a essência da nossa fé não reside na forma exata do instrumento da crucificação, mas no amor sacrificial de Cristo.

O entendimento cristão tradicional sustenta há muito tempo que Jesus foi crucificado numa cruz – especificamente, uma estrutura com uma viga vertical (stipes) e uma viga horizontal (patibulum). Esta imagem está profundamente enraizada na arte, literatura e teologia cristãs.

Mas alguns grupos, nomeadamente as Testemunhas de Jeová, argumentaram que Jesus foi crucificado numa única estaca ereta. Baseiam-se na palavra grega utilizada no Novo Testamento, «stauros», que pode ser traduzida como «participação» ou «pólo».

Historicamente, sabemos que os romanos usavam várias formas de crucificação. O método exato pode variar com base em fatores como costumes locais, materiais disponíveis e os caprichos dos executores. Ambas as crucificações em forma de cruz e de estaca única são atestadas em fontes antigas.

Evidências arqueológicas, embora limitadas, tendem a apoiar a forma tradicional da cruz. Os restos do homem crucificado Jeohanan, descoberto perto de Jerusalém, sugerem que ele foi crucificado com os braços estendidos, consistente com uma viga cruzada.

Os relatos evangélicos fornecem algumas provas indiretas para uma forma cruzada. Mencionam Simão de Cirene transportando a «cruz» de Jesus (Marcos 15:21). Uma única estaca provavelmente já estaria no local da crucificação, não carregada pelos condenados.

Depois da ressurreição, Jesus diz a Tomé para examinar suas mãos (João 20:27). Isto implica feridas em ambas as mãos, o que se alinha mais naturalmente com uma crucificação em forma de cruz do que uma única estaca.

Os primeiros escritores cristãos, a partir do final do século I em diante, descrevem consistentemente a crucificação de Jesus como estando numa estrutura em forma de cruz. Embora não seja uma prova definitiva, esta tradição precoce e generalizada tem um grande peso.

Mas devemos lembrar-nos de que a forma exata do dispositivo de crucificação não é central para a mensagem cristã. Quer se trate de uma cruz ou de uma estaca, a realidade do sofrimento e do sacrifício de Cristo continua a ser a mesma. O poder da ressurreição não é diminuído por tais detalhes.

Na verdade, o debate sobre a cruz contra a estaca pode servir como um lembrete da distância cultural e histórica entre nós e os acontecimentos dos Evangelhos. Chama-nos a abordar as Escrituras com fé e estudo cuidadoso, buscando sempre uma compreensão mais profunda.

A forma da cruz tornou-se um símbolo poderoso na tradição cristã, representando tanto o sacrifício de Cristo como a intersecção entre o divino e o humano. No entanto, não devemos deixar que a familiaridade com este símbolo entorpeça a nossa apreciação do seu significado.

Quer imaginemos uma cruz ou uma estaca, concentremo-nos no que realmente importa – a vontade de Cristo de suportar o sofrimento por amor à humanidade. Contemplemos não apenas a forma do instrumento, mas a forma de uma vida derramada em serviço e sacrifício.

Como o método da crucificação afetou o sofrimento de Jesus?

A crucificação começou com açoites, um açoite brutal que deixou a vítima enfraquecida e em choque mesmo antes de chegar à cruz. Esta tortura pré-crucificação teria afetado significativamente a capacidade de Jesus para suportar o que se seguiu.

O ato de ser pregado na cruz teria causado uma dor excruciante. As unhas, conduzidas através dos pulsos (ou mãos) e pés, teriam danificado os nervos, causando dor intensa e ardente para disparar através dos braços e pernas.

Uma vez suspensa na cruz, a vítima experimentaria dificuldade crescente em respirar. A posição do corpo, braços estendidos e puxados para cima, tornaria quase impossível expirar sem levantar o corpo, empurrando-o para cima nos pés. Esta ação causaria dor intensa onde as unhas perfuravam os pés.

A resposta natural a esta dificuldade respiratória seria a queda, mas isso dificultaria ainda mais a respiração e esticar os braços, causando mais dor. Assim, a pessoa crucificada seria apanhada num terrível ciclo de dor e asfixia.

Com o passar do tempo, as cãibras musculares se instalavam, causando mais agonia. A desidratação aumentaria a sede para níveis torturosos. A exposição aos elementos – sol, vento, frio – aumentaria a miséria geral.

No caso de Jesus, a coroa de espinhos pressionada na cabeça teria causado dor e sangramento adicionais. A ferida no seu lado, infligida pela lança romana, teria acrescentado ao seu sofrimento nos momentos finais.

Mas, ao considerarmos estas duras realidades, não devemos perder de vista o seu significado mais profundo. O sofrimento físico de Jesus, por mais terrível que fosse, uniu-se e expressou uma angústia espiritual e emocional mais profunda.

Na cruz, Jesus experimentou não apenas o tormento físico, mas o peso do pecado humano e a separação do Pai. O seu grito, «Meu Deus, meu Deus, por que me abandonaste?», fala a uma profundidade de sofrimento para além da dor física.

No entanto, mesmo neste sofrimento extremo, Jesus demonstrou amor e perdão. Ele orou pelos que o crucificaram e assegurou o ladrão arrependido do paraíso. As suas últimas palavras, «Está consumado», não falam de derrota, mas da conclusão da sua missão salvífica.

Que estas reflexões aprofundem o nosso apreço pela imensidão do amor de Deus revelado em Cristo. Como escreveu São Paulo, «Deus demonstra o seu próprio amor por nós: Embora ainda fôssemos pecadores, Cristo morreu por nós» (Romanos 5:8).

O método da crucificação, em toda a sua crueldade, tornou-se no plano de Deus o meio da nossa salvação. A cruz, instrumento da morte, tornou-se a árvore da vida. Este paradoxo está no coração da nossa fé.

O que a Bíblia diz sobre como Jesus estava preso à cruz?

A Bíblia apresenta-nos um relato solene da crucificação de Jesus. Embora não forneça detalhes extensos sobre o método físico de apego à cruz, oferece algumas informações-chave.

Os Evangelhos nos dizem que Jesus foi crucificado. Este era um método romano comum de execução na época. Os relatos mencionam que Jesus levou a sua cruz para o local da crucificação. Isto sugere a viga transversal, como era típico na prática romana.

No Evangelho de João, encontramos uma referência específica às unhas. Após a ressurreição, Tomé diz que não acreditará a menos que veja a marca dos pregos nas mãos de Jesus. Isto indica que os pregos foram usados na crucificação de Jesus.

Os Evangelhos também mencionam que foram lançados lotes para a roupa de Jesus. Isso se alinha com o costume romano de despir os condenados antes da crucificação. É provável que Jesus estivesse nu ou quase nu na cruz.

Lemos que Jesus falou da cruz e inclinou a cabeça quando morreu. Isto implica que ele era ereto e tinha alguma capacidade de mover-se, consistente com a crucificação.

A Bíblia menciona que as pernas de Jesus não foram quebradas, ao contrário dos outros homens crucificados. Isto era para cumprir a profecia. Sugere que Jesus foi afixado de uma forma que quebrar as pernas normalmente aceleraria a morte.

No Salmo 22, visto por muitos como uma descrição profética da crucificação, lemos: «Eles trespassaram-me as mãos e os pés.» Isto alinha-se com o uso de pregos na crucificação.

Embora a Bíblia não forneça uma descrição técnica detalhada, estes elementos pintam um quadro consistente com o que sabemos das práticas romanas de crucificação. A tónica é colocada mais no significado e no impacto do sacrifício de Jesus do que nos pormenores físicos.

O relato bíblico convida-nos a refletir profundamente sobre o sofrimento de Cristo. Chama-nos a considerar não apenas como Jesus estava preso à cruz, mas por que ele suportou isso por nós. As realidades físicas nos apontam para poderosas verdades espirituais.

Existem provas arqueológicas sobre os métodos de crucificação no tempo de Jesus?

As provas arqueológicas fornecem informações valiosas sobre as práticas de crucificação durante o tempo de Jesus. Estas provas, embora limitadas, ajudam-nos a compreender o contexto histórico da crucificação de Jesus.

O maior achado arqueológico relacionado à crucificação é o ossário de Givat ha-Mivtar. Descoberto em Jerusalém em 1968, continha os restos de um homem crucificado do século I dC. Este é o período em que Jesus viveu.

O ossário revelou um osso do calcanhar com uma unha ainda embutida nele. Isto fornece provas diretas do uso de pregos na crucificação. Apoia o relato bíblico da utilização de pregos na crucificação de Jesus.

A posição da unha no osso do calcanhar sugere que o homem foi crucificado com as pernas para o lado. Isto é diferente da representação tradicional de Jesus com os pés à frente. Lembra-nos que os métodos de crucificação podem variar.

Escavações arqueológicas descobriram várias unhas romanas do século I. Alguns destes podem ter sido usados em crucificações. Eles dão-nos uma ideia do tamanho e tipo de pregos que podem ter sido usados.

Restos de cruzes de madeira não foram encontrados. Isso não é surpreendente, já que a madeira decai rapidamente. A falta de vestígios físicos da cruz não refuta o seu uso.

Blocos de pedra com buracos, encontrados em sítios romanos antigos, podem ter sido usados para suportar cruzes. Isto sugere que a crucificação foi praticada como descrito em relatos históricos.

Graffiti encontrado em sítios romanos inclui representações grosseiras da crucificação. Estes apoiam relatos escritos de como a crucificação foi realizada.

Embora a evidência arqueológica direta da crucificação seja rara, isso é esperado. As vítimas da crucificação eram geralmente deixadas sem enterro ou enterradas em sepulturas comuns. A descoberta de Givat ha-Mivtar é uma rara exceção.

As evidências arqueológicas limitadas alinham-se com os relatos históricos escritos da crucificação. Apoia o quadro geral apresentado nos Evangelhos. Mas também sugere que pode ter havido variações nos métodos exactos.

Estas provas convidam-nos a refletir sobre a realidade histórica do sofrimento de Jesus. Lembra-nos que a crucificação não foi um mito, mas um acontecimento real na história. No entanto, também nos convida a olhar para além dos pormenores físicos para o significado mais profundo do sacrifício de Cristo.

O que os primeiros Padres da Igreja ensinaram sobre a crucificação de Jesus?

Inácio de Antioquia, escrevendo no início do século II, enfatizou a realidade da crucificação de Jesus. Ele argumentou contra aqueles que afirmavam que Jesus só parecia sofrer. Para Inácio, a crucificação física era essencial para a nossa salvação.

Justino Mártir, em meados do século II, viu a cruz como um símbolo poderoso. Ele encontrou referências à cruz em todo o Antigo Testamento. Justino ensinou que a cruz fazia parte do plano de Deus desde o início.

Irineu, no final do século II, ligou a crucificação de Jesus à árvore do Éden. Ele viu a obediência de Cristo na cruz como desfazer a desobediência de Adão na árvore. Isto iniciou uma rica tradição de ver a cruz como a nova árvore da vida.

Tertuliano, escrevendo por volta de 200 d.C., defendeu a forma vergonhosa da morte de Jesus. Ele argumentou que esta vergonha foi profetizada e necessária para a nossa salvação. Tertuliano viu um significado profundo em todos os aspectos da crucificação.

Orígenes, no século III, enfatizou o significado cósmico da crucificação. Ensinou que a morte de Cristo afetou não só a Terra, mas todo o universo. Orígenes viu a cruz como o ponto de viragem de toda a história.

Atanásio, no século IV, centrou-se na forma como o modo como a morte de Cristo derrotou a própria morte. Ele ensinou que, ao morrer com os braços estendidos na cruz, Jesus abraçou o mundo inteiro com amor.

João Crisóstomo, no final do século IV, pregou poderosamente sobre o significado da crucificação. Sublinhou a forma como o sofrimento de Cristo revelou o amor de Deus e venceu o poder do pecado.

Agostinho, no início do século V, via a cruz como o exemplo supremo de humildade. Ensinou que a crucificação de Cristo nos mostra o caminho para a verdadeira grandeza através do serviço humilde.

De um modo geral, os Padres da Igreja aceitaram os relatos evangélicos da crucificação física de Jesus. Eles não se concentraram em debater os métodos exatos. Em vez disso, procuraram compreender seu profundo significado espiritual.

Estes primeiros pensadores cristãos convidam-nos a ver a crucificação como mais do que um acontecimento histórico. Ensinam-nos a encontrar nela a chave para compreender o amor de Deus, a nossa salvação e o significado das nossas vidas.

Como o modo de crucificação de Jesus se relaciona com o cumprimento da profecia?

O modo de crucificação de Jesus é visto pelos cristãos como cumprindo várias profecias do Antigo Testamento. Este cumprimento é central para compreender Jesus como o Messias prometido.

O Salmo 22, escrito séculos antes da prática da crucificação, contém paralelos impressionantes com a crucificação de Jesus. O salmista fala de suas mãos e pés serem perfurados, prenunciando os pregos da cruz.

Este mesmo salmo descreve os ossos do doente fora de articulação, o seu coração a derreter como cera, a sua língua a colar-se às mandíbulas. Estas imagens vivas se alinham de perto com as realidades físicas da crucificação.

O salmo também menciona roupas sendo divididas e lotes lançados para roupas. Os Evangelhos associam-no explicitamente às ações dos soldados na crucificação de Jesus.

Isaías 53, a famosa passagem «Servo Sofredor», é vista como uma profecia da crucificação de Jesus. Fala daquele que é traspassado pelas nossas transgressões, ferido pelas nossas iniqüidades.

O modo como Jesus morreu cumpre a profecia de que «nenhum dos seus ossos será quebrado» (Salmo 34:20). O Evangelho de João salienta que as pernas de Jesus não foram quebradas, ao contrário dos outros homens crucificados.

Zacarias 12:10 fala de alguém que é traspassado, a quem as pessoas olharão e lamentarão. Isto é visto como referindo-se a Jesus na cruz, perfurado por pregos e lança.

A serpente de bronze levantada por Moisés (Números 21:8-9) é vista pelo próprio Jesus como um prenúncio de sua crucificação. O peticionário afirma que deve ser «elevado» da mesma forma.

Deuteronómio 21:23 afirma que qualquer pessoa pendurada numa árvore está sob a maldição de Deus. Paulo vê a crucificação de Jesus como cumprindo isto, tomando a maldição sobre si mesmo por nossa causa.

O cordeiro pascal, cujo sangue protegia os israelitas, é visto como um prenúncio de Jesus. Sua crucificação durante a Páscoa e a maneira de sua morte ligam-no a este símbolo poderoso.

Estas ligações proféticas convidam-nos a ver a crucificação de Jesus como parte do grande plano de Deus. Sugerem que mesmo os dolorosos detalhes de como Jesus morreu foram previstos e cheios de significado.

Este cumprimento da profecia à maneira da morte de Jesus fortalece a fé. Ajuda-nos a confiar que Deus está a realizar os Seus propósitos, mesmo através do sofrimento. Chama-nos a procurar um significado mais profundo em todos os acontecimentos da vida.

Que significado espiritual os cristãos vêem em Jesus ser pregado na cruz?

Os cristãos encontram um poderoso significado espiritual em Jesus ser pregado na cruz. Este aspeto específico da sua crucificação fala profundamente a muitos crentes sobre a natureza do sacrifício de Cristo e o seu significado para nós.

As unhas representam a natureza voluntária do sacrifício de Jesus. Ele deixou-se fixar na cruz, assim como escolheu livremente dar a sua vida por nós. Isto fala do amor divino que não retém nada.

Há um simbolismo poderoso de Cristo ser preso à cruz por pregos. Representa o seu total compromisso com a obra da salvação. Jesus permanece fiel à sua missão, não desce da cruz, mesmo quando escarnecido.

As unhas falam da realidade e da intensidade do sofrimento de Cristo. Lembram-nos que Jesus experimentou uma dor real e física por nós. Isto encoraja os crentes em seus próprios tempos de sofrimento.

Muitos cristãos vêem nas unhas um símbolo da permanência do sacrifício de Cristo. Assim como os pregos fixaram Jesus na cruz, também a sua obra expiatória é vista como uma realidade fixa e inabalável em que podemos confiar.

A perfuração das mãos e dos pés de Jesus está muitas vezes ligada à ideia de cura. Alguns vêem nisto um cumprimento da promessa de que "pelas suas feridas somos curados" (Isaías 53:5).

Há uma tradição de ver as unhas como símbolo dos pecados que colocaram Jesus na cruz. Isto conduz a uma reflexão profunda sobre a responsabilidade pessoal e o custo da redenção.

As unhas, perfurando a carne e a madeira, às vezes são vistas como ligando o céu e a terra. Tornam-se um símbolo de como Jesus faz a ponte entre Deus e a humanidade.

Alguns encontram nas unhas uma chamada ao compromisso pessoal. Tal como Jesus foi pregado na cruz, os crentes são chamados a «pregar» na cruz a sua antiga natureza pecaminosa, abraçando uma nova vida em Cristo.

Os buracos deixados pelos pregos no corpo ressuscitado de Jesus são vistos como lembranças eternas do seu amor. Sugerem que, mesmo na glória, Jesus tem as marcas do seu sacrifício por nós.

A meditação nas unhas da cruz conduz frequentemente a uma apreciação mais profunda do amor de Deus. Ele convida os crentes a considerar o quanto Deus estava disposto a suportar para salvar-nos.

Esta reflexão espiritual sobre as unhas da cruz não pretende ser mórbida. Em vez disso, leva à gratidão, à admiração e ao desejo de viver em resposta a um amor tão grande.

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