Os seres humanos originais: Como Adão e Eva se pareciam?




  • Adão e Eva não são descritos em grande detalhe na Bíblia, deixando espaço para especulações e interpretações.
  • A tónica deve continuar a ser colocada no significado espiritual da história de Adão e Eva e não na descrição física.
  • A ciência e a teologia fornecem diferentes perspetivas sobre o aparecimento de Adão e Eva.

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Esta entrada é a parte 12 de 38 da série Adão e Eva

O que a Bíblia diz sobre a aparência física de Adão e Eva?

A Bíblia fornece muito pouca descrição direta da aparência física de Adão e Eva. Em Gênesis, é-nos dito que Deus formou Adão do pó da terra e soprou vida nele (Gênesis 2:7). Eva foi então criada a partir da costela de Adão (Génesis 2:21-22). Para além destes pormenores básicos das suas origens, o texto é, em grande medida, omisso quanto às suas características físicas específicas.

Mas podemos recolher algumas ideias ao refletir sobre a narrativa bíblica mais ampla. Como os primeiros seres humanos criados diretamente por Deus, Adão e Eva provavelmente encarnaram a plenitude do potencial humano e da beleza antes da Queda. Foram feitas à imagem de Deus (Génesis 1:27), o que sugere uma dignidade e glória poderosas na sua aparência, mesmo que não possamos saber os pormenores exatos.

A Bíblia nos diz que depois de comer o fruto proibido, Adão e Eva perceberam que estavam nus e sentiram vergonha (Gênesis 3:7). Isto implica que antes da Queda, eles existiam num estado de perfeição corporal inocente, sem problemas com a autoconsciência sobre a sua aparência. A sua forma física era provavelmente desprotegida por qualquer defeito ou falha.

Embora devamos ser cautelosos em especular muito além do que as Escrituras revelam, podemos imaginar que Adão e Eva possuíam uma vitalidade radiante como seres recém-formados pela mão do Criador. Seus corpos foram projetados para o trabalho de cuidar do Jardim do Éden (Gênesis 2:15), sugerindo força e capacidade. Os seus rostos podem ter brilhado com a luz da comunhão ininterrupta com Deus.

O relativo silêncio da Bíblia sobre as características físicas específicas de Adão e Eva convida-nos a concentrar-nos não em pormenores superficiais, mas na verdade poderosa da nossa humanidade e dignidade comuns enquanto portadores da imagem de Deus. A sua aparência é menos importante do que aquilo que representam – o incrível potencial e responsabilidade conferidos à humanidade pelo nosso Criador amoroso.

Adão e Eva foram criados com umbigos?

A questão de se Adão e Eva foram criados com botões de barriga não é diretamente abordada nas Escrituras. Tem sido um tema de especulação e debate entre teólogos e artistas ao longo dos séculos. Este detalhe anatómico aparentemente trivial aborda, na verdade, questões mais profundas sobre a natureza da criação e o que significa para os seres humanos serem feitos à imagem de Deus.

Aqueles que argumentam que Adão e Eva não teriam umbigos apontam que os umbigos são um resultado da ligação do cordão umbilical entre mãe e filho durante a gravidez. Uma vez que Adão e Eva foram diretamente criados por Deus, em vez de nascerem de uma mulher, eles não teriam necessidade de cordões umbilicais e, portanto, nenhum umbigo resultante. Este ponto de vista vê os seus corpos como criações «perfeitas» sem quaisquer características desnecessárias.

Por outro lado, alguns sugerem que Deus pode ter criado Adão e Eva com umbigos para dar-lhes corpos humanos totalmente formados, completos com todas as características anatómicas típicas. Esta perspetiva salienta a criação de Deus de seres humanos como seres plenamente desenvolvidos, prontos para viver e funcionar no mundo.

Do ponto de vista espiritual, podemos refletir sobre como os umbigos simbolizam nossa ligação com nossas origens e nossa dependência dos outros. Embora Adão e Eva não tivessem pais humanos, seus corpos sem umbigo (se fosse esse o caso) podiam simbolizar sua relação direta com Deus como seu criador e fonte de vida.

Se Adão e Eva tinham ou não um umbigo não é uma questão de importância doutrinária. O que é crucial é a nossa compreensão de que foram criados por Deus à sua imagem, com dignidade e propósito inerentes. Esta pergunta convida-nos a maravilhar-nos com o mistério da criação e a contemplar as nossas origens e a nossa conexão com o divino.

Como seguidores de Cristo, somos chamados a olhar para além desses pormenores especulativos e a concentrar-nos em viver o nosso chamado como portadores da imagem de Deus no mundo de hoje. Preocupemo-nos menos com as minúcias físicas dos nossos primeiros pais, e mais atentos a crescer na santidade e no amor, incorporando a imagem divina na nossa vida e nas nossas comunidades.

Qual era a cor da pele de Adão e Eva?

A Bíblia não especifica a cor da pele de Adão e Eva. Este silêncio nas Escrituras sobre tal detalhe que muitos hoje consideram importante é em si mesmo significativo. Sugere que, aos olhos de Deus, a tonalidade específica da pele não é de importância primordial. O mais importante é que todos os seres humanos sejam criados à imagem de Deus, com igual dignidade e valor.

Mas a questão da cor da pele de Adão e Eva tem sido objeto de muita especulação e, infelizmente, de má utilização ao longo da história. Diferentes culturas e grupos étnicos têm muitas vezes imaginado os primeiros seres humanos a se parecerem consigo mesmos. Esta tendência reflete tanto a inclinação humana natural para se relacionar com nossos antepassados míticos e, às vezes, tentativas problemáticas de reivindicar a superioridade racial.

Do ponto de vista científico, sabemos que a cor da pele humana é sobretudo uma adaptação a diferentes níveis de radiação ultravioleta em várias partes do mundo. Os primeiros seres humanos provavelmente tinham pele escura de um tom castanho médio, que teria sido adequado para o ambiente africano onde a nossa espécie se originou. Com o tempo, à medida que os seres humanos migravam para diferentes regiões, os tons de pele se diversificaram.

Teologicamente, podemos refletir sobre a forma como a diversidade das cores da pele humana pode ser vista como uma bela expressão da criatividade de Deus. Tal como um jardim é mais vibrante com muitos tipos de flores, também a humanidade é enriquecida pela sua variedade. A variedade das aparências humanas testemunha a adaptabilidade com que Deus abençoou a nossa espécie.

É fundamental salientar que todas as cores da pele refletem igualmente a imagem de Deus. Nenhum tom é mais «deus» ou «puro» do que outros. O racismo e a discriminação com base na cor da pele são pecados graves que negam a unidade fundamental e a igual dignidade de todas as pessoas como filhos de Deus.

Como cristãos, somos chamados a ver além da cor da pele para o coração de cada pessoa. Devemos trabalhar para construir um mundo onde todos sejam bem-vindos e valorizados, independentemente da aparência. No reino celestial, unir-nos-emos a «uma grande multidão que ninguém podia contar, de todas as nações, tribos, povos e línguas, em pé diante do trono e diante do Cordeiro» (Apocalipse 7:9). Esta visão de unidade na diversidade também deve moldar as nossas comunidades terrenas.

Concentremo-nos menos em imaginar a cor da pele de Adão e Eva, e mais em tratar cada pessoa que encontramos como um filho amado de Deus, feito à Sua imagem.

Qual era a altura de Adão e Eva?

A Bíblia não fornece informações específicas sobre a altura de Adão e Eva. Tal como acontece com muitos detalhes físicos sobre os nossos primeiros pais, as Escrituras são silenciosas sobre este assunto. Esta ausência de detalhes convida-nos a concentrar-nos nas verdades espirituais mais essenciais sobre a natureza humana e a nossa relação com Deus, em vez de ficarmos presos a descrições físicas especulativas.

Mas a questão da altura de Adão e Eva conquistou a imaginação de muitos ao longo da história. Alguns especularam que eles eram de estatura extraordinária, incorporando uma forma humana ideal antes que os efeitos do pecado e fatores ambientais influenciassem a fisiologia humana. Outros os imaginaram como sendo de altura média, enfatizando sua relatabilidade a toda a humanidade.

Do ponto de vista científico, sabemos que a altura humana variou consideravelmente ao longo do tempo e entre diferentes populações, influenciadas por fatores como nutrição, ambiente e genética. A altura média dos primeiros seres humanos era provavelmente um pouco menor do que as médias modernas em populações bem nutridas.

Teologicamente, podemos refletir sobre como a altura, como outras características físicas, é, em última análise, de importância secundária em comparação com a nossa natureza espiritual. Se alto ou baixo, todos os seres humanos igualmente carregam a imagem de Deus. A nossa verdadeira estatura mede-se não em centímetros ou polegadas, mas na nossa capacidade de amor, sabedoria e virtude.

A Bíblia usa imagens de altura em contextos espirituais. Por exemplo, somos chamados a «crescer naquele que é a Cabeça, isto é, Cristo» (Efésios 4:15). Este crescimento espiritual é muito mais importante do que a estatura física. Do mesmo modo, quando Deus escolheu Davi como rei, lembrou a Samuel que «o Senhor não olha para as coisas que as pessoas olham. As pessoas olham para a aparência exterior, mas o Senhor olha para o coração» (1 Samuel 16:7).

Como seguidores de Cristo, devemos ser cautelosos em dar demasiada importância a atributos físicos como a altura. A nossa sociedade idolatra frequentemente determinados tipos de corpo ou características físicas, mas tal pode conduzir à vaidade, à insegurança e à desvalorização daqueles que não se enquadram em padrões arbitrários de beleza ou impressividade.

Em vez disso, concentremo-nos em crescer em estatura espiritual – na fé, na esperança e no amor. Esforcemo-nos por construir comunidades onde todos sejam valorizados independentemente da sua aparência física, reconhecendo a dignidade inerente a cada pessoa como filho de Deus. Desta forma, honramos o legado de Adão e Eva não especulando sobre a sua altura, mas esforçando-nos por realizar o nosso potencial enquanto portadores da imagem de Deus no mundo.

Adão tinha barba?

A Bíblia não diz explicitamente se Adão tinha barba ou não. Este pormenor, tal como muitos aspetos da aparência física de Adão, não é abordado nas Escrituras. O silêncio sobre tais assuntos encoraja-nos a concentrar-nos nas verdades espirituais mais poderosas sobre a natureza humana e a nossa relação com Deus, em vez de ficarmos presos em descrições físicas especulativas.

Mas a questão da barba de Adão tem sido objeto de interpretação artística e de reflexão teológica ao longo da história. Em muitas representações tradicionais de Adão, particularmente na arte ocidental, ele é frequentemente retratado com uma barba. Esta representação pode ser influenciada por associações culturais da barba com a masculinidade, a sabedoria e a maturidade.

Do ponto de vista biológico, a capacidade de cultivar uma barba é uma característica sexual secundária nos machos, desenvolvendo-se durante a puberdade sob a influência de hormonas. Se considerarmos Adão como um homem adulto plenamente formado no momento da sua criação, é plausível que tivesse essa capacidade.

Teologicamente, podemos refletir sobre como a presença ou ausência de barba em Adão é muito menos importante do que o seu papel como o primeiro ser humano criado à imagem de Deus. Seja barbudo ou barbeado, Adão representou a dignidade e o potencial da humanidade em seu estado original, não caído.

Em algumas tradições religiosas, a barba tem sido vista como um sinal de sabedoria, piedade ou adesão à lei divina. Por exemplo, em certas interpretações de Levítico 19:27, não cortar as bordas da barba é visto como um mandamento. No entanto, tais interpretações não são universalmente aceites e não estão diretamente relacionadas com a aparência de Adão.

Como seguidores de Cristo, devemos ser cautelosos em dar demasiada importância a atributos físicos como pelos faciais. O nosso valor e identidade aos olhos de Deus não são determinados por tais características superficiais. Em vez disso, somos chamados a cultivar a «pessoa oculta do coração» (1 Pedro 3:4), centrando-nos nas qualidades interiores da fé, do amor e da justiça.

A questão da barba de Adão pode servir como um lembrete de que a nossa curiosidade sobre figuras bíblicas deve sempre levar-nos de volta às mensagens centrais das Escrituras. Em vez de especular sobre a aparência de Adão, esforcemo-nos por encarnar a imagem divina nas nossas próprias vidas, crescendo em sabedoria, compaixão e santidade.

Qual era a idade que Adão e Eva pareciam ter quando foram criados?

As Escrituras não especificam uma idade exata para Adão e Eva no momento de sua criação. Mas podemos refletir sobre o que os relatos bíblicos e a tradição teológica sugerem acerca de seu estado inicial. 

O livro do Génesis diz-nos que Deus formou Adão do pó da terra e lhe deu vida. Eva foi então criada a partir da costela de Adão. Este ato divino de criação resultou em seres humanos adultos totalmente formados, não bebés ou crianças que precisavam crescer e se desenvolver. Ao mesmo tempo, há indícios de que Adão e Eva possuíam certa inocência e pureza infantis antes da Queda.

Santo Irineu, um dos primeiros Padres da Igreja, oferece-nos uma perspectiva interessante. Ele sugere que Adão e Eva foram criados num estado de imaturidade espiritual e moral, como crianças pequenas. Como Irineu afirma, «o homem era uma criança pequena, ainda sem uma deliberação perfeita, e por isso foi facilmente enganado pelo sedutor.» Esta visão vê Adão e Eva como bons, mas ainda precisam de crescer em sabedoria e virtude (Ludlow, n.d.).

Portanto, enquanto Adão e Eva provavelmente apareceram como adultos fisicamente, eles podem ter tido a maturidade espiritual e emocional de crianças ou adolescentes. Na opinião de Irineu, o plano de Deus era levar gradualmente a humanidade à perfeição através de um processo de crescimento e maturação. A Queda interrompeu este plano, mas não acabou por frustrar o propósito amoroso de Deus para a humanidade (Ludlow, n.d.).

Podemos imaginar, então, que Adão e Eva pareciam ser jovens adultos – talvez no final da adolescência ou no início dos vinte anos em termos modernos. Teriam as capacidades físicas dos adultos, mas sem os efeitos intemperistas da idade ou do trabalho duro. Seus rostos e corpos refletiriam a frescura da nova criação, desmarcada pela preocupação ou tristeza.

A idade exata que Adão e Eva pareciam ter é menos importante do que compreender o estado de inocência e potencial em que Deus os criou. Foram feitos à imagem de Deus, com a capacidade de crescer em amor e sabedoria. Embora o pecado tenha perturbado esta harmonia original, a graça de Deus continua a funcionar em nós, ajudando-nos a crescer rumo à plenitude do que Ele pretende que sejamos.

Adão e Eva eram espécimes fisicamente perfeitos da humanidade?

As Escrituras e a tradição teológica sugerem que Adão e Eva, como os primeiros seres humanos criados diretamente por Deus, possuíam uma excelência física única. Mas devemos ter cuidado para não idealizá-los de forma a diminuir a dignidade de todos os seres humanos ou promover padrões irrealistas de perfeição física.

O Livro do Génesis diz-nos que Deus olhou para toda a sua criação, incluindo Adão e Eva, e viu que era «muito boa». Esta afirmação divina sugere que os nossos primeiros pais eram exemplares da humanidade, livres dos defeitos físicos e das doenças que mais tarde afligiriam os seus descendentes (Platt, n.d.).

Algumas tradições antigas desenvolvem esta ideia da perfeição física de Adão e Eva. Por exemplo, um texto árabe descreve a aparência de Adão em termos brilhantes: «Quando os anjos viram a sua gloriosa aparência, comoveram-se com a beleza da visão; porque viram a forma do seu semblante, enquanto estava aceso, em esplendor brilhante como a bola do sol, e a luz dos seus olhos como o sol, e a forma do seu corpo como a luz de um cristal» (Jung, 2014). Esta descrição poética realça o brilho e a beleza de Adão, refletindo a sua estreita ligação com o divino.

Mas devemos interpretar estas descrições cuidadosamente. A verdadeira perfeição de Adão e Eva não reside primariamente nos seus atributos físicos, mas no seu estado espiritual – a sua harmonia com Deus e com a criação. Antes da Queda, viviam num estado de graça, os seus corpos e almas a trabalhar em perfeita harmonia (Platt, n.d.).

Mesmo em seu estado original, Adão e Eva não eram onipotentes ou oniscientes. Tinham limitações e potencial de crescimento. Como Santo Irineu sugere, eles foram criados bons, mas com espaço para o desenvolvimento e maturação (Ludlow, n.d.).

Depois da Queda, as Escrituras nos dizem que Adão e Eva tornaram-se conscientes de sua nudez e sentiram vergonha, sugerindo uma mudança na forma como percebiam seus corpos (Platt, n.d.). A Queda trouxe a mortalidade e o sofrimento para a experiência humana, afetando a perfeição do corpo humano.

Ao refletir sobre o estado físico de Adão e Eva, devemos concentrar-nos menos em imaginar físicos impecáveis e mais na harmonia e dignidade da pessoa humana criada por Deus. Cada ser humano, independentemente da sua aparência física ou capacidade, tem a imagem de Deus e a dignidade que lhe é inerente. O nosso objetivo não é alcançar uma forma física idealizada, mas crescer em santidade e amor, permitindo que a graça de Deus nos aperfeiçoe espiritualmente.

Como mudou a aparência de Adão e Eva depois da Queda?

As Escrituras e a tradição teológica sugerem que a Queda teve efeitos poderosos em Adão e Eva, incluindo alterações em sua aparência física. Embora devamos ser cautelosos acerca de interpretações demasiado literais, estes relatos oferecem insights sobre as consequências espirituais e físicas do pecado.

Imediatamente depois de sua desobediência, Adão e Eva experimentaram um sentimento de vergonha acerca de seus corpos que não tinham conhecido antes. O Génesis diz-nos: «Então abriram-se os olhos de ambos, e perceberam que estavam nus; coseram folhas de figo juntas e fizeram para si coberturas» (Génesis 3:7). Esta consciência recém-descoberta da nudez sugere uma mudança fundamental na forma como eles perceberam a si mesmos e uns aos outros (Platt, n.d.).

Os documentos conectados fornecem mais detalhes sobre as mudanças que Adão e Eva sofreram. Dizem-nos que «a sua carne secou, e os seus olhos e o seu coração ficaram perturbados de choro e tristeza» (Platt, n.d.). Esta descrição vívida transmite não apenas alterações físicas, mas também o impacto emocional e espiritual de sua separação de Deus.

Outro relato sugere que os corpos de Adão e Eva assumiram «funções estranhas» após a Queda, tornando-se sujeitos aos instintos animais e à mortalidade de formas que não tinham sido antes (Platt, n.d.). Esta mudança reflecte a desordem introduzida na natureza humana pelo pecado, que afecta a harmonia entre o corpo e a alma.

Algumas tradições falam mesmo de uma perda de um certo brilho ou "natureza brilhante" que Adão e Eva possuíam antes da Queda. Um texto tem Adam lamentando: «Quando habitámos no jardim, e os nossos corações se ergueram, vimos os anjos que cantavam louvores no céu, mas agora não vemos como estávamos habituados a fazer» (Platt, n.d.). Esta perda de perceção espiritual está ligada a um escurecimento da sua aparência física.

A necessidade de roupa depois da queda é particularmente grande. Deus fornece a Adão e Eva vestes de pele, que alguns interpretam como simbolizando a natureza mortal e animal que assumiram (Platt, n.d.). Estas roupas servem não só para cobrir a sua nudez, mas também como sinal da sua condição alterada e da sua necessidade da providência de Deus.

É importante compreender estas mudanças não como meras alterações físicas, mas como manifestações exteriores de uma realidade espiritual mais profunda. A Queda afetou todos os aspetos da natureza humana – corpo, mente e espírito. As mudanças na aparência de Adão e Eva refletem a desordem introduzida pelo pecado na boa criação de Deus.

No entanto, mesmo ao descrever estas mudanças, devemos recordar que o amor de Deus pela humanidade não diminuiu. A história da salvação é uma história de Deus que trabalha para restaurar e elevar a natureza humana, culminando na Encarnação de Cristo, o Novo Adão. Através de Cristo, nos é oferecida a oportunidade de sermos transformados e recuperarmos a glória para a qual fomos criados.

Como os artistas ao longo da história retrataram Adão e Eva?

Ao longo da história, os artistas retrataram Adão e Eva de várias formas, refletindo não apenas a narrativa bíblica, mas também as perspectivas culturais e teológicas de seus tempos. Estas representações têm desempenhado um papel importante na formação da imaginação popular e compreensão religiosa.

A arte cristã primitiva, encontrada em catacumbas e igrejas primitivas, tendia a representar Adão e Eva simbolicamente, em vez de realisticamente. Estas imagens focaram-se em momentos-chave de Gênesis, como a tentação e a Queda, muitas vezes usando figuras simples e estilizadas. A ênfase não estava na beleza física ou precisão anatômica, mas em transmitir o significado espiritual dos eventos (Wainwright, 2006).

À medida que a arte cristã se desenvolveu, particularmente durante os períodos medieval e renascentista, as representações de Adão e Eva tornaram-se mais naturalistas e detalhadas. Os artistas começaram a explorar a forma humana mais plenamente, vendo em Adão e Eva o ideal da beleza humana. Por exemplo, o famoso afresco de Michelangelo sobre a Criação de Adão no teto da Capela Sistina retrata Adão como um exemplar perfeito da beleza masculina, refletindo os ideais renascentistas da forma humana (Wainwright, 2006).

O momento da Queda tem sido um tema particularmente popular para os artistas. Muitas pinturas mostram Adão e Eva de pé perto da Árvore do Conhecimento, com a serpente muitas vezes retratada como entrelaçada em seus ramos. Eva é frequentemente retratada no ato de tomar ou oferecer o fruto proibido, enquanto a postura e a expressão de Adão podem transmitir relutância ou cumplicidade (Wainwright, 2006).

Os artistas também têm lidado com as consequências da Queda. O afresco de Masaccio na Capela Brancacci retrata poderosamente a expulsão de Adão e Eva do Éden, com os rostos contorcidos de angústia e vergonha. A versão de Michelangelo desta cena na Capela Sistina transmite igualmente o poderoso impacto emocional e espiritual da sua desobediência (Wainwright, 2006).

A escolha de retratar Adão e Eva nus ou vestidos varia de acordo com o artista e o contexto cultural. Alguns artistas usaram folhagem estrategicamente colocada ou outros objetos para preservar a modéstia, enquanto outros os retrataram em sua inocência nua antes da Queda, ou vestidos com peles de animais depois dela (Platt, n.d.).

É de salientar que as representações artísticas de Adão e Eva não se limitaram às tradições cristãs ocidentais. A arte islâmica, embora geralmente evite a representação humana, às vezes incluiu representações estilizadas ou abstratas de Adão e Eva em ilustrações manuscritas.

Em tempos mais recentes, os artistas continuaram a encontrar inspiração na narrativa de Adão e Eva, muitas vezes reinterpretando-a através de lentes modernas ou pós-modernas. Estas obras contemporâneas podem explorar temas como os papéis de género, a gestão ambiental ou a natureza da tentação no mundo de hoje.

Tendo em conta estas representações artísticas, é importante recordar que são interpretações e não registos históricos da história humana. Falam-nos tanto dos artistas e dos seus tempos como de Adão e Eva. No entanto, eles também servem a um propósito valioso em ajudar-nos a visualizar e refletir sobre esta história fundamental de nossa fé, convidando-nos a considerar sua relevância contínua para nossas vidas e nossa relação com Deus.

Alguns textos não bíblicos antigos descrevem a aparição de Adão e Eva?

Embora a própria Bíblia forneça pormenores limitados sobre a aparência física de Adão e Eva, vários textos antigos não bíblicos oferecem descrições e elaborações intrigantes. Estas fontes, que vão desde a literatura midráshica judaica até os primeiros escritos cristãos e até mesmo textos de outras tradições religiosas, fornecem uma rica tapeçaria de imagens e especulações sobre nossos primeiros pais.

Na tradição judaica, vários textos midráshicos expandem o relato bíblico. Por exemplo, uma tradição sugere que Adão foi criado como um ser andrógino, «um homem e uma mulher que cresceram num só corpo com duas faces.» De acordo com este relato, Deus mais tarde separou este ser de natureza dupla em dois indivíduos distintos (Jung, 2014). Esta ideia da androginia inicial de Adão também é refletida em alguns textos cristãos e gnósticos primitivos, refletindo um conceito de totalidade primordial ou completude.

Algumas fontes rabínicas descrevem Adão em termos de extraordinária beleza e brilho. Uma tradição afirma que o calcanhar de Adão ofuscou o sol, sublinhando a sua natureza luminosa antes da queda (Jung, 2014). Outro detalhe intrigante da literatura rabínica é a alegação de que Adão inicialmente tinha uma cauda, que Deus removeu durante o processo de criação (Stein, 2022). Embora não devamos tomar esses pormenores literalmente, refletem tentativas de imaginar o estado original, anterior à queda, de Adam como algo mais do que a nossa atual condição humana.

Os primeiros textos cristãos também oferecem descrições vívidas. O «Livro da Caverna dos Tesouros», uma obra apócrifa, descreve Adão em termos brilhantes: «Quando os anjos viram a sua gloriosa aparência, comoveram-se com a beleza da visão; porque viram a forma do seu semblante, enquanto estava aceso, em esplendor brilhante como a bola do sol, e a luz dos seus olhos como o sol, e a forma do seu corpo como a luz de um cristal» (Jung, 2014). Esta descrição enfatiza o brilho e a ligação de Adão com o divino, retratando-o como um ser de luz.

Curiosamente, algumas tradições descrevem o estado inicial de Adão e Eva como algo etéreo ou espiritual, com os seus corpos a tornarem-se mais sólidos ou «terrenos» após a Queda. Por exemplo, num texto, Adam lamenta a perda da sua «natureza brilhante» após o pecado ter entrado no mundo (Platt, n.d.).

Na tradição islâmica, embora haja geralmente menos ênfase nas descrições físicas, alguns textos abordam a aparência de Adão. Um texto Hermes árabe descreve a criação de Adão (Adamanus) como envolvendo uma mistura de elementos espirituais de várias esferas celestes, resultando num ser formado "segundo a forma do céu mais elevado" (Jung, 2014).

Os textos gnósticos fornecem uma outra perspetiva, muitas vezes descrevendo a criação da humanidade em duas fases – primeiro espiritual e depois material. O «Livro Secreto de João», por exemplo, fala de um Adão espiritual criado à imagem divina, seguido de um Adão material confinado a um corpo físico (Brakke, 2011).

É importante abordar estas descrições não bíblicas com discernimento. Embora possam enriquecer a nossa imaginação e suscitar uma reflexão mais profunda sobre a natureza da humanidade e a nossa relação com o divino, não devem ser consideradas como relatos autoritários ou históricos. Pelo contrário, refletem a rica tradição da especulação teológica e filosófica sobre as origens humanas e o significado de ser criado à imagem de Deus.

Como pode a aparência de Adão e Eva relacionar-se com a «imagem de Deus»?

Quando contemplamos a aparência de Adão e Eva em relação à «imagem de Deus», devemos olhar para além dos meros atributos físicos. A imagem de Deus na humanidade é uma poderosa realidade espiritual que engloba todo o nosso ser – corpo, mente e alma (Douglas et al., n.d.)

A Escritura nos diz que Deus criou os seres humanos à sua imagem e semelhança (Gênesis 1:26-27). Esta marca divina não tem primariamente a ver com a aparência exterior, mas sim com a nossa natureza interior e as nossas capacidades que refletem os próprios atributos de Deus. Assim como Deus é amor, somos criados com a capacidade de amar. Como Deus é criativo, também podemos criar. Como Deus é relacional dentro da Trindade, somos feitos para a relação. (Douglas et al., n.d.)

Dito isto, a forma física de Adão e Eva provavelmente incorporava uma perfeição e beleza que espelhavam a glória de Deus de uma forma única. Antes do pecado entrar no mundo, seus corpos eram imaculados, livres dos efeitos do envelhecimento e da morte. Os seus rostos podem ter resplandecido com o resplendor da íntima comunhão com Deus. Como o Livro do Génesis descreve poeticamente, eram «nuas e sem vergonha» – a sua aparência física era marcada por uma inocência e pureza que refletiam a sua santidade interior. (Sheed, 2014)

Podemos imaginar que Adão e Eva possuíam uma força, graça e vitalidade extraordinárias como o auge da criação física de Deus. Os seus corpos eram perfeitamente adequados para o seu papel de mordomos do Éden e de toda a terra. Ainda mais importante do que qualquer perfeição física era a perfeição espiritual de suas almas, totalmente orientada para o amor de Deus e uns aos outros.

A Queda manchou esta imagem de Deus na humanidade, embora não estivesse totalmente perdida. O pecado introduziu a vergonha, a discórdia e a morte. A aparência gloriosa de Adão e Eva diminuiu à medida que foram exilados do Éden. No entanto, mesmo no nosso estado decaído, mantemos vestígios dessa beleza e dignidade originais como portadores da imagem de Deus (Sheed, 2014).

À medida que crescemos em santidade através de Cristo, esta imagem é gradualmente restaurada em nós. Esta renovação afeta toda a nossa pessoa – incluindo os nossos corpos, que São Paulo chama «templos do Espírito Santo» (1 Coríntios 6:19). Uma pessoa de oração profunda muitas vezes irradia uma luz interior que transforma o seu semblante. Vemos isso na vida dos santos.

A imagem de Deus é mais perfeitamente revelada não em Adão e Eva, mas em Jesus Cristo, «a imagem do Deus invisível» (Colossenses 1:15). Ao nos conformarmos com Cristo, crescemos na plenitude do que Deus pretende para a humanidade. O nosso objetivo não é recuperar uma perfeição edênica perdida, mas transformar-nos à semelhança de Cristo. (Sheed, 2014)

No nosso caminho cristão, lembremo-nos de que todos somos portadores da imagem de Deus, chamados a refletir o seu amor e a sua bondade para com o mundo. Que possamos tratar-nos uns aos outros – e a nós mesmos – com a reverência e a dignidade próprias deste grande dom e responsabilidade.

O que Adão e Eva tinham a ver com o livro de Eli na Bíblia?

Adão e Eva desempenham um papel importante na Bíblia, e suas ações são frequentemente interpretadas como Razões para o livro de eli. A desobediência deles no Jardim do Éden levou à introdução do pecado no mundo, que é um tema central no Livro de Eli.

Será que vamos ver Adão e Eva na sua forma original no céu?

A questão de saber se vamos ver Adão e Eva na sua forma original no céu toca os profundos mistérios da nossa fé – a natureza da ressurreição corporal, os efeitos do pecado e da redenção e a glória da vida eterna. Embora não possamos saber com certeza, podemos refletir sobre esta possibilidade à luz da Escritura e da tradição.

Primeiro, devemos lembrar-nos de que o céu não é simplesmente um retorno ao Éden. Trata-se de algo muito maior – o cumprimento de todas as promessas de Deus e a perfeição da sua criação. Como escreve São Paulo: "O que os olhos não viram, nem os ouvidos ouviram, nem o coração do homem concebeu, o que Deus preparou para os que o amam" (1 Coríntios 2:9). (Sheed, 2014)

Dito isto, há razões para acreditar que podemos encontrar Adão e Eva de uma forma que reflete seu estado original e não caído. As Escrituras ensinam que, em Cristo, os efeitos do pecado não são apenas desfeitos, mas superados. Estamos ansiosos para a ressurreição do corpo, quando nosso eu físico será transformado e glorificado. (Sheed, 2014)

O Catecismo diz-nos que, no céu, veremos Deus «face a face» e que esta visão nos transformará: «Aqueles que contemplam a Deus face a face serão completamente semelhantes a Ele e participarão na sua divindade» (CIC 1028). Isto sugere que todos os redimidos, incluindo Adão e Eva, refletirão a imagem de Deus mais perfeitamente do que nunca. (Jung, 2014)

Podemos imaginar que Adão e Eva, como os primeiros seres humanos criados diretamente por Deus, podem aparecer com um brilho e beleza únicos. Os seus corpos, livres de todos os efeitos do pecado e da morte, podiam manifestar todo o potencial da fisicalidade humana tal como Deus a pretendia. No entanto, não seriam separados do resto da humanidade redimida, porque somos todos uma família em Cristo.

Nossos corpos ressuscitados, embora verdadeiramente físicos, serão transformados de formas que mal podemos compreender. Como Jesus disse: "Na ressurreição não se casam nem se dão em casamento, mas são como anjos no céu" (Mateus 22:30). Isto sugere um estado de estar além da nossa experiência atual, onde a forma física pode ser menos importante do que a nossa realidade espiritual.

No céu, nosso foco será inteiramente em Deus, a fonte de toda a beleza e bondade. Embora possamos reconhecer e regozijar-nos na presença de Adão, Eva e todos os santos, a nossa principal alegria será contemplar o rosto de Deus. Como escreveu Santo Agostinho, «Os nossos corações estão inquietos até descansarem em ti» (Jung, 2014).

Se vemos ou não Adão e Eva na sua "forma original" pode ser menos importante do que o facto de que todos seremos renovados em Cristo. Cada um de nós vai brilhar com a beleza única que Deus pretendeu para nós desde o início. Seremos plenamente nós mesmos, mas também totalmente unidos a Deus e uns aos outros numa comunhão de amor.(Stein, 2022)

Ao contemplarmos estes mistérios, não percamos de vista a nossa vocação atual. Já estamos a ser transformados na imagem de Cristo «de glória em glória» (2 Coríntios 3:18) através da obra do Espírito Santo. Ao viver vidas de amor, misericórdia e santidade, preparamo-nos para essa transformação final, quando veremos Deus face a face.

Aguardemos com alegre esperança aquele dia em que, como escreve São João, «seremos como ele, porque o veremos tal como é» (1 João 3:2). Nessa visão, todas as nossas perguntas serão respondidas e regozijar-nos-emos com a plenitude do amor de Deus.

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