
O que é o arrebatamento?
O termo “arrebatamento” em si não aparece na Bíblia, mas vem da palavra latina “raptus”, que significa “arrebatado” ou “levado”. Esta terminologia deriva da tradução latina da Vulgata de 1 Tessalonicenses 4:17, que usa a frase “rapiemur cum illis” para descrever os crentes sendo arrebatados nas nuvens (Stitzinger, 2002).
Historicamente, a ideia do arrebatamento como um evento distinto e separado da Segunda Vinda de Cristo é relativamente recente na teologia cristã. Ganhou destaque no século XIX através dos ensinamentos de John Nelson Darby e da ascensão do dispensacionalismo (Stitzinger, 2002). Esta estrutura teológica divide a história em eras ou “dispensações” distintas do trato de Deus com a humanidade.
Psicologicamente, o conceito de arrebatamento pode ser visto como uma poderosa fonte de esperança e conforto para os crentes. Oferece uma promessa de escape das tribulações terrenas e um reencontro alegre com Cristo. Mas também pode gerar ansiedade e medo, particularmente para aqueles preocupados em serem “deixados para trás”.
Nem todas as tradições cristãs aceitam o conceito de arrebatamento como comumente entendido na teologia dispensacionalista. A Igreja Católica, por exemplo, não ensina um arrebatamento como um evento separado da Segunda Vinda de Cristo (Ice, 2009).

Onde é mencionado o arrebatamento na Bíblia?
O texto principal usado para apoiar a doutrina do arrebatamento encontra-se em 1 Tessalonicenses 4:15-17. O Apóstolo Paulo escreve: “Porque o próprio Senhor descerá do céu com um alarido, com a voz do arcanjo e com a trombeta de Deus, e os mortos em Cristo ressuscitarão primeiro. Depois, nós, os que ficarmos vivos, seremos arrebatados juntamente com eles nas nuvens, a encontrar o Senhor nos ares.” Esta passagem descreve um evento dramático onde os crentes, tanto mortos quanto vivos, são unidos a Cristo (Stitzinger, 2002).
Outro texto chave é 1 Coríntios 15:51-52, onde Paulo fala de um mistério: “Nem todos dormiremos, mas todos seremos transformados — num momento, num abrir e fechar de olhos, ao som da última trombeta.” Esta passagem é frequentemente interpretada como descrevendo a transformação repentina dos crentes no momento do arrebatamento (Stitzinger, 2002).
Nos Evangelhos, as palavras de Jesus em Mateus 24:40-41 são por vezes associadas ao arrebatamento: “Dois homens estarão no campo; um será tomado e o outro deixado. Duas mulheres estarão moendo no moinho; uma será tomada e a outra deixada.” Mas a interpretação desta passagem como referindo-se ao arrebatamento é debatida entre os estudiosos (Woods, 2024).
Historicamente, é crucial entender que o conceito de arrebatamento como um evento distinto e separado da Segunda Vinda é uma interpretação relativamente recente, surgindo no século XIX com a ascensão do dispensacionalismo (Stitzinger, 2002). As tradições cristãs anteriores tipicamente viam essas passagens como descrevendo a ressurreição final e o julgamento.
Psicologicamente, essas passagens podem evocar uma gama de emoções nos crentes – desde esperança e antecipação até medo e ansiedade. O imaginário vívido de ser “arrebatado” pode ser tanto reconfortante quanto perturbador, dependendo da perspectiva e das circunstâncias de vida de cada um.

O que a Bíblia diz sobre quando o arrebatamento acontecerá?
Nosso Senhor Jesus, quando questionado sobre o momento dos eventos do fim dos tempos, respondeu: “Mas daquele dia e hora ninguém sabe, nem os anjos do céu, nem o Filho, mas unicamente o Pai” (Mateus 24:36). Esta declaração sublinha o mistério que envolve o momento dos eventos escatológicos e nos adverte contra a tentativa de definir datas específicas (Ice, 2009).
Mas a Bíblia fornece algumas indicações sobre o período geral e as circunstâncias que envolvem o arrebatamento, particularmente para aqueles que o interpretam como um evento distinto da Segunda Vinda. Em 1 Tessalonicenses 5:2-3, Paulo escreve: “Porque vós mesmos sabeis muito bem que o dia do Senhor virá como o ladrão de noite. Pois que, quando disserem: Há paz e segurança, então lhes sobrevirá repentina destruição.” Esta passagem sugere um elemento de repentinidade e inesperabilidade (Stitzinger, 2002).
Muitos que acreditam em um arrebatamento pré-tribulacionista apontam para Apocalipse 3:10, onde Cristo promete guardar a igreja “da hora da provação que há de vir sobre todo o mundo”. Eles interpretam isso como indicando que o arrebatamento ocorrerá antes de um período de grande tribulação (Ice, 2009).
Historicamente, ao longo da história cristã, muitos tentaram prever o momento do retorno de Cristo ou do arrebatamento, muitas vezes com grande convicção. No entanto, essas previsões falharam consistentemente em se concretizar, lembrando-nos da sabedoria nas palavras de Jesus sobre a incognoscibilidade do tempo.
Psicologicamente, a incerteza em torno do momento do arrebatamento pode evocar várias respostas. Para alguns, gera um senso de urgência e vigilância na fé. Para outros, pode levar à ansiedade ou até ao ceticismo. Como pastores dos fiéis, devemos ser sensíveis a essas diversas reações e fornecer orientação pastoral que encoraje a fé e a esperança sem promover medo ou obsessão.
Embora seja natural ter curiosidade sobre o momento de eventos futuros, lembremo-nos de que a essência da nossa fé não reside em saber quando Cristo retornará, mas em estar pronto em todos os momentos. A parábola do nosso Senhor sobre as virgens prudentes e insensatas (Mateus 25:1-13) nos ensina a importância da preparação espiritual, independentemente de quando o noivo chegar.

Quem será levado no arrebatamento?
De acordo com a interpretação mais comum, particularmente dentro da teologia dispensacionalista, aqueles que serão levados no arrebatamento são verdadeiros crentes em Jesus Cristo – aqueles que depositaram sua fé nEle para a salvação. Este entendimento baseia-se em passagens como 1 Tessalonicenses 4:16-17, que afirma: “Porque o próprio Senhor descerá do céu com um alarido, com a voz do arcanjo e com a trombeta de Deus, e os mortos em Cristo ressuscitarão primeiro. Depois, nós, os que ficarmos vivos, seremos arrebatados juntamente com eles nas nuvens, a encontrar o Senhor nos ares” (Stitzinger, 2002).
A frase “os mortos em Cristo” e “nós, os que ficarmos vivos” é frequentemente interpretada como significando todos os verdadeiros crentes, tanto aqueles que morreram quanto aqueles que estão vivos no momento do arrebatamento. Isso inclui pessoas de todas as nações, culturas e denominações que depositaram sua confiança em Jesus Cristo como seu Salvador (Ice, 2009).
Historicamente, este entendimento específico do arrebatamento e de quem será levado é relativamente recente na teologia cristã, surgindo principalmente no século XIX com a ascensão do dispensacionalismo. As tradições cristãs anteriores tipicamente viam a reunião dos crentes como ocorrendo na ressurreição final e no julgamento.
Psicologicamente, o conceito de ser “levado” ou “deixado para trás” pode evocar emoções fortes. Para os crentes, pode ser uma fonte de esperança e antecipação. Mas também pode gerar ansiedade, particularmente para aqueles que se preocupam com o destino de entes queridos que podem não compartilhar sua fé. Como líderes pastorais, devemos ser sensíveis a essas preocupações e fornecer orientação que enfatize o amor e a misericórdia de Deus.
É crucial lembrar que, embora possamos especular sobre quem será levado no arrebatamento, o julgamento final pertence apenas a Deus. Como Jesus ensinou na parábola do trigo e do joio (Mateus 13:24-30), não cabe a nós determinar definitivamente quem é verdadeiramente salvo e quem não é.
Em vez de focar em quem pode ser deixado para trás, concentremo-nos em viver nossa fé de uma maneira que atraia outros a Cristo. Que nossas vidas sejam um testemunho do amor e da graça de Deus, convidando a todos a experimentar a alegria e a paz que vêm de um relacionamento com Jesus.

O que acontece com aqueles que são deixados para trás após o arrebatamento?
De acordo com aqueles que defendem uma visão de arrebatamento pré-tribulacionista, aqueles que forem deixados para trás enfrentarão um período de grande tribulação na terra. Este período é frequentemente interpretado como durando sete anos, com base em interpretações de passagens proféticas nos livros de Daniel e Apocalipse. Durante este tempo, acredita-se que o Anticristo ascenderá ao poder e o mundo experimentará dificuldades e desastres sem precedentes (Ice, 2009).
Mas é crucial notar que, mesmo nesta interpretação, a oportunidade de salvação não está perdida para aqueles que são deixados para trás. Muitos acreditam que, durante o período da tribulação, muitos chegarão à fé em Cristo, frequentemente referidos como “santos da tribulação”. Esses indivíduos podem enfrentar severa perseguição por sua fé, mas recebem a promessa de libertação final (Stitzinger, 2002).
Historicamente, devemos lembrar que o conceito específico de um arrebatamento pré-tribulacionista seguido por um período distinto de tribulação para aqueles deixados para trás é uma interpretação relativamente recente na teologia cristã. Ao longo de grande parte da história da igreja, os cristãos mantiveram visões diversas sobre os eventos do fim dos tempos, muitas vezes focando mais no julgamento final e no estabelecimento do reino de Deus do que em um evento de arrebatamento separado.
Psicologicamente, a ideia de entes queridos serem deixados para trás pode ser profundamente angustiante para os crentes. Pode levar à ansiedade, culpa e um senso de urgência na evangelização. Embora o desejo de compartilhar a fé seja louvável, devemos ter cuidado para não deixar que o medo se torne o principal motivador do nosso testemunho. Nossa evangelização deve estar sempre enraizada no amor e em um desejo genuíno de que outros experimentem a alegria e a paz que encontramos em Cristo.
Como pastores e líderes espirituais, devemos abordar este tópico com grande sensibilidade. Embora não devamos evitar ensinar sobre os eventos do fim dos tempos conforme apresentados nas Escrituras, devemos fazê-lo de uma maneira que enfatize o amor, a misericórdia e o desejo de Deus de que todos cheguem ao arrependimento (2 Pedro 3:9).
Lembremo-nos de que nosso Deus é um Deus de esperança e redenção. Mesmo nos tempos mais sombrios, Sua luz brilha. Em vez de especular demais sobre os detalhes de eventos futuros, concentremo-nos em viver nossa fé no presente, mostrando o amor de Cristo a todos e confiando no plano final de Deus para a redenção de toda a criação.

Como o arrebatamento se relaciona com a Segunda Vinda de Cristo?
O conceito de arrebatamento, embora não nomeado explicitamente nas Escrituras, deriva de passagens como 1 Tessalonicenses 4:16-17, que fala dos crentes sendo “arrebatados” para encontrar o Senhor nos ares. Este evento está intimamente ligado ao retorno de Cristo, embora as interpretações variem sobre a natureza precisa dessa conexão.
No entendimento tradicional mantido por muitos de nossos irmãos e irmãs protestantes, particularmente aqueles de uma perspectiva dispensacionalista pré-milenista, o arrebatamento é visto como um evento distinto que precede a Segunda Vinda (Ice, 2009). Nesta visão, Cristo retorna secretamente para “arrebatar” ou remover a Igreja da terra antes de um período de grande tribulação. Isso é seguido pelo Seu retorno visível em glória, frequentemente referido como a Segunda Vinda propriamente dita.
Mas devemos ser cautelosos ao fazer pronunciamentos definitivos sobre a sequência precisa dos eventos escatológicos. Exorto-os a focar não em cronogramas especulativos, mas na verdade central de que Cristo retornará e que somos chamados a estar prontos para Sua vinda em todos os momentos.
Psicologicamente, o conceito de arrebatamento pode evocar tanto esperança quanto ansiedade. Para muitos crentes, oferece conforto diante das tribulações mundanas, assegurando-lhes que Cristo resgatará Seus fiéis antes que as piores provações comecem. No entanto, também pode levar a uma preocupação com sinais e datas que podem distrair do trabalho presente do Reino.
Historicamente, vemos que as expectativas do retorno iminente de Cristo moldaram as comunidades cristãs ao longo dos tempos. A Igreja primitiva viveu na expectativa ansiosa da Parousia, e essa esperança foi reacendida em vários movimentos ao longo da história. No entanto, devemos lembrar que nosso Senhor também alertou contra tentativas de prever o momento exato de Seu retorno (Mateus 24:36).
Como católicos, embora possamos não usar o termo “arrebatamento”, afirmamos a realidade do retorno de Cristo e a reunião dos crentes a Ele. O Catecismo ensina que a Igreja passará por uma provação final antes do retorno do Senhor, em vez de ser removida dela (CIC 675-677). Isso nos lembra que nosso chamado não é escapar do mundo, mas ser testemunhas de Cristo dentro dele, mesmo em tempos de dificuldade.
Quer se veja o arrebatamento como um evento separado ou como parte do único grande evento do retorno de Cristo, a verdade essencial permanece: nosso Senhor virá novamente em glória para julgar os vivos e os mortos. Vivamos, portanto, cada dia na alegre expectativa de Sua vinda, não em medo ou ansiedade, mas na paz que vem de saber que estamos seguros nas mãos amorosas de Deus.

Quais são as diferentes visões sobre o momento do arrebatamento?
As principais visões sobre o momento do arrebatamento são tipicamente categorizadas como pré-tribulacionista, meso-tribulacionista e pós-tribulacionista, com algumas variações dentro dessas categorias amplas (Ice, 2009). Cada uma dessas visões busca interpretar as Escrituras fielmente, embora cheguem a conclusões diferentes.
A visão pré-tribulacionista, popularizada nos séculos XIX e XX, sustenta que o arrebatamento ocorrerá antes de um período de sete anos de grande tribulação. Esta perspectiva vê a Igreja sendo poupada deste tempo de julgamento e oferece conforto aos crentes que enfrentam perseguição. Psicologicamente, pode proporcionar um senso de segurança e esperança em tempos difíceis.
A visão meso-tribulacionista sugere que o arrebatamento ocorrerá na metade do período da tribulação, frequentemente associada à “abominação da desolação” mencionada em Daniel e nos Evangelhos. Esta visão tenta reconciliar a promessa de libertação para os crentes com a expectativa de provações e tribulações.
A visão pós-tribulacionista, que tem raízes históricas na igreja primitiva, sustenta que os crentes permanecerão na terra durante todo o período da tribulação, com o arrebatamento ocorrendo como parte do retorno visível de Cristo no final deste tempo. Esta perspectiva enfatiza o papel da Igreja em testemunhar através das provações e alinha-se com a experiência histórica do sofrimento cristão.
Alguns defendem uma teoria de “arrebatamento parcial”, sugerindo que apenas os crentes mais fiéis serão levados, enquanto outros propõem um arrebatamento “pré-ira” ocorrendo pouco antes de os julgamentos finais de Deus serem derramados.
Essas visões são encontradas principalmente em círculos protestantes, particularmente evangélicos. A Igreja Católica, embora afirme o retorno de Cristo e a reunião dos crentes a Ele, não endossa oficialmente o conceito de um evento de arrebatamento separado (Oyetade, 2020).
Historicamente, vemos que as expectativas sobre os tempos do fim foram frequentemente moldadas pelas experiências dos crentes em seus contextos particulares. Tempos de perseguição ou agitação social levaram frequentemente a um maior interesse em temas escatológicos e a interpretações variadas de passagens proféticas.
Psicologicamente, essas diferentes visões podem ter grandes impactos sobre os crentes. A visão pré-tribulacionista pode oferecer conforto, mas poderia potencialmente levar a um grau de distanciamento das preocupações mundanas. A visão pós-tribulacionista pode promover resiliência diante das provações, mas também pode criar ansiedade sobre sofrimentos futuros.
Exorto-o a não se concentrar excessivamente na determinação do momento preciso destes eventos. Em vez disso, prestemos atenção às palavras do nosso Senhor para estarmos prontos a todo o momento, pois não sabemos o dia nem a hora da Sua vinda (Mateus 25:13).
O que une todas estas perspectivas é a verdade central do regresso de Cristo e a reunião final dos crentes n'Ele. Esta é a nossa esperança bem-aventurada, independentemente da sequência específica dos eventos. Vivamos, portanto, cada dia à luz desta esperança, crescendo no amor a Deus e ao próximo, e dando testemunho do Evangelho por palavras e ações.
Que a nossa contemplação sobre estes assuntos não conduza à divisão, mas a uma apreciação mais profunda do mistério do plano de Deus e a um compromisso renovado com a nossa missão como Igreja de Cristo no mundo.

Como os cristãos devem se preparar para o arrebatamento?
Devemos cultivar uma relação profunda e duradoura com Deus através da oração, da meditação nas Escrituras e da participação na vida sacramental da Igreja. Como o nosso Senhor ensinou na parábola das virgens prudentes e insensatas (Mateus 25:1-13), devemos manter as nossas lâmpadas cheias com o azeite da fé e das boas obras, sempre prontos para o regresso do Noivo.
Somos chamados a viver vidas de santidade e virtude. São Paulo lembra-nos de “revestir a armadura completa de Deus” (Efésios 6:11), que inclui a verdade, a justiça, a paz, a fé, a salvação e a Palavra de Deus. Esta armadura espiritual prepara-nos não apenas para o regresso de Cristo, mas para as batalhas diárias que enfrentamos na nossa caminhada de fé.
Devemos ser ativos no nosso amor e serviço aos outros. Jesus ensinou que, quando servimos “o mais pequenino destes”, estamos a servi-Lo (Mateus 25:40). A nossa preparação para o regresso de Cristo deve manifestar-se em atos concretos de caridade, justiça e misericórdia para com o nosso próximo.
Psicologicamente, é importante manter uma abordagem equilibrada em relação às expectativas sobre o fim dos tempos. Embora a antecipação do regresso de Cristo possa ser uma fonte de esperança e motivação, um foco obsessivo em sinais e datas pode levar à ansiedade ou ao negligenciar das responsabilidades presentes. Em vez disso, cultivemos uma mentalidade de prontidão alegre, confiando no tempo e no plano perfeitos de Deus.
Historicamente, vemos que a preparação mais eficaz para o regresso de Cristo tem sido uma vida totalmente comprometida em segui-Lo no aqui e agora. Os santos ao longo dos tempos mostraram-nos que a verdadeira prontidão não vem do cálculo de datas, mas da conversão diária do coração e da vida.
É também crucial lembrar que a nossa preparação não é apenas individual, mas comunitária. Somos chamados a edificar o Corpo de Cristo, apoiando-nos uns aos outros na fé e trabalhando juntos para espalhar o Evangelho. Como escreve São Paulo, devemos “encorajar-nos uns aos outros e edificar-nos mutuamente” (1 Tessalonicenses 5:11) enquanto aguardamos o regresso de Cristo.
Não nos esqueçamos da nossa responsabilidade de sermos bons administradores da criação de Deus. A nossa preparação para o regresso de Cristo inclui cuidar da terra e trabalhar pela justiça e pela paz nas nossas sociedades. Somos chamados a ser o sal e a luz do mundo, preservando o que é bom e iluminando o caminho para Deus para os outros.
Finalmente, abordemos esta preparação com esperança e alegria, não com medo. O regresso de Cristo não é uma ameaça a ser temida, mas o cumprimento das promessas de Deus a ser ansiosamente aguardado. Como escreve São João: “agora somos filhos de Deus, e ainda não se manifestou o que havemos de ser. Mas sabemos que, quando Cristo aparecer, seremos semelhantes a ele, porque o veremos como ele é. Todo aquele que tem nele esta esperança purifica-se a si mesmo, assim como ele é puro” (1 João 3:2-3).
Que a nossa preparação para o regresso de Cristo, seja através do arrebatamento ou da Sua vinda visível, seja uma renovação diária do nosso compromisso batismal de morrer para o pecado e viver para Deus. Fixemos os nossos olhos em Jesus, o autor e consumador da nossa fé, enquanto corremos com perseverança a corrida que nos foi proposta (Hebreus 12:1-2).

O que os primeiros Pais da Igreja ensinaram sobre o arrebatamento?
Muitos dos Padres, incluindo Justino Mártir, Ireneu e Tertuliano, mantiveram uma visão pré-milenarista, esperando que o regresso de Cristo inaugurasse um reinado de mil anos na terra. Mas a sua compreensão deste regresso envolvia geralmente um evento único e visível, em vez de um arrebatamento secreto seguido por um regresso posterior (Smith, 2011).
Por exemplo, Ireneu, escrevendo no século II, falou da ressurreição dos justos e do seu reinado com Cristo, mas não descreveu um evento de arrebatamento separado. Da mesma forma, Justino Mártir, no seu Diálogo com Trifão, discute o regresso de Cristo e a reunião dos crentes no contexto de uma única vinda visível.
A principal preocupação dos primeiros Padres não era desenvolver cronologias detalhadas sobre o fim dos tempos, mas encorajar os crentes a viver fielmente à luz do regresso prometido de Cristo. Eles enfatizaram a necessidade de prontidão espiritual e perseverança face às provações.
Psicologicamente, podemos ver que a expectativa da Igreja primitiva quanto ao regresso de Cristo proporcionou esperança e resiliência em tempos de perseguição. A crença de que Cristo viria para vindicar o Seu povo e estabelecer o Seu reino deu força aos mártires e confessores que enfrentavam a opressão romana.
Historicamente, devemos lembrar que a Igreja primitiva viveu com um sentido de expectativa iminente do regresso de Cristo. Esta imediação moldou a sua teologia e prática, levando a uma ênfase na santidade e na evangelização, em vez de cronogramas escatológicos detalhados.
À medida que a Igreja avançava para a era patrística, vemos uma mudança em alguns setores para uma interpretação mais alegórica das passagens proféticas. Agostinho, por exemplo, interpretou o milénio simbolicamente, uma visão que se tornou influente no Cristianismo ocidental (Chistyakova, 2021).
É crucial compreender que o conceito de um arrebatamento pré-tribulacionista, tal como articulado em algumas teologias modernas, não fazia parte do ensino da Igreja primitiva. Esta ideia desenvolveu-se muito mais tarde, principalmente no século XIX (Ice, 2009).
Mas isto não significa que os primeiros Padres não acreditassem na reunião dos crentes com Cristo. Eles acreditavam, mas geralmente viam isto como parte do único grande evento do regresso de Cristo, e não como uma ocorrência separada.
Encorajo-o a apreciar a rica herança do pensamento patrístico, reconhecendo ao mesmo tempo que a nossa compreensão dos detalhes escatológicos se desenvolveu ao longo do tempo. A verdade essencial afirmada pelos Padres – que Cristo voltará em glória para reunir o Seu povo – permanece central para a nossa fé.

Existem sinais de que o arrebatamento está próximo?
O nosso próprio Senhor Jesus ensinou que “daquele dia ou hora ninguém sabe, nem os anjos no céu, nem o Filho, mas apenas o Pai” (Mateus 24:36). Isto deve incutir em nós um sentido de humildade e prontidão contínua, em vez de uma preocupação em identificar sinais específicos.
Mas Jesus forneceu alguns indicadores gerais do fim dos tempos no Seu Discurso do Monte das Oliveiras (Mateus 24, Marcos 13, Lucas 21). Estes incluem guerras, fomes, terramotos, perseguição aos crentes, falsos profetas, aumento da maldade e a pregação do evangelho a todas as nações. Muitos destes sinais têm estado presentes ao longo da história da Igreja, lembrando-nos de estar sempre preparados para o regresso de Cristo.
Psicologicamente, o desejo de identificar sinais do regresso de Cristo pode advir de várias motivações. Para alguns, proporciona um sentido de controlo ou certeza num mundo incerto. Para outros, pode ser uma resposta ao sofrimento pessoal ou social, oferecendo a esperança de uma intervenção divina. Como pastores, devemos ajudar os fiéis a navegar nestes sentimentos, direcionando o seu foco para a confiança na providência de Deus e na participação ativa na Sua missão.
Historicamente, vemos que todas as gerações de cristãos enfrentaram eventos que alguns interpretaram como sinais do fim. A queda de Jerusalém em 70 d.C., o colapso do Império Romano, a Peste Negra, as guerras mundiais e vários desastres naturais foram todos vistos como potenciais prenúncios do regresso de Cristo. Isto deve alertar-nos contra a tendência de equiparar demasiado facilmente os eventos atuais a sinais apocalípticos.
No nosso contexto moderno, alguns apontam desenvolvimentos específicos como potenciais sinais: a restauração de Israel como nação, a globalização, os avanços na tecnologia que poderiam relacionar-se com passagens proféticas sobre marcar e rastrear pessoas, ou o declínio moral na sociedade. Embora estes possam alinhar-se com as descrições bíblicas das condições do fim dos tempos, devemos ter cuidado para não sermos demasiado dogmáticos nas nossas interpretações.
O propósito da profecia bíblica não é satisfazer a nossa curiosidade sobre o futuro, mas motivar uma vida santa no presente. Como escreve São Pedro: “Visto que tudo será destruído desta forma, que tipo de pessoas deveis ser? Deveis viver vidas santas e piedosas enquanto aguardais o dia de Deus e apressais a sua vinda” (2 Pedro 3:11-12).
Não devemos esquecer que, para cada um de nós, a nossa própria morte pode ocorrer antes do regresso de Cristo. Nesse sentido, o fim está sempre próximo, e devemos viver cada dia como se pudesse ser o último, prontos para encontrar o nosso Senhor.
Encorajo-o a permanecer vigilante e preparado, não ansioso ou obcecado com sinais. Em vez disso, foquemo-nos em ser fiéis nas nossas vidas diárias, crescendo no amor a Deus e ao próximo, e participando ativamente na missão de evangelização e serviço da Igreja.
Lembremo-nos também de que a nossa esperança não está em escapar deste mundo, mas na sua redenção e transformação final. Enquanto procuramos sinais do regresso de Cristo, que possamos também ser sinais da Sua presença e amor no mundo de hoje, trabalhando para construir o Seu reino de justiça, amor e paz.
Que a expectativa do regresso de Cristo nos encha não de medo, mas de esperança e alegria, estimulando-nos a uma maior fidelidade e a um amor mais fervoroso. Vivamos cada dia à luz da eternidade, sempre prontos para acolher o nosso Senhor, quer Ele venha a nós individualmente no fim das nossas vidas terrenas, quer em glória no fim dos tempos.
