Sonhar com Bruxas: Interpretação Bíblica dos Sonhos




  • A Bíblia não menciona especificamente as bruxas que aparecem nos sonhos, mas discute a adivinhação e a feitiçaria como práticas proibidas.
  • Os sonhos na Bíblia são vistos como comunicação divina, com exemplos importantes como José e Daniel interpretando sonhos significativos.
  • Sonhar com uma bruxa pode simbolizar a guerra espiritual, os medos ou a necessidade de discernimento na vida de um crente.
  • Os cristãos devem abordar a interpretação dos sonhos com cautela, baseando-se nas Escrituras, na oração e na orientação dos líderes espirituais.
Esta entrada é a parte 24 de 70 da série Interpretação Bíblica dos Sonhos

A Bíblia fala de bruxas que aparecem em sonhos?

A Bíblia não menciona explicitamente as bruxas que aparecem nos sonhos. Mas é importante compreender que o conceito de «bruxas» tal como as consideramos hoje é bastante diferente da forma como foram entendidas nos tempos bíblicos. A Bíblia fala de várias formas de adivinhação, feitiçaria e necromancia, que eram práticas associadas às religiões pagãs e consideradas proibidas para o povo de Deus.

Embora não haja referências diretas a bruxas em sonhos, a Bíblia contém numerosos relatos de grandes sonhos e suas interpretações. Por exemplo, vemos José a interpretar os sonhos de Faraó em Génesis 41 e Daniel a interpretar os sonhos de Nabucodonosor em Daniel 2 e 4 (Fidler, 2017, p. 2514; Hendel, 2011, p. 231). Estes sonhos muitas vezes serviram como mensagens divinas ou profecias.

É fundamental notar que, nos tempos bíblicos, os sonhos eram muitas vezes vistos como um meio de comunicação divina. Deus usou frequentemente sonhos para falar ao seu povo, como vemos com a escada de Jacó (Génesis 28:12) e os sonhos de José de proeminência futura (Génesis 37:5-10). A ausência de bruxas nos relatos bíblicos dos sonhos pode refletir a ênfase em Deus como a fonte do verdadeiro discernimento espiritual, em vez de intermediários humanos ou práticas pagãs.

Do ponto de vista cristão, é essencial abordar a interpretação dos sonhos com cautela e sempre no contexto das Escrituras. Embora Deus possa usar os sonhos para se comunicar conosco hoje, devemos ter cuidado de atribuir muito significado a cada sonho ou procurar orientação de outras fontes que não o próprio Deus e sua Palavra (Neil, 2020).

Como cristãos, se nos encontrarmos perturbados por sonhos que envolvem bruxas ou outros elementos perturbadores, é aconselhável recorrer à oração, procurar orientação nas Escrituras e, possivelmente, discutir estas preocupações com líderes espirituais de confiança. Lembrem-se, a nossa fé baseia-se no Deus vivo, não na interpretação de sonhos ou práticas supersticiosas.

O que significa sonhar com uma bruxa a partir de uma visão bíblica?

Do ponto de vista bíblico, sonhar com uma bruxa não tem necessariamente um significado específico e predeterminado. A Bíblia não fornece um dicionário de sonhos nem interpretações explícitas para tais cenários. Mas podemos abordar esta questão através das lentes da sabedoria e compreensão bíblicas.

O conceito de bruxas na Bíblia é bastante diferente das representações da cultura pop moderna. Nas Escrituras, as práticas associadas à feitiçaria (divinação, feitiçaria, necromancia) são consistentemente condenadas como rebelião contra Deus (Deuteronómio 18:10-12, Gálatas 5:19-21). Estas práticas foram vistas como tentativas de obter conhecimento ou poder espiritual fora dos meios designados por Deus (Damsma, 2022, pp. 241-269).

Se um crente sonhar com uma bruxa, poderá simbolizar várias coisas:

  1. Guerra Espiritual: Pode representar uma batalha espiritual ou uma tentação. Efésios 6:12 nos lembra que nossa luta não é contra a carne e o sangue contra as forças espirituais do mal.
  2. Medo ou Ansiedade: A bruxa pode simbolizar medos ou ansiedades na vida de uma pessoa, talvez relacionados com o desconhecido ou o reino espiritual.
  3. Necessidade de discernimento: Pode ser um impulso para exercer um maior discernimento espiritual na vida de alguém, como advertido em 1 João 4:1 para testar os espíritos.
  4. Influências passadas: Se o sonhador tem uma história com práticas ocultas, pode refletir questões não resolvidas ou a necessidade de cura e renovação contínuas da mente (Romanos 12:2).
  5. Influências culturais: Às vezes, os nossos sonhos simplesmente processam as imagens e ideias que encontramos no nosso dia-a-dia, incluindo retratos mediáticos de bruxas.

Embora Deus possa usar os sonhos para comunicar-se (Joel 2:28), nem todos os sonhos carregam uma mensagem profética ou divina. Muitas vezes, os sonhos são simplesmente as nossas mentes que processam informações e emoções (Hendel, 2011, p. 231; Horàček, 2020, pp. 3-18).

Como cristãos, somos chamados a concentrar-nos em «tudo o que é verdadeiro, tudo o que é nobre, tudo o que é certo, tudo o que é puro, tudo o que é amável, tudo o que é admirável» (Filipenses 4:8). Se estiver perturbado com esses sonhos, é sensato orar, meditar nas Escrituras e, talvez, jejuar, procurando a paz e a orientação de Deus.

A nossa segurança e identidade repousam em Cristo, não na interpretação dos sonhos. Somos encorajados a levar todos os pensamentos cativos à obediência de Cristo (2 Coríntios 10:5), incluindo a nossa vida de sonho.

Há histórias bíblicas que envolvem bruxas e sonhos?

Embora a Bíblia não contenha histórias que combinem diretamente bruxas e sonhos, existem relatos separados que envolvem cada um destes elementos que podemos examinar para obter informações.

Em relação às bruxas ou práticas semelhantes, o relato bíblico mais proeminente é o do rei Saul consultando a Feiticeira de Endor em 1 Samuel 28. Nesta história, Saul, desesperado por orientação depois que Deus se afastou dele, procura um médium para invocar o espírito do falecido profeta Samuel. Este ato constituiu uma violação direta dos mandamentos de Deus contra a necromancia e a adivinhação (Deuteronómio 18:10-12). É importante salientar que este encontro não envolve sonhos, mas ilustra a posição bíblica sobre a bruxaria e práticas semelhantes (Damsma, 2022, p. 241-269).

Quanto aos sonhos, a Bíblia está repleta de relatos dos grandes sonhos e suas interpretações. Alguns exemplos notáveis incluem:

  1. Os sonhos de José de proeminência futura (Génesis 37:5-10) e a sua interpretação posterior dos sonhos de Faraó (Génesis 41) (Hendel, 2011, p. 231).
  2. Daniel interpretando os sonhos de Nabucodonosor (Daniel 2 e 4) (Fidler, 2017, p. 2514).
  3. O sonho de Jacó de uma escada que chegasse ao céu (Génesis 28:12).
  4. José, marido de Maria, recebe orientação divina através de sonhos (Mateus 1:20-21, 2:13).

Estes relatos enfatizam os sonhos como um meio de comunicação divina, muitas vezes exigindo interpretação por indivíduos dotados por Deus com sabedoria ou discernimento especial.

Na cosmovisão bíblica, os verdadeiros sonhos e visões proféticas vêm de Deus, não de intermediários humanos ou práticas ocultas. Isso contrasta com as culturas pagãs que cercam o antigo Israel, onde a interpretação dos sonhos era frequentemente associada à adivinhação e a outras práticas condenadas nas Escrituras (Neil, 2020).

A ausência de histórias que combinem bruxas e sonhos na Bíblia pode refletir a distinção clara feita entre os métodos de comunicação aprovados por Deus (incluindo os sonhos divinamente dados) e as práticas proibidas de adivinhação e feitiçaria. Esta separação sublinha a ênfase da Bíblia na procura de sabedoria e orientação diretamente de Deus, e não através de intermediários humanos ou espirituais.

Para os cristãos de hoje, esta perspectiva bíblica encoraja-nos a abordar os sonhos com discernimento, sempre testando-os contra a verdade da Escritura e buscando sabedoria através da oração e do conselho piedoso. Embora Deus possa usar sonhos para comunicar-se conosco, nossa principal fonte de orientação deve ser Sua Palavra revelada e a liderança do Espírito Santo.

Como a Bíblia vê o significado dos sonhos em geral?

A Bíblia apresenta os sonhos como um dos principais meios de comunicação e revelação divina, embora a sua interpretação exija discernimento. Ao longo das Escrituras, vemos Deus usar sonhos para transmitir mensagens, advertências e profecias ao seu povo (Prugl, 2016, pp. 395-406).

No Antigo Testamento, exemplos notáveis incluem José interpretando os sonhos de Faraó (Génesis 41) e Daniel interpretando os sonhos de Nabucodonosor (Daniel 2 e 4). Estes relatos mostram que os sonhos podem conter um poderoso significado espiritual e que a sua interpretação exige frequentemente a sabedoria dada por Deus (Slovenko, 1995, pp. 191-201).

O profeta Joel prevê um momento em que o Espírito de Deus será derramado, resultando em sonhos e visões proféticas (Joel 2:28). Esta profecia é referenciada no Novo Testamento como sendo cumprida no Pentecostes (Atos 2:17), sugerindo que os sonhos continuam a ser uma via potencial para a comunicação divina na era cristã.

Mas a Bíblia também adverte contra dar ênfase indevida aos sonhos ou procurar orientação primariamente através deles. Eclesiastes 5:7 adverte que «em muitos sonhos e em muitas palavras há vazio», lembrando-nos que nem todos os sonhos têm significado espiritual (Prugl, 2016, pp. 395-406).

Como cristãos, somos chamados a testar todas as coisas contra a Escritura (1 Tessalonicenses 5:21) e buscar a sabedoria de Deus (Tiago 1:5). Embora os sonhos possam ser uma fonte de discernimento ou orientação divina, não devem substituir os ensinamentos claros das Escrituras ou substituir a oração e a comunhão com Deus.

Nos tempos bíblicos, os sonhos eram muitas vezes vistos como uma forma de revelação em várias culturas. A Bíblia reconhece este contexto cultural, ao mesmo tempo em que enfatiza que a verdadeira interpretação vem apenas de Deus. Isto é exemplificado na declaração de José ao Faraó: «Não posso fazê-lo, Deus dará a Faraó a resposta que ele deseja» (Génesis 41:16).

A Bíblia vê os sonhos como um meio potencial de comunicação divina também enfatiza a necessidade de discernimento, sabedoria e alinhamento com as Escrituras em sua interpretação. Os sonhos devem ser considerados ao lado de outras formas de orientação espiritual e sempre no contexto de uma relação fiel com Deus. Nesta luz, o Interpretação dos sonhos de mães falecidas pode ter um peso emocional e espiritual significativo, uma vez que esses sonhos podem proporcionar conforto ou mensagens que ressoam com as experiências e emoções do sonhador. No entanto, é crucial abordar estes sonhos cuidadosamente, assegurando-se de que seus significados não contradigam os princípios bíblicos ou nos afastem de uma fé fundamentada. Em última análise, um coração discernente, fundamentado na oração e na sabedoria das Escrituras, serve como o melhor guia para navegar nas complexidades das interpretações dos sonhos. Esta abordagem cuidadosa garante que os indivíduos não saltam para conclusões baseadas apenas em seus sonhos sem procurar mais compreensão. Por exemplo, ao explorar o Interpretação dos sonhos dos leões da montanha, Deve-se considerar os significados simbólicos associados a tais criaturas, tanto no contexto bíblico quanto na experiência pessoal. Em última análise, o objetivo é discernir a mensagem de Deus de uma forma que promova o crescimento espiritual e se alinhe com a sua verdade.

O que uma bruxa num sonho pode simbolizar espiritualmente?

Do ponto de vista cristão, a aparição de uma bruxa num sonho pode simbolizar vários conceitos espirituais, embora seja crucial abordar esse simbolismo com discernimento e à luz dos ensinamentos bíblicos.

Uma bruxa num sonho pode representar a tentação ou a guerra espiritual. Nas Escrituras, a bruxaria e a feitiçaria são consistentemente retratadas como práticas opostas à vontade de Deus (Deuteronómio 18:10-12, Gálatas 5:19-21). Assim, uma bruxa em um sonho pode simbolizar a presença de forças espirituais que procuram desviar a pessoa da fé em Deus (Kim, 2015, pp. 221-249). Esta interpretação está em consonância com a advertência do apóstolo Paulo de que «a nossa luta não é contra a carne e o sangue... contra as forças espirituais do mal nos reinos celestiais» (Efésios 6:12).

Em alternativa, a bruxa pode simbolizar áreas da vida em que existe uma dependência do poder ou controlo mundano, em vez de confiar em Deus. Na narrativa bíblica, aqueles que procuravam o poder sobrenatural fora da autoridade de Deus eram frequentemente repreendidos (por exemplo, o rei Saul consultou a bruxa de Endor em 1 Samuel 28). Assim, o sonho pode estar a provocar uma autorreflexão sobre áreas onde se pode estar a procurar o controlo através de meios inadequados, em vez de se entregar à vontade de Deus (Todd, 2010).

Psicologicamente, Carl Jung pode interpretar a bruxa como uma manifestação da «sombra» – aspetos reprimidos ou inconscientes de si mesmo. Neste contexto, o sonho pode ser um convite à integração e à cura destes aspetos sob a graça e a orientação de Deus.

Também vale a pena ter em conta que os sonhos falam frequentemente na linguagem da metáfora e do simbolismo pessoal. Para alguns indivíduos, uma bruxa pode representar sentimentos de ser mal compreendida ou falsamente acusada, talvez traçando paralelos com a caça às bruxas históricas ou preconceitos sociais (Bhattacharyya, 2011).

Mas a interpretação dos sonhos nunca deve nos afastar das verdades fundamentais de nossa fé. Como cristãos, somos chamados a "provar os espíritos para ver se são de Deus" (1 João 4:1). Qualquer interpretação deve ser ponderada contra as Escrituras e deve, em última análise, aproximar-nos mais de Cristo do que de práticas proibidas na Bíblia.

Em todos os casos, encontrar símbolos perturbadores nos sonhos pode ser um convite à oração, à procura da sabedoria de Deus e ao exame da vida espiritual. Pode ser benéfico discutir tais sonhos com conselheiros espirituais de confiança ou conselheiros que possam fornecer orientação enraizada na verdade bíblica e na compreensão psicológica.

Há algum versículo da Bíblia que fala sobre feitiçaria ou feitiçaria?

Sim, a Bíblia contém vários versículos que abordam a feitiçaria e a feitiçaria, retratando consistentemente estas práticas como contrárias à vontade de Deus e incompatíveis com a devoção fiel a Ele. Estes versículos fornecem uma orientação importante para os cristãos que procuram compreender a perspectiva bíblica sobre tais práticas.

Uma das condenações mais diretas da feitiçaria encontra-se em Êxodo 22:18, que afirma: «Não permita que uma feiticeira viva.» Este versículo, embora reflita os duros códigos jurídicos do antigo Israel, sublinha a seriedade com que tais práticas eram vistas nos tempos bíblicos (Schoenfeld, 2007, pp. 223-235).

Em Deuteronómio 18:10-12, encontramos uma lista mais abrangente de práticas proibidas: «Não se encontre entre vós ninguém que sacrifique o seu filho ou a sua filha no fogo, que pratique adivinhação ou feitiçaria, que interprete presságios, que pratique feitiçaria, que lance feitiços, que seja médium ou espírita ou que consulte os mortos. Quem faz estas coisas é abominável ao Senhor.»

O Novo Testamento também aborda estas questões. Em Gálatas 5:19-21, Paulo lista a feitiçaria (por vezes traduzida como "feitiçaria" ou "artes mágicas") entre os "atos da carne", afirmando que "aqueles que vivem assim não herdarão o reino de Deus". Do mesmo modo, em Apocalipse 21:8, os feiticeiros estão incluídos entre aqueles que serão condenados no julgamento final.

É importante compreender estes versos no seu contexto histórico e cultural. Nos tempos bíblicos, as práticas de feitiçaria e feitiçaria eram frequentemente associadas a religiões pagãs e eram vistas como tentativas de manipular forças espirituais à parte do único Deus verdadeiro (Raftery, 2002, pp. 127-142). Os autores bíblicos apelam constantemente ao povo de Deus para que confie apenas n'Ele, em vez de procurar poder ou conhecimento através destes meios.

Mas também devemos abordar estes versículos com compaixão e discernimento em nosso contexto moderno. O chamado para evitar a feitiçaria e a feitiçaria é fundamentalmente um chamado para confiar em Deus, em vez de em outros poderes espirituais ou tentativas humanas de controlar o sobrenatural. Gostaria de ressaltar que a nossa resposta aos envolvidos em tais práticas deve ser de amor e evangelização, não de medo ou hostilidade.

Estes versículos nos lembram da realidade da guerra espiritual e da importância de permanecermos enraizados em Cristo. Como Paulo escreve em Efésios 6:12, "Porque a nossa luta não é contra a carne e o sangue contra os governantes, contra as autoridades, contra os poderes deste mundo tenebroso e contra as forças espirituais do mal nos reinos celestiais."

Embora a Bíblia proíba claramente a prática da feitiçaria e da feitiçaria, fá-lo com o desejo de proteger o povo de Deus e de garantir a sua plena confiança nEle. Como cristãos, somos chamados a responder a estas questões com sabedoria, compaixão e firme compromisso com a verdade do Evangelho.

Como Deus pode usar sonhos sobre bruxas para comunicar-se conosco?

Como cristãos, acreditamos que Deus pode comunicar-se com seu povo de várias maneiras, inclusive através de sonhos. Embora a Bíblia não mencione especificamente os sonhos sobre as bruxas, podemos obter algumas informações de como Deus usou os sonhos de forma mais ampla nas Escrituras.

Em toda a Bíblia, vemos Deus usar sonhos para alertar, guiar e revelar os seus planos aos indivíduos. Por exemplo, Deus advertiu Abimeleque, num sonho, para não tocar na mulher de Abraão, Sara (Génesis 20:3-7). Deu a José sonhos que predisseram o seu futuro papel (Génesis 37:5-11). E falou a Salomão em sonho, oferecendo-lhe sabedoria (1 Reis 3:5-15). (Adderley & Wilfred, 2011)

No contexto dos sonhos sobre bruxas, Deus pode estar usando tais imagens simbolicamente para comunicar verdades espirituais ou avisos. As bruxas nos sonhos podem representar a oposição espiritual, a tentação ou o engano de que um crente precisa estar ciente e proteger-se. Alternativamente, tais sonhos podem levar-nos a examinar nossos próprios corações para quaisquer práticas ou crenças ímpias que precisam ser desenraizadas.

A interpretação dos sonhos requer discernimento e deve sempre ser testada contra as Escrituras. Como nos recorda São Paulo, «Teste tudo. Agarrai-vos ao bem" (1 Tessalonicenses 5:21). Devemos considerar em espírito de oração o conteúdo dos nossos sonhos, à procura de sabedoria de Deus e crentes maduros para compreender quaisquer mensagens potenciais.

Os sonhos com bruxas podem servir de apelo à oração – tanto para a nossa própria proteção espiritual como para aqueles que possam estar envolvidos em práticas ocultas. Cristo chama-nos a amar os nossos inimigos e a orar por aqueles que nos perseguem (Mateus 5:44), o que pode estender-se àqueles que praticam bruxaria ou outras práticas opostas à vontade de Deus.

Se Deus escolhe comunicar-se através de sonhos sobre bruxas, Seu propósito seria aproximar-nos dEle, aprofundar nossa fé e promover Seus propósitos do reino. Tal como acontece com todas as experiências espirituais, o fruto de tais sonhos deve ser maior amor a Deus e aos outros, maior santidade e um compromisso mais forte em seguir a Cristo.

O que os primeiros Padres da Igreja ensinavam acerca das bruxas em sonhos?

Muitos Padres da Igreja, influenciados tanto pelas Escrituras quanto pela filosofia greco-romana, viam os sonhos como potenciais fontes de comunicação divina. Tertuliano, por exemplo, escreveu extensivamente sobre sonhos, acreditando que poderiam ser veículos para a revelação divina. Mas também alertou para o facto de os sonhos poderem ser influenciados por demónios ou pela própria psique. (Rendsburg et al., 1987, p. 397)

Em relação à feitiçaria, a Igreja primitiva condenou universalmente sua prática como incompatível com a fé cristã. O Didaqué, um texto cristão primitivo, proíbe explicitamente a prática da magia. Padres da Igreja como Agostinho e João Crisóstomo falaram fortemente contra a feitiçaria e a adivinhação.

No contexto dos sonhos, alguns Padres podem ter interpretado os sonhos sobre as bruxas como uma guerra espiritual ou uma tentação. Evagrius Ponticus, um influente monge do século IV, desenvolveu uma compreensão sofisticada da vida espiritual que incluía o papel dos sonhos. Ele acreditava que os demónios podiam influenciar os sonhos para desviar os crentes, o que poderia potencialmente aplicar-se aos sonhos envolvendo bruxaria. (Chistyakova & Chistyakov, 2023)

A tradição greco-bizantina, representada por figuras como João Clímaco e Máximo, o Confessor, enfatizou a importância do discernimento nas experiências espirituais, incluindo os sonhos. Ensinaram que o verdadeiro conhecimento espiritual vem através da purificação do coração e da mente, não através de práticas esotéricas como a bruxaria. (Chistyakova, 2021; Chistyakova & Chistyakov, 2023)

A compreensão da Igreja primitiva sobre a feitiçaria estava frequentemente entrelaçada com práticas pagãs e idolatria. Sonhos com bruxas podem ter sido vistos como um chamado para rejeitar falsos deuses e abraçar totalmente a fé cristã.

Embora os Padres não tenham fornecido um quadro específico para a interpretação dos sonhos sobre bruxas, a sua abordagem geral dos sonhos e do discernimento espiritual sugere que teriam incentivado os crentes a:

  1. Teste tais sonhos contra a Escritura e o ensino da Igreja
  2. Orar pela sabedoria e discernimento
  3. Procure conselhos de líderes espirituais
  4. Usar experiências como motivação para uma fé e santidade mais profundas

Embora os primeiros Padres da Igreja não se dirigissem diretamente às bruxas nos sonhos, os seus ensinamentos sobre os sonhos, a guerra espiritual e o discernimento fornecem uma base para abordar essas experiências a partir de uma perspetiva cristã.

Como os cristãos podem interpretar os sonhos sobre bruxas de uma forma bíblica?

Como cristãos que procuram interpretar os sonhos sobre bruxas de uma forma bíblica, devemos abordar esta tarefa com humildade, oração e uma base firme nas Escrituras. Embora a Bíblia não forneça um «dicionário de sonhos» específico para interpretar símbolos como as bruxas, oferece princípios para discernir questões espirituais e compreender a comunicação de Deus.

Devemos lembrar-nos de que toda interpretação deve estar enraizada nas Escrituras. Como 2 Timóteo 3:16-17 nos recorda, «Toda a Escritura é inspirada por Deus e útil para ensinar, repreender, corrigir e treinar em justiça, de modo que o servo de Deus possa estar completamente equipado para toda boa obra.» Qualquer interpretação de um sonho deve alinhar-se com a verdade bíblica e não contradizer a Palavra revelada de Deus.

Devemos abordar a interpretação dos sonhos com oração, pedindo a sabedoria e o discernimento de Deus. Tiago 1:5 nos encoraja: "Se algum de vós tem falta de sabedoria, peça a Deus, que dá generosamente a todos sem encontrar culpa, e isso lhe será dado." (Adderley & Wilfred, 2011)

No contexto dos sonhos sobre bruxas, aqui estão alguns princípios bíblicos a serem considerados:

  1. Guerra Espiritual: A Bíblia reconhece a realidade das forças espirituais opostas a Deus (Efésios 6:12). Os sonhos com bruxas podem representar a oposição espiritual ou a tentação na sua vida.
  2. Chamado à Santidade: Tais sonhos poderiam ser um lembrete de "não ter nada a ver com as ações infrutíferas das trevas" (Efésios 5:11). Eles podem provocar auto-exame e arrependimento de quaisquer práticas ímpias.
  3. Oração de intercessão: Sonhos com bruxas podem ser um chamado para orar por aqueles envolvidos em práticas ocultas, lembrando-nos de que nossa batalha não é contra a carne e o sangue (Efésios 6:12).
  4. Teste os Espíritos: 1 João 4:1 nos instrui a "testar os espíritos para ver se são de Deus". Isto também se aplica às experiências de sonho.
  5. Simbolismo: Na profecia bíblica, as práticas estrangeiras muitas vezes simbolizavam a infidelidade a Deus. Os sonhos com bruxas podem representar simbolicamente áreas de compromisso na fé.
  6. O poder de Deus: Tais sonhos podem ser um lembrete do poder supremo de Deus sobre todas as forças espirituais (Colossenses 2:15).

É fundamental interpretar os sonhos em comunidade, procurando a sabedoria de crentes maduros e líderes espirituais. Provérbios 11:14 afirma: "Por falta de orientação, uma nação cai vitória é conquistada através de muitos conselheiros."

Por fim, o fruto de qualquer interpretação de sonho deve ser maior amor a Deus e aos outros, maior fé e um compromisso mais forte em seguir a Cristo. Se uma interpretação leva ao medo, à confusão ou à divisão, é provável que não provenha de Deus.

Lembre-se de que, embora Deus possa falar através de sonhos, eles não estão a par com as Escrituras. A nossa principal fonte de orientação deve ser sempre a Palavra revelada de Deus, iluminada pelo Espírito Santo e compreendida no contexto da comunidade cristã.

Há alguma advertência na Bíblia sobre confiar nas interpretações dos sonhos?

Sim, a Bíblia contém várias advertências sobre confiar demasiado nos sonhos e nas suas interpretações. Embora as Escrituras reconheçam que Deus pode e se comunica através dos sonhos às vezes, também adverte contra colocar ênfase indevida neles ou procurar orientação principalmente através dos sonhos.

Uma das advertências mais claras vem de Jeremias 23:25-28, onde Deus fala contra os falsos profetas que afirmam ter sonhos proféticos:

«Ouvi o que dizem os profetas que profetizam mentiras em meu nome. Dizem: «Tive um sonho! Tive um sonho!» Até quando isto continuará no coração destes profetas mentirosos, que profetizam as ilusões das suas próprias mentes? ... Que o profeta que tem um sonho conte o sonho, que aquele que tem a minha palavra o diga fielmente." (Adderley & Wilfred, 2011)

Esta passagem adverte contra aqueles que elevariam os seus próprios sonhos ao nível da revelação divina, salientando que a Palavra de Deus deve ter precedência sobre os sonhos ou visões pessoais.

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