Os pepinos são mencionados na Bíblia?




  • Os pepinos são mencionados na Bíblia em Números 11:5, onde os israelitas relembram os alimentos que perderam do Egito, destacando a nostalgia humana.
  • Em Isaías 1:8, os pepinos são utilizados metaforicamente para ilustrar a vulnerabilidade e o isolamento de Jerusalém, salientando a insegurança terrena.
  • Historicamente, os pepinos eram cultivados no antigo Egito e Israel, valorizados por seu alto teor de água e versatilidade na culinária e preservação.
  • As lições espirituais retiradas dos pepinos incluem a importância da confiança na provisão de Deus, da comunidade na fé e da procura de significado espiritual na vida quotidiana.

Os pepinos são mencionados na Bíblia?

A primeira menção de pepinos aparece no livro de Números, capítulo 11, versículo 5. Aqui, encontramos os israelitas no deserto, ansiosos pelos alimentos que desfrutaram no Egito: «Lembramo-nos dos peixes que comemos no Egito sem qualquer custo — também os pepinos, os melões, os alhos franceses, as cebolas e os alhos.» Esta passagem revela-nos a tendência humana para romantizar o passado, mesmo quando esse passado envolvia escravatura e opressão. Os israelitas, enfrentando os desafios de sua viagem à Terra Prometida, esqueceram-se momentaneamente da provisão milagrosa de maná do céu e, em vez disso, ansiaram pelos confortos familiares de suas vidas anteriores.

A segunda referência aos pepinos é encontrada no livro de Isaías, capítulo 1, versículo 8. O profeta usa uma imagem agrícola vívida para descrever o estado vulnerável de Jerusalém: «A filha de Sião é deixada como um abrigo numa vinha, como uma cabana num campo de pepinos, como uma cidade sitiada.» Esta comparação poética evoca uma sensação de isolamento e fragilidade, uma vez que um simples abrigo está sozinho no meio da colheita.

Estas duas menções aos pepinos, embora limitadas, servem para nos lembrar de importantes verdades espirituais. Falam da nossa natureza humana, das nossas lutas com contentamento e dos desafios enfrentados pelo povo de Deus ao longo da história. O pepino, um vegetal comum, torna-se um símbolo de nostalgia e vulnerabilidade nestes contextos bíblicos.

Ao contemplarmos estas passagens, vamos refletir sobre nossas próprias vidas. Com que frequência, como os israelitas, ansiamos por confortos passados em vez de confiar na provisão de Deus para o nosso presente e futuro? E em tempos de seca ou desafio espiritual, sentimo-nos tão expostos e isolados como aquele abrigo no campo de pepinos? Confortemo-nos em saber que Deus usa até mesmo os elementos mais simples de Sua criação para ensinar-nos poderosas lições sobre fé, confiança e Sua presença duradoura em nossas vidas (Baude, 1959, p. 367; Cleaver, 2023, pp. 5-20).

Qual é o contexto histórico dos pepinos durante os tempos bíblicos?

Para compreender verdadeiramente o significado dos pepinos na Bíblia, devemos viajar de volta no tempo para o antigo Oriente Próximo. Os pepinos, conhecidos cientificamente como Cucumis sativus, têm sido cultivados há milhares de anos, com suas origens na Índia. Na época das narrativas bíblicas, os pepinos eram culturas bem estabelecidas no Egito e nas regiões circundantes, incluindo o antigo Israel.

No clima quente e árido do Oriente Médio, os pepinos eram valorizados por seu alto teor de água e propriedades de resfriamento. Não eram as grandes variedades verdes escuras que normalmente vemos nos supermercados modernos, mais pequenas, mais pálidas e muitas vezes com um sabor ligeiramente amargo. Estes pepinos antigos, por vezes denominados «melões de cobra» ou «pepinos de cobra», constituíam uma parte importante da dieta das pessoas de todas as classes sociais.

O contexto histórico dos pepinos durante os tempos bíblicos está intimamente ligado à agricultura e à vida diária. No antigo Egito, onde os israelitas tinham sido escravizados, os pepinos eram cultivados ao longo das margens férteis do rio Nilo. Eles eram tão valorizados que eram frequentemente retratados na arte e hieróglifos egípcios antigos. Isso explica por que os israelitas, como mencionado em Números 11:5, recordaram especificamente os pepinos entre os alimentos que perderam do Egito (Janick & Paris, 2022).

No antigo Israel, os pepinos eram tipicamente cultivados em pequenas parcelas de jardim ou campos maiores, muitas vezes ao lado de outros vegetais e frutas. A referência em Isaías 1:8 a uma «cabana num campo de pepinos» dá-nos um vislumbre das práticas agrícolas da época. Estes abrigos simples foram construídos para vigias que guardavam as colheitas de ladrões e animais, especialmente à medida que o tempo de colheita se aproximava.

Curiosamente, descobertas arqueológicas recentes lançaram luz sobre técnicas agrícolas antigas. Em Israel, restos de encostas em socalcos e sistemas de irrigação foram encontrados, sugerindo práticas agrícolas sofisticadas que teriam incluído o cultivo de pepino. Os israelitas, ao se estabelecerem na Terra Prometida, teriam adaptado essas técnicas ao seu novo ambiente.

Do ponto de vista nutricional, os pepinos foram valorizados não só pelo seu teor de água, mas também pela sua versatilidade. Podem ser consumidos frescos, em conserva ou utilizados em vários pratos. Em uma sociedade onde a preservação de alimentos era crucial, a capacidade de picar pepinos tornou-os um recurso valioso ao longo do ano.

Ao considerarmos este contexto histórico, somos recordados da providência de Deus em proporcionar sustento ao seu povo, mesmo em ambientes difíceis. O pepino, um simples vegetal, torna-se um testemunho do engenho dos antigos agricultores e da riqueza da criação de Deus. Serve também de elo tangível com a vida quotidiana daqueles que percorreram as terras da Bíblia, ajudando-nos a compreender melhor e a relacionar-nos com as suas experiências (Amzallag, 2021; Ebeling, 2010).

Como os pepinos eram usados ou vistos no antigo Israel?

À medida que investigamos mais profundamente o papel dos pepinos no antigo Israel, descobrimos uma história fascinante de uso prático, significado cultural e simbolismo espiritual. Estes humildes vegetais, tão facilmente esquecidos, oferecem-nos insights poderosos sobre a vida diária e as jornadas espirituais de nossos antepassados na fé.

No antigo Israel, os pepinos eram valorizados principalmente por seus usos práticos. Como uma cultura adequada ao clima mediterrânico, eram amplamente cultivadas em pequenas parcelas de jardim e campos maiores. A natureza fresca e estaladiça dos pepinos tornou-os uma comida refrescante no clima quente da Terra Santa. Muitas vezes, eram consumidos crus, proporcionando hidratação e nutrição aos trabalhadores que trabalhavam sob o sol escaldante. Este aspeto prático recorda-nos a provisão de Deus para o seu povo, mesmo em ambientes difíceis.

Além de seu uso como alimento fresco, os pepinos também foram preservados através da decapagem. Esta técnica, provavelmente aprendida durante o tempo no Egito e aperfeiçoada em Israel, permitiu que os pepinos fossem apreciados durante todo o ano. A capacidade de preservar alimentos era crucial nos tempos antigos, e os pepinos decapados tornaram-se um grampo em muitas casas. Esta prática de preservação pode ser vista como uma metáfora de como nós, como cristãos, somos chamados a preservar e partilhar os ensinamentos de Cristo ao longo de todas as estações da vida.

Culturalmente, os pepinos ocupavam um lugar especial na antiga sociedade israelita. Não eram apenas um item alimentar, mas um símbolo do estilo de vida agrário que era central para a identidade israelita. O cultivo de pepinos, juntamente com outras culturas, ligava o povo à terra prometida por Deus. Esta ligação com a terra não era apenas física, mas profundamente espiritual, lembrando aos israelitas de sua relação de aliança com o Todo-Poderoso.

A menção de pepinos em Números 11:5, onde os israelitas recordam ansiosamente os alimentos do Egito, revela outro aspecto de como os pepinos eram vistos. Tornaram-se um símbolo da tensão entre os confortos familiares do passado e o caminho incerto da fé. Esta tensão é algo que ainda hoje enfrentamos, uma vez que nos esforçamos por confiar no plano de Deus para as nossas vidas, mesmo quando nos afasta do que é confortável e conhecido.

Na literatura profética, particularmente em Isaías 1:8, a imagem de um abrigo num campo de pepino é usada para transmitir vulnerabilidade e isolamento. Este uso poético sugere que os pepinos eram tão comuns que podiam ser usados em metáforas que seriam facilmente compreendidas pelo público. Fala da profunda integração da vida agrícola nas expressões espirituais e literárias do antigo Israel.

Os pepinos têm algum significado simbólico na Bíblia?

Mas podemos extrair algumas percepções espirituais dos contextos em que os pepinos aparecem. Em Números 11:5, os israelitas recordam ansiosamente os pepinos que comiam no Egito, juntamente com outros alimentos. Aqui, os pepinos simbolizam a tentação de olhar para as nossas vidas antigas antes de seguir o chamado de Deus, em vez de confiar na sua providência para o futuro (Camerling et al., 2021, p. 86). Esta passagem lembra-nos que o nosso caminho de fé às vezes envolve deixar para trás confortos mundanos para um propósito espiritual maior.

Em Isaías 1:8, o profeta utiliza a imagem de «um abrigo num campo de pepinos» para descrever o estado isolado de Jerusalém. Esta metáfora evoca a natureza temporária e frágil da segurança terrena em comparação com a proteção eterna que Deus oferece (Camerling et al., 2021, p. 86). Assim como um abrigo em um campo de pepino está exposto e vulnerável, também estamos quando confiamos apenas nas defesas mundanas em vez da proteção divina.

Embora não sejam explicitamente simbólicos, os pepinos nas Escrituras podem levar-nos a refletir sobre temas como a tentação, a confiança na provisão de Deus e o contraste entre segurança terrestre e celestial. Como seguidores de Cristo, somos chamados a olhar além do mero sustento físico para o alimento espiritual que Deus proporciona. Lembremo-nos de que nossa verdadeira satisfação não vem dos alimentos que comemos de fazer a vontade de nosso Pai Celestial e participar do Pão da Vida, Jesus Cristo, nosso Senhor.

Há histórias bíblicas ou passagens que envolvem pepinos?

Embora os pepinos não desempenhem um papel central em nenhuma das principais narrativas bíblicas, eles são mencionados em algumas passagens importantes que nos oferecem oportunidades para a reflexão espiritual e o crescimento em nossa viagem de fé.

A referência mais proeminente aos pepinos nas Escrituras ocorre no Livro dos Números, capítulo 11, versículos 5-6. Aqui, encontramos os israelitas queixando-se de sua dieta de maná no deserto, dizendo: «Lembramo-nos do peixe que comemos no Egito sem qualquer custo — também os pepinos, os melões, os alhos franceses, as cebolas e os alhos. Mas agora perdemos o apetite. nunca vemos nada além deste maná!» (Camerling et al., 2021, p. 86)

Esta passagem revela a tendência humana para romantizar o passado e esquecer as bênçãos de Deus no presente. Os israelitas, apesar de serem libertados da escravidão, ansiavam pela variedade de alimentos que tinham no Egito, incluindo pepinos. Esta história ensina-nos sobre os perigos da ingratidão e a importância de confiar na provisão de Deus, mesmo quando não corresponde às nossas expectativas ou desejos.

Outra menção de pepinos aparece no livro de Isaías, capítulo 1, versículo 8: «A filha de Sião é deixada como um abrigo numa vinha, como uma cabana num campo de pepinos, como uma cidade sitiada.» (Camerling et al., 2021, p. 86) Aqui, o profeta utiliza a imagem de um abrigo num campo de pepinos para ilustrar o estado isolado e vulnerável de Jerusalém devido à desobediência do povo a Deus.

Estas passagens, embora breves, oferecem insights poderosos sobre a natureza humana e a nossa relação com Deus. Lembram-nos da importância da gratidão, confiança e obediência em nossa vida espiritual. Enquanto cristãos, somos chamados a olhar para além das nossas circunstâncias e desejos imediatos, confiando na sabedoria de Deus e na provisão das nossas vidas.

O que os Padres da Igreja ensinaram sobre os pepinos ou o seu significado?

À medida que exploramos os ensinamentos dos Padres da Igreja em relação aos pepinos, devemos abordar este tópico com rigor acadêmico e humildade espiritual. Embora os Padres da Igreja não tenham escrito extensivamente sobre os pepinos especificamente, suas interpretações das passagens bíblicas que mencionam os pepinos oferecem-nos informações valiosas sobre o pensamento cristão primitivo e a sabedoria espiritual.

São João Crisóstomo, nas suas homilias sobre o Livro dos Números, reflete sobre o anseio dos israelitas por pepinos e outros alimentos provenientes do Egito. Considera que este desejo é uma manifestação de gula e ingratidão para com a provisão de Deus. Crisóstomo ensina-nos que tais desejos por prazeres mundanos podem distrair-nos do nosso caminho espiritual e da graça abundante que Deus nos proporciona (КлРÐÐ1⁄4Ð3⁄4Ð2, 2022). Esta interpretação nos encoraja a examinar nossos próprios corações e considerar se, às vezes, também priorizamos o conforto físico em detrimento do alimento espiritual.

Orígenes, em suas interpretações alegóricas das Escrituras, viu os pepinos mencionados em Números como representando os prazeres "aquosos" do mundo que carecem de substância verdadeira. Ele contrastou estes com o alimento espiritual sólido que Deus fornece, encorajando os crentes a procurarem alimento da sabedoria divina em vez de delícias terrenas passageiras (КлР̧Ð1⁄4Ð3⁄4Ð2, 2022). Esta perspectiva convida-nos a refletir sobre a qualidade da nossa dieta espiritual e a cultivar o gosto pelas coisas de Deus.

Santo Agostinho, embora não comentando diretamente os pepinos, falou frequentemente sobre os perigos da nostalgia do passado pecaminoso, que se alinha com o anseio dos israelitas pelos alimentos egípcios. Ele ensinou que tais olhares retrógrados podem impedir o nosso progresso na vida cristã e que, em vez disso, devemos fixar os olhos em Cristo e na Jerusalém celestial (КлРÐÐ1⁄4Ð3⁄4Ð2, 2022).

Embora estes ensinamentos não se concentrem explicitamente nos pepinos, eles usam as referências bíblicas a estes vegetais como pontos de partida para reflexões espirituais mais profundas. Os Padres da Igreja encorajam-nos consistentemente a olhar para além do significado literal das Escrituras para encontrar alimento espiritual e orientação para as nossas vidas.

Ao contemplarmos estes ensinamentos, perguntemo-nos: Somos nós, como os israelitas, por vezes tentados a ansiar pelos «pepinos» do nosso passado? Como podemos cultivar uma apreciação mais profunda pelo sustento espiritual que Deus proporciona? Que a sabedoria dos Padres da Igreja nos inspire a crescer na fé, na gratidão e no discernimento espiritual.

Como os pepinos se comparam a outras plantas ou alimentos mencionados na Bíblia?

Os pepinos são mencionados apenas algumas vezes nas Escrituras, sobretudo em Números 11:5 e Isaías 1:8. Em comparação com outras plantas e alimentos na Bíblia, os pepinos desempenham um papel relativamente pequeno. Mas a sua presença oferece-nos uma oportunidade para uma reflexão mais profunda.

Muitas plantas das Escrituras têm um poderoso significado simbólico – o ramo de oliveira que representa a paz, a figueira que simboliza Israel ou a semente de mostarda que ilustra a fé. Cereais como o trigo e a cevada são frequentemente mencionados, muitas vezes em ligação com a provisão de Deus. Frutos como uvas, figos e romãs estão associados à abundância da Terra Prometida.

Em contraste, os pepinos aparecem em um contexto mais mundano. Em Números 11:5, os israelitas recordam ansiosamente os pepinos que comiam no Egito, juntamente com outros alimentos como melões, alhos franceses, cebolas e alho. Esta referência coloca os pepinos entre os alimentos do dia-a-dia, em vez de itens de especial significado espiritual.

No entanto, esta normalidade pode ser instrutiva. Enquanto símbolos dramáticos como arbustos ardentes ou mares separados captam a nossa imaginação, Deus muitas vezes trabalha através do lugar-comum. O pepino recorda-nos que, mesmo nos aspetos rotineiros da vida, podemos encontrar nutrição e crescimento espirituais. Assim como os pepinos forneceram sustento físico, nossas experiências diárias podem alimentar nossas almas se nos aproximarmos deles com atenção fiel.

Em Isaías 1:8, um campo de pepino serve como um símile para o isolamento e a vulnerabilidade. Este uso sugere que mesmo imagens agrícolas simples podem transmitir verdades poderosas sobre a nossa condição espiritual. Embora não seja tão majestoso como os cedros do Líbano ou tão celebrado como a videira, o pepino humilde ainda encontra o seu lugar na Palavra de Deus, recordando-nos que nenhuma parte da criação é demasiado humilde para servir os Seus propósitos (Lázaro et al., 2019, pp. 1145-1154; Salihović et al., 2022).

O que os cristãos podem aprender com as referências bíblicas aos pepinos, se houver?

Embora os pepinos possam parecer uma fonte improvável de sabedoria espiritual, suas menções bíblicas oferecem lições valiosas para os cristãos de hoje. Consideremos o que podemos extrair destas referências.

O anseio dos israelitas pelos pepinos em Números 11:5 fala da nossa tendência humana para romantizar o passado, mesmo quando esse passado envolvia escravatura e opressão. O povo tinha sido milagrosamente libertado do Egito, mas, em seu desconforto atual, ansiava pelos alimentos familiares de seu cativeiro. Isso serve como um lembrete pungente para nos protegermos contra a nostalgia que pode impedir nosso progresso espiritual. Assim como Deus estava conduzindo os israelitas a um futuro melhor, Ele muitas vezes chama-nos para fora de nossas zonas de conforto para o nosso bem final.

Esta passagem ilustra a facilidade com que podemos nos fixar em confortos físicos à custa do crescimento espiritual. A preocupação dos israelitas com os pepinos e outros alimentos refletia uma insatisfação mais profunda com a provisão de maná por parte de Deus. Enquanto cristãos, somos desafiados a examinar as nossas próprias prioridades. Estamos nós, como os israelitas, por vezes mais preocupados em satisfazer os nossos desejos imediatos do que em confiar no plano de Deus para as nossas vidas?

A referência em Isaías 1:8 a «um abrigo num campo de pepinos» apresenta outra oportunidade de aprendizagem. Esta imagem de isolamento em meio à abundância pode lembrar-nos da importância da comunidade em nosso caminho de fé. Assim como um abrigo solitário num campo é vulnerável, também nós estamos em risco quando nos isolamos dos outros crentes. Esta metáfora encoraja-nos a permanecer ligados ao corpo de Cristo, apoiando e sendo apoiados pelos nossos irmãos e irmãs na fé.

A própria ordinalidade dos pepinos nestas passagens pode nos ensinar a encontrar Deus nos aspectos cotidianos da vida. Embora possamos desejar experiências espirituais dramáticas, Deus muitas vezes nos fala através do lugar-comum. As referências aos pepinos recordam-nos que devemos estar atentos à presença de Deus e às lições da nossa rotina diária.

Por último, estas passagens convidam-nos a refletir sobre a nossa atitude em relação à provisão de Deus. Somos nós, como os israelitas, propensos a reclamar sobre o que nos falta em vez de apreciar o que temos? O pepino, na sua simplicidade, pode tornar-se um símbolo de gratidão pelas bênçãos diárias de Deus, por mais humildes que pareçam (Lázaro et al., 2019, pp. 1145-1154; Salihović et al., 2022).

Como as culturas antigas na Bíblia viam ou usavam pepinos?

Nas culturas antigas das terras bíblicas, os pepinos ocupavam um lugar importante na vida diária e na agricultura. Compreender o seu papel pode enriquecer a nossa apreciação das referências bíblicas e do contexto cultural das Escrituras.

Os pepinos eram amplamente cultivados no Egito e em outras partes do Oriente Próximo, valorizados por suas propriedades de resfriamento em climas quentes. Eles eram muitas vezes comidos crus ou usados em vários pratos, proporcionando hidratação e nutrição. A menção nostálgica dos israelitas aos pepinos em Números 11:5 reflete a sua importância na dieta egípcia.

No antigo Egito, os pepinos não eram apenas comida, mas também tinham um significado simbólico. Eles estavam associados com a fertilidade e ressurreição, muitas vezes incluídos em oferendas de túmulos. Este pano de fundo cultural acrescenta profundidade à nossa compreensão de por que os israelitas poderiam ter especificamente lembrado pepinos entre os alimentos que perderam.

Evidências arqueológicas sugerem que o cultivo de pepino estava bem estabelecido na região na época do Êxodo. A capacidade da planta para prosperar em condições áridas tornou-a uma cultura valiosa no clima difícil do Médio Oriente. Esta resiliência pode ter feito dos pepinos um símbolo de adaptabilidade e sobrevivência em ambientes agressivos.

Na antiga Mesopotâmia, os pepinos eram mencionados em textos médicos, indicando seus benefícios percebidos para a saúde. Eles foram usados em vários remédios, mostrando a antiga compreensão da comida como medicina. Esta utilização medicinal acrescenta outra camada à nossa compreensão do valor dos pepinos nos tempos bíblicos.

A referência a um «abrigo num campo de pepinos» em Isaías 1:8 dá-nos uma ideia das práticas agrícolas. Os vigilantes ficavam nesses abrigos para proteger colheitas valiosas de ladrões e animais, sugerindo que os campos de pepino eram considerados dignos de proteção. Esta imagem teria sido facilmente compreendida pelo público de Isaías, tornando-a uma metáfora eficaz para a vulnerabilidade e o isolamento.

No contexto mais amplo da antiga literatura do Oriente Próximo, os pepinos às vezes apareciam em provérbios e provérbios, muitas vezes representando algo de pouco valor ou facilmente perecível. Esta utilização contrasta de forma interessante com o anseio dos israelitas por pepinos, salientando a forma como as perspetivas sobre até mesmo os alimentos comuns podem variar.

Compreender essas visões culturais e usos de pepinos ajuda-nos a apreciar melhor as referências bíblicas. Lembra-nos que a Escritura está enraizada em experiências do mundo real e práticas culturais, mesmo que transmita verdades espirituais intemporais. À medida que refletimos sobre estas perspetivas antigas, somos convidados a considerar de que forma os nossos próprios pressupostos culturais podem influenciar a nossa leitura das Escrituras e a nossa vida espiritual (Lázaro et al., 2019, pp. 1145-1154; Salihović et al., 2022; Subramanian & Belal, 2022).

Que lições espirituais, se houver, podem ser tiradas dos pepinos em um contexto bíblico?

Embora os pepinos possam parecer uma fonte improvável de sabedoria espiritual, a sua presença nas Escrituras oferece várias lições valiosas para a nossa viagem de fé. Consideremos, em espírito de oração, os insights espirituais que podemos obter destes humildes vegetais em seu contexto bíblico.

O anseio dos israelitas pelos pepinos em Números 11:5 pode ensinar-nos sobre o contentamento e a confiança na provisão de Deus. O povo tinha sido milagrosamente libertado da escravatura, mas queixava-se das circunstâncias atuais, ansiando pelos alimentos familiares do Egito. Esta tendência humana de idealizar o passado à custa do reconhecimento das bênçãos atuais de Deus é uma tendência contra a qual devemos precaver-nos. Como nos recorda São Paulo, devemos aprender a contentar-nos em todas as circunstâncias (Filipenses 4:11-13), confiando que o plano de Deus para nós é, em última análise, para o nosso bem.

Esta passagem nos convida a refletir sobre nossos próprios apetites espirituais. Estamos nós, como os israelitas, às vezes mais focados em satisfazer nossos desejos físicos do que em nutrir nossas almas? O pepino, em sua simplicidade, pode tornar-se um símbolo lembrando-nos de fome e sede de justiça (Mateus 5:6), em vez de estar excessivamente preocupado com confortos mundanos.

A imagem de um «abrigo num campo de pepino» de Isaías 1:8 oferece outra lição espiritual. Esta metáfora do isolamento em meio à abundância pode lembrar-nos da importância da comunidade em nossa jornada de fé. Assim como um abrigo solitário é vulnerável, também nós estamos em risco quando nos isolamos do corpo de Cristo. Isto encoraja-nos a permanecer ligados à nossa comunidade de fé, apoiando e sendo apoiados pelos nossos irmãos e irmãs em Cristo (Hebreus 10:24-25).

A própria ordinalidade dos pepinos nestas passagens pode nos ensinar a encontrar Deus nos aspectos cotidianos da vida. Embora possamos desejar experiências espirituais dramáticas, Deus muitas vezes nos fala através do lugar-comum. As referências ao pepino recordam-nos que devemos estar atentos à presença de Deus e às lições da nossa rotina diária, fazendo eco da verdade de que toda a criação declara a glória de Deus (Salmo 19:1).

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