Apóstolos vs. Discípulos: Limpar a confusão




  • Um discípulo é um seguidor e aprendiz de Jesus, enquanto um apóstolo é especificamente enviado com a missão de espalhar o Evangelho.
  • Jesus escolheu doze apóstolos, distintos do grupo maior de discípulos, para serem testemunhas oculares e líderes da Igreja primitiva.
  • Os apóstolos tinham autoridade única para pregar, realizar milagres e guiar a Igreja, enquanto todos os crentes são chamados a ser discípulos.
  • Na Igreja moderna, todos os cristãos batizados são considerados discípulos, e os líderes da Igreja, como os bispos, continuam a missão apostólica.

Qual é a definição básica de "apóstolo" versus "discípulo"?

Para compreender a diferença entre um apóstolo e um discípulo, devemos olhar para o exemplo de Jesus Cristo e da Igreja primitiva. No seu âmago, um discípulo é um seguidor e aluno de um professor ou mestre. No contexto cristão, os discípulos são aqueles que seguem Jesus, aprendem com os seus ensinamentos e esforçam-se por imitar a sua vida de amor e serviço.

A palavra «discípulo» vem do latim «discipulus», que significa estudante ou aprendente. Todos somos chamados a ser discípulos de Cristo, a abrir o nosso coração à sua mensagem e a permitir que ela transforme a nossa vida. Como Jesus disse: «Se permanecerdes na minha palavra, verdadeiramente sereis meus discípulos» (João 8:31). O discipulado é um percurso ao longo da vida de crescimento na fé, na compreensão e na obediência à vontade de Deus.

Um apóstolo, por outro lado, tem um papel e uma vocação mais específicos. O termo «apóstolo» vem do grego «apostolos», que significa «aquele que é enviado». Embora todos os apóstolos tenham sido primeiros discípulos, nem todos os discípulos se tornaram apóstolos. Os apóstolos foram escolhidos e comissionados por Jesus para serem seus representantes, difundirem o Evangelho e estabelecerem e liderarem a Igreja primitiva.

Os apóstolos tinham uma autoridade e responsabilidade únicas. Foram testemunhas oculares do ministério, da morte e da ressurreição de Jesus, tendo-lhes sido confiada a tarefa de partilhar esta Boa Nova com o mundo. Como São Paulo escreveu: «Portanto, somos embaixadores de Cristo, como se Deus apelasse através de nós» (2 Coríntios 5:20).

É importante recordar que tanto os discípulos como os apóstolos desempenham um papel crucial na vida da Igreja. Enquanto os apóstolos tinham uma missão especial, todos nós somos chamados a ser discípulos, a crescer na nossa fé e a partilhar o amor de Cristo com os outros. Muitas vezes recordo aos fiéis que somos todos discípulos missionários, chamados a levar a alegria do Evangelho a todos os cantos do mundo.

Um discípulo é um seguidor e um aprendiz, enquanto um apóstolo é um enviado especificamente com uma missão. Ambos são vitais para a vida e o crescimento da Igreja, e ambos exigem um profundo compromisso com Cristo e seus ensinamentos. Rezemos pela graça de sermos discípulos fiéis e, à nossa maneira, apóstolos do amor de Cristo no mundo de hoje.

Quantos apóstolos estavam lá comparados aos discípulos?

Quando consideramos o número de apóstolos em comparação com os discípulos, devemos lembrar que estes números refletem não apenas estatísticas, mas a bela tapeçaria de fé e comunidade que Jesus teceu durante seu ministério terreno.

Comecemos pelos apóstolos. Os Evangelhos nos dizem que Jesus escolheu doze apóstolos, um número rico em simbolismo, recordando as doze tribos de Israel. Estes homens eram Simão Pedro, André, Tiago e João, os filhos de Zebedeu, Filipe, Bartolomeu, Tomé, Mateus, Tiago, filho de Alfaeus, Tadeu, Simão, o Zelote, e Judas Iscariotes. Após a traição de Judas, Matias foi escolhido para ocupar o seu lugar, mantendo o número em doze (Atos 1:26).

Mas não devemos limitar nossa compreensão do apostolado apenas a estes doze. O Novo Testamento também reconhece outros como apóstolos, sobretudo Paulo, que se referiu a si mesmo como «um apóstolo de Cristo Jesus pela vontade de Deus» (2 Coríntios 1:1). Barnabé também é chamado de apóstolo (Atos 14:14), assim como Tiago, o irmão de Jesus (Gálatas 1:19) e possivelmente outros.

Quando se trata de discípulos, o número é muito maior e menos definido. Jesus tinha muitos seguidores que podiam ser considerados discípulos. Os Evangelhos mencionam um grupo de setenta (ou setenta e dois) discípulos que Jesus enviou para pregar (Lucas 10:1-24). Mas, além disso, havia incontáveis outros que seguiam a Jesus, aprendiam com Ele e procuravam viver de acordo com os Seus ensinamentos.

Lemos nos Atos dos Apóstolos que, após a ascensão de Jesus, o número de discípulos em Jerusalém cresceu rapidamente. Só no Pentecostes, cerca de três mil pessoas foram batizadas e acrescentadas ao seu número (Atos 2:41). A comunidade de discípulos continuou a crescer, espalhando-se além de Jerusalém até a Judeia, Samaria e até os confins da terra.

É importante compreender que, embora o número de apóstolos tenha sido limitado, o apelo ao discipulado é universal. Jesus convida todas as pessoas a segui-lo, a aprender com ele e a viver no seu amor. Como digo muitas vezes, a Igreja não é um clube exclusivo para poucos, mas uma casa com portas abertas para todos os que procuram Deus.

Em nosso contexto moderno, podemos dizer que, enquanto havia dezenas de apóstolos, havia milhares de discípulos na Igreja primitiva, e agora há milhões de discípulos em todo o mundo. Cada um de nós, através do Baptismo, é chamado a ser discípulo de Cristo, a crescer na fé e a partilhá-la com os outros.

Não nos deixemos apanhar em números, mas concentremo-nos na qualidade do nosso discipulado. Será que seguimos verdadeiramente a Cristo? Estamos a aprender com a sua palavra e o seu exemplo? Estamos a permitir que o Seu amor transforme as nossas vidas e as vidas dos que nos rodeiam? Estas são as questões que mais importam.

Lembremo-nos, se nos contamos entre os muitos ou entre os poucos, o que mais importa é que nos contamos como pertencentes a Cristo, esforçando-nos todos os dias para ser Seus discípulos fiéis no mundo.

Que papéis especiais ou autoridade tinham os apóstolos que os discípulos não tinham?

Quando consideramos os papéis especiais e a autoridade dos apóstolos, devemos lembrar que a sua vocação não era para a sua própria glória, mas para o serviço do povo de Deus e a difusão do Evangelho.

Os apóstolos foram escolhidos pelo próprio Jesus e receberam uma missão única. Como lemos no Evangelho de Marcos, «Ele designou doze para que estivessem com ele e os enviasse a pregar e a ter autoridade para expulsar os demónios» (Marcos 3:14-15). Esta seleção pessoal por Cristo deu aos apóstolos uma autoridade e uma responsabilidade especiais.

Os apóstolos foram testemunhas oculares do ministério, da morte e da ressurreição de Jesus. Esta experiência em primeira mão deu-lhes uma capacidade única de testemunhar a verdade do Evangelho. Como Pedro proclamou: «Somos testemunhas de tudo o que fez no país dos judeus e em Jerusalém» (Atos 10:39). Este papel como testemunhas foi crucial na propagação inicial do cristianismo.

Outro aspeto fundamental da autoridade dos apóstolos foi o seu papel na criação e liderança da Igreja primitiva. Vemos isso claramente nos Atos dos Apóstolos, onde tomam decisões importantes, resolvem disputas e fornecem orientação à crescente comunidade de crentes. Por exemplo, foram os apóstolos que decidiram como abordar a questão dos convertidos gentios e a lei judaica (Atos 15).

Os apóstolos também desempenharam um papel especial no ensino e na interpretação da mensagem de Jesus. Foi-lhes confiada a tarefa de transmitir fielmente os ensinamentos de Cristo e aplicá-los a novas situações. Como Paulo escreveu: "Portanto, irmãos, estai firmes e apegai-vos aos ensinamentos que vos transmitimos, seja de boca em boca, seja por carta" (2 Tessalonicenses 2:15).

Os apóstolos receberam autoridade para realizar milagres como sinal do poder de Deus através deles. Lemos numerosos relatos em Atos dos apóstolos que curam os doentes e até ressuscitam os mortos, sempre em nome de Jesus Cristo.

Os apóstolos também tiveram um papel único na formação das Escrituras. Seus ensinos e escritos, guiados pelo Espírito Santo, tornaram-se a base do Novo Testamento. Como a Igreja ensina, os apóstolos «entregaram, pela palavra falada da sua pregação, pelo exemplo que deram, pelas instituições que estabeleceram, o que eles próprios tinham recebido» (Catecismo da Igreja Católica, 76).

Finalmente, os apóstolos tinham uma autoridade especial para conferir o Espírito Santo através da imposição das mãos, uma prática que continuamos hoje no sacramento da Confirmação. Vemos isso em Atos 8:14-17, onde Pedro e João impuseram as mãos sobre os crentes samaritanos para que pudessem receber o Espírito Santo.

É importante notar, Mas que, enquanto os apóstolos tinham estes papéis especiais e autoridade, eles não foram separados para o seu próprio bem, mas para a construção de todo o Corpo de Cristo. Como Paulo nos recorda, «Assim o próprio Cristo deu aos apóstolos, aos profetas, aos evangelistas, aos pastores e aos mestres, para prepararem o seu povo para as obras de serviço, a fim de que o corpo de Cristo fosse edificado» (Efésios 4:11-12).

Enquanto honramos o papel único dos apóstolos, lembremo-nos de que todos somos chamados a ser discípulos, a crescer na fé e a compartilhar o amor de Cristo com os outros. A autoridade dada aos apóstolos foi, em última análise, uma autoridade de serviço, um modelo para todos nós, à medida que procuramos seguir a Cristo e edificar sua Igreja em nosso próprio tempo e lugar.

Pode alguém ser apóstolo e discípulo?

Esta pergunta toca o próprio coração da nossa vocação cristã. A resposta é um sim retumbante – pode-se ser apóstolo e discípulo. Na verdade, eu diria que, para ser um verdadeiro apóstolo, é preciso primeiro e sempre permanecer um discípulo.

Vejamos o exemplo dos primeiros apóstolos. Antes que Jesus os chamasse para serem apóstolos, eram seus discípulos. Seguiram-no, aprenderam com ele e cresceram na sua fé. Mesmo depois de terem sido comissionados como apóstolos, continuaram a aprender e a crescer na sua compreensão da mensagem e da missão de Cristo.

Considere Pedro, a rocha sobre a qual Cristo construiu a sua Igreja. Pedro era um discípulo dedicado e um apóstolo comissionado. Aprendeu aos pés de Jesus, cometeu erros, recebeu correção e continuou a crescer na fé e na compreensão, mesmo enquanto liderava a Igreja primitiva. O seu percurso recorda-nos que ser apóstolo não significa que se tenha «chegado» espiritualmente, mas sim que se tenha recebido uma missão particular enquanto se continua no caminho do discipulado.

Paulo também exemplifica este duplo papel. Embora não fosse um dos doze originais, Paulo tornou-se apóstolo através de seu encontro com Cristo ressuscitado. No entanto, ele nunca deixou de ser um discípulo, constantemente à procura de conhecer Cristo mais profundamente. Como escreveu aos Filipenses: «Quero conhecer Cristo — sim, conhecer o poder da sua ressurreição e a sua participação nos seus sofrimentos, tornando-me semelhante a ele na sua morte» (Filipenses 3:10). Este é o coração do discipulado, mesmo para alguém tão proeminente como o apóstolo Paulo.

Na nossa própria vida, somos todos chamados a ser discípulos – seguidores de Cristo que continuamente aprendem com Ele e procuram imitar o seu amor e serviço. Alguns são também chamados a desempenhar papéis apostólicos, a serem «enviados» de modo especial para partilhar o Evangelho e edificar a Igreja. Mas mesmo aqueles que ocupam cargos de liderança na Igreja – bispos, sacerdotes, religiosos e líderes leigos – devem permanecer sempre discípulos no coração.

Falo muitas vezes da necessidade de a Igreja ser um «hospital de campanha», que procura curar as feridas do nosso mundo partido. Nesta missão, todos somos chamados a ser discípulos e apóstolos. Somos discípulos à medida que aprendemos continuamente de Cristo e crescemos em nossa fé. Somos apóstolos à medida que saímos ao mundo, partilhando o amor e a misericórdia de Deus com tudo o que encontramos.

Lembre-se de que a ordem final de Jesus aos seus discípulos era «ir e fazer discípulos de todas as nações» (Mateus 28:19). Nesta Grande Comissão, vemos o entrelaçamento do discipulado e do apostolado. Somos enviados (como apóstolos) para ajudar os outros a tornarem-se discípulos.

Não pensemos nestes papéis como mutuamente exclusivos ou como uma hierarquia em que o apostolado está de alguma forma "acima" do discipulado. Pelo contrário, vejamo-los como aspectos complementares da nossa vida cristã. Somos sempre discípulos, estamos sempre a aprender, estamos sempre a aproximar-nos de Cristo. E somos sempre, à nossa maneira, apóstolos – enviados para partilhar as Boas Novas com um mundo que precisa de esperança e amor.

Na vossa própria vida, encorajo-vos a nutrir estes dois aspectos. Aprofundai vosso discipulado através da oração, do estudo das Escrituras e da participação nos sacramentos. E abraçai o vosso chamado apostólico, encontrando formas de partilhar a vossa fé, servir os outros e edificar o Corpo de Cristo.

Que todos nós, como Maria, sejamos discípulos fiéis que ponderam a Palavra de Deus nos nossos corações e apóstolos corajosos que proclamam: «A minha alma engrandece o Senhor» a todo o mundo.

Há apóstolos e discípulos hoje na igreja moderna?

Esta pergunta convida-nos a reflectir profundamente sobre a natureza da Igreja e sobre o nosso próprio papel nela. A resposta, creio eu, é simples e poderosa: Sim, há apóstolos e discípulos na Igreja moderna, embora talvez não na mesma forma que na comunidade cristã primitiva.

Pensemos primeiro nos discípulos. Na verdade, todos nós, que seguimos a Cristo, somos chamados a ser seus discípulos. O discipulado não se limita a uns poucos selecionados ou a um determinado momento da história. O convite de Jesus, «Vinde, segui-me», ecoa através dos séculos e chega hoje a cada um de nós. Ser discípulo significa aprender de Cristo, imitar seu amor e crescer na fé e no entendimento. Neste sentido, a Igreja hoje está cheia de milhões de discípulos em todo o mundo, cada um esforçando-se para viver a sua fé na sua vida diária.

Mas e os apóstolos? É aqui que devemos alargar a nossa compreensão. Embora hoje não tenhamos apóstolos no mesmo sentido dos doze originais escolhidos por Jesus, a missão apostólica continua na Igreja. Os bispos, como sucessores dos apóstolos, continuam a sua missão de ensinar, santificar e governar. São, num sentido muito real, apóstolos do nosso tempo, encarregados de conservar e transmitir a fé, e de guiar a Igreja na sua missão de evangelizar o mundo.

Mas não devemos limitar a nossa compreensão da missão apostólica apenas à hierarquia. O Vaticano II recordou-nos que todos os batizados participam nos ofícios sacerdotais, proféticos e reais de Cristo. Nesta luz, podemos ver que todos os cristãos são chamados a participar na missão apostólica da Igreja, cada um segundo a sua vocação e os seus dons particulares.

Considere as muitas formas pelas quais os católicos comuns vivem hoje este chamado apostólico:

  • Missionários que deixam suas casas para partilhar o Evangelho em terras distantes
  • Os catequistas que ensinam a fé a crianças e adultos
  • Pais que transmitem a fé aos filhos
  • Assistentes sociais e voluntários que encarnam o amor de Cristo pelos pobres e marginalizados
  • Artistas e escritores que utilizam os seus talentos para iluminar a beleza da verdade de Deus
  • Cientistas e académicos que exploram a criação de Deus e nos ajudam a compreendê-la melhor

Cada um destes, à sua maneira, está a viver a missão apostólica da Igreja. São «enviados» (o significado literal de «apóstolo») para trazer o amor e a verdade de Cristo ao mundo.

No nosso mundo cada vez mais interligado, as redes sociais e as tecnologias digitais abriram novas vias para o trabalho apostólico. Muitos fiéis estão a usar estas plataformas para partilhar a sua fé, oferecer encorajamento e dialogar sobre o sentido da vida e as verdades da nossa fé.

É importante recordar que ser apóstolo no mundo de hoje não significa necessariamente ocupar um cargo ou título oficial. Significa viver o nosso chamado batismal para ser "sal da terra" e "luz do mundo" (Mateus 5:13-14). Significa estar disposto a compartilhar nossa fé com os outros, a testemunhar a alegria e a esperança que vêm do conhecimento de Cristo.

Ao mesmo tempo, devemos permanecer sempre discípulos, continuamente a aprender e a crescer na nossa fé. Os dois papéis – discípulo e apóstolo – não estão separados, mas profundamente interligados. Estamos sempre a aprender com Cristo e a partilhar o que aprendemos com os outros.

Encorajo-vos a abraçar tanto a vossa identidade de discípulo de Cristo como a vossa missão de apóstolo no mundo de hoje. Procurai crescer na vossa fé através da oração, do estudo e da participação nos sacramentos. E procurai oportunidades para partilhar essa fé com os outros, através das vossas palavras e, ainda mais importante, através das vossas acções de amor e serviço. Enquanto navega pelos desafios da vida, lembre-se de que a sua viagem inspira os que o rodeiam. Oferta Orações sinceras para o discipulado Não só para si, mas também para os outros que procuram aprofundar a sua fé. Juntos, podemos criar uma comunidade enraizada no amor, no apoio e no serviço ativo uns aos outros.

Lembrai-vos de que a Igreja precisa tanto de discípulos fiéis como de apóstolos corajosos. À vossa maneira única, sois chamados a ser os dois. Que Deus vos conceda a graça de responder generosamente a esta chamada, para a edificação da Igreja e a transformação do nosso mundo.

O que Jesus ensinou sobre os papéis dos apóstolos contra os discípulos?

Jesus chamou muitos para segui-lo como discípulos, mas dentre eles escolheu doze para serem apóstolos. Esta distinção é importante. Como lemos no Evangelho de Lucas, «Quando chegou a manhã, chamou-lhe os seus discípulos e escolheu doze deles, a quem designou também apóstolos» (Lucas 6:13). (Jesus como Mestre no Evangelho de Mateus, 2023)

O papel do discípulo era o de aprender e seguir. Jesus convidou todos os que quisessem ouvir a tornarem-se seus discípulos – a aprenderem com ele, a imitarem o seu modo de vida e a levarem a sua mensagem aos outros. «Se alguém quiser vir após mim, negue-se a si mesmo, tome diariamente a sua cruz e siga-me», ensinou Jesus (Lucas 9:23). Este chamado ao discipulado estava aberto a todos.

Os apóstolos, mas receberam uma comissão especial e autoridade. Jesus "deu-lhes poder e autoridade para expulsar todos os demónios e curar doenças, e enviou-os para proclamar o reino de Deus e curar os enfermos" (Lucas 9:1-2). A própria palavra "apóstolo" significa "aquele que é enviado". Deviam ser os líderes fundadores e testemunhas da Igreja.

Aos apóstolos, Jesus disse: «Assim como o Pai me enviou, também eu vos envio a vós» (Jo 20, 21). Ele soprou sobre eles e disse: «Recebei o Espírito Santo. Se perdoardes os pecados de alguém, os seus pecados serão perdoados; Se não lhes perdoardes, não serão perdoados" (João 20:22-23). Isto indica uma autoridade única dada aos apóstolos.

No entanto, devemos recordar que Jesus convocou apóstolos e discípulos para a mesma vocação fundamental – amar a Deus e ao próximo, proclamar a Boa Nova e fazer discípulos de todas as nações. Os apóstolos tinham um papel de liderança, mas todos deviam participar da missão da Igreja de acordo com seus dons.

Como a igreja primitiva distinguia entre apóstolos e discípulos?

Na Igreja primitiva vemos um desenvolvimento gradual na forma como os termos "apóstolo" e "discípulo" foram compreendidos e aplicados. No livro de Atos e nas cartas de Paulo, encontramos informações sobre como os primeiros cristãos viam estes papéis.

Inicialmente, o termo "apóstolo" referia-se especificamente aos Doze escolhidos por Jesus, com Matias substituindo Judas (Atos 1:26). Estes homens foram testemunhas oculares do ministério e da ressurreição de Jesus. Como Pedro declarou, um requisito para um apóstolo era que «esteve connosco todo o tempo em que o Senhor Jesus vivia entre nós, desde o batismo de João até ao momento em que Jesus foi tirado de nós» (Atos 1:21-22). (Hermina, 2023)

Mas vemos o termo "apóstolo" expandido um pouco para incluir Paulo, que encontrou o Cristo ressuscitado em uma visão, e talvez outros como Barnabé (Atos 14:14). Paulo defendeu o seu apostolado, dizendo: «Não sou eu apóstolo? Não vi Jesus, nosso Senhor?" (1 Coríntios 9:1).

A Igreja primitiva reconheceu a autoridade única dos apóstolos. Lemos que os crentes «se dedicaram ao ensino dos apóstolos» (Atos 2:42). Os apóstolos realizaram muitos sinais e maravilhas (Atos 5:12), e quando surgiu uma controvérsia, foram os apóstolos que se reuniram para tomar uma decisão para toda a Igreja (Atos 15).

"Discípulo", entretanto, tornou-se um termo geral para todos os crentes. Em Atos, lemos que «o número de discípulos estava a aumentar» (Atos 6:1), referindo-se à crescente comunidade de cristãos. Todos os que acreditavam em Cristo eram considerados seus discípulos.

No entanto, não devemos pensar nisto como uma hierarquia rígida. A Igreja primitiva era uma comunidade de serviço mútuo e de missão partilhada. Como Paulo escreveu: «Agora vós sois o corpo de Cristo, e cada um de vós faz parte dele» (1 Coríntios 12:27). Cada membro tinha um papel a desempenhar na edificação da Igreja e na difusão do Evangelho.

A distinção entre apóstolos e discípulos recorda-nos que, embora tenhamos papéis diferentes na Igreja, todos somos chamados a seguir Cristo e a participar na sua missão. Abracemos o nosso chamado como discípulos com humildade e respeitemos a autoridade de ensino transmitida pelos apóstolos, enquanto trabalhamos em conjunto para construir o reino de Deus.

O que os Padres da Igreja ensinaram sobre apóstolos e discípulos?

Os Padres da Igreja, os primeiros líderes cristãos e teólogos que seguiram os apóstolos, refletiram profundamente sobre os papéis dos apóstolos e discípulos na vida da Igreja. Seus ensinamentos ajudam-nos a compreender como a comunidade cristã primitiva via essas importantes distinções.

Os Padres da Igreja enfatizaram o papel único dos apóstolos como testemunhas oculares de Cristo e fundadores da Igreja. Irineu, escrevendo no século II, destacou a importância da sucessão apostólica, dizendo que os apóstolos confiaram a Igreja aos bispos como seus sucessores. Escreveu: «Podemos enumerar aqueles que foram nomeados pelos apóstolos como bispos nas igrejas e os seus sucessores até ao nosso tempo.» (Langhu, 2022)

Clemente de Roma, escrevendo ainda mais cedo, por volta de 95 d.C., falou de como os apóstolos tinham nomeado líderes em todos os lugares onde pregavam, assegurando a continuidade do ministério da Igreja. Sublinhou que tal foi feito «com pleno conhecimento de Cristo» (Staniforth & Louth, 1968).

No entanto, os Padres também reconheceram que todos os cristãos foram chamados a ser discípulos de Cristo. Orígenes, no século III, escreveu extensivamente sobre o discipulado, salientando que ser um verdadeiro discípulo significava não apenas aprender os ensinamentos de Cristo, mas imitar a sua vida e carregar a cruz.

Os Padres viam os apóstolos como modelos de discipulado para todos os crentes. João Crisóstomo, pregando no século IV, exortava frequentemente a sua congregação a imitar os apóstolos no seu zelo, no seu amor por Cristo e na sua vontade de sofrer pelo Evangelho. (Thompson, 2019, pp. 41-56)

É importante ressaltar que os Padres não viam a distinção entre apóstolos e discípulos como a criação de uma hierarquia de santidade. Todos foram chamados à mesma vocação fundamental do amor e do serviço. Como Agostinho belamente expressou, «O que significa ser um discípulo? Significa ser um aprendiz. E o que devemos aprender? Seguir a Cristo.»

Os Padres também reconheceram o papel contínuo do ministério apostólico na Igreja, não limitado aos Doze originais. Eles viam bispos e sacerdotes como continuando a missão apostólica, enquanto enfatizavam que todos os crentes compartilhavam a responsabilidade de testemunhar a Cristo.

As mulheres são alguma vez referidas como apóstolos ou discípulos na Bíblia?

Esta é uma questão importante que toca o papel das mulheres na Igreja primitiva e a nossa compreensão do discipulado e do apostolado. Aproximemo-nos disto com o coração aberto, procurando compreender o que a Escritura nos revela.

Nos Evangelhos, vemos que Jesus tinha muitas mulheres entre os seus seguidores. Lucas fala-nos de «Maria Madalena, Joana, Susana e muitos outros que lhes proveram com os seus recursos» (Lucas 8:2-3). Estas mulheres eram claramente discípulas de Jesus, aprendendo com ele e apoiando seu ministério. (Sugiharto & Sirait, 2022)

Na crucificação, quando muitos dos discípulos do sexo masculino tinham fugido, eram as mulheres que permaneciam fiéis. Os Evangelhos registram que as mulheres foram as primeiras testemunhas da ressurreição, encomendadas pelo Cristo ressuscitado para contar aos outros discípulos. Neste sentido, funcionaram como «apóstolos aos apóstolos», trazendo as notícias da ressurreição (Mensá, 2022).

Na Igreja primitiva, vemos as mulheres desempenharem papéis importantes. Em Atos, lemos sobre Priscila, que, juntamente com seu marido Áquila, instruiu Apolo no "caminho de Deus mais adequadamente" (Atos 18:26). Isto sugere um papel de ensino para as mulheres na comunidade cristã primitiva.

Mais notavelmente, em Romanos 16:7, Paulo refere-se a uma mulher chamada Júnia como "excelente entre os apóstolos". Embora tenha havido debate sobre a tradução e interpretação deste versículo, muitos estudiosos acreditam que indica que Júnia foi considerada um apóstolo na Igreja primitiva. (Reimer, 1995)

Também vemos mulheres referidas como discípulas. Em Atos 9:36, lemos sobre «uma discípula chamada Tabitha (que em grego é Dorcas).» Este é um exemplo claro de uma mulher ser explicitamente chamada de discípula.

Estas passagens sugerem que, na Igreja primitiva, os papéis de discípulo e até apóstolo não eram limitados pelo sexo. As mulheres desempenharam papéis vitais no seguimento de Jesus, na difusão do Evangelho e na edificação da comunidade cristã.

Mas devemos ter cuidado para não impor as nossas categorias modernas ao texto antigo. A Igreja primitiva navegava por complexas realidades culturais e sociais ao procurar viver a igualdade radical proclamada em Cristo: «Não há judeu nem grego, nem escravo nem livre, nem homem nem mulher, porque todos vós sois um em Cristo Jesus» (Gálatas 3:28).

Como a compreensão da diferença deve afetar os cristãos de hoje?

Lembremo-nos de que todos somos chamados a ser discípulos de Cristo. Esta é a vocação fundamental de cada cristão: seguir Jesus, aprender com Ele e imitar a sua vida de amor e de serviço. Como discípulos, estamos continuamente em um processo de formação, crescendo em nossa fé e compreensão. Isto chama-nos à humildade e à abertura, sempre prontos a aprender e a ser transformados pelo ensinamento e pelo exemplo de Cristo (Richard, 2021).

Ao mesmo tempo, somos todos chamados a ser «apostólicos» no sentido de sermos enviados ao mundo para partilhar a Boa Nova. Como Jesus disse aos seus discípulos após a ressurreição: «Assim como o Pai me enviou, também eu vos envio a vós» (João 20:21). Esta dimensão apostólica da nossa fé desafia-nos a ultrapassar as nossas zonas de conforto, a ser testemunhas de Cristo nas nossas famílias, locais de trabalho e comunidades.

Compreender o papel especial dos apóstolos na fundação da Igreja ajuda-nos a apreciar a importância da tradição e da sucessão apostólica. Recorda-nos que a nossa fé não é algo que inventámos, mas um dom precioso que nos foi transmitido. Isto deve inspirar-nos um profundo respeito pelos ensinamentos da Igreja e o desejo de permanecer em comunhão com os sucessores dos apóstolos.

No entanto, não caiamos na armadilha de pensar que só os que estão no ministério ordenado têm um papel apostólico. O Concílio Vaticano II recordou-nos o apelo universal à santidade e à missão. Todos os batizados participam nos ofícios sacerdotais, proféticos e reais de Cristo. Todos somos chamados a participar na missão da Igreja de acordo com os nossos dons e o nosso estado de vida (Hill, 2020).

O exemplo das mulheres discípulas e apóstolos na Igreja primitiva nos desafia a garantir que todos os membros da Igreja, independentemente do sexo, tenham o poder de usar seus dons ao serviço do Evangelho. Devemos trabalhar para superar qualquer discriminação injusta e reconhecer a contribuição vital das mulheres para a vida e a missão da Igreja.

Finalmente, compreender estas distinções deve aprofundar o nosso sentido de unidade na diversidade dentro da Igreja. Como Paulo ensinou, somos um corpo com muitas partes, cada uma com a sua própria função, mas todos a trabalhar em conjunto para o bem comum (1 Coríntios 12). Celebremos a variedade das vocações e dos ministérios no seio da Igreja, recordando que todos estamos unidos na chamada fundamental a seguir Cristo e a dá-lo a conhecer ao mundo.

Que esta compreensão nos inspire a abraçar mais plenamente a nossa identidade de discípulos de Cristo e a nossa missão de suas testemunhas no mundo. Avancemos com alegria, confiantes no poder do Espírito Santo, para edificar a Igreja e difundir o amor de Deus a todos os que encontramos.

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