O que é o "Sinal de Jonas" mencionado na Bíblia?
O «Sinal de Jonas» é um símbolo bíblico profundo encontrado tanto no Antigo como no Novo Testamento, que liga intrincadamente as narrativas de Jonas e Jesus. No Antigo Testamento, Jonas é um profeta relutante que é chamado por Deus para pregar o arrependimento à cidade de Nínive. No entanto, Jonas tenta fugir desta missão divina, levando-o a ser engolido por um grande peixe. Ele permanece no ventre do peixe por três dias e três noites antes de ser vomitado em terra seca (Jonas 1:17). Este acontecimento milagroso constitui um momento central na história de Jonas, simbolizando a morte, o enterro e a ressurreição.
No Novo Testamento, Jesus refere-se ao «Signo de Jonas» nos Evangelhos de Mateus e Lucas. Em Mateus 12:39-41, Jesus responde aos escribas e fariseus que exigem um sinal dele. Ele declara: "Uma geração má e adúltera procura um sinal, mas nenhum sinal lhe será dado, exceto o sinal do profeta Jonas. Pois, assim como Jonas esteve três dias e três noites no ventre do grande peixe, também o Filho do Homem estará três dias e três noites no coração da terra.» Do mesmo modo, em Lucas 11:29-32, Jesus reitera este sinal, sublinhando que a experiência de Jonas prefigura a sua própria morte, sepultamento e ressurreição.
Este «Sinal de Jonas» não é apenas uma referência histórica, mas uma proclamação teológica. Significa o triunfo de Jesus sobre a morte e a sua ressurreição no terceiro dia, que está no cerne da fé cristã. Os três dias que Jonas passa no ventre do peixe prefiguram os três dias que Jesus passa no túmulo. Este paralelo sublinha a continuidade e o cumprimento do plano salvífico de Deus através de Jesus Cristo.
Resumo:
- O «Sinal de Jonas» refere-se aos três dias e noites do profeta Jonas na barriga de um grande peixe.
- Jesus usa este sinal para prenunciar a sua própria morte, sepultamento e ressurreição depois de três dias.
- Ele destaca o cumprimento da profecia do Antigo Testamento no Novo Testamento através de Jesus.
Por que Jesus se referiu ao "Sinal de Jonas" em Mateus 12:39-41 e Lucas 11:29-32?
A referência de Jesus ao "Signo de Jonas" em Mateus 12:39-41 e Lucas 11:29-32 serve múltiplos propósitos no seu ministério e ensino. Primeiro, aborda a exigência de um sinal pelos escribas e fariseus, que representam o ceticismo e a descrença da geração naquela época. Ao invocar Jonas, Jesus não só aponta para uma figura profética familiar, mas também traça um paralelo directo com a sua própria missão.
A referência serve como um aviso profético e um chamado ao arrependimento. A missão de Jonas a Nínive foi marcada pela sua proclamação de juízo iminente e pela necessidade de arrependimento. Surpreendentemente, o povo de Nínive respondeu à mensagem de Jonas com sincero arrependimento, evitando o julgamento de Deus. Jesus usa este acontecimento histórico para realçar a natureza impenitente da sua audiência contemporânea. Indica que o povo de Nínive, que se arrependeu da pregação de Jonas, julgará a atual geração que não reconhece nem responde à mensagem maior de Jesus.
Além disso, o «Sinal de Jonas» prenuncia a própria morte e ressurreição de Jesus. Assim como Jonas passou três dias e três noites no ventre do peixe, Jesus passou três dias e três noites no coração da terra. Este sinal encapsula o âmago do Evangelho: Morte, sepultamento e ressurreição vitoriosa de Jesus. Trata-se de uma declaração profunda da sua identidade como Messias e do cumprimento do plano redentor de Deus.
O uso deste sinal por Jesus também enfatiza a necessidade da fé. O sinal de Jonas não é um sinal miraculoso imediato realizado a pedido, mas um evento futuro que exige que a fé seja compreendida. Desafia os ouvintes a irem além do desejo superficial de maravilhas e milagres, para uma fé mais profunda no próprio Jesus e no seu sacrifício final pela humanidade.
Resumo:
- Jesus usa o "Sinal de Jonas" para responder à exigência de um sinal dos escribas e fariseus céticos.
- Ele serve como um aviso profético e chama ao arrependimento, comparando a geração impenitente a Nínive.
- O sinal prenuncia a morte e a ressurreição de Jesus, destacando a mensagem central do Evangelho.
- Enfatiza a necessidade da fé, ultrapassando o desejo de milagres imediatos.
Como as diferentes denominações cristãs interpretam o "Signo de Jonas"?
De um modo geral, as denominações cristãs concordam com a interpretação fundamental do «Signo de Jonas» como um prenúncio tipológico da morte, sepultamento e ressurreição de Jesus. No entanto, há diferenças nuances na ênfase e reflexão teológica entre várias tradições.
Interpretação católica:
A Igreja Católica vê o «Sinal de Jonas» como um poderoso símbolo de arrependimento, ressurreição e cumprimento da profecia. Os católicos sublinham a continuidade entre o Antigo e o Novo Testamentos, vendo os três dias de Jonas no peixe como uma clara prefiguração dos três dias de Cristo no túmulo. Esta interpretação está inserida na vida sacramental e litúrgica mais ampla da Igreja, particularmente na celebração do Mistério Pascal durante a Semana Santa e a Páscoa. Os ensinamentos católicos também retiram lições morais da história de Jonas, incentivando os fiéis a atenderem aos apelos ao arrependimento e à conversão.
Interpretação Ortodoxa:
Do mesmo modo, a Igreja Ortodoxa Oriental vê o «Sinal de Jonas» como um sinal profético que aponta para a ressurreição de Jesus. A tradição ortodoxa destaca frequentemente as ligações tipológicas entre os acontecimentos do Antigo Testamento e os cumprimentos do Novo Testamento, vendo a história de Jonas como parte da grande narrativa da história da salvação. Na liturgia, especialmente durante a época pascal, a história de Jonas é contada para reforçar os temas da morte, ressurreição e arrependimento. A Igreja Ortodoxa também coloca uma forte ênfase no poder transformador do arrependimento, como demonstrado pelos ninivitas.
Interpretação protestante:
As denominações protestantes, incluindo os evangélicos e os protestantes da linha principal, também afirmam o significado tipológico do «Signo de Jonas». Salientam a centralidade da morte e ressurreição de Jesus como o cumprimento da profecia do Antigo Testamento. Em muitas tradições protestantes, a história de Jonas é utilizada em sermões e ensinamentos para ilustrar a misericórdia de Deus, a necessidade de arrependimento e a certeza da esperança da ressurreição. Algumas interpretações evangélicas podem centrar-se mais na aplicação pessoal do arrependimento e da missão de Jonas, incentivando os crentes a abraçarem o seu chamado ao evangelismo e à missão.
Resumo:
- católicos: Destaca a continuidade entre o Antigo e o Novo Testamento, a celebração litúrgica do Mistério Pascal e as lições morais do arrependimento.
- ortodoxos: Destaca as ligações tipológicas e o poder transformador do arrependimento, com um forte foco litúrgico durante a época pascal.
- protestante: Concentra-se no cumprimento da profecia e na aplicação pessoal, incentivando o evangelismo e a missão.
Como é que os primeiros Padres da Igreja compreenderam e ensinaram o «Sinal de Jonas»?
Os primeiros Padres da Igreja forneceram informações teológicas ricas sobre o «Sinal de Jonas», interpretando-o no contexto mais amplo da doutrina cristã e da tipologia das escrituras. Os seus ensinamentos ajudaram a moldar a compreensão da Igreja primitiva deste sinal bíblico significativo.
Santo Agostinho: Santo Agostinho via o «Signo de Jonas» como uma clara prefiguração da ressurreição de Cristo. Na sua obra «De Civitate Dei» (A Cidade de Deus), Agostinho discute a forma como os três dias de Jonas no peixe simbolizam os três dias de Cristo no túmulo. Salienta igualmente o arrependimento dos ninivitas como um apelo a todas as nações para que se voltem para Deus, destacando o âmbito universal do plano de salvação de Deus.
São Jerónimo: São Jerónimo, em seus comentários sobre os profetas, semelhantemente identificou Jonas como um tipo de Cristo. Expôs o paralelismo entre a saída de Jonas do peixe e a ressurreição de Jesus, interpretando a missão de Jonas a Nínive como um símbolo da missão da Igreja de pregar o arrependimento aos gentios. Os escritos de Jerónimo sublinham a importância de compreender o Antigo Testamento à luz do Novo.
São João Crisóstomo: Conhecido por sua pregação eloquente, São João Crisóstomo frequentemente se referiu a Jonas em suas homilias. Utilizou a história para ilustrar temas como o arrependimento, a misericórdia divina e o prenúncio da ressurreição de Cristo. Crisóstomo destacou o contraste entre o arrependimento dos ninivitas na pregação de Jonas e a rejeição de Jesus pelos líderes judeus, instando os seus ouvintes a abraçarem o arrependimento e a fé genuínos.
Resumo:
- Santo Agostinho: Interpretou Jonas como uma prefiguração da ressurreição de Cristo e enfatizou o apelo universal ao arrependimento.
- São Jerónimo: Viu Jonas como um tipo de Cristo e a missão da Igreja, salientando a continuidade entre o Antigo e o Novo Testamento.
- São João Crisóstomo: Usou a história de Jonas para pregar o arrependimento, a misericórdia divina e o prenúncio da ressurreição.
De que forma o «Sinal de Jonas» é relevante para a vida e a fé cristãs modernas?
O «Sinal de Jonas» tem uma profunda relevância para os cristãos modernos, oferecendo lições intemporais sobre o arrependimento, a fé e a esperança da ressurreição. No mundo de hoje, caracterizado por rápidas mudanças, incertezas e desafios morais, a história de Jonas e a sua ligação à ressurreição de Jesus proporcionam uma visão espiritual poderosa.
Arrependimento e Conversão: O apelo de Jonas a Nínive para que se arrependa ressoa profundamente no nosso contexto contemporâneo. Ele serve como um lembrete de que o arrependimento não é apenas um ato de uma só vez, mas um processo contínuo de voltar-se para Deus. Esta mensagem é particularmente pertinente num mundo onde os indivíduos e as sociedades muitas vezes se desviam dos valores éticos e espirituais. Abraçar o arrependimento conduz à transformação e renovação, tanto pessoal como coletivamente.
Fé na Ressurreição: O «Sinal de Jonas» sublinha a crença cristã fundamental na ressurreição. Assim como Jonas saiu do peixe depois de três dias, Jesus ressuscitou dos mortos, vencendo o pecado e a morte. Este princípio central da fé cristã oferece esperança durante as provações e tribulações.
Ilusões da vida moderna. Os crentes são chamados a viver à luz da ressurreição, com a certeza de que o sofrimento e a morte não têm a palavra final.
Missão e Evangelismo: A missão de Jonas a Nínive destaca a importância de difundir a mensagem de Deus de arrependimento e salvação. Para os cristãos modernos, isto se traduz em um chamado ao evangelismo e à ação social. Compartilhando o Evangelho e empenhando-se em actos de misericórdia e de justiça, os cristãos podem contribuir para a transformação das suas comunidades e do mundo.
A Divina Misericórdia e o Perdão: A história de Jonas e o arrependimento de Nínive ilustram a misericórdia e a prontidão ilimitadas de Deus para perdoar. Este é um poderoso lembrete para os cristãos encarnarem a misericórdia em suas relações, perdoarem os outros e buscarem a reconciliação. Desafia os crentes a refletirem a compaixão de Deus num mundo muitas vezes marcado pela divisão e pela falta de perdão.
Resumo:
- Arrependimento e Conversão: Processo contínuo que conduz à transformação e renovação.
- Fé na Ressurreição: Oferece esperança e segurança perante as provas modernas.
- Missão e Evangelismo: Encoraja a difusão do Evangelho e o envolvimento na ação social.
- A Divina Misericórdia e o Perdão: Inspira a misericórdia, o perdão e a reconciliação na vida diária.
Ao refletirem sobre o «Sinal de Jonas», os cristãos modernos podem inspirar-se para viver a sua fé com renovado vigor e esperança, enraizados nas verdades intemporais do arrependimento, da ressurreição e da misericórdia divina.
- Tertuliano:Tertuliano sublinhou o aspeto da ressurreição, argumentando que a saída de Jonas do peixe prefigurava a vitória de Cristo sobre a morte. Ele usou esta tipologia para afirmar a verdade da ressurreição e o seu lugar central na fé cristã.
Resumo:
- Orígenes: Alegoria da ressurreição de Cristo, ênfase no arrependimento e na misericórdia.
- Santo Agostinho: Profecia da ressurreição, modelo de conversão.
- São João Crisóstomo: Profecia e lição moral, importância do arrependimento.
- São Jerónimo: Ligação tipológica, apelo ao arrependimento universal.
- Tertuliano: Afirmação da ressurreição, centralidade na fé cristã.
Quais são alguns equívocos comuns sobre o «Sinal de Jonas»?
O «Sinal de Jonas» é muitas vezes mal interpretado ou demasiado simplificado, conduzindo a vários equívocos comuns. Estes equívocos podem obscurecer os profundos significados teológicos e simbólicos embutidos nesta referência bíblica.
Equívoco 1: A história de Jonas é apenas uma lição moral
Um equívoco comum é que a história de Jonas é apenas uma lição moral sobre a obediência a Deus. Embora inclua certamente temas de obediência e arrependimento, o «Sinal de Jonas», tal como referido por Jesus, tem um significado profético e tipológico mais profundo, apontando diretamente para a sua própria morte e ressurreição.
Equívoco 2: O "Sinal de Jonas" é apenas sobre a sobrevivência de Jonas
Outro equívoco é que o «Sinal de Jonas» diz apenas respeito à sobrevivência milagrosa de Jonas na barriga do peixe. Embora este acontecimento milagroso seja central, Jesus usa-o para prenunciar a sua própria morte, sepultamento e ressurreição, salientando que, assim como Jonas foi «enterrado» no peixe e emergiu vivo, também seria enterrado e ressuscitaria.
Equívoco 3: Aplica-se exclusivamente à ressurreição de Jesus
Alguns acreditam que o «Sinal de Jonas» só diz respeito à ressurreição de Jesus. No entanto, também abrange temas de arrependimento e misericórdia divina. Jesus traça um paralelo não só com a sua ressurreição, mas também com o arrependimento de Nínive, destacando o chamado ao arrependimento e à misericórdia de Deus.
Equívoco 4: O "Sinal de Jonas" é um Símbolo Universal
Existe um equívoco quanto ao facto de o «Signo de Jonas» poder ser universalmente aplicado para além do seu contexto bíblico específico. Embora os temas da morte, ressurreição e arrependimento possam ser amplamente inspiradores, a referência específica que Jesus faz está profundamente enraizada na narrativa da história da salvação, especificamente na sua própria missão e ressurreição.
Equívoco 5: Jonas como um participante voluntário
Algumas narrativas retratam Jonas como um profeta desejoso de cumprir a ordem de Deus, ignorando a sua relutância inicial e tentando fugir. Compreender a relutância e a eventual obediência de Jonas proporciona um contexto mais rico para o «Sinal de Jonas», ilustrando a fragilidade humana e a perseverança divina.
Resumo:
- A história de Jonas é mais do que uma lição moral; tem um profundo significado profético.
- O «Sinal de Jonas» não se refere apenas à sobrevivência, mas prenuncia a morte e a ressurreição de Jesus.
- Inclui temas de arrependimento e misericórdia divina, não apenas a ressurreição.
- O sinal é contextualmente específico da missão e ressurreição de Jesus.
- Jonas foi inicialmente relutante, enfatizando a fragilidade humana e a perseverança divina.
Qual é a posição da Igreja Católica sobre o «Sinal de Jonas»?
A Igreja Católica vê o «Sinal de Jonas» como um prenúncio tipológico profundo da morte, sepultamento e ressurreição de Jesus Cristo. Esta interpretação está profundamente enraizada na teologia católica, na liturgia e no ensino.
Importância Teológica:
A Igreja ensina que o «Sinal de Jonas» é uma prefiguração do Mistério Pascal de Cristo — o seu sofrimento, morte e ressurreição. Esta tipologia está enraizada na continuidade entre o Antigo e o Novo Testamento, onde os acontecimentos e as figuras do Antigo Testamento são vistos como prefigurações da missão e da obra salvífica de Cristo.
Liturgia e Culto:
Na vida litúrgica da Igreja, especialmente durante a Semana Santa e a Páscoa, o «Sinal de Jonas» é invocado para recordar aos fiéis o mistério da ressurreição de Cristo. O paralelo entre os três dias de Jonas no peixe e os três dias de Jesus no túmulo é uma imagem poderosa utilizada em orações, hinos e homilias para aprofundar a compreensão da ressurreição.
Lições Morais e Espirituais:
A Igreja também retira lições morais e espirituais da história de Jonas. Ensina a importância do arrependimento, da obediência ao chamado de Deus e da universalidade da misericórdia de Deus. O arrependimento dos ninivitas é visto como um modelo para todos os que ouvem a mensagem do Evangelho voltarem-se para Deus.
Exegese Bíblica:
A exegese bíblica católica destaca frequentemente o «Sinal de Jonas» no contexto dos ensinamentos de Jesus. Estudiosos e teólogos salientam que a referência de Jesus a Jonas foi uma forma de revelar a sua identidade como Messias e de prenunciar a ressurreição, desafiando os ouvintes a ver para além dos milagres imediatos a realidade mais profunda do plano de Deus para a salvação.
Ensino catequético:
Na catequese, o «Signo de Jonas» é utilizado para ensinar sobre a natureza da missão de Jesus e a importância da ressurreição. Os catequistas explicam que, assim como a experiência de Jonas no peixe foi um sinal para os ninivitas, a ressurreição de Jesus é o sinal definitivo da vitória de Deus sobre o pecado e a morte.
Resumo:
- A Igreja Católica vê o «Sinal de Jonas» como um prenúncio tipológico da morte, sepultamento e ressurreição de Jesus.
- É significativo na liturgia, especialmente durante a Semana Santa e a Páscoa.
- A Igreja retira lições morais e espirituais da história de Jonas, salientando o arrependimento e a misericórdia divina.
- A exegese bíblica destaca a utilização do sinal por Jesus para revelar a sua identidade e missão.
- É um elemento-chave no ensino catequético sobre a ressurreição e a salvação.
Qual é a interpretação psicológica do «Sinal de Jonas»?
O «Sinal de Jonas» também pode ser explorado através das lentes da psicologia, oferecendo informações sobre a condição humana, a transformação e a jornada de autodescoberta.
Viagem arquetípica:
Do ponto de vista junguiano, a história de Jonas pode ser vista como uma viagem arquetípica do herói. A descida de Jonas ao ventre do peixe representa uma morte simbólica, um período de introspecção e transformação dentro do inconsciente. Este processo é semelhante à experiência psicológica de confrontar a própria sombra ou aspetos ocultos do eu, conduzindo a uma maior autoconsciência e integração.
Crise e transformação:
Psicologicamente, o "Sinal de Jonas" significa uma crise que leva à transformação. O tempo de Jonas no peixe é uma noite escura da alma, um período de provação que, em última análise, conduz à renovação e a um novo sentido de propósito. Isto reflete a experiência humana de enfrentar desafios profundos ou crises que exigem uma reavaliação da vida e das prioridades, muitas vezes resultando num crescimento pessoal significativo.
Arrependimento e Reconciliação:
O tema do arrependimento na história de Jonas pode ser interpretado como o processo de reconhecimento e conciliação com os próprios erros e deficiências. Este arrependimento psicológico implica uma avaliação honesta das ações de cada um, conduzindo a uma verdadeira mudança e cura. Salienta a importância de assumir a responsabilidade pela vida e de procurar corrigir os erros do passado.
Símbolo da renovação:
A saída de Jonas dos peixes após três dias é um poderoso símbolo de renascimento e renovação. Em termos psicológicos, isto pode ser visto como a emergência de um eu renovado depois de um período de profunda reflexão e transformação. Representa o potencial para novos começos e a possibilidade de uma vida redefinida e enriquecida.
Inconsciente Coletivo:
O conceito de Carl Jung de inconsciente coletivo também pode ser aplicado para compreender a ressonância universal do «Signo de Jonas». Os temas da morte, do renascimento e da transformação estão profundamente enraizados na psique coletiva, tornando a história de Jonas um símbolo potente que ressoa entre culturas e épocas. Fala-nos da experiência humana universal de enfrentar e superar desafios existenciais profundos.
Resumo:
- O «Sinal de Jonas» pode ser visto como uma viagem arquetípica do herói, que envolve a morte simbólica e a transformação.
- Significa uma crise que conduz ao crescimento pessoal e a um propósito renovado.
- O tema do arrependimento envolve a reconciliação psicológica e a mudança genuína.
- A saída de Jonas do peixe simboliza o renascimento e a renovação.
- Repercute-se no conceito de Jung de inconsciente coletivo, representando temas universais de transformação.
O que disseram os Padres da Igreja sobre o «Sinal de Jonas»?
Os primeiros Padres da Igreja forneceram interpretações teológicas profundas do «Signo de Jonas», salientando o seu significado tipológico e as suas lições para a vida cristã.
Santo Agostinho:
Santo Agostinho via o «Signo de Jonas» como uma prefiguração da ressurreição de Cristo. Viu os três dias de Jonas no peixe como um símbolo dos três dias de Jesus no túmulo. Agostinho também destacou o arrependimento dos ninivitas como um modelo para todas as pessoas, ressaltando os temas da misericórdia divina e do chamado universal ao arrependimento. Em «A Cidade de Deus», Agostinho liga a história de Jonas à narrativa mais ampla da história da salvação, salientando o plano de Deus para salvar a humanidade através de Cristo.
São Jerónimo:
São Jerónimo, em seus comentários sobre os profetas, interpretou Jonas como um tipo de Cristo. Sublinhou o paralelismo entre a missão de Jonas a Nínive e a missão de Jesus ao mundo. Jerónimo salientou que, tal como Jonas era um sinal para os ninivitas, a ressurreição de Jesus é o sinal final para toda a humanidade. Os ensinamentos de Jerónimo salientaram igualmente a importância do arrependimento e da inclusividade da salvação de Deus, tirando partido da missão de Jonas a uma cidade gentia.
São João Crisóstomo:
São João Crisóstomo, conhecido por sua pregação eloquente, frequentemente fazia referência a Jonas em suas homilias. Ele usou a história de Jonas para ilustrar os temas do arrependimento, obediência e misericórdia divina. Crisóstomo enfatizou o contraste entre o arrependimento dos ninivitas na pregação de Jonas e a rejeição de Jesus pelos líderes judeus. Instou os seus ouvintes a abraçarem o verdadeiro arrependimento e a reconhecerem os sinais da obra de Deus no seu meio.
São Cirilo de Alexandria:
São Cirilo de Alexandria interpretou o «Signo de Jonas» como uma profecia direta da ressurreição de Cristo. Salientou que, tal como Jonas era um sinal para os ninivitas, a ressurreição de Jesus serve de sinal definitivo para todas as pessoas, demonstrando a sua autoridade divina e a verdade da sua mensagem. Cirilo também destacou o tema do arrependimento, exortando os crentes a voltarem-se para Deus com corações sinceros.
Resumo:
- Santo Agostinho: Viu o «Sinal de Jonas» como uma prefiguração da ressurreição de Cristo e um apelo ao arrependimento universal.
- São Jerónimo: Enfatizou Jonas como um tipo de Cristo e a importância do arrependimento e da salvação inclusiva.
- São João Crisóstomo: Destacou temas como o arrependimento, a obediência e a misericórdia divina, contrastando o arrependimento de Nínive com a rejeição de Jesus por parte dos líderes judeus.
- São Cirilo de Alexandria: Interpretou o sinal como uma profecia da ressurreição de Cristo e enfatizou o arrependimento sincero.
Factos & Estatísticas
- Referências Bíblicas: O "Signo de Jonas" é explicitamente mencionado em Mateus 12:39-41 e Lucas 11:29-32.
- A Duração de Jonas no Peixe: Jonas passou três dias e três noites no ventre do peixe (Jonas 1:17).
- Previsão de Jesus: Jesus predisse a sua própria ressurreição após três dias, em paralelo com a experiência de Jonas (Mateus 16:21).
- Arrependimento de Nínive: A pregação de Jonas levou ao arrependimento de toda a cidade de Nínive, que tinha mais de 120 000 habitantes (Jonas 3:10, 4:11).
- Contexto histórico: Nínive era a capital do Império Assírio, um dos impérios mais poderosos e temidos de seu tempo.
- Escritos dos Padres da Igreja: A «Cidade de Deus» de Santo Agostinho, os comentários de São Jerónimo e as homilias de São João Crisóstomo fazem referência extensiva ao «Sinal de Jonas».
Referências
Mateus 12:39
Jonas 1:17
Mateus 27:46
Mateus 12:38
João 11:9
João 14:6
João 2:19
Mateus 12:38-41
Lucas 11:30
Mateus 16:4
