Estudo Bíblico: Quais são as bem-aventuranças? As bem-aventuranças de Jesus Cristo explicadas




  • As bem-aventuranças são uma série de bênçãos pronunciadas por Jesus no início do Sermão da Montanha, encontradas em Mateus 5:3-12 e Lucas 6:20-22. Descrevem as características daqueles que são abençoados no reino de Deus, muitas vezes de formas que desafiam as noções convencionais de sucesso e felicidade.
  • Estes ensinamentos têm sido interpretados de várias formas em todas as tradições cristãs, mas são geralmente vistos como um guia para a vida cristã, descrevendo o discípulo ideal e os valores do reino de Deus. Destacam qualidades espirituais como a humildade, a misericórdia e a pacificação sobre o sucesso mundano.
  • As bem-aventuranças moldaram significativamente a ética e os valores cristãos, promovendo uma ética da não-violência, da integridade, da justiça social e da humildade. Desafiam os crentes a viver contraculturalmente, encontrando bem-aventurança na pobreza espiritual e perseguição por causa da justiça.
  • Historicamente, as bem-aventuranças foram revolucionárias em seu contexto do primeiro século, oferecendo esperança aos marginalizados e desafiando as normas religiosas e sociais vigentes. Continuam a ser uma fonte de conforto, desafio e inspiração para os cristãos de hoje, convidando-os a um modo de vida transformador centrado na comunhão com Deus.

O que são as bem-aventuranças e onde elas são encontradas na Bíblia?

As Bem-aventuranças são uma série de bênçãos proclamadas por nosso Senhor Jesus Cristo no início de seu Sermão da Montanha. Eles são encontrados no Evangelho de Mateus, capítulo 5, versículos 3 a 12. No Evangelho de Lucas, encontramos uma versão semelhante e mais curta no capítulo 6, versículos 20 a 22.

A palavra «beatitude» provém do latim «beatitudo», que significa felicidade ou bem-aventurança. No grego original do Novo Testamento, a palavra utilizada é «makarios», que pode ser traduzida como «bem-aventurado», «feliz» ou «afortunado».

Estes ensinamentos de Jesus apresentam uma nova e radical compreensão do que significa ser abençoado por Deus. Eles desafiam nossas noções mundanas de sucesso e felicidade, convidando-nos a ver a vida através dos olhos da fé.

No Evangelho de Mateus, existem oito (ou nove, dependendo da forma como são contadas) bem-aventuranças. Começam com a frase «Bem-aventurados...», seguida de uma descrição de um grupo específico de pessoas e de uma promessa da bênção que receberão.

As bem-aventuranças do Evangelho de Mateus são:

  1. «Bem-aventurados os pobres de espírito, porque deles é o reino dos céus.»
  2. «Bem-aventurados os que choram, porque serão consolados.»
  3. «Bem-aventurados os mansos, porque herdarão a terra.»
  4. «Bem-aventurados os que têm fome e sede de justiça, porque serão saciados.»
  5. «Bem-aventurados os misericordiosos, porque lhes será dada misericórdia.»
  6. «Bem-aventurados os puros de coração, porque verão a Deus.»
  7. «Bem-aventurados os pacificadores, porque serão chamados filhos de Deus.»
  8. «Bem-aventurados os perseguidos por causa da justiça, porque deles é o reino dos céus.»

A nona bem-aventurança, que alguns consideram uma extensão da oitava, afirma: «Bem-aventurados sois vós quando vos insultarem, perseguirem e disserem falsamente todo o mal contra vós por minha causa. Alegrai-vos e alegrai-vos, porque grande é a vossa recompensa nos céus, pois assim perseguiram os profetas que foram antes de vós.

No Evangelho de Lucas, encontramos quatro bem-aventuranças, seguidas de quatro «ai». Esta apresentação cria um forte contraste entre aqueles que são abençoados e aqueles que enfrentam perigo espiritual.

As Bem-aventuranças formam a abertura do Sermão da Montanha, que é considerado um dos mais importantes acervos dos ensinamentos de Jesus. Eles definiram o tom para o resto do sermão, introduzindo temas de humildade, compaixão e fome espiritual que Jesus expandirá nos capítulos seguintes.

Vejo nas Bem-aventuranças uma poderosa compreensão da natureza humana e o caminho para a verdadeira realização. Reconheço seu caráter revolucionário no contexto do judaísmo do primeiro século e seu impacto duradouro no pensamento e na prática cristã ao longo dos séculos.

No coração de cada pessoa, há um desejo profundo e inquieto de felicidade. Procuramo-lo em todo o lado. O mundo oferece-nos muitas respostas, sussurrando que a alegria pode ser encontrada nas riquezas, no sucesso, numa vida cheia de prazer e livre de problemas.1 Perseguimos estas coisas, pensando que preencherão o vazio que sentimos por dentro. Mas, muitas vezes, deixam-nos com um coração ainda mais vazio.1 Há outro caminho. É um caminho surpreendente, um caminho revolucionário que inverte completamente a lógica do mundo. É o caminho que Jesus, nosso Senhor, nos oferece.

As bem-aventuranças são a resposta amorosa de Jesus às nossas perguntas mais profundas. Não são um conjunto de regras frias e difíceis que nos pesam. Em vez disso, são um roteiro para uma vida de alegria poderosa e duradoura, uma alegria que o mundo não pode dar e não pode tirar.2 Estas belas bênçãos, que nos foram dadas no Sermão da Montanha, são como um bilhete de identidade cristão.4 Mostram-nos um retrato do Mestre, um reflexo do rosto de Jesus, que somos chamados a espelhar na nossa vida quotidiana.5

Este caminho pode parecer desafiador. Pede-nos para sermos pobres quando o mundo nos diz para sermos ricos, para sermos mansos quando o mundo nos diz para sermos poderosos, para chorar quando o mundo nos diz apenas para rir. Mas não devemos ter medo. O Senhor pede-nos tudo e, em troca, oferece-nos a verdadeira vida, a própria felicidade para a qual fomos criados.7 Então, sigamos juntos este caminho. Abramos o coração para compreender este caminho belo e seguro para a felicidade que o Senhor nos propõe, porque as bem-aventuranças conduzem sempre à alegria.

Retrato de um Coração Abençoado: Explorar as bem-aventuranças uma a uma

Jesus explicou com grande simplicidade o que significa ser santo quando nos deu as bem-aventuranças. São um retrato do Mestre, que somos chamados a reflectir na nossa vida quotidiana.5 Caminhemos um a um por eles, permitindo que as suas palavras nos desafiem e abram os nossos corações à verdadeira felicidade.

O que significa ser «pobre em espírito»?

A primeira bênção que Jesus nos dá é a chave que desbloqueia todas as outras.19 Ele diz: «Bem-aventurados os pobres de espírito, porque deles é o reino dos céus».21 Este não é um apelo para ficar triste ou para não ter uma personalidade vibrante. Ser «pobre de espírito» significa algo muito mais profundo. Significa reconhecer a nossa necessidade completa e total de Deus.21 É a humildade de estar diante do nosso Criador com as mãos vazias, sabendo que não temos poder em nós mesmos para ganhar o Seu amor ou salvar-nos a nós mesmos.24 É precisamente o oposto do orgulho que sussurra: «Sou forte o suficiente. Não preciso de ninguém. Posso fazê-lo sozinho».19

O mundo diz-nos que devemos ser alguma coisa, que devemos fazer um nome para nós mesmos.26 Mas este caminho de auto-suficiência muitas vezes leva a uma profunda solidão e infelicidade. Na minha exortação apostólica Gaudete et Exsultate, Escrevi que esta pobreza de espírito é uma espécie de sobriedade. Liberta-nos do «consumo voraz» que pode pesar sobre a alma e matá-la.27 É a liberdade de saber que Deus é o Senhor, não os nossos bens, não as nossas realizações, nem mesmo as nossas opiniões queridas.27 Quando vivemos com esta humildade, esta pobreza de espírito, há menos divisões, menos argumentos e menos controvérsias nas nossas famílias e nas nossas comunidades, porque já não somos teimosos à nossa maneira, mas estamos abertos aos caminhos de Deus e dos outros27.

Esta pobreza espiritual não é uma maldição, um vazio libertador. O mundo vê qualquer tipo de pobreza como uma terrível falta, um estado a ser escapado a todo custo.28 A palavra grega usada aqui, ptochos, pode até descrever um mendigo encolhido de vergonha, completamente destituído.25 No entanto, Jesus vira-lhe esta imagem na cabeça. Declara que este estado é abençoado, porque é o vazio necessário que permite a Deus encher-nos com Sua graça.19 Só quando admitimos que estamos vazios é que podemos ser preenchidos.

Vemos esta verdade nas histórias dos nossos irmãos e irmãs. Uma mulher, depois de anos a tentar controlar a sua vida, foi posta de joelhos pela depressão e ansiedade. Sentia-se completamente impotente. Nesse momento de total fraqueza, rezou a mais simples das orações: «Deus, ajuda». Mais tarde, escreveu: «Estas duas palavras, ao que parece, são as chaves do seu reino».24 A sua história, e tantas outras semelhantes, mostra-nos que os nossos momentos de impotência não são um sinal de fracasso. São um convite de Deus. São uma bendita oportunidade de sermos esvaziados de nosso orgulho e cheios de seu amor e força sem fim.

Como podemos encontrar a bênção quando choramos?

A segunda benção que Jesus nos oferece parece-nos uma grande contradição: «Bem-aventurados os que choram, porque serão consolados».29 Como podem ser abençoados os que estão cheios de tristeza?30 Jesus não fala aqui de uma dor mundana, de um desespero que só conduz à morte e à amargura. Fala de uma «dor piedosa», um luto que abre o coração ao toque curativo de Deus31.

Este luto abençoado tem duas belas dimensões. É uma tristeza profunda e sincera pelos nossos próprios pecados. É a dor que sentimos quando reconhecemos como falhamos em amar, como ferimos os outros e como nos afastamos de Deus. É a dor de um coração que vê o desgosto no mundo e em si mesmo, e anseia por que seja curado.33

Este luto é a compaixão que sentimos quando vemos os outros sofrerem. É a capacidade de «sofrer com» os nossos irmãos e irmãs que sofrem a perda de um ente querido, que estão doentes ou que estão sozinhos. É a mesma compaixão que levou Jesus a chorar no túmulo do seu amigo Lázaro, partilhando a dor da sua família.36 O mundo diz-nos para evitar a dor a todo o custo, para procurar entretenimento e distracção, para encobrir e esconder-se do sofrimento.5 Mas uma pessoa de fé não foge de situações dolorosas. Na minha exortação

Gaudete et Exsultate, Escrevi que descobrimos o verdadeiro sentido da vida ao virmos em auxílio daqueles que sofrem, ao compreendermos a sua angústia e ao sabermos chorar com os outros. Isto é santidade.5

Este luto é o próprio solo em que o conforto autêntico pode crescer. O mundo oferece-nos distração Jesus promete conforto. Este consolo não é um esquecimento da nossa dor, uma paz profunda e permanente que só Deus pode dar. Uma mulher cujo marido morreu em um acidente de carro sentiu-se perdida e sozinha. Mas, em sua mais profunda dor, voltou-se para a Palavra de Deus. Mais tarde, partilhou que se tratava de um «bálsamo calmante de cura e misericórdia que fluía por toda a minha alma... As palavras de Cristo salvaram-me de me afogar em autopiedade».38 Aprendeu que a promessa de Deus é verdadeira: Os que choram

Will Muitas vezes, aqueles que estão de luto encontram o maior conforto não a partir de conselhos da presença simples e amorosa de outro que está disposto a ouvir e compartilhar suas histórias.41 Isto é porque a verdadeira compaixão não é uma habilidade que aprendemos uma graça que recebemos. O caminho para consolar os outros começa quando, pela primeira vez, permitimos que Deus nos conforte no nosso próprio desgosto. Quando lamentamos nossas próprias falhas, nossos corações tornam-se ternos, tornando-nos capazes de lamentar genuinamente com os outros. O conforto que recebemos torna-se o conforto que podemos partilhar.

Quem são os mansos e qual é a sua força?

«Bem-aventurados os mansos, porque herdarão a terra».10 Este é outro dos ensinamentos de Jesus que inverte os valores do mundo. A mansidão é uma das virtudes mais incompreendidas. O mundo vê isso como fraqueza, como ser tímido, passivo, ou um tapete para os outros andarem.42 Mas isto não é o que Jesus quer dizer.

A mansidão bíblica não é fraqueza. é «poder sob controlo».43 É a força silenciosa de uma pessoa que confia em Deus tão completamente que não precisa de lutar pelo seu próprio caminho, afirmar a sua própria importância ou vingar-se quando é injustiçada.44 A pessoa mansa é gentil e paciente e não sem espinha. Pensem em Moisés, a quem as Escrituras chamam o homem mais manso da terra, mas que foi o líder poderoso que guiou o povo de Deus através do deserto46. Pensem no próprio Jesus, que disse: «Aprendei de mim, porque sou manso e humilde de coração» e, no entanto, demonstrou a maior força que o mundo já conheceu na Cruz47.

Num mundo cheio de conflitos e de vontade de dominar, Jesus mostra-nos o caminho da mansidão. Como escrevi em Gaudete et Exsultate, Se estivermos sempre impacientes e chateados com os outros, acabaremos esgotados e cansados. Mas se podemos olhar para as faltas e limitações dos outros com ternura e mansidão, sem um ar de superioridade, podemos ajudá-los e parar de desperdiçar a nossa energia em queixas inúteis.37 Esta mansidão é uma expressão da pobreza interior daqueles que depositam a sua confiança apenas em Deus.5

O oposto da mansidão é a necessidade ansiosa de estar no controle, de ganhar todos os argumentos, de estar sempre certo.48 Esta ansiedade vem do medo - medo de perder, medo de ser esquecido, medo da injustiça. A mansidão, portanto, não é um traço de personalidade como ser tímido. É uma postura espiritual nascida de uma fé poderosa. É a coragem de confiar a sua causa a Deus. É a corajosa decisão de acreditar que Deus é o seu defensor, que a Sua justiça é mais confiável do que as suas próprias tentativas de vingança, e que Ele trabalhará todas as coisas para o seu bem.43 Vemos isso na vida de Moisés, que, quando foi criticado, não se defendeu, mas esperou pacientemente que Deus agisse em seu nome.45

Podemos ver esta força suave na história. Cincinnatus, um simples agricultor romano, recebeu poder absoluto para salvar sua cidade. Depois de sua vitória, o povo queria fazê-lo rei, ele silenciosamente deixou seu poder e voltou para sua fazenda.49 George Washington, inspirado por esta história, recusou-se a tornar-se rei e, em vez disso, escolheu servir como presidente com poder limitado.49 E vemos isso hoje na vida de um orador cristão que, depois de ser introduzido com grande louvor, humildemente confessou à multidão que lutou com o pecado como todos os outros, escolhendo a conexão em vez da autoglória.50 Em nossas próprias vidas, a mansidão é a coragem de ser gentil fora da fé, confiando em Deus o resultado final de nossos conflitos no trabalho, em nossas famílias e em nosso mundo.

O que significa fome e sede de justiça?

«Bem-aventurados os que têm fome e sede de justiça, porque serão saciados».51 Este não é um desejo casual nem uma preferência branda. Jesus fala de uma ânsia profunda, dolorosa, desesperada, como uma pessoa que está faminta de comida ou a morrer de sede.52 É um anseio que diz: «Não posso viver sem isto.» E o que é que devemos desejar tão intensamente? É a "justiça".

Esta justiça não é simplesmente manter um conjunto de regras perfeitamente. Os fariseus eram especialistas em seguir as regras Jesus disse que sua justiça não era suficiente para entrar no reino dos céus.54 A verdadeira justiça é uma relação correta - com Deus e com os outros.55 Esta fome tem três belas dimensões. É uma fome de uma relação reta com o próprio Deus, de ser justificado e purificado aos seus olhos.52 É uma fome de viver uma vida boa e moral, uma vida de caráter e conduta que agrada a Deus.52 E é uma fome de justiça social num mundo que muitas vezes é cruel e injusto. É um desejo profundo ver os pobres defendidos, os oprimidos levantados e a vontade de Deus feita na terra como no céu.52

Como escrevi em Gaudete et Exsultate, a verdadeira justiça ganha vida quando as pessoas são justas nas suas próprias decisões, especialmente na forma como tratam os pobres e os marginalizados.5 Esta fome de justiça de Deus é exatamente o oposto da ideia de justiça do mundo, que é tão frequentemente estragada pela corrupção e pelos interesses egoístas.5 Jesus promete que aqueles que têm esta fome profunda serão saciados. Ficarão satisfeitos.

Isto liberta-nos do pesado fardo do perfeccionismo. O objetivo não é tornar-se um seguidor perfeito de regras para tornar-se uma pessoa que deseja apaixonadamente relacionamentos amorosos, justos e completos, começando com Deus e fluindo para todos os nossos irmãos e irmãs. Vemos esta luta em nossos próprios corações. Uma mulher escreveu honestamente sobre a forma como se apercebeu de que era mais «sexy para o sucesso dos meus filhos do que eu para a água» e ansiava por «coisas bonitas como eu faço comida».48 A sua reflexão honesta mostra a batalha que todos enfrentamos: Para afastar a nossa fome das coisas passageiras deste mundo e para a justiça que por si só pode verdadeiramente satisfazer as nossas almas. Vemos também um exemplo poderoso na vida do Rei Davi. Depois do seu terrível pecado, não se limitou a apresentar um pedido de desculpas. No Salmo 51, derrama o seu coração, suplicando a Deus: «Cria em mim, ó Deus, um coração puro, e renova em mim um espírito reto».58 Este é o grito de uma alma que verdadeiramente tem fome e sede de ser reparada com Deus.

Como podemos ser misericordiosos como o Pai?

«Bem-aventurados os misericordiosos, porque ser-lhes-á dada misericórdia».59 Aqui chegamos ao próprio coração de Deus, porque a misericórdia é o seu atributo mais terno.60 Esta bem-aventurança é especial porque contém uma promessa direta de reciprocidade: Se mostrarmos misericórdia, receberemos misericórdia.60 A misericórdia trata as pessoas melhor do que merecem.62 Tem dois rostos bonitos: A compaixão e o perdão.63

Compaixão significa que entramos verdadeiramente no sofrimento de outra pessoa. Não olhamos à distância com pena. O perdão significa que deixamos ir o nosso direito de nos vingarmos. Libertamos a pessoa que nos feriu da dívida que tem, assim como Deus nos libertou da nossa imensa dívida de pecado.

A lógica do mundo é: «Serei misericordioso para contigo, se tu fores misericordioso para comigo.» Mas Jesus dá a volta a isto. A capacidade de ser misericordioso não é algo que podemos produzir por conta própria. Decorre da compreensão profunda e pessoal de que nós mesmos somos um «exército do perdoado».63 Como já disse muitas vezes, a misericórdia é o coração pulsante da Igreja.67 Sem ela não pode haver cristianismo.60 Trata-se de dar, ajudar e servir os outros, significa também perdoar e compreendê-los. Devemos sempre lembrar-nos de que somos todos devedores. Todos precisamos da misericórdia de Deus. E esta nossa pobreza, esta necessidade, torna-se a força que nos permite perdoar. Por termos sido tão perdoados, tornamo-nos capazes de perdoar os outros.60 Ver e agir com misericórdia - isto é santidade.63

A misericórdia nem sempre exige grandes gestos. Encontra-se frequentemente nas pequenas escolhas do dia-a-dia que fazemos. Um escritor descreveu-o lindamente: misericórdia é desistir do seu lugar no autocarro sem fazer uma demonstração disso. Não é suspiro de impaciência para a pessoa na linha de check-out que está a demorar muito tempo. É dar aos outros o benefício da dúvida.68 Outra pessoa compartilhou exemplos simples de ser um pai: ajudar uma criança a encontrar um livro perdido, mesmo quando era descuidada, ou louvar o trabalho imperfeito de uma criança apenas para encorajar o seu coração.69 Estes pequenos atos de misericórdia criam uma atmosfera de graça e amor nas nossas casas, nos nossos locais de trabalho e nas nossas comunidades.64 Para aqueles que lutam para perdoar ou ser compassivos, o primeiro passo não é esforçar-se mais. O primeiro passo é voltar-se para Deus e pedir para ser preenchido novamente com uma poderosa consciência de sua infinita misericórdia para você. A misericórdia é um fruto que cresce a partir da raiz de ter sido perdoado.

O que é um «coração puro» e como vemos Deus?

«Bem-aventurados os puros de coração, porque verão a Deus».70 Quando ouvimos as palavras «coração puro», muitas vezes pensamos primeiro na pureza sexual, e isso faz parte dela.71 Mas o significado desta bem-aventurança é muito mais profundo e amplo. Um coração puro é uma indivisa coração.73 É um coração que tem aquilo a que os santos chamam «único coração».71 É um coração que não está a tentar servir a dois senhores – Deus e o dinheiro, ou Deus e o mundo.72 Um coração puro é aquele cujas intenções são simples, claras e sem hipocrisia. Não há motivos ocultos. O seu único desejo é amar e agradar a Deus em todas as coisas.74

Em Gaudete et Exsultate, expliquei que a Bíblia usa a palavra «coração» para descrever as nossas verdadeiras intenções, as coisas que verdadeiramente procuramos e desejamos, para além de todas as aparências.37 Um coração puro é um coração simples e imaculado, um coração capaz de amor que não permite a entrada de nada que possa prejudicar, enfraquecer ou pôr em perigo esse amor.37 Deus quer falar aos nossos corações; É ali que Ele quer escrever a sua lei. Quando o nosso coração é puro, está livre de tudo o que mancha o amor.

A promessa ligada a esta bem-aventurança é única e bela: os puros de coração «verão a Deus».75 Como estão ligados a pureza e a visão? Um coração dividido conduz a uma espécie de dupla visão espiritual. Não podemos ver claramente quando estamos a tentar olhar em duas direções ao mesmo tempo.72 A pureza de coração tem a ver com integridade - ser inteiro, indiviso. Quando o desejo do nosso coração é unificado e centrado numa coisa — Deus — a nossa visão espiritual torna-se clara. Deixamos de ver o mundo e as outras pessoas através das lentes distorcidas dos nossos próprios desejos egoístas, dos nossos medos e das nossas ambições. Em vez disso, começamos a vê-los como Deus os vê. Começamos a ver o próprio Deus, a trabalhar nas nossas vidas e no mundo à nossa volta.

Podemos ver isso na história de uma jovem que, depois de ter sido ferida em um relacionamento, correu de volta para Jesus. Tomou a decisão consciente de seguir uma vida que honrasse a Deus. Disse: «Quando me apaixonei por Jesus, a minha «única coisa» tornou-se glorificá-Lo. A pureza sexual era o transbordamento natural desse desejo principal».76 A sua história mostra que a pureza do coração não tem a ver com ter um passado perfeito. Trata-se de uma decisão atual de querer uma coisa: Amar e honrar a Deus acima de qualquer outra coisa. Isto liga-se à sabedoria dos antigos pais do deserto, que ensinavam que a pureza de coração significa superar o desejo de possuir, julgar e controlar e, em vez disso, escolher tornar-se, como se dizia, «fogo total» para Deus.77 Se sentimos que a nossa vida espiritual está nebulosa ou que Deus está distante, esta bem-aventurança convida-nos a olhar para o nosso próprio coração. O meu coração está dividido? Estou a tentar amar a Deus e a outra coisa? O caminho para ver Deus mais claramente é o caminho para purificar as nossas intenções e os nossos desejos.

Como podemos ser pacificadores num mundo de conflitos?

«Bem-aventurados os pacificadores, porque serão chamados filhos de Deus».78 Num mundo tão ferido pela divisão, pela violência e pela guerra, este apelo é mais urgente do que nunca. Mas o que significa ser um pacificador? Não é o mesmo que ser um «amante da paz» ou simplesmente alguém que evita conflitos a todo o custo79. Ser pacificador é um trabalho ativo, enérgico e, por vezes, muito confuso81.

A palavra bíblica para a paz é a palavra hebraica. shalom. Esta palavra significa muito mais do que apenas a ausência de luta. Significa totalidade, bem-estar, harmonia e relação reta.81 Um pacificador, portanto, é alguém que trabalha ativamente para construir pontes, curar divisões e reconciliar as pessoas umas com as outras e com Deus.81

Como já disse, a paz não é apenas uma questão política. É uma questão evangélica. E é muitas vezes «feito em casa».67 Começa nas nossas próprias comunidades e até nos nossos próprios corações. Em Gaudete et Exsultate, Eu escrevi que o mundo está cheio de guerra, muitas vezes nós mesmos somos a causa do conflito, especialmente através do veneno da fofoca, que cria divisão e destrói as relações.5 A verdadeira paz significa construir amizades e optar por permanecer em relação mesmo com pessoas que achamos difíceis, exigentes ou diferentes.7 Esta paz evangélica não exclui ninguém.37

A promessa para os pacificadores é que "serão chamados filhos de Deus".83 Porquê este título específico? É porque o próprio Deus é o derradeiro pacificador. Através da Cruz de Jesus, Deus reconciliou consigo uma humanidade despedaçada e hostil, derrubando o muro divisor da hostilidade.81 Portanto, quando trabalhamos para fazer a paz, estamos a fazer a obra do nosso Pai. Estamos a mostrar uma semelhança familiar. Não se trata apenas de uma actividade social nobre; É uma parte fundamental da nossa identidade como cristãos. Cada vez que ajudamos a reparar uma relação quebrada, encorajamos o perdão ou nos opomos às forças da divisão, estamos a tornar a nossa identidade como filhos de Deus visível para um mundo observador.

Vemos este trabalho de paz à escala mundial nos difíceis esforços de diplomatas e organizações como as Nações Unidas para pôr termo às guerras e construir um entendimento entre as nações.84 Mas também o vemos no trabalho corajoso de grupos como o Círculo dos Pais, em que famílias israelitas e palestinianas que perderam filhos no conflito se reúnem para trabalhar pela reconciliação em vez da vingança.87 Vemo-lo em comunidades que praticam a justiça restaurativa, reunindo vítimas e infratores para encontrar um caminho para a cura.88 E vemos isso no ato simples e corajoso de uma criança num parque infantil que intervém entre um agressor e uma vítima para dizer: «Parem».89

Por que devemos nos alegrar quando somos perseguidos?

«Bem-aventurados os que são perseguidos por causa da justiça, porque deles é o reino dos céus».90 Esta bênção final é talvez a mais difícil de compreender e a mais difícil de viver. Jesus promete bênçãos aos que são insultados, maltratados e enganados porque O seguem.91 Isto não é uma bênção para o sofrimento que provém da nossa própria loucura ou pecado. É uma bênção para o sofrimento que surge porque estamos a tentar viver para o que é certo e verdadeiro num mundo que muitas vezes rejeita os caminhos de Deus.92

Quando realmente tentamos viver as outras bem-aventuranças - quando somos mansos em vez de agressivos, misericordiosos em vez de vingativos e pacificadores em vez de divisores - o mundo, que opera em princípios opostos, muitas vezes nos entende mal, nos ridiculariza e até nos odeia por isso.92 Aceitar o Evangelho é ir "contra o fluxo" da cultura que nos rodeia.37

Como escrevi na minha exortação, este caminho exige, por vezes, que desafiemos a sociedade e até que sejamos um «incómodo» na luta pela justiça.7 Este caminho pode envolver cansaço e sofrimento por causa do Evangelho é uma parte inseparável da santidade cristã.7 Quando enfrentamos perseguições, não devemos ficar desanimados ou amargos. Em vez disso, Jesus diz-nos para "alegrarmo-nos e alegrarmo-nos", pois a nossa recompensa no céu é grande, e estamos partilhando o mesmo destino honroso que os profetas que vieram antes de nós.7

De um ponto de vista mundano, ser perseguido é um sinal de fracasso. Significa que estás do lado perdedor. Mas Jesus vira esta lógica completamente de cabeça para baixo. Observe que a promessa para os perseguidos - "pois deles é o reino dos céus" - é exatamente a mesma promessa dada aos pobres de espírito no início.29 Isso cria um quadro poderoso em torno de todas as bem-aventuranças. O caminho de um discípulo começa em reconhecer a nossa própria pobreza espiritual e muitas vezes acaba em ser oposto pelo mundo para a nossa fidelidade a Cristo. Perseguição, portanto, não é um sinal de que estamos a fazer algo errado. Pode ser uma confirmação de que estamos a fazer algo certo.94 É prova de que os poderes das trevas vêem que estamos a conseguir fazer avançar o reino da luz e do amor de Deus.94

Isto dá-nos imensa coragem. As histórias da igreja perseguida em todo o mundo hoje são um poderoso testemunho desta verdade. Ouvimos falar de Ramata, uma mulher no Burkina Faso, que foi trancada num galpão por sua própria família e deixada a morrer de fome por causa de sua fé em Jesus. No entanto, fala apenas da fidelidade de Deus e, desde então, reconciliou-se com o seu pai95. Ouvimos falar de um rapaz de 17 anos na Coreia do Norte que foi espancado por guardas por transportar Bíblias. Utilizou os seus momentos finais para não os amaldiçoar para os testemunhar, e levou um deles a Cristo antes da sua própria execução, dizendo que a sua vida estava agora «cheia».96 Estas não são histórias de desespero. São histórias de uma alegria poderosa e inabalável que o mundo não consegue compreender. Quando a nossa própria fé é ridicularizada, quando a nossa defesa da justiça é ridicularizada, ou quando enfrentamos oposição por viver uma vida moral, não devemos desanimar. Devemos alegrar-nos, pois estamos andando nos passos dos profetas e do próprio Jesus, e é um sinal seguro de que o Reino dos Céus é verdadeiramente nosso.

Como podemos percorrer este caminho hoje?

O caminho das bem-aventuranças pode parecer alto e difícil, um apelo a uma santidade que parece inatingível.11 Mas não devemos desanimar. O Senhor não nos chama a sermos cópias perfeitas de grandes santos do passado. Ele chama cada um de nós a percorrer o seu caminho único para a santidade, dando-nos a conhecer o melhor de nós mesmos.11

A santidade não está reservada aos bispos, sacerdotes ou religiosas. É para todos. Gosto de falar dos «santos da porta ao lado» — pessoas comuns que vivem vidas de amor extraordinário.98 A santidade encontra-se no imenso amor dos pais que criam os seus filhos, nos homens e mulheres que trabalham arduamente todos os dias para sustentar as suas famílias, nos doentes que suportam o seu sofrimento com paciência e nos religiosos idosos que nunca perdem o sorriso.97 As suas vidas mostram-nos que o caminho para a santidade se encontra na nossa vida quotidiana. Não se trata de fazer coisas dramáticas sobre fazer coisas comuns com grande amor.100 É nos «pequenos gestos» de bondade e paciência que vivemos verdadeiramente as bem-aventuranças.101

Para nos ajudar a ver este caminho na nossa própria vida, podemos pensar nas bem-aventuranças em termos modernos. Talvez hoje Jesus possa dizer:

  • Bem-aventurados os trabalhadores sociais esgotados e os professores sobrecarregados de trabalho, porque demonstram misericórdia.89
  • Bem-aventurados os meninos que se sentam sozinhos à mesa do almoço, porque a sua mansidão é vista por Deus.89
  • Bem-aventurados os que têm cancro, porque no seu luto os seus olhos se abrem para o verdadeiro valor da vida.
  • Bem-aventurados os agnósticos e os que duvidam, porque a sua pobreza espiritual os torna abertos a serem surpreendidos por Deus.89

Esta viagem é para toda a vida. É uma batalha constante contra as tentações do mundo e a nossa própria fraqueza.104 Mas não a andamos sozinhos. Andamos em comunidade com nossos irmãos e irmãs, e somos fortalecidos pela graça de Deus, que recebemos nas Escrituras e nos Sacramentos.

Há diferentes interpretações das bem-aventuranças entre as tradições cristãs?

As bem-aventuranças, como muitas partes da Escritura, foram compreendidas de várias maneiras ao longo da história cristã. Estas diferentes interpretações refletem a rica diversidade de nossas tradições de fé, cada uma oferecendo informações valiosas.

Na tradição ortodoxa oriental, as bem-aventuranças são muitas vezes vistas como passos na vida espiritual. Eles são compreendidos como uma progressão, cada edifício sobre o anterior. Esta visão convida-nos a ver a vida cristã como um caminho de crescimento e transformação contínuos.

A tradição católica romana tem frequentemente enfatizado as bem-aventuranças como expressões da perfeição cristã. Eles são vistos como ideais a que todos os crentes devem aspirar, mesmo que a plena realização só possa vir na eternidade. Esta interpretação desafia-nos à conversão contínua e ao crescimento na santidade.

Muitas tradições protestantes, em especial as influenciadas pela Reforma, sublinharam as bem-aventuranças como descrições da graça de Deus em ação nos crentes. Não são vistos como objetivos a serem alcançados, mas como características que Deus produz em seu povo. Este ponto de vista lembra-nos da nossa dependência da graça divina.

A teologia da libertação tem frequentemente interpretado as bem-aventuranças através da lente da justiça social. As bênçãos para os pobres e para aqueles que têm fome de justiça são vistas como apelos à ação concreta para combater as desigualdades sociais. Isto desafia-nos a considerar as implicações sociais das palavras de Jesus.

Algumas tradições carismáticas e pentecostais têm enfatizado as bem-aventuranças como promessas de bênção para os crentes. Por vezes, são interpretadas como garantias do favor e da provisão de Deus para aqueles que seguem a Cristo. Este ponto de vista encoraja a fé e a expectativa da bondade de Deus.

As tradições anabatistas e da igreja da paz centraram-se frequentemente nos ensinamentos das bem-aventuranças sobre a não violência e a pacificação. Vêem nestas palavras um apelo à pacificação activa e à rejeição da violência. Esta interpretação desafia-nos a ser agentes de reconciliação num mundo dividido.

Tradições monásticas têm frequentemente visto as bem-aventuranças como um guia para a vida consagrada. Eles são compreendidos como descrevendo o ideal de pobreza, castidade e obediência. Este ponto de vista convida-nos a todos a considerar como podemos viver de forma mais simples e devotada.

Alguns movimentos teológicos modernos, como a teologia feminista, têm reinterpretado as bem-aventuranças a partir da perspectiva de grupos marginalizados. Vêem nas palavras de Jesus uma bênção especial para aqueles que são ignorados pela sociedade. Isso nos desafia a considerar como estes ensinamentos falam de questões de poder e privilégio.

Certas tradições evangélicas têm enfatizado as bem-aventuranças como descrições do caráter cristão. São vistos como retratos de como deve ser um verdadeiro seguidor de Cristo. Esta interpretação convida-nos a examinar a nossa própria vida à luz destes ideais.

Os movimentos ecuménicos têm frequentemente utilizado as bem-aventuranças como um terreno comum para o diálogo entre as diferentes tradições cristãs. São vistos como ensinamentos fundamentais que todos os cristãos podem concordar, apesar de outras diferenças. Isto recorda-nos o poder unificador das palavras de Jesus.

Qual é o contexto histórico e cultural das bem-aventuranças?

Para compreender mais profundamente as bem-aventuranças, devemos considerar o mundo em que Jesus pronunciou estas palavras. Seus ensinamentos não vieram num vácuo, mas foram moldados e falaram com as realidades históricas e culturais de Seu tempo.

Jesus entregou as Bem-aventuranças na Palestina do primeiro século, uma terra sob ocupação romana. O povo ansiava pela libertação e restauração da nação. Neste contexto, as palavras de Jesus sobre o Reino dos Céus tiveram implicações políticas poderosas, oferecendo esperança para além dos poderes terrenos.

A paisagem religiosa era dominada por vários grupos judaicos – fariseus, saduceus, essénios e outros. Cada um tinha sua própria interpretação do que significava ser justo perante Deus. Os ensinamentos de Jesus nas bem-aventuranças muitas vezes desafiavam e reformulavam estes entendimentos.

Economicamente, havia uma grande divisão entre os ricos e os pobres. Muitos povos lutaram sob a tributação e a dívida pesadas. As bênçãos de Jesus sobre os pobres e os que têm fome teriam ressoado profundamente com os que estão à margem da sociedade.

O conceito de «bem-aventurança» ou «felicidade» (makarios em grego) não era exclusivo de Jesus. Foi usado na filosofia grega e no Antigo Testamento, muitas vezes para descrever o estado da pessoa justa ou sábia. Jesus toma este conceito familiar e dá-lhe um novo significado.

O formato das Bem-aventuranças ecoa a literatura sapiencial do Antigo Testamento, particularmente os Salmos e Provérbios. Jesus estava a inspirar-se numa forma familiar para transmitir a Sua mensagem radical. Isto lembra-nos de como Ele frequentemente usava formas conhecidas para comunicar novas verdades.

No mundo greco-romano, os discursos públicos eram uma forma comum de ensino e persuasão. O Sermão da Montanha, que começa com as Bem-aventuranças, segue alguns padrões destes discursos enquanto subverte outros. Jesus estava a envolver-se e a desafiar as tradições retóricas do Seu tempo.

Os valores elogiados nas bem-aventuranças – humildade, misericórdia, pacificação – contrastavam frequentemente com a cultura de honra e vergonha do antigo mundo mediterrânico. Jesus estava a chamar os seus seguidores para um modo de vida contra-cultural.

A promessa do «Reino dos Céus» nas bem-aventuranças teve em conta as expectativas messiânicas judaicas. Mas Jesus redefine o que este Reino parece, enfatizando a transformação espiritual e não política.

As bem-aventuranças eram faladas em um contexto onde a pureza ritual era altamente valorizada. A ênfase de Jesus nas qualidades interiores, como a pureza de coração e a fome de justiça, desafiava este foco nas observâncias externas.

As metáforas agrícolas utilizadas em algumas das bem-aventuranças (como a fome e a sede de justiça) teriam ecoado na sociedade, em grande parte agrária, do tempo de Jesus. Usava imagens familiares para transmitir poderosas verdades espirituais.

Qual é a grande promessa das bem-aventuranças?

Começámos por perguntar sobre o segredo de uma vida feliz. Terminamos onde começámos, com a bela promessa de Jesus. As bem-aventuranças não são um fardo que nos é imposto por um dom que nos é oferecido. São a promessa da vida verdadeira e da alegria autêntica.7

Este caminho liberta-nos da escravidão do egocentrismo, do cansativo trabalho de tentar construir o nosso próprio reino.1 Ela quebra as fechaduras nos nossos corações, dissolve a nossa dureza e abre-nos para uma felicidade que muitas vezes se encontra onde menos esperamos.

Portanto, não tenha medo deste caminho. Não tenhais medo do que o Senhor vos pede. Não tenham medo da santidade. Não lhe tirará a energia, a vitalidade ou a alegria. Pelo contrário, far-vos-á aquilo que o Pai tinha em mente quando vos criou. É um chamado a encontrar o seu verdadeiro eu ao viver uma vida de amor.105 É um chamado a abraçar o desafio com um coração alegre. Pois o próprio Jesus conclui o seu ensino com esta ordem: «Alegrai-vos e alegrai-vos!».7 Esta é a grande promessa das bem-aventuranças.

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